O que dizer?

Os resultados apresentados pelas enquetes promovidas por sites como No Mínimo e O Globo não surpreendem. Não é possível ser racional diante de um assassinato escabroso como o do garoto de 6 anos de idade no Rio de Janeiro. Do mesmo modo, não surpreende ver que a Câmara dos Deputados deverá votar nesta semana 7 projetos na área da segurança pública. Essa mudança na pauta das votações já ocorreu em maio de 2006, quando o PCC promoveu diversos ataques na cidade de São Paulo, e no entanto nada de prático foi decidido, à semelhança do que (não) aconteceu quando outros crimes estarreceram o país, como nos casos da morte de Gabriela Prado Maia Ribeiro, da família de Bragança Paulista que morreu queimada ou do assassinato do casal Liana Friedenbach e Felipe Silva Caffé por um grupo liderado por um menor de idade. Na época em que este crime foi cometido, enquete feita pela Folha Online a respeito da redução da maioridade penal apresentou o seguinte resultado: 97% dos participantes defenderam que, sim, independentemente da idade, o acusados deveriam ser tratados como quaisquer outros presos.
As principais autoridades, sempre que inqueridas a respeito de casos como o do menino João Hélio, afirmam se opor à redução da maioridade penal. O presidente Lula afirmou que a solução para combater a violência está na consolidação da democracia e na oferta de educação e emprego a todos os jovens. A presidente do STF Ellen Gracie, o presidente do Senado Renan Calheiros e o presidente da CNBB Geraldo Majela, dentre outros, afirmam que a mudança da responsabilidade penal não fará com que a violência diminua. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, entende que não é no calor de um crime bárbaro que a sociedade deveria discutir questões como esta. Afirmou o ministro do STF Marco Aurélio de Mello: "Devemos, acima de tudo, combater as causas da delinqüência, não atuar apenas no campo da punição". Ok, todas estas são opiniões ponderadas e corretas; decididamente é imprescindível a implementação de uma política assistencial e educacional aos adolescentes a fim de combater as causas estruturais da criminalidade no Brasil. Mas... a anomia da sociedade e a incompetência do Estado justificam ou relativizam os atos bárbaros desses assassinos? Menores de idade que cometem tais atrocidades serão capazes de ser reintegrados ao convívio social após 3 anos internados em instituições inaptas para a recuperação de jovens? Pena de morte resolve? Promover passeatas, coletar assinaturas via Internet, publicar este post têm alguma serventia?
Os dias passarão, e seguiremos com nossas vidas. Neste momento, nada mais posso desejar aos meus semelhantes que não seja muita saúde e sorte a todos nós. E prosseguir com minha torcida para que o Mundo aí fora não esmoreça ilusões, não esmague projetos e, principalmente, não atinja aqueles que amamos com uma bala perdida, um pedaço de ônibus espacial na cabeça, uma metástase não diagnosticada a tempo ou uma agressão gratuita numa esquina qualquer, poupando da Dor tantas pessoas boas que, sem qualquer motivo minimamente aceitável ou explicável, são vitimadas pelas artimanhas irônicas do destino, esse filho da puta brincalhão que gosta de jogar dados com o acaso.

Comentários
o que é maioria penal?
Desabafado por ga | 3 de maio de 2007, 22:29
O rpoblema mesmo é a impunidade brasileira. Se ao menos as leis que temos hj fossem aplicadas, seriam mais respeitadas, não adianta criar novas leis para também não cumpri-las.
Desabafado por Capitú | 15 de março de 2007, 14:46
A classe média burra quer matar preto e pobre, o governo corrupto é evasivo e incompetente, os marginais profissionais estão se alimentando da nossa inoperância há muito tempo.
E qualquer análise fica pior ainda quando se tem uma filha.
