Entrevista com Stefen Fangmeier, diretor de Eragon
Graças à Fox Filmes e, em especial, à senhorita Renata Pimentel, tive a oportunidade de fazer algumas perguntas a Stefen Fangmeier, diretor de Eragon, filme que descrevi na resenha que fiz para a Rolling Stone como um mashup razoavelmente bem remixado e remasterizado de diversas histórias conhecidas (em particular, de O Senhor dos Anéis), fazendo jus ao preceito lavoisieriano de Hollywood: nada se cria, tudo se refilma. A entrevista deixa claro que Fangmeier é um cineasta de estúdio. Quando perguntei se não estava em seus planos dirigir filmes que prescindam de efeitos especiais, ele afirmou: "primeiro terei que me estabelecer como um diretor de sucesso". Ou seja, nem lhe passou pela cabeça a hipótese de desenvolver um projeto independente, fora do abrigo (e das exigências comerciais) de um grande estúdio.
Independentemente de seus eventuais méritos artísticos, é interessante saber o que se passa na cabeça de um cineasta que, anteriormente indicado três vezes ao Oscar por ter integrado as equipes de efeitos especiais dos filmes Twister (1996), Mar em Fúria (2000) e Mestre dos Mares - O Lado Mais Distante do Mundo (2004), aventurou-se pela primeira vez na direção em um filme que já faturou mais de US$ 226 milhões nas bilheterias do mundo inteiro. Enjoy it!
Logo em sua estréia como diretor, você assumiu um filme com orçamento de US$ 100 milhões, que está sendo encarado pelo estúdio como possível prelúdio de uma nova franquia. Como foi lidar com tamanha pressão?
Evidentemente, havia muita pressão para que eu entregasse um filme extremamente excitante, que fosse capaz de atingir um público muito grande e que se tornasse um sucesso comercial. Isso também exigiu um alto grau de envolvimento de todas as pessoas envolvidas na produção. Não pude, pois, tomar decisões realmente significativas sozinho. Algo que eu até já esperava, mas não no nível em que aconteceu. Tentei ser muito colaborativo com essas pessoas do estúdio e sempre procurei ver o lado positivo do seu envolvimento. Ver que, na verdade, eles estavam dividindo comigo a responsabilidade de produzir um filme tão grandioso logo na minha estréia. Afinal das contas, eu sou o diretor e a maior parte do público pensa que sou responsável por todos os detalhes do que eles assistem. Embora esta seja a percepção geral do processo de fazer um filme, certamente não é a realidade em grandes produções na indústria de Hollywood. A não ser, é claro, que você seja Steven Spielberg ou George Lucas.
Você foi diretor de segunda unidade de Heróis Fora de Órbita, filme que satirizava o universo dos fanáticos por Star Trek. Agora que você foi o responsável pela adaptação de um best-seller que arrebatou uma legião de fãs radicais, como foi a experiência? Foi complicado lidar com as reclamações daqueles que se queixaram das mudanças do livro para o filme?
Logo que comecei a trabalhar no roteiro de Eragon com uma equipe de escritores, eu já imaginava que alguns fãs do livro não iriam ficar satisfeitos com as mudanças que estávamos fazendo. Mas não há como agradar a todos. Adaptar um livro tão denso para o cinema significa, necessariamente, ter que deixar de fora alguns elementos que não nos pareciam ser tão essenciais, reestruturando partes da trama. Como nesse caso também houve muita participação do estúdio, não sinto que esta seria a minha adaptação própria. Mesmo que os fãs queiram culpar o diretor pelo que não ficou tão bom, em seus julgamentos.
O uso dos efeitos especiais no cinema contemporâneo não está sendo supervalorizado? Na sua condição de expert em efeitos visuais, com várias indicações ao Oscar no currículo, você não pensa em um dia dirigir um filme que prescinda de efeitos do tipo?
Efeitos especiais são apenas uma ferramenta para o cineasta – algo que certamente pode criar uma série de elementos muito interessantes para se utilizar quando contamos uma história. No entanto, creio que alguns filmes apelam demais para os efeitos especiais e deixam a história num plano secundário em relação ao espetáculo e à ação.
Sim, eu tenho muito interesse de dirigir um filme que não precise de efeitos especiais, embora creia que seja difícil convencer um estúdio a me escolher para dirigir um roteiro assim neste estágio da minha carreira. Por isso, primeiro terei que me estabelecer como um diretor de sucesso (e, para isso, é preciso mais que apenas um filme), para depois poder me envolver em projetos diferentes dos filmes pelos quais sou conhecido agora.
Quais são seus cineastas prediletos?
Sou muito eclético com relação a cinema, arte e música. Mas sempre identifico imediatamente quando gosto ou não de alguma coisa. Por isso, acho mais fácil listar os meus filmes prediletos, como Blade Runner, Chinatown, Lawrence da Arábia, O Samurai, Beleza Americana e Gallipoli. Mas há muitos outros, até de outros estilos, como comédia. A maior parte dos cineastas faz filmes muito diferentes ao longo da sua carreira. Às vezes gosto de vários trabalhos de um diretor na seqüência, às vezes não. Então, prefiro fazer uma lista de filmes favoritos do que de diretores.
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