<?xml version="1.0" encoding="ISO 8859-1"?>
<feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">
    <title>Jornalista de Merda</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/" />
    <link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/atom.xml" />
   <id>tag:www.gardenal.org,2006:/jornalistademerda/22</id>
    <link rel="service.post" type="application/atom+xml" href="http://www.gardenal.org/mt/mt-atom.cgi/weblog/blog_id=22" title="Jornalista de Merda" />
    <updated>2006-02-22T16:19:31Z</updated>
    
    <generator uri="http://www.sixapart.com/movabletype/">Movable Type 3.2</generator>
 
<entry>
    <title>Encaï¿½apados na Quebrada</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/2006/02/encacapados_na_quebrada.html" />
    <link rel="service.edit" type="application/atom+xml" href="http://www.gardenal.org/mt/mt-atom.cgi/weblog/blog_id=22/entry_id=1061" title="Encaï¿½apados na Quebrada" />
    <id>tag:www.gardenal.org,2006:/jornalistademerda//22.1061</id>
    
    <published>2006-02-08T03:08:17Z</published>
    <updated>2006-02-22T16:19:31Z</updated>
    
    <summary>Sempre que eu e Abud partimos rumo ao desconhecido carregamos uma mï¿½xima: independente do resultado da empreitada ï¿½ seje bom, seje ruim ï¿½ o importante ï¿½ preencher o livrinho da vida. O que nï¿½o pode ï¿½ apontar na reta de...</summary>
    <author>
        <name>Jornalista de Merda</name>
        <uri>www.gardenal.org/jornalistademerda</uri>
    </author>
    
    <content type="html" xml:lang="en-us" xml:base="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/">
        <![CDATA[<p>Sempre que eu e Abud partimos rumo ao desconhecido carregamos uma mï¿½xima: independente do resultado da empreitada ï¿½ seje bom, seje ruim ï¿½ o importante ï¿½ preencher o livrinho da vida. O que nï¿½o pode ï¿½ apontar na reta de chegada com um pocket book debaixo do braï¿½o. Tem que ter histï¿½ria pra contar. E isso nï¿½o nos falta. Nossa parceria jï¿½ rendeu pï¿½ginas e mais pï¿½ginas, boa parte delas aqui publicadas. Teve de um tudo. Geral chamando na hands num cinema pornï¿½, xoxaï¿½ï¿½o desenfreada numa casa de swing, salves no encontro Racional, fervo na pista da melhor idade, entre outras peripï¿½cias. Tantas emoï¿½ï¿½es, porï¿½m, poucas comparï¿½veis as que eu destrincharei na seqï¿½ï¿½ncia para vocï¿½s. Segue o baile...</p>

<p>	Abud mandou a pauta pelo msn: participar de um torneio de sinuca modalidade bola oito. Atï¿½ aï¿½, grandes merda. Mas aguardem. A parada tinha tudo para ser nervosa a comeï¿½ar pelo local de sua realizaï¿½ï¿½o, a Associaï¿½ï¿½o de Moradores Moradias Cajuru. Traduzindo para quem nï¿½o ï¿½ da ï¿½rea, o Cajuru ï¿½ o bairro mais violento de Curitiba, seguido de Boqueirï¿½o, Cidade Industrial e Sï¿½tio Cercado. E embora soubï¿½ssemos desse fato desde o princï¿½pio, sï¿½ ligamos o nome ï¿½ pessoa quando pintamos nas redondezas. Mas voltemos. Outro aspecto que indicava para uma matï¿½ria interessante tratava da premiaï¿½ï¿½o: 500 reales para o campeï¿½o, 250 para o vice, 150 para o terceiro e 100 para o quarto. Nï¿½o que nï¿½s pretendï¿½ssemos engordar o numerï¿½rio ï¿½ dada nossa total inexperiï¿½ncia no assunto - mas jogar valendo dinheiro teria um gostinho pra lï¿½ de especial. Para nï¿½s entï¿½o - que rasgarï¿½amos gloriosamente os 20 mangos da inscriï¿½ï¿½o - seria uma delï¿½cia. Entï¿½o fechou a questï¿½. Dia 10 de setembro eu e Abud voltarï¿½amos ï¿½s ruas. </p>