Ainda bem que a quinta-feira está ai e as pizzarias já abrem, não é? Ou vc tem alguma dúvida de como isso acaba? A única sugestão imediata e rápida com efeito prático para a sociedade brasileira, e que até os políticos tem alguma competência para aprovar é:
Mudem o nome do país de "Brasil" para "South Park".
T§
Desabafado por Tarsis em plena quarta-feira de cinzas ouvindo Ashes to Ashes | 21 de fevereiro de 2007, 13:43
"Filho da puta brincalhão que gosta de jogar dados com o acaso"
Mtoooo bom!
Desabafado por Pandora | 19 de fevereiro de 2007, 12:10
Para mim, o que aconteceu no Rio de Janeiro foi pura a simplesmente um homicídio. Quantas crianças morrem de fome ou assassinadas nas favelas e a gente nem liga? Quantos milhões de reais são desviados dos cofres públicos ou sonegados do fisco todos os anos e a gente nem discute se as leis sobre crimes tributários ou de responsabilidade deveriam ser alteradas?
Desabafado por Dona Zefa | 15 de fevereiro de 2007, 17:31
Eu até agora não consigo nem comentar o caso, nem nas rodas de cafezinho da empresa, nem em casa muito menos escrever a respeito, é muito difícil qdo se tem um filho da mesma idade, parei... o coração apertou de novo e os olhos....
bjos
Desabafado por lucila | 15 de fevereiro de 2007, 08:19
Matar... Morrer... Dar a vida... Tirar uma vida... Sofrer um bombardeio... Vingar com um massacre...
A História mostra que somos uma espécie sanguinária!
Sou a favor de permitir à vítima escolher a vingança, mas sabendo do preço que pagará por seu ato e que esteja disposta a pagar por tal capricho.
Acho injusto e desumano executar uma pessoa por pior que seja... pois a falha de um demonstra a falha da sociedade.
É fácil esconder a sujeira, jogando-a no lixo... ou colocando-a na cadeia. Mas, cadeias não seguram para sempre. Então, que fazer? Nada se faz!!! E esse é o grande pecado! Ninguém faz nada para mostrar o que é errado e jamais deve ser feito.
Como se deuses existissem e viessem a consertar o mundo... Estamos por conta própria e deveríamos ao menos tentar consertar as merdas que fazemos e deixamos acontecer...
Desabafado por Chic0 | 14 de fevereiro de 2007, 21:02
Então, caríssimo, essa história de pena de morte é uma coisa tão absurda que nem sei por onde começar. Mas sou contra.
Queria lembrar que tragédias acontecem sempre, mas às vezes a vítima é um inocente muito inocente e isso nos sensibiliza mais. Não consigo imaginar a dor desses pais, dessa família, e entendo que eles queiram sangue, eu também quero um pouco de sangue, mas não admito que o estado legitime um assassinato. Esses criminosos são fruto de nossa sociedade. Se tivesse uma chance a mãe do menino teria dirigido por quinze quilômetros arrastando o "de menor" e estaríamos dizendo coisas bem diferentes. Morei no Rio durante anos, conheço muito bem São Paulo e sou de Recife.
nós ignoramos as pessoas. Nós fingimos que não vemos a menina de quinze anos administrando cinco crianças pra recolher esmola no farol. A gente finge que não sabe que tem uma enorme quantidade de crianças pedindo comida nos bares. A gente fecha a janela do carro rapidinho quando eles chegam junto, a gente finge que não ouve quando eles falam com a gente e fica olhando pra frente como se eles fossem invisíveis. A gente, como sociedade, ignora essas crianças. Aí elas crescem com ódio da gente. Elas tem raiva e com toda razão. Então o que fazer quando finalmente uma dessas crianças cresce um pouco e ignora totalmente a gente? A gente mata?
