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Enca�apados na Quebrada

Sempre que eu e Abud partimos rumo ao desconhecido carregamos uma m�xima: independente do resultado da empreitada � seje bom, seje ruim � o importante � preencher o livrinho da vida. O que n�o pode � apontar na reta de chegada com um pocket book debaixo do bra�o. Tem que ter hist�ria pra contar. E isso n�o nos falta. Nossa parceria j� rendeu p�ginas e mais p�ginas, boa parte delas aqui publicadas. Teve de um tudo. Geral chamando na hands num cinema porn�, xoxa��o desenfreada numa casa de swing, salves no encontro Racional, fervo na pista da melhor idade, entre outras perip�cias. Tantas emo��es, por�m, poucas compar�veis as que eu destrincharei na seq��ncia para voc�s. Segue o baile...

Abud mandou a pauta pelo msn: participar de um torneio de sinuca modalidade bola oito. At� a�, grandes merda. Mas aguardem. A parada tinha tudo para ser nervosa a come�ar pelo local de sua realiza��o, a Associa��o de Moradores Moradias Cajuru. Traduzindo para quem n�o � da �rea, o Cajuru � o bairro mais violento de Curitiba, seguido de Boqueir�o, Cidade Industrial e S�tio Cercado. E embora soub�ssemos desse fato desde o princ�pio, s� ligamos o nome � pessoa quando pintamos nas redondezas. Mas voltemos. Outro aspecto que indicava para uma mat�ria interessante tratava da premia��o: 500 reales para o campe�o, 250 para o vice, 150 para o terceiro e 100 para o quarto. N�o que n�s pretend�ssemos engordar o numer�rio � dada nossa total inexperi�ncia no assunto - mas jogar valendo dinheiro teria um gostinho pra l� de especial. Para n�s ent�o - que rasgar�amos gloriosamente os 20 mangos da inscri��o - seria uma del�cia. Ent�o fechou a quest�. Dia 10 de setembro eu e Abud voltar�amos �s ruas.

Colocando as bolas na reta

Nasceu o s�bado � com a capital paranaense lindamente ensolarada � e eu telefonei para o parceiro a fim de acertarmos a dilig�ncia. Foi quando ele me informou que alguns participantes do certame estariam num determinado bar, aquecendo os tacos entre um chocomilk e uma Sete Belo. Localizado na Rep�blica Argentina, avenida que faz parte do itiner�rio costumeiro de Abud, o boteco foi o grande respons�vel pela id�ia da mat�ria. Voltando para o lar num dia qualquer, Abud visualizou um chamativo cartaz de divulga��o e teve o estalo. Como o in�cio da competi��o aconteceria somente �s 19 horas, desembarcamos no ponto de encontro ao final da tarde para nos adonarmos do clima de um torneio de bilhar de alto rendimento. S� n�o cont�vamos com a decepcionante audi�ncia, encontravam-se no local meia d�zia de dois ou tr�s b�bados. Mas foi coisa de Deus. S� por ele, a mesa de sinuca estava vazia e pudemos azeitar as articula��es cutucando as pelotitas coloridas. Tr�s fichas e algumas Wimis depois, nossos perfis como atletas de bilhar eram os seguintes:

Andr� Pugliesi � Nas tr�s partidas abriu larga vantagem. Deu chap�u, pedalou, bola no meio das pernas e drible da vaca no come�o. Por�m, sucumbiu nos minutos finais nas tr�s oportunidades. Jogo pouco consistente.

Rodrigo Abud � Come�ou muito mal tr�s vezes, mas virou nos �ltimos instantes. Compensou o ataque deficiente com uma boa defesa. No entanto, assim como Andr�, praticou um jogo sem consist�ncia.