<p><strong>Colocando as bolas na reta</strong></p>

<p>Nasceu o sï¿½bado ï¿½ com a capital paranaense lindamente ensolarada ï¿½ e eu telefonei para o parceiro a fim de acertarmos a diligï¿½ncia. Foi quando ele me informou que alguns participantes do certame estariam num determinado bar, aquecendo os tacos entre um chocomilk e uma Sete Belo. Localizado na Repï¿½blica Argentina, avenida que faz parte do itinerï¿½rio costumeiro de Abud, o boteco foi o grande responsï¿½vel pela idï¿½ia da matï¿½ria. Voltando para o lar num dia qualquer, Abud visualizou um chamativo cartaz de divulgaï¿½ï¿½o e teve o estalo. Como o inï¿½cio da competiï¿½ï¿½o aconteceria somente ï¿½s 19 horas, desembarcamos no ponto de encontro ao final da tarde para nos adonarmos do clima de um torneio de bilhar de alto rendimento. Sï¿½ nï¿½o contï¿½vamos com a decepcionante audiï¿½ncia, encontravam-se no local meia dï¿½zia de dois ou trï¿½s bï¿½bados. Mas foi coisa de Deus. Sï¿½ por ele, a mesa de sinuca estava vazia e pudemos azeitar as articulaï¿½ï¿½es cutucando as pelotitas coloridas. Trï¿½s fichas e algumas Wimis depois, nossos perfis como atletas de bilhar eram os seguintes:</p>

<p>Andrï¿½ Pugliesi ï¿½ Nas trï¿½s partidas abriu larga vantagem. Deu chapï¿½u, pedalou, bola no meio das pernas e drible da vaca no comeï¿½o. Porï¿½m, sucumbiu nos minutos finais nas trï¿½s oportunidades. Jogo pouco consistente. </p>

<p>Rodrigo Abud ï¿½ Comeï¿½ou muito mal trï¿½s vezes, mas virou nos ï¿½ltimos instantes. Compensou o ataque deficiente com uma boa defesa. No entanto, assim como Andrï¿½, praticou um jogo sem consistï¿½ncia. </p>

<p>Preocupados com a possibilidade de desclassificaï¿½ï¿½o sem encaï¿½apar uma ï¿½nica bola, emendamos uma resenha com o dono do estabelecimento, que tambï¿½m participaria. Terï¿½amos alguma chance? Joï¿½o Santos amenizou. ï¿½ï¿½ muito bem disputado. Tudo pode acontecerï¿½. A nosso favor, o fato das mesas serem pequenas, o que sabidamente amplia as chances dos jogadores de pouca tï¿½cnica e muito vigor. Cientes da impossibilidade de faturar o cascalho, alimentamos a idï¿½ia de quem sabe meter duas bolas na trave, caprichar no chuveirinho, dividir todas e nos retirarmos honrosamente perdendo de pouco. Para completar o vislumbre, questionamos Joï¿½o sobre os favoritos. ï¿½Tem gente muito boa que vai participar. Acho que Grilo e Carlï¿½o sï¿½o os com mais chances de vencerï¿½, apontou. </p>

<p>Dono de bar e ostentando uma boina branca no melhor estilo Rui Chapï¿½u, Joï¿½o Santos nï¿½o chamou pra si a condiï¿½ï¿½o de cover do mestre sinuqueiro, justificando a inclusï¿½o dele fora dos possï¿½veis vencedores. ï¿½Eu vou mais para participar. Devo ir lï¿½ pelas oito horas, se quiserem levo vocï¿½s lï¿½. Agradecemos a gentileza, mas novamente, decidimos antever o lance, ingï¿½nuos na pretensï¿½o de encontrarmos facilmente a associaï¿½ï¿½o de moradores. </p>

<p><strong>Trutas e quebradas</strong></p>

<p>Foram necessï¿½rios trï¿½s pit stops de informaï¿½ï¿½es para sabermos que ainda tinha muito chï¿½o pela frente. Era preciso descer a Luiz Franï¿½a, virar ï¿½ esquerda apï¿½s o depï¿½sito de gï¿½s, virar ï¿½ direita dois cruzamentos adiante para entï¿½o seguir cinco quadras atï¿½ o destino final. Atï¿½ a ï¿½ltima entrada a rodonave escorregava macia na via asfaltada. Entretanto, quando avistamos a rua Joï¿½o Crissï¿½stomo da Rosa, o Bronx se adonou da paisagem. Uma viela estreita, chï¿½o batido, muitos bares e igrejas, rapaziada pela rua em meio ï¿½s casas amontoadas. Abud cravou. ï¿½Broncas legais!ï¿½. Confesso que a crenï¿½a no brasileiro humilde e ordeiro se misturava ao temor de nos tornarmos os Tim Lopes da juventude. Sabe como ï¿½, hoje em dia ï¿½ preciso desconfiar de tudo, da alta roda e, naturalmente, onde a turma estï¿½ a perigo. Mas nï¿½o dï¿½ nada, mergulhamos em busca do nï¿½mero 200 e o encontramos quase no final do caminho, vizinho de uma pracinha tï¿½pica de periferia. </p>