Em vez de ficar querendo sangue todo mundo devia olhar um pouquinho pro próprio rabo por que na verdade certas coisas não são possíveis de solucionar "no calor da tragédia". e certas tragédias são anunciadas. Claro que ninguém imaginava que fosse o João Helio, claro que ninguém sabia que seria assim, mas na verdade nossas cidades são uma afronta ao ser humano há muito tempo. Existe um apartheid real no Rio de Janeiro que as pessoas insistem em ignorar dizendo que é uma cidade onde "o morro convive com o asfalto". Pois sim: o asfalto quer que o morro exploda e vice versa, saibam vocês.
Algumas coisas precisam de muito mais tempo, dinheiro e esforço pra mudar e acho que essa situação é uma delas. E existe um caminho mais trabalhoso que ficar colocando bandido em cadeia, mas muito melhor, que é dizimar as oportunidades de se virar bandido. A gente faz isso com saneamento básico, escola, segurança, oportunidades de emprego, saúde, transporte público, todas essas coisinhas que a gente adora culpar o governo por que não funcionam mas não quer levantar um dedo pra fazer funcionar.
Está na hora da sociedade civil parar de choramingar, se organizar e perceber que os ricos, os pobres e a classe média somos todos parte da mesma cidade e somos todos igualmente responsáveis por tudo que acontece nela.
Desabafado por Rosa | 14 de fevereiro de 2007, 17:24
Na minha opinião deveriam fazer com estes criminosos o mesmo que aconteceu com o menino. Amarrar um de cada vez em um carro e arrastar por 7 Km. Quando o 1º for os outros ficam olhando o que acontece com o sujeito, depois vai o 2º e os outros olham... até sobrar um meliante, que com certeza, estará arrependido de ter feito o que fez... se a Lei fosse assim pra todos os crimes não estaríamos como estamos. Quem tira a vida de alguém, deve perder a sua também !
Desabafado por Léo | 14 de fevereiro de 2007, 16:40
Fato lamentável a morte desse menino do jeito que foi. Fato lamentável pensar que pena de morte resolve-ria esse tipo de comportamento humano. Ou brasileiro.
Desabafado por pedro | 14 de fevereiro de 2007, 15:56
O crime que vitimou o menino João Hélio, deixou-me chocada e entristecida. Foi de facto uma morte horrivel, sem palavras! Porém, não creio que a pena de morte seja o castigo maior, embora esse seja o primeiro instinto a falar e se o joão Hélio fosse meu filho, talvez também desejasse a morte dos criminosos! Mas quem lida com a morte de uma maneira tão fria e cruel, não entenderá a morte como uma coisa assim tão grave. A prisão perpétua é um castigo enorme! Por lhes tirar a liberdade, por tudo o que vão sofrer na cadeia e porque no fundo é uma forma de pena de morte, na medida em que impede o individuo de actuar na sociedade para todo o sempre. Será um número atrás das grades para o resto da vida e muitas vezes são eles que se suicidam porque entretanto enlouquecem. Agora que há uma necessidade urgente de reeducação do povo para mudar mentalidade, isso há. Os jovens têm que perceber o significado de compromisso, respeito e disciplina, para terem capacidade de serem cidadão úteis e não se transformarem em parasitas!
Abraços Alexandre
Desabafado por Daniela Mann | 14 de fevereiro de 2007, 15:13
Muito bom o texto. Alias, como tanto outros que você escreveu. Sobre as estatisticas, o que me surpreende sempre é o numero de pessoas que acham que a pena de morte é uma solução. No Brasil, jah tem pena de morte, a mais eficaz e rapida de todas, sem julgamento, sem burocracia e a violência, e a violência.
Desabafado por Helena | 14 de fevereiro de 2007, 10:30
Belo post!
Desabafado por Francis | 13 de fevereiro de 2007, 22:33
Confesso que, de tão indignado e triste, não consegui escrever nada a respeito. Tanta crueldade e insensibilidade nos remete a uma reavaliação daquilo que compreendemos como ser humano.