Preocupados com a possibilidade de desclassifica��o sem enca�apar uma �nica bola, emendamos uma resenha com o dono do estabelecimento, que tamb�m participaria. Ter�amos alguma chance? Jo�o Santos amenizou. �� muito bem disputado. Tudo pode acontecer�. A nosso favor, o fato das mesas serem pequenas, o que sabidamente amplia as chances dos jogadores de pouca t�cnica e muito vigor. Cientes da impossibilidade de faturar o cascalho, alimentamos a id�ia de quem sabe meter duas bolas na trave, caprichar no chuveirinho, dividir todas e nos retirarmos honrosamente perdendo de pouco. Para completar o vislumbre, questionamos Jo�o sobre os favoritos. �Tem gente muito boa que vai participar. Acho que Grilo e Carl�o s�o os com mais chances de vencer�, apontou.

Dono de bar e ostentando uma boina branca no melhor estilo Rui Chap�u, Jo�o Santos n�o chamou pra si a condi��o de cover do mestre sinuqueiro, justificando a inclus�o dele fora dos poss�veis vencedores. �Eu vou mais para participar. Devo ir l� pelas oito horas, se quiserem levo voc�s l�. Agradecemos a gentileza, mas novamente, decidimos antever o lance, ing�nuos na pretens�o de encontrarmos facilmente a associa��o de moradores.

Trutas e quebradas

Foram necess�rios tr�s pit stops de informa��es para sabermos que ainda tinha muito ch�o pela frente. Era preciso descer a Luiz Fran�a, virar � esquerda ap�s o dep�sito de g�s, virar � direita dois cruzamentos adiante para ent�o seguir cinco quadras at� o destino final. At� a �ltima entrada a rodonave escorregava macia na via asfaltada. Entretanto, quando avistamos a rua Jo�o Criss�stomo da Rosa, o Bronx se adonou da paisagem. Uma viela estreita, ch�o batido, muitos bares e igrejas, rapaziada pela rua em meio �s casas amontoadas. Abud cravou. �Broncas legais!�. Confesso que a cren�a no brasileiro humilde e ordeiro se misturava ao temor de nos tornarmos os Tim Lopes da juventude. Sabe como �, hoje em dia � preciso desconfiar de tudo, da alta roda e, naturalmente, onde a turma est� a perigo. Mas n�o d� nada, mergulhamos em busca do n�mero 200 e o encontramos quase no final do caminho, vizinho de uma pracinha t�pica de periferia.

A Associa��o de Moradores Moradias Cajuru n�o difere de nenhuma das milhares de associa��es de bairro Brasil � fora. Um galp�o modesto de fundos, mesas e bancos compridos de madeira espalhados. Ao centro, l� estavam as estrelas da noite: tr�s mesas de sinuca confeccionadas pelos bilhares Celli. E a mo�ada estava se pegando bonito nas tacadas. Mas s� por esporte. Em volta de cada mesa, 10, 15 homens travando jogos de curta dura��o e alta intensidade. Sem demora, eu e Abud fomos at� a mesa de inscri��o: 20 reales uma chance no campeonato, 30 duas. Conscientes, ficamos com uma. As tratativas foram com o segundo Jo�o da noite, Jo�ozinho, o organizador da brincadeira de perder dinheiro. Simp�tico, nos tranq�ilizou geral. �A rapaziada vem mais para se divertir. � sossegado. E l� fora deixei um menino meu pra cuidar dos carros�, revelou o cabe�a. Quanto ao jogo - embora fosse pouco prov�vel que algu�m ali estivesse disposto a marotear com 500 pratas na berlinda - baixamos a guarda e ficamos mais � vontade.

No celular, Dude Munhoz chamando. Colunista do Bule e catedr�tico em punk rock, Dude comporia o staff do Jornalista de Merda no evento, e carecia de dicas para nos encontrar. Depois das informa��es mais lazarentas poss�veis, eis que minutos depois ele adentra faceiro ao recinto. O v� de Dude tinha mesa de sinuca em casa, o que gabaritava o netinho a ser nosso ponta-de-lan�a. Lamentavelmente, contrapondo � alegria de sua presen�a, veio logo a decep��o. Devido a um compromisso posterior, nossa grande esperan�a ficaria de fora. Sem Dude, as chances de promovermos um brilhareco ficaram reduzid�ssimas. Enfim, ir�amos de prata-da-casa mesmo.

