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dezembro 11, 2004

Mascando clichês

A dramática vitória do time dos atores transformou o campo em palco, mostrando que futebol é uma caixinha de Pandora. Concomitantemente ao mesmo tempo, a equipe dos empresários não deu trabalho à representação dos operários, sofrendo clamorosa goleada de muitos gols.

Enquanto isso, o geógrafo sumiu do mapa. O datilógrafo permaneceu batendo na mesma tecla. O cadáver do milionário foi encontrado podre de rico. O salva-vidas nadou, nadou e morreu na praia. Este, a propósito, torcia para a Portuguesa de Desportos.

A festa dos relojoeiros não tinha hora para acabar. O alfaiate arregaçou as mangas, enquanto o cozinheiro botava a mão na massa. Corria um boato, mas este foi pego no doping. Os empresários anões anunciaram crescimento negativo da empresa.

A briga entre os donos de cantinas acabou em pizza. Dez entre dez atrizes atuam. Humm, pensando bem... Deixa pra lá. O consenso tornou-se unanimidade geral entre todos. Devagar se vai lentamente. O marinheiro ficou a ver navios, porque a justiça tarda mas não chega na hora.

O silêncio vale ouro, e o sussurro, prata. A luva caiu como uma chuva. Apressados comem cru, atrasados roem ossos. Estes, aliás, serão os primeiros e rirão melhor. Um texto só termina quando acaba. E vice-versa.


P.S.: Este é mais um texto publicado anteriormente no endereço anterior deste blog. Alertado por este post de César Valente, no qual ele alerta que o Blogger Brasil deu um sumiço em sua URL anterior, pretendo aos poucos transportar para cá mais alguns textos publicados em meu período na Globlogger, antes que meu antigo endereço suma de vez (somos todos voláteis neste universo digital).

Escrito por Alexandre Inagaki em 12:19 PM | Comments (2) | TrackBack

dezembro 09, 2004

Amor ingrato

Amor não se explica.Um torcedor de futebol apaixonado como eu vive em constante sofrimento. E, por Deus, como dói essa forma de amor incondicional. Principalmente quando se torce por um time que dificilmente chega a decisões e não possui o mesmo poderio financeiro dos "grandes", como é o caso do meu Bugrão. É o típico caso de amor incorrespondido: já devo ter desenvolvido uma L.E.R. em minha garganta de tanto gritar, vibrar e vociferar com gols perdidos, juízes incompetentes, passes errados, dribles desconcertantes, pênaltis não marcados, vitórias, empates, derrotas.

O amor é ingrato e egoísta. Atualmente, devido à péssima fase do Guarani (causada pela incompetência ímpar de seus dirigentes), sou obrigado a ouvir gozações diárias por conta do possível rebaixamento do meu time. Na medida do possível, procuro manter uma postura estóica frente a essas piadas amarfanhadas que constantemente apelam a expressões como "lanterna verde" ou "te vejo na segunda"; pfuf.

Como todos sabem, amor não se escolhe: simplesmente acontece. Haja o que houver, serei Bugre até a morte. Tenho a consciência de que meu time de coração não possui a mesma estrutura, nem tampouco o orçamento das "grandes" agremiações do futebol canarinho. No entanto, mesmo com tais limitações, insiste em incomodar a "elite" ao formar equipes vencedoras e revelar para a Seleção Brasileira talentos da estirpe de Careca, Amoroso, Evair, Renato, Amaral, Luisão, Júlio César, João Paulo, Mauro Silva, Flamarion e Neto, dentre outros.

Meu Bugrão permanece sendo o único clube do interior que foi campeão brasileiro (1978), além de ter conquistado a Taça de Prata (1981), a Taça dos Invictos (1970), a Taça São Paulo de Júniores (1994) e o bicampeonato da Copa Toyota de Futebol Juvenil no Japão (2001/2002). Também bateu recordes que perduram até hoje, como a de melhor ataque em campeonatos brasileiros (em 1982 o ataque formado por Lúcio, Jorge Mendonça, Ernani Banana e Careca fez 63 gols em 20 jogos - média de 3,15 gols por partida) e vitórias consecutivas (doze, em 1978). Pena que essa tradição de nada adianta no momento presente. A vida é assim mesmo: promessas de amor não valem nada, e se dissipam, voláteis, no etéreo território das ilusões (torcedor de futebol é uma raça triste como a carne).

Alguém pode contra-argumentar dizendo que as conquistas do Guarani não possuem a mesma expressividade de outras agremiações como Flamengo, São Paulo ou Cruzeiro. O caso é que eu, como bom torcedor fanático, sou um masoquista ludopédico, capaz de vislumbrar na escassez de títulos um lado positivo: ao contrário de outros torcedores mal-acostumados, vibro intensamente com cada vitória conquistada, cada gol feito, cada avanço na tabela do campeonato.

O amor é como uma lente de aumento que amplifica cada mínimo detalhe do cotidiano, e assim é a minha paixão pelo Guarani: uma profissão de sangue, coisa para poucos e privilegiados iluminados, cujos corações foram tocados por algo maior e inexplicável. Porque o amor desnorteia, e faz com que a lógica cartesiana dance rumba e saia de fininho. Enfim: sou feliz, e muito, por possuir o privilégio de torcer para o BUGRÃO, com muito orgulho.

Mas, por Deus, como amar pode ser dolorido.

Escrito por Alexandre Inagaki em 10:08 PM | Comments (9) | TrackBack

Quem é vivo sempre desaparece

Clique aqui para visitar o site do Menino Maluquinho, aquele dos macaquinhos no sótão.Olá! Embora meu computador dê indícios de que está prestes a partir desta para melhor (no caso, para um upgrade amplo, geral e irrestrito providenciado pelo meu brother), finalmente voltei para espanar as teias de aranha virtuais que já ocupavam as instalações da Pensar Enlouquece Blogging Corporations. Contudo, não posso deixar de agradecer a ajuda de minha prestativa secretária, contratada após exaustivas dinâmicas de grupo nas quais ele se mostrou capaz de articular reflexões sobre a serendipidade dos encontros amorosos em elevadores quebrados, a datilografia irregular dos macacos que habitam o sótão das gentes e a natureza ontológica do suco de abacaxi com hortelã sem estar cometendo gerundismos. É bóbvio que o motivo principal de sua contratação foi a foto que acompanhava seu curriculum vitae, mas enfim, o importante é o que importa. Ou não, como diria o ex-marido da Paula Lavigne.

P.S.: Estou na mais recente atualização do site Digestivo Cultural, por meio do artigo "O amor e o amor plagiado". Confiram!

Escrito por Alexandre Inagaki em 09:03 PM | Comments (2) | TrackBack

dezembro 04, 2004

Problemas técnicos

Boa tarde.

Sou a primeira estagiária contratada pelo autor deste blog. Suzi Hong, muito prazer. Fui recomendada pelo Instituto Suzihonguiano de Pesquisas - ISP, após exaustivas provas de seleção, entrevistas e ridículas dinâmicas de grupo. A última etapa foi decisiva - o teste do sofá, no qual tirei uma nota invejável.

Meu chefe manda avisar os leitores deste blog que o seu computador está passando por problemas técnicos. Esperamos resolvê-los rapidamente e contamos, desde já, com a sua compreensão.

Enquanto isso, comam beterraba e sejam felizes.

Escrito por Alexandre Inagaki em 01:13 PM | Comments (28) | TrackBack

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