Desabafado por José Alberto Farias | 13 de fevereiro de 2007, 17:51
Prezado Alexandre, gostaria de pedir sua ajuda pra divulgar o abaixo-assinado pela revisão do ECA e do Código Penal brasileiro. O link direto para a petição é http://www.petitiononline.com/derby71/petition.html
Agradeço desde já. Abraços!
Lauro, o texto dessa petição, além mal redigido, não expressa minha opinião. De qualquer modo deixo o link aqui, no espaço de comentários, para quem desejar participar desse abaixo-assinado.
Desabafado por Lauro Bonfim | 13 de fevereiro de 2007, 15:49
Ninguém quer diminuir a criminalidade ao acabar com a maioridade legal.
O povo quer é sangue.
Desabafado por Cristiano Dias | 13 de fevereiro de 2007, 14:48
Li no blog da Cora e trancrevo aqui:
"Não consigo falar no caso desse pobre garotinho arrastado pelos bandidos.
Não dá, simplesmente não dá.
Mas também não dá para ouvir tanta gente dizendo besteira na televisão! Um caso desses não é conseqüência da impunidade generalizada. Quando não há punição as pessoas roubam mais, assaltam mais, eventualmente matam mais -- mas não é a falta de punição que gera monstros como os que arrastaram o menino, como os que tocaram fogo nos ônibus com os passageiros dentro, comos os que queimaram o índio em Brasília ou como tantos outros em que já não se vê sequer o mínimo vestígio de humanidade.
A prisão para essas criaturas é menos uma punição do que uma garantia de segurança para a população. Não pode ser calculada em três ou trinta anos; é caso de trancar e jogar a chave fora.
Uma sociedade que paga a peso de ouro um judiciário que se dispõe a soltar assassinos dessa natureza é uma sociedade suicida."
Desabafado por Paty | 13 de fevereiro de 2007, 14:06
A charge do Angeli na Folha anteontem sobre a redução da maioridade penal sintetiza exatamente o que penso sobre a questão. Supunhetemos que reduza-se tal maioridade para 14 anos. Tudo bem. Daí vem um garoto de 13 crackeado até a alma e resolve malhar Judas tb. Abaixa-se, então, para 10 anos? Complicado.
abç
Desabafado por gugala | 13 de fevereiro de 2007, 12:52
É muito bonito dizer que se precisa atuar na prevenção da criminalidade, tomar posição contrária à diminuição da maioridade penal e, no fim das contas, entre um discurso e outro, não fazer nada. Por mais que concorde com a idéia de que medidas preventivas são necessárias, elas só surtirão efeito a longo prazo... E a situação hoje é de emergência, infelizmente muitos criminosos estão além de qualquer esperança de salvação... Medidas no campo da punição também são necessárias sim!
Desabafado por Beatriz | 13 de fevereiro de 2007, 12:43
Prezado Ina;
Nessa hora que a opnião pública clama por justiça nada parece razoável...
Desabafado por Bion | 13 de fevereiro de 2007, 12:27
É triste ter que dizer que, com o passar do tempo, meu sentimento a este país se resuma a uma palavra: vergonha. As pesquisas de opinião que são realizadas têm que valor mesmo? Não deveriam servir como indicadores dos desejos e anseios de uma sociedade tão oprimida? Vejo que o alcance da opinião pública vem sendo paulatinamente limitado. Este é um governo voltado para os próprios umbigos. Uma vergonha.
Desabafado por Ed | 13 de fevereiro de 2007, 11:49
Temos visões sobre bem parecidas sobre este agrupamento de problemas.
Não se trata apenas da redução da maioridade penal, existem diversos outros graves problemas envolvidos e não vejo um canal de comunicação direto e *eficiente* entre a sociedade e as autoridades.
Como diria Paulo Francis, estamos tecnicamente mortos.
Grande abraço!
