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janeiro 30, 2007

Scubidu dos Sete Mares

Virunduns.

Como diria Ritchie, e a vida continua. Domingo, ao assistir o excelente show que Leoni fez no Shopping Metrô Tatuapé, me flagrei cometendo um virundum que, só muitos anos depois, descobri que se tratava de um. Em Como Eu Quero, música que Leoni compôs com Paula Toller, eu cantava: "Diz pra eu ficar muda/ Faz cara de mistério/ Tira essa bermuda/ Que eu quero você sério/ Dramas do sucesso/ NU particular". Pois e não é que o correto é "MUNDO particular"? Ainda assim, creio que a minha versão faz mais sentido, já que tem tudo a ver com a parte do strip da bermuda. Se bem que pior (ou melhor, vai saber) fazia o meu colega Ian Black, que cantava: "tira essa bermuda que eu quero VER SEU SEXO".

O blog dos Virunduns retomará suas atividades mês que vem. Como pré-aquecimento, deixo vocês com algumas das melhores pérolas publicadas no blog e um brinde extra, o videoclipe de uma canção descrita por Dirceu Rabelo como "uma música que, dizem por aí, dá vontade de namorar": Noite do Prazer, primeiro (e único) sucesso do grupo Brylho, composto por Cláudio Zoli e gravado em 1983. Quem nunca trocou o verso "tocando B.B. King sem parar" por variantes como "trocando de biquíni sem parar", "tocando Gipsy Kings sem parar", "tocando Jimmy Cliff sem parar" ou "rodando o peniquinho sem parar", que atire a primeira vitrola...

Camila Saccomori:
O virundum que eu mais gosto é um cometido pela minha vó até hoje - já expliquei 500 mil vezes o termo correto pra minha querida anciã, mas não rola. Ela curte mais a versão esquisita - e original, diga-se de passagem, por ela inventada e ouvida. É uma música do Roberto Carlos e diz assim: "Nos lençóis macios, amantes se dão..."

Pois não é que a velha criou a palavra MANTISIDÃO para a segunda frase, como se a mantisidão fosse uma coisa profunda, grande, imensa, que acontece nos lençóis macios? Pensando bem, se a palavra existisse, essa seria a tradução mais legal.

Marlos:
A primeira vez que ouvi "Como Nossos Pais" eu entendi também "fio dental". E mais: em vez de "é você que ama o passado e que não vê", entendi "é você QUE É MAL PASSADO e que não vê". Aliás, muita gente canta assim até hoje. Conheço montes. Outros:

"Homem QUE MATA, capitalismo selvagem".
"COMIDA é água, BEBIDA é pasto."
"A arte de viver da fé, só não se sabe O QUE É VIVER"...
"Quando a maré encher... tomar banho de CANA quando a maré encher". O certo é CANAL.
"Berimbau down down... bereruba berimbau" em vez de "Beat it laun, daun daun, beat it, loom, dap'n daun" do Skank (Garota Nacional)

Renata Parpolov:
- minha versão pra alagados era "alagados, FREISTAL, favela DO AVARÉ(??)". ainda bem que ninguém nunca pegou, seria terrível pra mim. :)
- rita lee, nem luxo nem lixo: "não acredito em nada não, até duvido da fé"... e eu cantava "até NO OUVIDO da fé".
- queen, i want to break free: "i want UM REFRI!".
- caetano veloso, tropicália: "viva a banda da da, carmem miranda da da..." e eu "DAVI MIRANDA DA DA DA".
- paralamas, trac trac, tinha um refrão incompreensível. eu cantava assim "TALENTO AMOR, SOLTO AMOR" e alguém me disse esses dias que era "dá me tu amor, soy tu amor". seria isso mesmo, alguém confirma?
- meu primo, na escola, deveria escrever o hino nacional num papel e entregar para a professora como dever de casa. no papel, estava escrito: "dos filhos deste SOLESMÃE gentil, pátria amada, Brasil".

Anna Paula Maron:
Nooossa, sou mestra na arte da velhinha da Praça é Nossa.
"Eduardo e Mônica" era: '....carinha do fucinho do Eduardo que disse....'.
Na versão pesada que o Pato Fu fez pra "Sítio do Pica-Pau Amarelo" tem um momento em que o vocalista começa a gritar o nome dos personagens e logo depois do Pedrinho vem: "Hardcore!" (na realidade ele diz "Rabicó!"), mas como é uma versão pesada...

Miss R:
Da música do Paralamas:
"Alagados, CRISTAL, favela da maré..."

E essa de um amiguinho de infância, música do Ultraje a Rigor:
"Pelado, pelado, NO CANAL DO BOZO", em vez de "nu com a mão no bolso".