<p>A Associaï¿½ï¿½o de Moradores Moradias Cajuru nï¿½o difere de nenhuma das milhares de associaï¿½ï¿½es de bairro Brasil ï¿½ fora. Um galpï¿½o modesto de fundos, mesas e bancos compridos de madeira espalhados. Ao centro, lï¿½ estavam as estrelas da noite: trï¿½s mesas de sinuca confeccionadas pelos bilhares Celli. E a moï¿½ada estava se pegando bonito nas tacadas. Mas sï¿½ por esporte.  Em volta de cada mesa, 10, 15 homens travando jogos de curta duraï¿½ï¿½o e alta intensidade. Sem demora, eu e Abud fomos atï¿½ a mesa de inscriï¿½ï¿½o: 20 reales uma chance no campeonato, 30 duas. Conscientes, ficamos com uma. As tratativas foram com o segundo Joï¿½o da noite, Joï¿½ozinho, o organizador da brincadeira de perder dinheiro. Simpï¿½tico, nos tranqï¿½ilizou geral. ï¿½A rapaziada vem mais para se divertir. ï¿½ sossegado. E lï¿½ fora deixei um menino meu pra cuidar dos carrosï¿½, revelou o cabeï¿½a. Quanto ao jogo - embora fosse pouco provï¿½vel que alguï¿½m ali estivesse disposto a marotear com 500 pratas na berlinda - baixamos a guarda e ficamos mais ï¿½ vontade. </p>

<p>No celular, Dude Munhoz chamando. Colunista do Bule e catedrï¿½tico em punk rock, Dude comporia o staff do Jornalista de Merda no evento, e carecia de dicas para nos encontrar. Depois das informaï¿½ï¿½es mais lazarentas possï¿½veis, eis que minutos depois ele adentra faceiro ao recinto. O vï¿½ de Dude tinha mesa de sinuca em casa, o que gabaritava o netinho a ser nosso ponta-de-lanï¿½a. Lamentavelmente, contrapondo ï¿½ alegria de sua presenï¿½a, veio logo a decepï¿½ï¿½o. Devido a um compromisso posterior, nossa grande esperanï¿½a ficaria de fora. Sem Dude, as chances de promovermos um brilhareco ficaram reduzidï¿½ssimas. Enfim, irï¿½amos de prata-da-casa mesmo.  </p>

<p>A preï¿½os justos, eram oferecidos quitutes e bebericos, gentilmente servidos pelas crianï¿½as da ï¿½rea, tirando onda de garï¿½ons. No entanto, preferimos um regime severo para nï¿½o ter que lidar com algum imprevisto de ordem intestinal na hora de mostrar o pau e matar as bolas. Jï¿½ Dude, agora na condiï¿½ï¿½o de tï¿½cnico, nï¿½o se fez de rogado e degustou a popular carne assada. E aprovou. ï¿½Muito bom. Tradicional tempero de igrejaï¿½, avaliou o professor. </p>

<p>Mas o tempo passava e nada. Nï¿½o vï¿½amos a hora de nos digladiarmos no feltro verde. Inscriï¿½ï¿½es mil, entra e sai de pessoas, vanerï¿½o rachando as paredes, sauna de cigarro e bolas espocando sem parar aditivavam a ansiedade. Sem contar as diversas figuras caï¿½ticas que apareciam e desapareciam, tornando o ambiente tenso em alguns momentos. Menos mal, em se tratando do pï¿½blico, o melhor estava por vir, segundo Joï¿½o Santos. ï¿½Depois da meia-noite comeï¿½a a chegar mulher bonitaï¿½, disse. Era a promessa, jï¿½ que atï¿½ o momento poucas moï¿½as perfumavam o ar carregado de cana, cigarro e tosqueira. </p>

