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Jamais esquecerei da história de Milene Modesto, 28, estudante de pós-graduação da USP.
Às 23h40 do dia 22 de outubro de 1999, Milene acabara de sair do trabalho, na Avenida Paulista, quando foi atingida por um carrinho de transporte de cargas que despencou do 25º andar de um edifício em obras. Um acidente infame, inaceitável, absurdo.
Se Milene tivesse parado em uma banca de jornais para comprar um Halls, teria escapado do acidente. Se sua mãe tivesse telefonado e pedido para a filha comprar pães antes de voltar para casa, teria escapado do acidente. Se os passos de Milene fossem mais apressados, ou mais pausados, ela poderia estar viva hoje, quiçá escrevendo um blog.
Tudo na vida pode ser uma questão de timing. Do alimento um dia fora de prazo de validade ao reencontro de velhos amigos em um elevador que quase fecha suas portas; do milésimo de segundo que decide um campeonato de atletismo ao fracassado compositor avant la lettre cujas músicas eram avançadas demais para a sua época; do site que seria um sucesso financeiro caso tivesse surgido antes do estouro da bolha aos quadros que Van Gogh não vendeu em vida.


Percebe-se de cara que o garoto ainda peca pela inexperiência. De tão concentrado em jogar as bolas no espaço, esquece de coletar suas moedas. O som de uma buzina o arremete de volta ao planeta Terra: sinal verde, nenhuma esmola recebida. É o custo do aprendizado.

Quando vi Monica Vitti entrando em cena no filme A Noite, de Michelangelo Antonioni, meu coração passou a bater em ritmo de Olodum. Que mulher! Sua presença magnética mesmerizou meus sentidos.
Mas o filme é de 1961, e eu sou apenas um pobre cinéfilo latino-americano. Que pena, Ms. Vitti! Ok, talvez nós tivéssemos alguns problemas de comunicação. Afinal de contas, do italiano só sei balbuciar algumas parcas frases como "tutti buona gente", "porca puttana" e "dá-me um Cornetto". Enfim, nada que a boa e velha linguagem corporal não resolvesse. Pena, no entanto, que acabamos nos desencontrando de gerações. Pelo mesmo motivo meus promissores relacionamentos com Louise Brooks e Hilda Hilst não deram certo...