Desabafado por Fabiano Izabel | 13 de fevereiro de 2007, 09:32
A questão da maioridade criminal é discussão de longa data. Nosso código penal necessita de uma revisão geral e nãoé de hoje. Fizeram alguma pequenas aberrações desaparecerem, mas ainda não tocaram no âmago das questões. Eu concordo que a solução para a violência generalizada não está em incrementar ou aumentar a punição, mas sim no acesso a todos à educação e trabalho. No entanto, eu acho que o que dá a sensação de seguridade social é a certeza de que haja uma pena correspondente que possa ser aplicável a quem comete crimes (bárbaros ou não). Não sou e não serei a favor da pena de morte, e acho também que promover esse tipo de enquete sob o fogo cruzado de um caso polêmico é somente uma estratégia da mídia para fomentar o fogo por mais tempo. Mas, há que se convir, esse sentimento de insegurança e impunidade acaba até mesmo com o ânimo de gente como vc, Ina, que promove o discurso político, é eleitor consciente e acha que esse país pode ter um jeito se cada um fizer a sua parte. Talvez a minha distância física preserve esse meu lado, eu ainda quero acreditar no Brasil e sigo acreditando. Conto até mesmo com a possibilidade de um dia votlar a ter meus pés aí, e por isso, sigo com minha réstia de esperança. Tem jeito? Eu não sei? Esse monte de blablablá nessas horas ajuda? Talvez não muito. Mas ainda acho que devemos voltar a discutir questões para o bom funcionamento do nosso país: reforma dos nossos códigos, reforma previdenciária, crescimeento econômico, educação e saúde, e por aí vai. Pra frente é que se anda, mesmo quando somos confrontados com o pior dessa raça nossa.
Desabafado por MArgot Abirato | 13 de fevereiro de 2007, 06:59
Peraí, peraí, hoje eu vi no telejornal a proposta de nosso novo governador de que, em caso de crimes bárbaros - como esse e outros que vêm sendo cometidos nos últios tempos - independente da idade, o criminoso deve julgado como maior de idade.
Um dos responsáveis pelo roubo do carro + assassinato do garoto já tinha umas cinco passagens pela polícia - quando era menor de idade. Nota-se que a reabilitação e reintegração à sociedade, pelo menos aqui no RJ, não adianta mais.
E agora? Como isso se resolve? Juro que não faço idéia, com pena de morte não é, mas não consigo pensar numa sugestão minimamente eficaz. Melhora na educação e empregos é a mais razoável, mas ainda assim, quanto tempo isso leva?
Desabafado por Lia | 13 de fevereiro de 2007, 05:11
Não sei se os ocupantes do carro estavam de posse de suas faculdades mentais. A mãe do meu marido foi arrastada viva por 600 m por um carro dirigido por um bêbado. Ela tinha 27 anos e meu marido 7. O bêbado vive .
Li em um blog que a pena de morte é inconstitucional no Brasil. Aqui nos EUA vários estados têm pena de morte. Ontem li que as autoridades de Los Angeles querem apertar o cerco às gangues. Quantas vezes já li notícia parecida?
Dá vontade de dizer: --Joga fora e faz outro. -- Mas não é isso. Também não sei o que é. Os guris de 9 e 10 anos que mataram um outro de dois anos nos trilhos em Liverpool foram soltos.
Aqui dizemos que sem justiça não há paz. Haverá paz mesmo com justiça?
Desabafado por tina oiticica harris | 13 de fevereiro de 2007, 01:41
puxa, o que dizer....
é apenas mais uma resposta emotiva de uma classe média que se sente impotente.
ao invés de pressionar o Estado e seus deputados eleitos (será que eles lembram em quem votaram???) para melhorar a educação e as condições de vida do povo,
preferem o caminho árabe-israelense: a vingança!
e vamos nós!
Desabafado por daniel | 13 de fevereiro de 2007, 00:49
Acredito que a maioridade penal não é defendida pelos politicos tupiniquins apenas porque o Brasil nao teria presidios suficientes para enjaular todos os menores que praticam crimes ediondos como temos visto acontecer.