A pre�os justos, eram oferecidos quitutes e bebericos, gentilmente servidos pelas crian�as da �rea, tirando onda de gar�ons. No entanto, preferimos um regime severo para n�o ter que lidar com algum imprevisto de ordem intestinal na hora de mostrar o pau e matar as bolas. J� Dude, agora na condi��o de t�cnico, n�o se fez de rogado e degustou a popular carne assada. E aprovou. �Muito bom. Tradicional tempero de igreja�, avaliou o professor.

Mas o tempo passava e nada. N�o v�amos a hora de nos digladiarmos no feltro verde. Inscri��es mil, entra e sai de pessoas, vaner�o rachando as paredes, sauna de cigarro e bolas espocando sem parar aditivavam a ansiedade. Sem contar as diversas figuras ca�ticas que apareciam e desapareciam, tornando o ambiente tenso em alguns momentos. Menos mal, em se tratando do p�blico, o melhor estava por vir, segundo Jo�o Santos. �Depois da meia-noite come�a a chegar mulher bonita�, disse. Era a promessa, j� que at� o momento poucas mo�as perfumavam o ar carregado de cana, cigarro e tosqueira.

Depois de corridas quase duas horas de espera, finalmente o bagulho ia ficar fren�tico. Jo�o cresceu na organiza��o e chamou o sorteio. Eram mais ou menos 28 inscritos. Os que n�o eram donos de bar, eram amigos do dono. Resumindo, de z� mane s� eu e o Abud mesmo. Em cima de uma mesa, burburinho rolando, veio o primeiro nome a pular da cumbuca: Andr�! N�o pasmei. Seria surpreendente se meu nome sa�sse por primeiro para ganhar algum tipo de pr�mio. Nesse caso, normal. Que fase. Segundo nome: M�rio! Pronto, estava configurada a primeira eliminat�ria. Sem demora, Dude Munhoz surgiu me oferecendo um taco j� devidamente auferido no teste de rolagem sobre a mesa. Aceitei e j� fui criando intimidade com meu instrumento. Soou a convoca��o e eu atendi imediatamente. Mas n�o � que o tal M�rio, aquele, simplesmente escafedeu? Pensei comigo, um a zero pra mim no W.O. e j� estou no lucro. At� que se desfez o mist�rio. O garrancho pariu um M�rio, mas era M�rcio, simplesmente um dos organizadores do torneio.

Me mata de vergonha

De canto de olho eu j� tinha observado o estilo de M�rcio, e me chamou a aten��o algumas b�fas que ele tinha desferido. Tacadas que se fossem dadas por mim as bolas seriam lan�adas para fora do est�dio. Espertamente, cheguei no advers�rio para tentar arrefecer os �nimos. �� a primeira vez que participo de um campeonato, vim mais pra ver qual �. At� porque n�o jogo nada�, comentei. No que fui secamente respondido. �Tranq�ilo, n�o tem problema�, disse meu oponente. � claro que teria problema. Para mim, �bvio. E tentando posterga-los o m�ximo poss�vel, trabalhei para que M�rcio desse a tacada tradicional de estouramento das bolas. Afinal, malandro que � malandro n�o estoura. Agredidos, os n�meros se espalharam pela mesa e era chegado o momento do meu lance inaugural. Espalhei o giz com mal�cia no biquinho e fui pra dentro. Resultado: espirrada cl�ssica! Foi quando tombou meu jipinho. Eu j� n�o tinha o handicap t�cnico, e agora perdia totalmente o psicol�gico. Pra piorar, no meu box, Dude e Abud � aqueles que deviam me apoiar � choravam de rir do d�but vexaminoso.

