Esta é uma das verdades mais óbvias: propagandas enganosas levam a expectativas equivocadas. Vide, por exemplo, o trailer veiculado em cinemas e TVs de "A Vila" (EUA, 2004), que levou muitos espectadores a pensar que assistiriam a um "Sexto Sentido II - A Missão" e provavelmente saíram decepcionados, o que é uma pena. Porque "A Vila" é um belo filme, talvez o melhor do diretor M. Night Shyamalan desde aquele do garoto que via fantasminhas nem sempre camaradas.
Seu ilusório trailer leva a crer que estaremos diante de um daqueles filmes com final retumbantemente surpreendente, induzindo o espectador a assisti-lo como quem brinca de Detetive ("foi o Coronel Mostarda, com o candelabro, na sala de estar!"). De fato, não foram poucas as pessoas que saíram da sala de cinema se gabando por terem descoberto o grande "segredo" da trama após alguns minutos de exibição. E assim, porque a "charada" é mais ou menos previsível, o espectador sai fazendo biquinho, dizendo que o filme é uma porcaria e que foi ludibriado pela propaganda.
No entanto, "A Vila" é uma envolvente parábola de tempos nos quais armas de destruição de massas são tão verossímeis quanto monstros na floresta. Se seus espectadores apreciassem o filme menos preocupados em montar supostos quebra-cabeças, talvez pudessem admirar a capacidade que Shyamalan possui em criar climas de suspense a partir de uma escolha precisa de enquadramentos (vide a cena em que a cega admiravelmente interpretada por Bryce Dallas Howard estende as mãos na varanda de sua casa enquanto as misteriosas criaturas se aproximam).
E assim, a partir da história de um pequeno vilarejo aterrorizado por criaturas que habitam as matas ao seu redor, M. Night Shyamalan constrói aquela que talvez seja a melhor parábola cinematográfica produzida até agora sobre o novo estado de coisas surgido após o dia 11 de setembro de 2001. Veja as pesquisas que apontam Bush Júnior em vias de se reeleger (isso sim é o que eu chamo de uma história de terror) às custas de campanhas em cima do discurso do Medo e da Paranóia, e pense nos métodos utilizados pelos líderes da vila para convencer os jovens a sequer cogitarem uma fuga para a cidade.
Quem leu o imperdível livro de entrevistas que Alfred Hitchcock concedeu a François Truffaut (recentemente reeditado pela Companhia das Letras) certamente se lembra do conceito de McGuffin: um elemento na trama que serve para distrair a atenção do espectador e alavancar a ação do filme, mas que não passa de um pretexto para que o verdadeiro tema da obra seja abordado pelo autor. Por exemplo, a maleta de "Pulp Fiction", os microfilmes de "Intriga Internacional", o dinheiro roubado por Janet Leigh em "Psicose". Pois bem: ouso dizer que toda a trama em torno "daqueles-de-quem-não-podemos-falar" não passa de um McGuffin engendrado em um filme claramente inspirado pela cultura do medo.
Vale a pena citar ainda a recorrência de um tema caro ao diretor e roteirista M. Night Shyamalan: o ressurgimento da esperança em tempos sombrios. Temática que já se fazia presente ao final de filmes como "Sinais" (uma trama sobre ETs como pano de fundo para a história de um pastor que recupera sua fé) e "Corpo Fechado" (o surgimento de um super-herói em um mundo infestado por serial killers e lunáticos), e que volta a ser apresentada nesta espécie de paráfrase da caverna de Platão, sob a personificação de um amor (literalmente) cego.
Escrito por Alexandre Inagaki em setembro 12, 2004 06:19 PM| TrackBackÉ preciso ver além do óbvio. Concordo com tua crítica, eu adorei o filme, mas confesso que como li muita gente dizendo que matou a charada antes do tempo, fui desarmado do espírito "detetive - foi o mordomo com o candelabro na sala de estar" ;-)
ótimo o seu texto ;-)
Desabafado por: sergio lima em outubro 2, 2004 11:03 AMAchei o filme bem ruizinho. Naum pelo fato do final pouco surpreendente. Mas pelo roteiro inconsistente. A historia é boa, mas a execuçao deixou a desejar. Além do mais, os atores estavam muito ruins. William Hurt com aquele discurso patético sobre o amor. Sigourney Weaver com aquela cara de "perdi o meu Alien"; Até Joaquin Phoenix naum convencia. A menina, entretanto, é realmente uma promessa como atriz.