<p>Depois de corridas quase duas horas de espera, finalmente o bagulho ia ficar frenï¿½tico. Joï¿½o cresceu na organizaï¿½ï¿½o e chamou o sorteio. Eram mais ou menos 28 inscritos. Os que nï¿½o eram donos de bar, eram amigos do dono. Resumindo, de zï¿½ mane sï¿½ eu e o Abud mesmo. Em cima de uma mesa, burburinho rolando, veio o primeiro nome a pular da cumbuca: Andrï¿½! Nï¿½o pasmei. Seria surpreendente se meu nome saï¿½sse por primeiro para ganhar algum tipo de prï¿½mio. Nesse caso, normal. Que fase. Segundo nome: Mï¿½rio! Pronto, estava configurada a primeira eliminatï¿½ria. Sem demora, Dude Munhoz surgiu me oferecendo um taco jï¿½ devidamente auferido no teste de rolagem sobre a mesa. Aceitei e jï¿½ fui criando intimidade com meu instrumento. Soou a convocaï¿½ï¿½o e eu atendi imediatamente. Mas nï¿½o ï¿½ que o tal Mï¿½rio, aquele, simplesmente escafedeu? Pensei comigo, um a zero pra mim no W.O. e jï¿½ estou no lucro. Atï¿½ que se desfez o mistï¿½rio. O garrancho pariu um Mï¿½rio, mas era Mï¿½rcio, simplesmente um dos organizadores do torneio. </p>

<p><strong>Me mata de vergonha</strong></p>

<p>De canto de olho eu jï¿½ tinha observado o estilo de Mï¿½rcio, e me chamou a atenï¿½ï¿½o algumas bï¿½fas que ele tinha desferido. Tacadas que se fossem dadas por mim as bolas seriam lanï¿½adas para fora do estï¿½dio. Espertamente, cheguei no adversï¿½rio para tentar arrefecer os ï¿½nimos. ï¿½ï¿½ a primeira vez que participo de um campeonato, vim mais pra ver qual ï¿½. Atï¿½ porque nï¿½o jogo nadaï¿½, comentei. No que fui secamente respondido. ï¿½Tranqï¿½ilo, nï¿½o tem problemaï¿½, disse meu oponente. ï¿½ claro que teria problema. Para mim, ï¿½bvio. E tentando posterga-los o mï¿½ximo possï¿½vel, trabalhei para que Mï¿½rcio desse a tacada tradicional de estouramento das bolas. Afinal, malandro que ï¿½ malandro nï¿½o estoura. Agredidos, os nï¿½meros se espalharam pela mesa e era chegado o momento do meu lance inaugural. Espalhei o giz com malï¿½cia no biquinho e fui pra dentro. Resultado: espirrada clï¿½ssica! Foi quando tombou meu jipinho. Eu jï¿½ nï¿½o tinha o handicap tï¿½cnico, e agora perdia totalmente o psicolï¿½gico. Pra piorar, no meu box, Dude e Abud ï¿½ aqueles que deviam me apoiar ï¿½ choravam de rir do dï¿½but vexaminoso. </p>

<p>Mï¿½rcio nï¿½o teve piedade e voltou esvaziando a mesa. Uma, duas, trï¿½s, quatro, cinco bolas em seqï¿½ï¿½ncia na caï¿½apa. Digamos que a partida havia se tornado um tanto quanto complicada para a minha pessoa. Sem pï¿½nico, chamei na humildade e passei a vez. Meu objetivo agora era humildemente acertar as bolas. Sï¿½. Nï¿½o mato as minhas, mas tambï¿½m nï¿½o entrego pra ele. Tï¿½tica que nï¿½o era tï¿½o simples. O nervosismo produzia suor e o taco nï¿½o deslizava entre os dedos. Mas finalmente, Mï¿½rcio pï¿½s a bola oito pra dormir sacramentando meu primeiro revï¿½s. Com a disputa em melhor de trï¿½s fomos para o segundo e derradeiro embate. Desta feita, nï¿½o tomei uma tunda, mas sim uma piaba. Mas nada que tenha ofuscado minha ï¿½nica bola matada nos dois confrontos, produzida por acaso num belï¿½ssimo telefone. Bati na trï¿½s que chocou-se com a sete que carregou meu alï¿½vio pela canaleta do tï¿½nel. Missï¿½o cumprida. Ao natural, meu algoz finalizou a partida e dirigiu-me cumprimentos cordiais. </p>

<p><strong>Farofa passou a lingï¿½iï¿½a</strong></p>

<p>Eliminado, fui para a arquibancada e assumi a reportagem fotogrï¿½fica. Com a palavra, literalmente, a bola da vez: Rodrigo Abud. Ele conta como foi...</p>