M�rcio n�o teve piedade e voltou esvaziando a mesa. Uma, duas, tr�s, quatro, cinco bolas em seq��ncia na ca�apa. Digamos que a partida havia se tornado um tanto quanto complicada para a minha pessoa. Sem p�nico, chamei na humildade e passei a vez. Meu objetivo agora era humildemente acertar as bolas. S�. N�o mato as minhas, mas tamb�m n�o entrego pra ele. T�tica que n�o era t�o simples. O nervosismo produzia suor e o taco n�o deslizava entre os dedos. Mas finalmente, M�rcio p�s a bola oito pra dormir sacramentando meu primeiro rev�s. Com a disputa em melhor de tr�s fomos para o segundo e derradeiro embate. Desta feita, n�o tomei uma tunda, mas sim uma piaba. Mas nada que tenha ofuscado minha �nica bola matada nos dois confrontos, produzida por acaso num bel�ssimo telefone. Bati na tr�s que chocou-se com a sete que carregou meu al�vio pela canaleta do t�nel. Miss�o cumprida. Ao natural, meu algoz finalizou a partida e dirigiu-me cumprimentos cordiais.

Farofa passou a ling�i�a

Eliminado, fui para a arquibancada e assumi a reportagem fotogr�fica. Com a palavra, literalmente, a bola da vez: Rodrigo Abud. Ele conta como foi...

Eis que vem � tona o meu jogo. Iria enfrentar o Farofa, um advers�rio marrento que atuava com uma luva preta sem dedos na m�o esquerda. Todo cheio de nove hora. N�o quis nem saber e fui pra cima, j� que n�o tinha nada a perder. A grana da minha inscri��o estava nas m�os dos organizadores e s� me restava fazer pose de jogador profissional. Come�o da partida - n�o vou negar -estava um pouco nervoso, afinal, nunca tive mais do que tr�s ou quatro pessoas observando minha arte de desempenhar bola oito. No torneio o p�blico era grande, e ainda tive o azar de cair na mesa principal, que apelidei de Maracan�, pelo fato do pov�o estar fervendo ao redor. Para me precaver, encostei no jovem e solicitei. �Vai de leve�. Bolas estouradas, minha primeira tacada foi forte e certeira, bola seis na ca�apa do canto. Senti que o advers�rio tremeu na base, vendo o dinheiro da sua inscri��o, assim como o pr�mio, batendo asas. Tanto que retrucou. �Vai de leve voc�, espantou-se Farofa. Mas como toda m�scara tende a cair, a minha caiu em seguida. No decorrer da peleja s� bati bola, enquanto o Farofa ia fazendo das suas e guardando na ca�apa. At� tive chances de emburacar mais as meninas, mas parti para o estilo violento e n�o obtive �xito. Resultado: o advers�rio matando a oito e eu com seis bolas na mesa.

Segundo jogo, agora com o Farofa mais tranq�ilo, sabendo que eu n�o era de nada. E dessa forma minhas chances foram menores. Para voc�s terem uma id�ia, talvez a melhor jogada que fiz foi uma tacada em que a branca passou raspando em duas bolas minhas, sem encostar, e caiu na ca�apa. Coisa de quem sabe. Fui ficando desmotivado com a elimina��o cada vez mais latente, tanto que a �nica bola que guardei foi em raz�o de um erro do advers�rio. Definitivamente, um jogo sem gra�a para o p�blico e para mim, que tomei uma verdadeira sova. Novamente o resultado que todos esperavam, Farofa rolando a oito para a ca�apa e eu definitivamente fora.