Desabafado por: PH em outubro 2, 2004 07:31 AMAdorei te ler!
;)
beijinhos
Inagaki,
Amei "A Vila", pelos mesmo motivos que você apontou. O filme é uma belíssima fábula. Só acho que o Shyamalan está se deixando seduzir pelo marketing e pela fantasia de ser o novo Alfred Hitchcock.
A decepção do espectador não é culpa do espectador; é do marketing e publicidade, que vende todos os filmes de Shyamalan como se fossem livros de Agatha Christie, ou coisa assim. A mensagem que o indiano passa em seus filmes fica em segundíssimo plano: se alguém sacar o truque (ele dá uma pista fortíssima na primeira seqüência de A Vila), o suspense desmonta e o espectador se sente ludibriado.
Shyamalan é um estilista, e um sujeito com olhar agudo que traz frescor na composição das cenas. Tem inteligência e prestígio para usá-la, sobressaindo-se no mar de mesmice prefabricada que caracteriza a Hollywood de hoje. Mas ele está se apoiando, e muito, no marketing de "veja só que genial esse suspense que vai te surpreender no final". Se não se desvencilhar dessa armadilha e tratar das histórias, corre o risco de virar eterno escravo da meta de "ser melhor que Sexto Sentido". Seus filmes são diferentes entre si, e todos bem apreciáveis em seus respectivos campos, mas todo mundo acha que depois de Sexto Sentido, os demais são "inferiores".
Em tempo: tenho uma amiga que, ao assistir ao "Sexto Sentido" no cinema, compreendeu que o cara tinha morrido no momento do disparo do revólver. Ou seja, para ela o circuito se fechou nos primeiros 15 minutos de película. Daí por diante, o filme se tornou um grande nada para ela, que ficou revoltada ao perceber que o filme inteiro tinha sido construído para satisfazer o espectador com um truque que (aos olhos dela) nunca chegou a se armar. Por aí, acho, se sobressai "A Vila": é um conto que cala na alma, transcendendo seu celofane de "episódio de Twilight Zone" (não que Twilight Zone não seja legal, note bem! :))
Desabafado por: Rique em setembro 29, 2004 11:52 AMBom.... Eu nao assisti o trailler do filme "a vila" , apenas o assisti ontem a noite. Entendo que as vezes o trailler pode ser diferente do filme e tal... Por exemplo... Eu vi o Rei Artur semana passada e ao ver o trailler ontem até dei risadas ....pois a historia nao é assim tão emocionante quanto no trailler. Porém queria ressaltar minha opiniao sobre o filme "a vila" ... Eu realmente gostei muito. É um filme inspirador , algo bem bolado , pensado e intrigante... muito bom mesmo... como ja disseram: existe mesmo filme cada cada tipo de pessoa e Qi..!!
Desabafado por: Ana Paula Pacheco em setembro 24, 2004 10:15 AMOkay que eu nào sou uma das melhores indicadas para criticar um filme, mas uma das coisas que aprendi apenas lendo as críticas da Folha foi a de nuna acreditar na galera que escreve aquelas linhas porcas.
E claro, a nunca confiar em traillers.
Hoje sucumbi ao meu lado mais Polyana e fui esperando a bomba do século.
E nào é que me surpreendi?
Não achei o filme uma obra prima, pq alguns diálogos clichê podiam bem ter sido evitados.
Mas valeu cada centavo de real e por ter dado atenção ao que o Inagaki escreve.
Querido, parabéns!!!
De agora em diante, só confio em vc para indicações cinematográficas.
Estava afim de assistir um filme com a galera do meu serviço,mas ate na chegado do shopping ainda não sabiamos o que assistir.Vimos então o cartaz ludibriante que nos transmitiu suspense.
Porem saimos do cinema decepcionados,por tanta farça e mentiras.
Enfim quem tiver oportunidade não assista.
Ass.: Alexandre/Yona/Angelica/Junior
Desabafado por: Dorneles Junior em setembro 22, 2004 04:47 PMjuro que assisti "a vila" com um pouco de medo, mas ao ver que o filme não era nada daquilo que pensava, fiquei satisfeita. o filme passa um mensagem muito foda.
um filme plasticamente bonito.
é isso.
aparece mais!
