Desculpem-me os não-jornalistas, mas esse texto não é para vocês. Quer dizer, quem quiser ler, que leia. Aproveite para ter mais argumentos na hora de xingar um jornalista. De qualquer forma, como eu sou jornalista, acho que posso xingar a minha categoria (e que os jornalistas que estiverem lendo isso não se ofendam, pois claramente não me refiro a vocês).
O site Comunique-se é muito freqüentado por jornalistas, pois conta com notícias, artigos e outros serviços voltados a esse profissional. Até aí, tudo bem. Eu mesmo entro bastante lá e recomendo que os demais “coleguinhas” o façam.
O problema está nos comentários que os visitantes colocam no final de cada texto. Lá, é possível ver como os jornalistas são chatos, arrogantes (por vezes ególatras) e pentelhos. Quando o autor do texto é um jornalista, digamos, “fodão”, todos os comentários são elogiosos e puxa-sacos. Os caras ficam tratando o jornalista “fodão” como amigo, pelo primeiro nome e tudo (algo como “Boechat, é sempre uma delícia ler seus textos...”). O mesmo ocorre se um “fodão” resolver mandar um comentário (“é com felicidade que eu vejo que o Juca Kfouri é leitor desse espaço”).
No entanto, o mesmo comportamento não se verifica quando só há jornalistas “mortais” envolvidos. Daí, é uma guerra de egos em que cada um fica tentando mostrar que sabe mais de jornalismo que o outro. Pululam referências ao passado e ao presente dos meios de comunicação e histórias que parecem um concurso de quem tem mais bagagem e experiências pessoais. Além disso, sobram interpretações das mais estapafúrdias (ou pseudo-geniais) sobre os assuntos. Claro que sempre tem algo de aproveitável ali, mas é difícil de encontrar no meio de tantos comentários ingênuos de estudantes (que só falam nas exigências do tal “mercado de trabalho” e em decepções com a profissão) e recalques dos demais jornalistas (como eu mesmo).
Mas o mais ridículo acontece quando alguém manda um texto com erro de revisão. Raios, todos sabem que escrever rápido, sem verificador ortográfico e deixando de lado o zelo necessário é um convite ao erro de revisão. Mas o jornalista orgulhoso não pode admitir isso. Talvez um outro possa cometer esse erro. Ele não. Ele tem o "texto pronto", que já sai do teclado perfeito. Se esse indivíduo põe no ar um texto com um erro de português banal, como escrever “igrja” ao invés de “igreja”, ele tem de mandar outro comentário, só para corrigir o erro. É patético. Como se alguém fosse perder uma oportunidade de emprego por ter escrito errado em um comentário que saiu em um site.
No começo, isso me irritava. Hoje, é meio como uma diversão masoquista. Vou parar por aqui porque já escrevi muito sobre esse assunto hoje. Isso porque nem falei da discussão do diploma...
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A propósito, como surgiu o termo "coleguinhas" no meio jornalístico? Além de bobo, é falso. Afinal, jornalista muitas vezes se odeia e não se vê como colega, mas sim, como concorrente
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Uma curtinha da vida pessoal (tem gente que já ouviu essa história). Um dia eu resolvi programar o aparelho de som para me acordar tocando um clássico dos clássicos: Black Sabbath, retirada do recomendado The Ozzman Cometh. Quando começa a música, minha mulher logo fala: “muda isso, por favor. Parece que eu morri dormindo e acordei no inferno”. Hahahaha. Definição perfeita!