Um ano depois, Dulce telefonou para André. O noivado havia sido rompido, ela não conseguiu esquecê-lo durante esse tempo todo, etc etc. André também não esquecera de Dulce, mas aprendera a conviver com sua ausência. Tanto que encontrou uma namorada, Bárbara, com quem vivia uma relação estável e feliz. Dulce quis marcar um encontro no Conjunto Nacional, lugar onde trocaram tantas palavras de paixão não-consumada. Por um instante André hesitou, perambulando na corda bamba da nostalgia. Mas acabou declinando do convite: não valia a pena buscar o pássaro voando.
Não era para ser.
(P.S.: texto originalmente publicado no Spam Zine edição 093)
Escrito por Alexandre Inagaki em junho 3, 2004 08:33 PM
Quanto ao post do SACaneie. Mandei um e-mail ao Cocadaboa comentando o fato. Não me responderam o que pode confirmar o fato de eles serem os autores da dita-cuja da carta.
buscar o pássaro voando.
queria saber voar...
beijos.
te adoro.
de volta ao front samurai.
Olá:
Vim pousar no teu canto, trazida por não sei que ventos. E adorei caminhar por tuas letras. Ah!, o tempo e a sincronia dele com nossos passos. Um minuto pode mudar nossos rumos, nosso destino. O "não era para ser" deixa sempre uma dúvida em nós: será que não era mesmo? "e se eu tivesse...e se eu não fosse...". Uma certeza em mim: Era para eu vir aqui. O bom vento que me troxe, soprou em exata hora. Deixo um convite: se quiser e puder, vem conhecer Meu Porto. Será, para mim, uma honra e uma alegria.
Parabens Inagaki, muito legal seu site.
Se tem um assunto delicado é esse de timing. Me lembrei de um livro do José de Alencar, Cinco Minutos, onde ele constrói uma história de amor por conta de um atraso de 5 minutos.
Agora, esse "não era pra ser"... Ai, que medo dele. :-/
Beijoca, querido.
Parabéns o seu blog recebeu o selo de maior premiação de blogs na internet.
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Quer também ser selecionado então entre no http://criticasbrasil.zip.net e participe.
Dessa coisa de timing, um segundo a mais, um segundo a menos, tem um filme que eu adoro que fala sobre isso. É uma comedia romantica boba, mas eu adoro mesmo assim. Chama Sliding Doors (ou De Caso com o Acaso em portugues, eca eca eca).
Ih... mas eu vim aqui pra comentar o que você escreveu lá no me blog... é isso mesmo, nessa idade os hormônios e os neurônios estão em ebulição... no geral, acho legal e gosto de ver a farra da suecada... mas é que a minha filha já tem 17 anos, e esse ano achou de beber também... ai passa da teoria pra prática e não é nada agradável!! ;)
É isso mesmo, Inagaki... Eu costumo pensar nisso também. Quando eu tinha 8 anos, estava brincando junto ao portão do meu prédio enquanto falava com uma garota, segundo minha mãe, estudante de medicina, uma gracinha. Ai me deu uma idéia... "vamos brincar de miss" (claro que eu tinha que ganhar, né? hahahaha)... e arrastei mais 4 meninas pra trás do prédio... uns três minutos depois, a gente ainda estava no meio do caminho quando ouvimos um estrondo... um caminhão carregado de granito entrou muro adentro exatamente onde nós estávamos... a moça com quem eu estava falando morreu na hora e a minha vaidade de menininha de 8 anos salvou a mim e a minhas amigas... me arrepio até hoje quando lembro disso...
Timing, acho que tudo é no seu tempo e na sua hora, a questão do "se" é apenas para amenizar o sofrimento, ou desculpar algum erro.
Saudades do finado SpamZine! E não é que, mesmo hibernante, ainda é mais antigo que o Simplicíssimo, que está apenas na edição de número 78?
Supositórios de baunilha para você!
Quando tem que ser, é.
Não era pra ser...
Como Louis Dega em Papillon (com Steve McQueen e
Dustin Hoffman ), quando desiste da liberdade por preferir conviver com seus fantasmas a enfrentar uma nova realidade...
oi querido! vim te deixar um beijo enorme e desejar um otimo fds!!!
Por enquanto eu tô na fase vivendo a fase em que Dulce deixou de vez a paixão por André pra não perder um relacionamento mais estável... E o pior é que acho que farei o mesmo que ele se Dulce quiser voltar.
É, tempo é tudo. Tempo é dinheiro, é vida, é sentido. Tempo é um futuro, uma esperança. Tempo é aquele que se esgota e também aquele que desperdiçamos.
O melhor é saber aproveitar o tempo que temos, apesar da inexperiência como o garoto no sinal, nós tb não sabemos ao certo o que é aproveitar e o que é perder. Quem sabe em tempo, em vida, alguns de nós ainda aprenda o que é isso!
Até mais!
É, a vida é um mistério. Nós nunca vamos saber realmente o que aconteceria se em algum momento, mudassemos os caminhos....
Adorei seus textos!
Poxa, o blog tá cada dia melhor... parabéns.
Ah, vê se anda com um caderninho para não esquecer as boas idéias. Bom, sobre os pequenos malabaristas eu acredito que quem iniciou a série foram alguns argentinos malucos. Pelo menos aqui em Belo Horizonte foi assim.
Bj!
Este texto poderia chamar-se: Lição. Pelo menos, para mim, serve como partida para refletir sobre momentos que vivi. Obrigado.
Pôxa cara, vc é muito bom, estou numa fase q não sei se "caso ou compro um Play1" e vc vai me fazer sair dessa inércia... Obrigada
Nunca li algo tão... nossa, tô sem palavras. Inagaki, após ler esse post, respirei fundo e pensei comigo mesmo: "putz, esse cara é foda!" Parabéns, um dia serei como você.
Afinal, tudo é uma questão de "timing". :-)
Inagaki, você me irrita. :)) É tão bom ler isso aqui que, às vezes, me sinto uma viciada. Olha a hora! Tava indo dormir e pensei: Não li o "pensar enlouquece" ainda. Vou dar uma conectadinha. Por fim, aqui estou... trocando minutos de cama por você. Ai, ai, ai. :))
Ah o acaso, o acaso é o deus mais poderoso que eu conheço. Tudo bem, ele é cruel, mas enfim...
Não sei, tenho uma relação meio passional com o tempo, coisa de gente impulsiva, tudo tem que ser pra ontem, talvez por isso, poucas vezes tive essa sensação de que era a hora errada.
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