A cultura do medo é o grande tema do filme, e a decisão dos fundadores de prosseguir com a farsa é a lógica a seguir, já que o mito das criaturas permanece ainda com mais força, por conta do "testemunho" da garota cega (ela só podia ouvir o resfolegar da "criatura"). A alegoria é óbvia, muito embora a maioria dos que assistiram ao filme (incluindo alguns críticos) não tenham se dado conta disso...
Desabafado por: Ricardo Miyake em setembro 18, 2004 03:15 PMRealmente bela crítica.
Havia assistido e curtido o filme, embora todas as pessoas que conheço não o tiveram, mas não cheguei a refletir sobre o filme (até porque o próprio fato de já ter uma opinião diferente bastava, o filme é bom!). Realmente esta alusão à cultura do medo existe e é muito bem ilustrada.
Como um sistema bem intencionado se corrompe aos poucos em suas próprias leis.
Mas questiono, se a crítica à cultura do medo realmente existe, porque no fim, os anciões, resolvem continuar com a mentira, dar continuidade à esta cultura? e se bryce era o agente da libertação, porque ela resolve continuar essa obra mentirosa?
se puder responder no meu email agradeço.
acho muito legal seu blog e seus textos muito inteligentes parabens se for possivel passa la no meu e retribui a visita falo sobre generalidades espero que goste espero voce la um mundo de bjinss
Desabafado por: andy em setembro 16, 2004 01:53 AMEsse negócio de indicar site no site dos outros é desconfortável, mas como tem uma lista enoooooooorme ali do lado, então vô mandar bala.
Cês tão falando de cinema, né? Conheci um site muito bom chamado ARGUMENTO - Cultura & Comportamento, que fala de cinema, literatura, música e, ainda por cima (aqui vai meu serviço de utilidade pública) sempre SORTEIA FILMES EM DVD:
www.argumento.net
Lá só NUM rola blog (aí ninguém me acusa de tirar público cativo deste site). Quem quiser blog, fique nesse daqui que é gostoso e faz bem, um dos melhores que já li. Principalmente, esse texto do auto-ajuda bookstore... "Adube sua carreira", essa foi dose...
Desabafado por: Leitor em setembro 15, 2004 09:40 PMQuerido Inagaki: Se você acha que o que o Bush Júnior está fazendo é mais assustador do que um bicho peludo, imagina para quem está aqui, sentindo-se como se uma estada tivesse suspensa sobre as nossas cabeças até o dia da eleição presidencial. E para melhorar a situação, foi só a CBS começar a mostrar documentos que comprovam que Bush Mimadinho não cumpriu o tempo dele no exército para que as pesquisas de opinião crescessem vertiginosamente... PARA O LADO DELE!!! Tá alguma coisa como 49% a 38% ou coisa parecida. Imagina se todo mundo aqui acredita em papai noel, coelhinho da páscoa e pesquisa de opinião??? Tô morrendo de medo, porque a situação do país tá difícil. Não acredito que terroristas ataquem San Diego, onde moro, mas os efeitos colaterais de uma reeleição já são assustadores o bastante. Já a minha sogra, norte-americana com opinião própria (acredite, existe gente com cérebro nos EUA!!!) diz que se Bush for reeleito ele vai acabar levando uma balaça no peito. Pode até morrer como mártir no estilo JFK, mas pelo menos não vai mandar milhares e milhares pra morrer na guerra.
Fui! E torce pra que o queixudo ganhe...
Desabafado por: Rafaela Lombardino em setembro 15, 2004 04:52 PMBom, Ina, meu favorito dele é "Corpo Fechado", mas gostei dos outros também. Pena que provavelmente vou ter que esperar "A Vila" sair em DVD para ver (tem sido assim desde que tive a Luciana), mas acho que não vou me decepcionar com ele. Ainda mais pelas reflexões às quais você me levou antecipadamente!
A saga dos Barnabés prossegue na Estante. Quando der, passa lá!
Beijos
Ana
Desabafado por: Ana Lúcia Merege em setembro 15, 2004 03:06 PMÉ o melhor do Shyamalan, sim. Belo filme, muito bem-feito. A filha do Ron Howard é ótima. E dá para adivinhar a "surpresa" mesmo sem assisti-lo. É bastante óbvio e previsível, sim, mas isso não estraga nem um pouquinho a experiência de vê-lo.