<p>Eis que vem ï¿½ tona o meu jogo. Iria enfrentar o Farofa, um adversï¿½rio marrento que atuava com uma luva preta sem dedos na mï¿½o esquerda. Todo cheio de nove hora. Nï¿½o quis nem saber e fui pra cima, jï¿½ que nï¿½o tinha nada a perder. A grana da minha inscriï¿½ï¿½o estava nas mï¿½os dos organizadores e sï¿½ me restava fazer pose de jogador profissional. Comeï¿½o da partida - nï¿½o vou negar -estava um pouco nervoso, afinal, nunca tive mais do que trï¿½s ou quatro pessoas observando minha arte de desempenhar bola oito. No torneio o pï¿½blico era grande, e ainda tive o azar de cair na mesa principal, que apelidei de Maracanï¿½, pelo fato do povï¿½o estar fervendo ao redor. Para me precaver, encostei no jovem e solicitei. ï¿½Vai de leveï¿½. Bolas estouradas, minha primeira tacada foi forte e certeira, bola seis na caï¿½apa do canto. Senti que o adversï¿½rio tremeu na base, vendo o dinheiro da sua inscriï¿½ï¿½o, assim como o prï¿½mio, batendo asas. Tanto que retrucou. ï¿½Vai de leve vocï¿½, espantou-se Farofa. Mas como toda mï¿½scara tende a cair, a minha caiu em seguida. No decorrer da peleja sï¿½ bati bola, enquanto o Farofa ia fazendo das suas e guardando na caï¿½apa. Atï¿½ tive chances de emburacar mais as meninas, mas parti para o estilo violento e nï¿½o obtive ï¿½xito. Resultado: o adversï¿½rio matando a oito e eu com seis bolas na mesa. </p>

<p>Segundo jogo, agora com o Farofa mais tranqï¿½ilo, sabendo que eu nï¿½o era de nada. E dessa forma minhas chances foram menores. Para vocï¿½s terem uma idï¿½ia, talvez a melhor jogada que fiz foi uma tacada em que a branca passou raspando em duas bolas minhas, sem encostar, e caiu na caï¿½apa. Coisa de quem sabe. Fui ficando desmotivado com a eliminaï¿½ï¿½o cada vez mais latente, tanto que a ï¿½nica bola que guardei foi em razï¿½o de um erro do adversï¿½rio. Definitivamente, um jogo sem graï¿½a para o pï¿½blico e para mim, que tomei uma verdadeira sova. Novamente o resultado que todos esperavam, Farofa rolando a oito para a caï¿½apa e eu definitivamente fora.</p>

<p><strong>Bateu a deprï¿½</strong></p>

<p>A decepï¿½ï¿½o de quem pagou pra participar de uma suruba com as coelhinhas da Playboy e nï¿½o conseguiu nem ficar pelado se abateu sobre nï¿½s. Os olhos marejaram. A voz de Luciano do Valle que ecoava em nossos ouvidos e explodia em nossos sonhos - como nas narraï¿½ï¿½es dos feitos de Rui Chapï¿½u e Roberto Carlos na Bandeirantes - foi sumindo pouco a pouco. E sumiu. O Cajuru emudeceu. O pï¿½nis desceu. A fome bateu. A lï¿½grima desceu. Nï¿½o nos restava outra alternativa que nï¿½o nos retirarmos ï¿½ francesa pelas portas do fundo. Contudo, surpreendentemente, um incrï¿½vel fenï¿½meno de socializaï¿½ï¿½o tomou conta do ambiente antes de nossa partida. Tal qual um site bemnafoto underground todo mundo quis eternizar o momento com os dois jovens forasteiros. </p>

<p>Para piorar, segundo os especialistas, o ganhador seria conhecido somente no comeï¿½o da tarde de domingo, e como eu e Abud estï¿½vamos na funï¿½ï¿½o desde ï¿½s 17 horas, nï¿½o terï¿½amos condiï¿½ï¿½es de suportar a maratona. Lamentï¿½vel, claro. As latas de Kaiser vazias se multiplicavam, a competiï¿½ï¿½o se acirrava, e a madrugada prometia fortes emoï¿½ï¿½es. Infelizmente, tivemos que nos despedir da rapaziada, desejamos sorte e puxamos o carro. Lï¿½ fora, tudo em paz na quebrada e tudo em ordem conosco. Cravada na mente, a curtiï¿½ï¿½o de uma noite marota de sinuca.</p>