Bateu a depr�

A decep��o de quem pagou pra participar de uma suruba com as coelhinhas da Playboy e n�o conseguiu nem ficar pelado se abateu sobre n�s. Os olhos marejaram. A voz de Luciano do Valle que ecoava em nossos ouvidos e explodia em nossos sonhos - como nas narra��es dos feitos de Rui Chap�u e Roberto Carlos na Bandeirantes - foi sumindo pouco a pouco. E sumiu. O Cajuru emudeceu. O p�nis desceu. A fome bateu. A l�grima desceu. N�o nos restava outra alternativa que n�o nos retirarmos � francesa pelas portas do fundo. Contudo, surpreendentemente, um incr�vel fen�meno de socializa��o tomou conta do ambiente antes de nossa partida. Tal qual um site bemnafoto underground todo mundo quis eternizar o momento com os dois jovens forasteiros.

Para piorar, segundo os especialistas, o ganhador seria conhecido somente no come�o da tarde de domingo, e como eu e Abud est�vamos na fun��o desde �s 17 horas, n�o ter�amos condi��es de suportar a maratona. Lament�vel, claro. As latas de Kaiser vazias se multiplicavam, a competi��o se acirrava, e a madrugada prometia fortes emo��es. Infelizmente, tivemos que nos despedir da rapaziada, desejamos sorte e puxamos o carro. L� fora, tudo em paz na quebrada e tudo em ordem conosco. Cravada na mente, a curti��o de uma noite marota de sinuca.

O Rei do Cajuru

Conforme combinado, ativei meus contatos pra saber do desfecho do torneio. Primeiro, Jo�o Santos reportou. �Fiquei em s�timo, ganhei oito partidas. Quando a gente ganha � uma adrenalina fora de s�rie, mas quando perde bate o des�nimo. Sa� de l� meio-dia morto de cansado. N�o sei quem venceu�. Ficou a pergunta, que seria respondida pelo organizador Jo�ozinho na liga��o seguinte. A disputa terminou �s quatro horas da tarde de domingo, com impressionantes 1200 minutos de dura��o. Tudo na santa, mesmo quando o �lcool e o sono castigavam sem d� a moleira. �A organiza��o foi uma beleza, sem problema nenhum�, contou Jo�ozinho.

Mas de uma vez por todas, quem ganhou? Voc� deve estar se perguntando. Ent�o toma. �Foi o M�rcio�, saciou o organizador do evento. Obviamente, aqui cabe um par�ntese. Um insight que finalmente bateu ao saber do resultado. Quando o nome de M�rcio chegou aos meus ouvidos tudo finalmente fez sentido. Eu sei, nunca fui um artista no manejo dos tacos, mas algo me dizia que a minha precoce elimina��o no s�bado haveria de ser escrita nas estrelas. Oras, perdi para o campe�o! O que numa conta simples crava meu nome na posi��o de segundo colocado na pr�tica. �, amigo. Os Deuses da Sinuca gostam de uma peraltice. Reservaram para a primeira rodada, quando ningu�m imaginava, a verdadeira final. Vencendo a �ngrime subida que encontrou em mim, M�rcio p�de sossegar e descer na banguela o caminho rumo ao t�tulo.

Com o dono dos 500 reais ao telefone, provoquei. �Senti que forcei voc� a melhorar muito na primeira rodada. E isso te garantiu o t�tulo, n�?�. Simpaticamente, M�rcio respondeu. �Pois �, foi por isso que consegui ganhar�. E a grana conquistada n�o vai refor�ar o or�amento da fera, mas sim alimentar mais partidas valendo dinheiro. �Eu me considero jogador profissional. S� jogo apostando. E como estou sempre na ativa ganho mais do que perco�, revelou. Al�m de M�rcio, chegaram nas semifinais Miguel, Ad�lson e Luizinho, com o �ltimo sendo derrotado na grande decis�o. �Ele cometeu um vacilo, eu matei minhas bolas adubadas, descolei a oito e pronto�, explicou M�rcio sobre o segredo da vit�ria.

Colabora��o no texto: Dude Munhoz
Colabora��o nas fotos: Rafaela

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