Desabafado por: Marcelo V. em setembro 15, 2004 02:18 PMacertou em cheio, inagaki! acho mesmo que a vila seja superior ao "sexto sentido". uma bela fábula, cheia de ANTI-CLICHÊS (que não deixa de ser um clichê rs...). o melhor talvez seja o LOBO MAU vestido como CHAPEUZINHO VERMELHO...
Desabafado por: Biajoni em setembro 15, 2004 12:46 PMGrande Inagaki,
Estava morta de saudades deste espaço, pois há tempos não conseguia dar uma paradinha para visitar os blogs que aprecio... Mas, enfim, retorno feliz por saber que você continua 100%!
Beijos estratégicos...
Hoje abri minha caixa de e-mails e fiquei extremamente lijonjeada com seu e-mail, e claro que não poderia negar a um convite tão encantador e resolvi aparecer...e fiquei surpresa ao ver seu post sobre A vila, sei que muitas pessoas não gostaram do filme eu por sinal já fui ao cinem 3 vezes ver o filme, achei relamente bom,dizem que não foi tão bom quanto sexto sentido, mas no sexto sentido não consegui ligar nada construtivo ao filme, para mim o diretor só queria contar uma histórinha, em A vila, achei que as coisas são bem diferentes, uma forma de contar o caos do mundo de hoje, talvez mostrar o que muitas pessoas tem feito, se escondido da realidade mundial, não ultrapassando sertos "limites" para tentar se proteger ou proteger pessoas que amam, esse filme nos faz pensar, será que se escondendo de nossos pesadelos não acabamos morrendo, sendo que para sobreviver precisamos somente atravessar o bosque?
Adorei seu blog....
Beijos...
Desabafado por: Lilian em setembro 15, 2004 11:19 AMAhahahHAHahahah
não creio na Ana!
Oi, Ina! Gostei da sua avaliação. Pra mim que sou psicanalista, A Vila é emblemática de uma sociedade criada por pessoas com histórias de vida de perdas dolorosas e insuportáveis nas grandes cidades, foi sua fuga para fugir à exposição a essas situações, manipulando os fatos, distorcendo a verdade, mesclando ideais de pureza, inocência, segurança e racionalidade, projetando medos, dúvidas e inquietações no exterior.
O fim já se prenuncia na fala do Walker logo no início do filme: "Não há como fugir da dor" porque fugir dela é também fugir da vida, do amor*, do que se tem de mais humano. É ficar à mercê da aparição de fantasmas, do inconsciente, sem conhecer a sombra, o lado escuro que habita em nós; é abrir mão do desejo. (O passado é posto numa caixa trancada, mas retorna, como todo recalcado).
Nesse sentido, o louco é como um bode espiatório, exemplo do que acontece a quem perde o controle e tem que ser trancafiado; é como se com isso todos ficassem livres do mal.
*O amor parece ser o único sentimento capaz de redenção. Beijo pra ti, Ana.
Ina,
Concordo com você, também gostei muito do filme, do roteiro, da idéia, e me deixei com prazer me levar pelas manipulações do diretor. Só achei que, em matéria de sustos e tensão, apesar de ter sido melhor que a média, "Sinais" e "Sexto Sentido" foram melhores, né?
Abração, Vladimir
Pois bem: EU achei A Vila uma merda. Assisti ao trailer - que é, no mínimo, intrigante -, fui ao cinema achando que veria um terror-suspense cabeça envolto por aquela aura de "não conte o final".
O que vi foi um filme ruinzinho, desses que passam de tarde no SBT, com uma idéia interessante porém mal-trabalhada e uma moral da história que fica evidente antes do que deveria. Isso sem falar nos diálogos que não fazem mais do que reproduzir o que o expectador já sabe. E nem preciso comentar sobre a fantasia de monstro do Scooby-Doo.
Aliás, também não curti o Sinais. Muito marketing pra pouco conteúdo. Espero que em algum filme próximo o M. Night consiga reproduzir o sucesso de Sexto Sentido.
Claro, sempre respeitando as opiniões alheias (e sem argumentos estilo "se não gostou é porque não entendeu"). Mas acho que aqui no Sul a maioria das pessoas saiu do cinema decepcionada mesmo.
Desabafado por: Guto em setembro 14, 2004 05:31 PMCompletando. Um ponto interessante d'A Vila é o uso do medo para manter a todos dentro dela. É um nítido paralelo com o medo que os EEUU usam para alargar suas fronteiras com a desculpa de manter a segurança do povo americano. Tal qual n'A Vila, o medo é criado para controlar. A Vila acredita na idéia de que este mundo ideal possa ser mantido, cercado de medo. A garota sai em busca de remédio, mas volta, já ungida pelo pai como uma mantenedora da situação. Sabemos que na realidade este mundo não é possível. Nem para A Vila, nem para os EEUU.
