
Fotografar é recortar um determinado espaço em uma específica fração de tempo. Os grandes fotógrafos são aqueles que conseguem ultrapassar essas limitações, fazendo com que essa determinada imagem transcenda molduras e retenha o tempo em seu momento mais preciso. Henri Cartier-Bresson, que morreu na última segunda-feira aos 95 anos de idade, explicou em certa ocasião: "fotografar é uma questão de colocar o olho, o coração e a mente na mesma linha de visão".
Cartier-Bresson foi um mestre na combinação entre a intensidade emocional das imagens que fotografava e o apuro estético e formal de seus enquadramentos. Um exemplo: a foto que ilustra este post, que retrata crianças em Sevilha, Espanha, brincando em meio aos escombros da guerra. Seja em seus retratos de personalidades como Albert Camus, Marilyn Monroe ou Henri Matisse, seja ao fotografar anônimos em um piquenique às margens de um rio ou o beijo de um casal em um café parisiense, Cartier-Bresson se destaca pelo olhar apurado, capaz de extrair com naturalidade a poesia surgida a partir de seus jogos de luzes e sombras.
Ao ser entrevistado para um documentário sobre sua obra, Cartier-Bresson foi inquirido a respeito do momento decisivo de se registrar uma imagem. Com a palavra, o mestre: "A gente olha e pensa: Quando aperto? Agora? Agora? Agora? A emoção vai subindo e, de repente, pronto. É como um orgasmo, tem uma hora que explode. Ou temos o instante certo ou o perdemos, e não podemos recomeçar. O desenho é uma meditação, enquanto que a foto é um tiro. Você pode apagar um desenho e fazer outro, você não está lutando contra o tempo. Mas, com a fotografia, há um espécie de angústia constante, pelo fato de você estar presente em um momento que não mais se repetirá. Mas é uma angústia muito calma".
Escrito por Alexandre Inagaki em agosto 4, 2004 09:15 PM| TrackBacka china vai pega a caxemira da parti do paquitao eo vkhrgvfg bbshfj fbs sdbds///////[{{{[xz~cd
Desabafado por: guilherme em setembro 26, 2004 03:13 PMEsse senhor foi um repentista da imagem.. o improviso e a percepção apurada foram suas ferramentas de trabalho. Sentiremos falta..
Desabafado por: Chris em agosto 22, 2004 05:08 PME eu daqui (Madrid) mal vejo o Brasil competir!
É um sofrimento!
Identifico-me muito com as fotos dele.
Desabafado por: Lele Carabina em agosto 12, 2004 04:17 PMO que mais admirava em Cartier era a sua capacidade de capturara o momento em uma única foto. Se ele fosse poeta, seria um dos grandes. Abraços.
Desabafado por: Moça em agosto 12, 2004 10:29 AME daí, mandaste? Fiz uma pequena narrativa do drama no meu blog. Abraço. (Parabéns ao teu Guarani que não deixou o Grêmio ganhar!!!)
Desabafado por: Milton Ribeiro em agosto 12, 2004 01:23 AMPerda irreparável... :/
Sensibilidade única do Cartier Bresson para registrar fatos sob a ótica do fotojornalismo.
Beijins
Bonito, Ina!
Desabafado por: carminha em agosto 11, 2004 02:25 PMLegal poder postar aqui novamente!
Quase peguei essa mesma foto para prestar minha modesta e leiga homenagem blogueira ao mestre, mas, acabei optando por aquela das mulheres na Caxemira - retratadas por Cartier-Bresson com um aspecto sobrenatural, lembrando santas...
É!!! Sempre bom passar por aqui...
Desabafado por: Diorela em agosto 11, 2004 01:24 AMSutileza! Foi o que eu vi. Duas verdades do pós-guerra. Os escombros e o garoto com muletas, representam as marcas da guerra, e as crianças brincando ali, o renascimento de uma sociedade. E aí reside a sutileza, na esperança.
Desabafado por: Krika em agosto 10, 2004 09:39 PMSir Inagaki, que emoção recebe-lo em meu cafofo! Nem avisou que ia aparecer, a casa tava uma bagunça. Mas muito lisonjeiro seu comentário. :)
Abraço e beijo.
Na Europa, o cidadão do mundo nascido no Brasil, Sebastião Salgado, faz muito sucesso. A grande diferença entre os dois (Salgado e Bresson) é que a maioria das fotos do Sebastião, hoje, são posadas. Isso incomoda boa parte dos fotógrafos, digamos, intelectuais, que trabalham com foto-jornalismo, onde o importante é captar o momento, aplicando as técnicas de luz e sombra desenvolvidas de modo pessoal. Alguns quetionam a arte como cenário, no lugar do cenário como arte. Por não possuir as respostas, aprecio os dois.
Ciao.
Quantas vezes me pego admirando fotos...paisagens em cartões postais, fotos de infância, pessoas que já partiram pro andar de cima...momentos que jamais viverei novamente, com emoções, felicidades, êxtase intenso...
Tanta coisa interessante retrata uma fotografia...até o que sentimos no momento daquela fotografia é delicioso lembrar!
Perfeito o post!
Abraços!
Me visite, será muito bem vindo!
Desabafado por: Laryssa em agosto 10, 2004 05:57 PMesse ano perdemos dois grandes mestres da "leica" o alemão naturalizado australianao o helmut newton e o bresson,gosto muito de fotografia,se vc tiver qualquerr foto da antiga estrada de ferro araraquara(araraquarense) por favor me envie por e-mail,que eu falo quem me enviou,adoro o grande fotografo alemão:harmann(carl heister)não me lembro direito a grafia que fotografafa estradas de ferro,valeu ina !
Desabafado por: ricardo principe di mantova em agosto 5, 2004 10:45 AMMeus heróis estão morrendo um a um (de velhos, sem direito a overdose). era tao bom pensar que um dia eu cruzaria com bresson em algum beco de Nova York (vide foto que eu mandei pro cumpadi orlando), ou que encontraria o caminho da casa do sol e trocaria figurinhas poeticas tomando alguma bebida quente com Mme hilst. mas ao contrário do que diria billie, they can and they took it away from me. e assim, de repente, o mundo simplesmente ficou pior.
beijo meninonagaki
Poxa, muito bom este texto... quem não tem uma foto especial escondida a qual nos transporta ao momento q gostaríamos de reviver?
beijos
podes crer que este homem merece todas as homenagens!
Desabafado por: charles em agosto 5, 2004 12:53 AMRealmente, uma pena a partida
desse 'rapaz'...
=/
Maravilhoso seu texto , você conseguiu condensar o que é tirar uma foto: perfeito.
Beijo Stella
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