Fabiana Jaspion:
Quando eu era criança, ouvia Beatles e na música "I Wanna Hold Your Hand", em cuja letra consta "And when I touch you I feel happy INSIDE", eu entendia "and uén ai tãchiu ai fiu répi in SAARA". E olha que eu prestava atenção pra descobrir o que eles falavam, mas eu não tinha a menor noção de inglês na época. Achava que a música contava algo que se passava no deserto do Saara. Hahaha! Não posso deixar de citar mais duas pérolas do mesmo naipe! Quando o Elton John canta 'Sacrifice', ele diz "COCORRAL" em vez de "Cold, cold heart", tá me entendendo? Assim como Elvis Presley diz "Tchumágui" em "Are you lonesome TONIGHT". Básico...

Ricardo Schott:
+ não sei se merece ser citado, mas quando o Padre Marcelo aparecia na TV, meu primo Cofrinho, com quatro anos (o apelido vem do dia em que ele engoliu uma moeda) ficava cantando aquela musiquinha dele assim: "o senhor tem muitos filhos/muitos filhos ele tem/Eu dou um Deus, você também" (seria "eu sou um deles").

+ um colega de escola chegou a batizar uma banda que ele teve de Jetom Belo, por causa daquele verso do 'Sítio do Pica-Pau Amarelo' que diz "o sol nasce e o dia é tão belo", que soa como "jetom belo" (ou algo assim).

E isso me leva a concluir: em vez de estudar música (pelo menos no caso dos que estudaram), não era melhor esses caras pagarem umas sessões de fonoaudiologia, não?

Suzi Hong:
Enquanto Paula Toller falava em "fazer amor de madrugada, amor com jeito de virada", eu cantava: "fazer amor debaixo d'água, amor com jeito de piaba". Mas a culpa dessas más interpretações são das bandas, pô. Eles é quem deveriam cantar com mais clareza!

* * * * *

Faça a sua parteP.S. 1: Faça a Sua Parte. Texto retirado deste blog coletivo sobre aquecimento global e blogativismo verde: "Descubra o que você pode fazer para ajudar a salvar o planeta. Feche a torneira enquanto escova os dentes ou faz a barba; deixe o carro na garagem e use mais o transporte coletivo; desligue o ar-condicionado uma hora antes; não compre produtos da empresa que polui; troque o atum em lata por peixe fresco; exija que a prefeitura da sua cidade adote um programa eficaz de reciclagem de lixo e controle se ele realmente funciona; desenvolva atividades ao ar livre com seus alunos; descubra como substituir as embalagens da sua empresa por material reciclado e biodegradável; divulgue a campanha no jornal, rádio ou tv onde você trabalha e informe os resultados periodicamente; use somente metade das lâmpadas do escritório e da sua casa; desenvolva um equipamento anti-poluente. Enfim, tem sempre alguma coisa que pode ser feita".

P.S. 2: Olivia Maia elaborou uma excelente relação de softwares gratuitos na Internet. Como ela mesmo afirma, quem precisa piratear software com uma lista dessas?

dezembro 14, 2005

Virunduns reloaded

logovirundum.jpg

Um dia ainda hei de ver a palavra "virundum" tornar-se verbete de algum dicionário. Desde que publiquei um texto em 31 de março de 2002 sobre esse neologismo criado pelo pessoal do Pasquim para definir os equívocos que cometemos ao cantarolar músicas (exemplos clássicos: "Virundum Ipiranga às margens plácidas", "trocando de biquíni sem parar", "Alagados, cristal, favela do Avaré"), muita água rolou por essa ponte. O artigo rendeu tanto burburinho que acabou por inspirar a criação de um blog exclusivamente sobre virunduns, que por sua vez repercutiu a ponto de rendido matérias em tudo quanto é jornal nos idos de 2003. Porém, a brincadeira acabou por cansar, e o site atualmente anda repleto de teias de aranha virtuais. Outro dia, no entanto, ao deixar comentários no excelente blog do Pedro Alexandre Sanches (diga-se de passagem, o primeiro jornalista a fazer uma matéria sobre o Virunduns, na época em que ainda escrevia para a Folha de S. Paulo), o assunto voltou à tona, provocando ainda boas gargalhadas.

Hoje, ao reler os arquivos do blog dos Virunduns e as discussões na comunidade no Orkut, não pude deixar de resistir à compulsão de compartilhar algumas das mais sensacionais pérolas auditivas e/ou cognitivas causadas por ouvidos incautamente desatentos. Divirtam-se, enquanto o site Virunduns.com não entra no ar...

* * * * *

Liah:
"Em uma música do Roupa Nova que falava 'se você sente o corpo colar, solte seu medo bem devagar', minha mãe cantava: 'se você sente o corpo colar, solte seu membro bem devagar'. Safadiiiiiiinha..."

Áureo Dias de Souza:
"Minha irmã canta na música da Marisa Monte: '... e eu quero ver o seu corpo PELUDO junto ao meu, vem meu amor, vem pra mim...'"