Desabafado por: Reginaldo Siqueira em setembro 14, 2004 05:15 PMA melhor definição para o A Vila, veio hoje através do namorado de uma das minhas filhas.
"Para [aquelas-sobre-quem-não-falamos] o diretor se baseou nos desenhos do Scooby-Doo. No final de todos os desenhos, descobre-se que o monstro assustador era sempre alguém fantasiado."
Oh ho ho... Scooby-dooby-doo!
E antes que alguém sugira que ele não entendeu o filme e deve gostar do homem aranha, aviso que o rapaz é intelectual, cursa economiana ufrj e ciências sociais na uerj.
;-)
Desabafado por: Sergio Fonseca em setembro 14, 2004 04:14 PMShyamalan é um diretor que procura caminhos novos, acredita que tem algo a dizer, além de contar uma história, isso já é muito bom. Só que as fórmulas escravizam e surgem no nosso caminho todo o tempo. É hora de Shyamalan deixar um pouco de lado as fábulas, tanto urbanas como tradicionais, para não ficar escravizado pela fórmula que deu certo. Sexto Sentido é ainda o seu melhor filme. Acredito que a Vila fique bem abaixo dele. O grande em Sexto Sentido é o casamento das cenas, o ritmo da tensão (que não é o ponto central), o encaixe perfeito entre os personagens. (Tanto prá falar, tão pouco tempo)!
Desabafado por: Reginaldo Siqueira em setembro 14, 2004 02:05 PMConcordo com vc, meu rapaz! Até pelo pedido de segredo para o final, imaginei algo parecido com o final do filme vendo o trailler, mas tive o cuidado de não me preocupar com isso enquanto assitia, pra não perder a graça. Adorei o filme, a crítica a sociedade é sutil e inteligente. Não é um filme de terror, definitivamente. Acho que para o Cinema atual, cheio de X-Mam, Huck, Spider Man e Cia., um filme sobre valores é muito bem vindo. Não que eu desgoste dos que citei primeiro, mas tem espaço pra todos e a criatividade tem que ser maior que tudo.
Parabéns pela crítica!
Inagaki, bem lembrada esta questão do espectador ir "armado" ao cinema, querendo desvendar o ponto alto da coisa. Pois, acaba-se deixando passar detalhes interessantes.
Se o filme vale a pena, gosto de vê-lo mais de uma vez para fisgar qualquer coisa que tenha passado despercebida e para curtir mais a obra.
Um abraço, Nikki
Será que, quando eu crescer, escreverei quase tão bem quanto Vossa Senhoria ? Acho as chances são as mesmas de eu ganhar na MegaSena essa semana...
Tem um comentário sobre A Vila lá no blog, mas bem pobrezinho. E obrigado por suas visitas ao Cinzas, o site fica muito honrado. O dono também. :)
Um abração, Ina,
Marcelo
http://www.marcelobatalha.blogger.com.br/
Inagaki, sua crítica me fez ver um outro lado do filme que eu, sinceramente, não tinha percebido.
Mas mesmo vendo "A Vila" com melhores olhos, ainda acho que o Shyamalan continua incorrendo na repetição da fórmula, do twist final, e isso prejudica um filme que, pelas suas qualidades narrativas, poderia ser muito melhor. É como se ele reduzisse que poderia ser grandioso a algo muito menor -- coisa que, por exemplo e de maneira diferente, o SPielberg faz o tempo todo.
Desabafado por: Rafael em setembro 14, 2004 10:39 AMOi, cara!
Um amigo me enviou o link deste texto porque, assim como você, eu apreciei este filme. Também escrevi um texto no Claque, mas acredito que você expressou muito melhor as coisas que me chamaram atenção e fizeram gostar deste trabalho do Shyamalan. Parabéns pela fluência do texto e clareza em suas observações!
Oi, Ina,
No geral, gostei do filme. Acho que tem duas pequenas sequências no final que deveriam ser trocadas de ordem e uma das cenas deveria ser sumariamente excluída. Fora isso o climão é bom e a narrativa excelente. E muito importante: Ótimos atores! que sustentam tudo. Vejam no cinema. Vale o ingresso.