<p><strong>O Rei do Cajuru</strong></p>

<p>	Conforme combinado, ativei meus contatos pra saber do desfecho do torneio. Primeiro, Joï¿½o Santos reportou. ï¿½Fiquei em sï¿½timo, ganhei oito partidas. Quando a gente ganha ï¿½ uma adrenalina fora de sï¿½rie, mas quando perde bate o desï¿½nimo. Saï¿½ de lï¿½ meio-dia morto de cansado. Nï¿½o sei quem venceuï¿½.  Ficou a pergunta, que seria respondida pelo organizador Joï¿½ozinho na ligaï¿½ï¿½o seguinte. A disputa terminou ï¿½s quatro horas da tarde de domingo, com impressionantes 1200 minutos de duraï¿½ï¿½o. Tudo na santa, mesmo quando o ï¿½lcool e o sono castigavam sem dï¿½ a moleira. ï¿½A organizaï¿½ï¿½o foi uma beleza, sem problema nenhumï¿½, contou Joï¿½ozinho.  </p>

<p>Mas de uma vez por todas, quem ganhou? Vocï¿½ deve estar se perguntando. Entï¿½o toma. ï¿½Foi o Mï¿½rcioï¿½, saciou o organizador do evento. Obviamente, aqui cabe um parï¿½ntese. Um insight que finalmente bateu ao saber do resultado. Quando o nome de Mï¿½rcio chegou aos meus ouvidos tudo finalmente fez sentido. Eu sei, nunca fui um artista no manejo dos tacos, mas algo me dizia que a minha precoce eliminaï¿½ï¿½o no sï¿½bado haveria de ser escrita nas estrelas. Oras, perdi para o campeï¿½o! O que numa conta simples crava meu nome na posiï¿½ï¿½o de segundo colocado na prï¿½tica. ï¿½, amigo. Os Deuses da Sinuca gostam de uma peraltice. Reservaram para a primeira rodada, quando ninguï¿½m imaginava, a verdadeira final. Vencendo a ï¿½ngrime subida que encontrou em mim, Mï¿½rcio pï¿½de sossegar e descer na banguela o caminho rumo ao tï¿½tulo. <br />
	<br />
Com o dono dos 500 reais ao telefone, provoquei. ï¿½Senti que forcei vocï¿½ a melhorar muito na primeira rodada. E isso te garantiu o tï¿½tulo, nï¿½?ï¿½. Simpaticamente, Mï¿½rcio respondeu. ï¿½Pois ï¿½, foi por isso que consegui ganharï¿½. E a grana conquistada nï¿½o vai reforï¿½ar o orï¿½amento da fera, mas sim alimentar mais partidas valendo dinheiro. ï¿½Eu me considero jogador profissional. Sï¿½ jogo apostando. E como estou sempre na ativa ganho mais do que percoï¿½, revelou. Alï¿½m de Mï¿½rcio, chegaram nas semifinais Miguel, Adï¿½lson e Luizinho, com o ï¿½ltimo sendo derrotado na grande decisï¿½o. ï¿½Ele cometeu um vacilo, eu matei minhas bolas adubadas, descolei a oito e prontoï¿½, explicou Mï¿½rcio sobre o segredo da vitï¿½ria.  </p>

<p>Colaboraï¿½ï¿½o no texto: Dude Munhoz<br />
Colaboraï¿½ï¿½o nas fotos: Rafaela</p>]]>
        
    </content>
</entry>
<entry>
    <title>Segura aí...</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/2005/12/segura_ai_1.html" />
    <link rel="service.edit" type="application/atom+xml" href="http://www.gardenal.org/mt/mt-atom.cgi/weblog/blog_id=22/entry_id=117" title="Segura aí..." />
    <id>tag:www.gardenal.org,2005:/jornalistademerda//22.117</id>
    
    <published>2005-12-12T18:24:11Z</published>
    <updated>2006-01-20T02:01:58Z</updated>
    
    <summary>Logo mais, meus queridos, tudo em ordem novamente. Guentem firme....</summary>
    <author>
        <name>Jornalista de Merda</name>
        <uri>www.gardenal.org/jornalistademerda</uri>
    </author>
    
    <content type="html" xml:lang="en-us" xml:base="http://www.gardenal.org/jornalistademerda/">
        <![CDATA[<p>Logo mais, meus queridos, tudo em ordem novamente.</p>

<p>Guentem firme.</p>]]>
        
    </content>
</entry>

</feed> 