Bruno (vocalista do Biquíni Cavadão):
"- Um dia a mãe do Toninho tomou conta de mim (Tédio)
- Me deixe cavalgar nos seus desatinos, fazer voadas e demoninhos (Vento Ventania)
- Eu carrego comigo a grande agonia de pensar em você no dourar do dia (Timidez)"

Marcos VP:
bannervirunduns.gifDe: "mais fácil aprender japonês em braille"
Para: "mais fácil apedrejar pôneis em Bali..." (Djavan)

Érika Christina Piol de Paula:
"Tinha uma música do Cláudio Zoli que a gente cantava: Na madrugada a vitrola rolando um blues/ RODANDO O PENIQUINHO sem parar..."

Claudia:
"Quando era pequena e assistia na TV Domingo no Parque e outros programas do Silvio Santos, a Gretchen sempre aparecia para cantar. Ela começava a rebolar o piripiripiri e cantava: 'Jecirandá, ooo, jecirandá, ooo, jecirandá, ooo, o mon amour, ai ui'. Anos e anos depois fui descobrir que a letra verdadeira era 'je suis la femme, ooo, etc'".

Kelen:
"A minha alma tá lavada e apontada para a cara do sossego. Os spice boys, spice boys não é mais o mesmo" (Rappa)
"É como não provar o néctar do amor, depois que o coração defeca a mais fina flor" (Skank)
"Eu perguntava tu e o Holandês, e te abraçava tu e o Holandês" (Roupa Nova)
"Fui numa festa genicubra livre, e na vitrola o whisky aloprou" (Roupa Nova)
"Será que o meu cílio tem haver com o seu" (Claudio Zoli)

Marko Mello:
"Quando eu era pequeno e ouvia Lobão, na música Radio Blá, ele falava: '... é a onda da paixão PARANÓICA'. Eu, na minha ignorância juvenil, pensava: 'Quem diabos é Nóica??', porque entendia 'onda da paixão para Nóica'... Que coisa de retardado..."

Arnaldo:
"Cuidado com o disco voador, tira essa escada daí.
Essa escada é pra ficar aqui fora,
Eu vou chamar o síndico: SILMARA! SILMARA! SILMARA! SILMARA!"

José Roberto Rodrigues:
"Um grande amigo meu assassinava a música Era Um Garoto Que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones desta forma: 'Era um garoto que como eu amava os FLINSTONES e os Rolling Stones... Stop com Rolling Stones, Stop com PETER SON, mandado foi ao Vietnã, lutar com o KING KONG'".

Pedro Alexandre Sanches:
"tem um outro que talvez não ganhe dos pôneis apedrejados de bali, mas é campeão em mobilizar minha gargalhada interna a cada vez que me lembro. era de 'desculpe o auê', da rita lee, naquele trecho que diz que 'por você vou roubar os anéis de saturno'. a pessoa, olha que doçura mais maldosa, entendia 'por você vou roubar os anéis e usar tudo'. outro dos meus virunduns prediletos, ouvido por cristina naumovs (sumiiiiida) quando era pitoca: pra ela, em vez de 'e o nosso beijo era uma bomba atômica', a blitz cantava 'e o nosso chuveiro jorrava água tônica', hahaha".

Carol:
"Sabe aquela música do Raul Seixas Medo da Chuva? Pois bem, aos 5 anos eu cantava "eu perdi o meu dedo, o meu dedo, o meu dedo na chuva..."

Naila:
"Minha irmã mais nova cantava 'QUE BOM PODER ESTAR COMIDO DE OVO' em vez de 'que bom poder estar contigo de novo' naquela música da Elba Ramalho. Dou um desconto, ela só tinha 7 anos..."

Silvia Curiati:
"Eu cantava a música Eva, do Rádio Táxi, com a maior convicção do mundo: sabia a letra direitinho...

desenhoinagaki.gifMeu amor olha só hoje o sol não apareceu
É o xis da aventura humana na Terra
Meu planeta adeus fugiremos nós dois naca di num é
Olha meu amor, o final da unicéia terrestre
Suadão e você será...

Minha pequena égua, o nosso amor na última astronave,
Além do infinito eu vou pro ar
Sozinho e com você

Evoluando bem alto,
me abraça pelo espaço deslizante,
Me cobre com teu corpo de lua
A força pra viver...

E minha vida é um splash de controles, botões enditômicos..."

Merry:
"Trabalhei anos numa rádio popular e virundum era coisa comum entre os ouvintes. Mas o mais inesquecível foi este: meu amigo Rick, programador na época, penou muito para descobrir que raio de música era 'MIKE LOVE - ERSO PLAY', que o ouvinte pedia através de carta, para tocar no horário de flashbacks. Depois de umas duas horas rachando a cabeça, Rick, que era obstinadíssimo, conseguiu elucidar o mistério e literalmente chorou de rir com a descoberta... O que o ouvinte queria ouvir era a música MAKING LOVE do AIR SUPPLY!!!"

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