(vi você no Balcão hoje. não fui cumprimentar pq estava preso por umas mesas. então vai aqui meu abraço)
Desabafado por: ratapulgo em setembro 14, 2004 03:57 AMSinceramente, para que fazer um trailer com o pedido explícito de "não conte o final deste filme"?
Algumas estratégias de marketing são tão sutis quanto uma sutil bofetada, tanto na cara quanto no intelecto. Quem vai querer saber o final do filme antes de ver? E quem vai contar o desfecho para alguém que não tenha visto ainda? Só o Joselito faria isso sem solicitação prévia do viewer to be.
Podiam complementar o trailer com "não conte o final do filme, e não defeque no tapete da sala de cinema"
O filme? Bom, o filme eu não vi ainda...
Acabei de assistir ao dito cujo. Li o texto do Inagaki pela manhã e tomei coragem de ir ao cinema na segunda. Bom... não descobri o final, apenas o, digamos, pré-final. A história é muito boa e o filme também. O final também é legal, mas achei que perdeu um pouco da magia. Meio que matou um pouco da metáfora. Noto que os filmes do M. Night me causam uns sentimentos recorrentes: saio docinema meio desgostoso achando que joguei dinheiro fora. Meses depois recordo-me do filme e só consigo lembrar das partes boas e das boas lições. Não sei se sou o único que sente isso.
Desabafado por: Marlos Ápyus em setembro 14, 2004 01:23 AMEsse indiano formulista já me pegou no Sexto Sentido e no Corpo Fechado, e, respeitando opiniões em contrário (como sempre), eu achei uma grandessíssima bosta. Não boto mais num um pila no bolso desse cara.
Desabafado por: tiagón em setembro 13, 2004 07:21 PMCreio que "A Vila" decepciona quem vai atrás do filme para "passar medo" (apesar de eu ter visto um rapaz a duas poltronas da minha gritar de susto duas vezes, hehe). Para mim, valeu mais pelo aspecto político, por abordar a dominação através do medo, conforme você menciona aqui. E o mais interessante é que foi justamente devido ao medo que os "governantes" da Vila sentiram um dia, que todo o sistema de dominação foi arquitetado. Gostei do argumento do filme.
Desabafado por: Jaci em setembro 13, 2004 11:36 AMAs Pontes de Madison é um filme sensacional! Meryl Streep e Clint Eastwood estão perfeitos em seus papéis. O clima de envolvimento mexe com qualquer ser sensível. Quatro dias. Apenas quatro dias e depois, a opção pelo racional. Às vezes penso que o racional deve ser mandado às favas.
Quem não viu esse filme, deve ver. Gostar ou não já é outra história.
Abraço!
Desabafado por: Sergio Fonseca em setembro 13, 2004 11:29 AMPois é. Como bem dizia o Nelson Rodrigues, "toda unanimidade é burra."
Assisti hoje ao A Vila e sinceramente não gostei. E isso não é razão para a Alessandra achar que quem não gostou é porque não entendeu. Eu entendi o filme, Alessandra. E não gostei. Você entendeu e gostou, ótimo. E não há nada errado em gostar de O homem aranha. Gosto dele e de Z de Costa Gavras. Gosto de Chove sobre Santiago e Mary Poppins. De smallville e de o pianista. De toda nudez será castigada e Os outros.
Achei a fotografia belíssima e o cara realmente sabe como fazer suspense com pouca coisa. A cega de Bryce é espetacular - tão espetacular que vou deixar barato aquela corrida dela no meio da mata cheia de troncos e não tropeçar em nada - e não fosse por ela, talvez eu tivesse ido embora antes do filme acabar. Eu estava entre os que descobriram logo o tal mistério do filme. Mas não me gabei por isso, já que não deu o menor trabalho.
O que escapa mesmo é a mensagem de esperança e a frase "love moves the world". Mas vou parar por aqui, são quase meia noite, esqueci minha capa amarela e vermelho é uma cor ruim. E não me falem sobre Aquelas-de-quem-não-falamos. :-D
forte abraço!
Sergio, eu também gostei de "Homem-Aranha", se bem que achei a continuação melhor que a primeira parte. Aliás, tenho o costume de apreciar filmes que costumam ser achincalhados pela cri-crítica especializada, como "Todo Mundo em Pânico 3" (o filme que mais me fez rir neste ano) e "As Pontes de Madison" (não sei porque tanta gente desdenha desta que é uma das mais belas histórias de amor exibidas nos últimos tempos - diga-se de passagem, muito melhor que o livro). Quanto ao filme do Shyamalan, considero exagerada a qualificação de "obra-prima" feita pelo crítico da Contracampo (linkada logo abaixo ao lado de outras resenhas negativas e positivas). Faço, sim, restrições a alguns sub-plots da trama (por exemplo, o supérfluo clima sugerido entre as personagens de Sigourney Weaver e William Hurt). IMHO, nada muito grave. Fica o seu registro, porém: é sempre bom ver alguma crítica discordante e respeitosa (como deveriam ser todos os embates de opiniões). Forte amplexo!
Desabafado por: Sergio Fonseca em setembro 13, 2004 12:55 AMValeu pela dica, pretendo assistí-lo e o seu texto foi a melhor coisa sobre o filme que eu li até agora.
Abraços
Por falar em opiniões desencontradas, é interessante perceber como todos bateram cabeça ao discutir o filme de Shyamalan. O Luiz Carlos Oliveira Jr., da Contracampo, não pestanejou e cravou: "uma obra-prima das mais perturbadoras e esquisitas dos últimos anos". O Bernardo Krivochein, da Zeta Filmes, desqualificou o filme em uma crítica a meu ver completamente equivocada, enquanto o Pablo Villaça do Cinema em Cena escreveu sua resenha mais contestada dos últimos tempos. O Carlos Merigo, do Brainstorm 9, gostou do filme pelos mesmos motivos que apontei, enquanto o Fred Leal da Revista Bala desgostou do filme a partir do trailer que dizia para "não revelar a ninguém o final". Convenhamos: um filme que não deixa ninguém indiferente merece ser conferido, não?
Desabafado por: Inagaki em setembro 13, 2004 12:02 AM
Oi...
Ainda não fui assistir "A Vila"!
Estava achando as opiniões um pouco desencontradas, mas percebi que meus amigos mais sensatos e cinéfilos gostaram, e muito, do filme!!!
Veremos onde me encaixo!!! ;)
Bjs...
Desabafado por: Kalinka em setembro 12, 2004 11:48 PMDepois de tantas críticas negativas, eu já estava a ponto de desistir de ver o filme, mas após ler o seu texto, não há como não sentir nem um "pinguinho" de vontade de assistir a mais uma obra desse diretor incrível que é o Shyamalan.
Abraços.
Desabafado por: Bea em setembro 12, 2004 11:46 PMParabéns Inagaki. Uma das poucas opiniões realmente sensatas e que expressam tudo o que o filme representa.
"A Vila" não é um filme superficial, conta com uma série de metáforas e histórias paralelas que tratam de um assunto específico.
Assim Shyamalan fez no sensacional "Sinais", e agora em "A Vila".
Infelizmente a maioria da spessoas querem filmes fáceis, e decepcionam ao saber que aquela não é uma história de "medinho.
É um filme que nos faz pensar, cada diálogo, cada detalhe do filme conta com um significado muito maior.
Sem falar que Shyamalan continua sabendo envolver a platéia com um suspense lento e contagiante.
A cena em que a personagem Ivy fica parada na porta com a mão estendida é um momento memorável do cinema.
Desabafado por: Carlos Merigo em setembro 12, 2004 11:42 PMHonorável Inagaki!
Vc sabe como criar expectativa num velho cinéfilo!
A Vila é maravilhoso e 90% das pessoas que "odiaram" e disseram que é uma merda é porque não entenderam MESMO. Eles que continuem vendo filmes como "Um príncipe em minha vida" e "Homem Aranha". Tem filme pra todo tipo de gente e qi.
Desabafado por: Alessandra em setembro 12, 2004 08:37 PMNão acho que tenha graça ficar quebrando a cabeça só para descobrir o final do filme antes de todos (se uma lâmpada tiver acendido na hora tudo bem). Bom mesmo é ficar refletindo depois do filme. E refletir sobre "A Vila" foi interessante.
Desabafado por: Ana Clara em setembro 12, 2004 07:32 PMA Vila parece um pouco com A Bruxa de Blair. Não pela história, lógico, e sim por ser um filme onde todos esperavam algo mais. Mas o diretor é um gênio, e esse trailer enganoso e a política de "não conte o final", então?! Geniais.
Mas eu também saí do cinema decepcionada.
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