Desabafado por Jacques Lincoln | 12 de fevereiro de 2007, 23:18
Há pouco tempo rolou uma história que talvez tenha me chocado mais do que essa do menino, não por ser mais cruel (não era), mas por expor mais claramente como o ser humano é um bicho sedento de sangue.
Foi o caso da moça suspeita de ter matado a própria filhinha com cocaína. Dos médicos que atenderam a criança até as companheiras de cela da mãe (que foi presa), todos foram unânimes em maltratar, fisicamente, cruelmente, a moça, para ela "pagar pelo que fez". Depois de um tempo, ela foi solta, as perícias mostraram que ela não teve nada a ver com a morte da nenê. Sendo ela inocente, o que sobrou? Um bando de monstros que acabou com a vida dessa moça, depois de ela ter passado pelo maior dos traumas, que é perder um filho. Eram muito piores que ela, e se viam na posição de "moralizadores".
Parece que esses crimes horrendos engatilham nas pessoas o que elas têm de pior, e a distância entre os "cidadãos de bem" e o criminoso some rapidamente.
O pessoal do governo está certo, essa grita popular pela diminuição da maioridade penal ou pela pena de morte é apenas uma espécie de sede de vingança se manifestando, e não podemos alimentar a espiral de violência.
Vai aqui um link bacana, uma tabela da maioridade penal em vários países.
Desabafado por Daniel | 12 de fevereiro de 2007, 21:20
Esse crime ter acontecido nas vésperas de um carnaval foi a pior coisa que poderia ter acontecido. Pois será esquecido mais rápido.
A solução do problema da violência neste país obrigatoriamente passa pela questão do controle da natalidade, pois certamente os adolescentes que praticaram essa barbaridade eram filhos de pais que não tinham condições de ter um filho sequer. Filho é pra quem pode.
gd ab
Desabafado por JULIO CESAR CORRÊA | 12 de fevereiro de 2007, 20:35
Tem razão.Nessas horas não se pensa racionalmente, as pessoas são levadas pela emoção, não tem jeito.
Porém, por mais que as opiniões polidas e politicamente corretas das autoridades sejam irritantes em momentos assim, concordo com elas.
Penso que esse pena de morte, redução da maioridade penal etc. são atitudes que visam apenas a satisfação do desejo de vingança, não resolvendo o problema real que é a falta de perspectiva que os jovens(eu sei do que estou falando, afinal ainda faço parte dessa maldita fase da juventude!) tem em relação ao futuro.
Até.
Desabafado por Felipe | 12 de fevereiro de 2007, 17:40
A diminuição da maioridade penal me parece que não adianta de nada, não podemos confundir punição com prevenção. Não sou pessimista, mas sinceramente não tenho a mínima idéia do que pode ser feito com relação a este problema. Tento encarar os problemas com racionalidade, mas nesse caso não há racionalidade que explique esse comportamento.
Desabafado por Pires | 12 de fevereiro de 2007, 17:20
Eh muito triste isso, mesmo. A seguranca e o sistema penal no Brasil precisa mudar muito, precisa mudar TUDO. E os policiais precisam de mais treino, armas decentes e salario digno. Eh tanta coisa que precisa mudar. Mas eu, como vc quero que mudem as mentes, as mentalidades. Quero mais amor no coracao das pessoas. E pena de morte no Brasil eh loucura. Soh vai morrer pobre e inocente. Uma beijoca proce.
Desabafado por Andrea N. | 12 de fevereiro de 2007, 16:55
é, se for analisar na fonte sempre encontramos problemas na fabricação da peça e nem tanto na sua má utilização...
Desabafado por Selph | 12 de fevereiro de 2007, 16:04
A diminuição da maioridade penal não resolveria o problema. Apenas téríamos cadeias mais lotadas de criminosos cada vez mais novos aprendendo lá dentro como ser um criminoso pior ainda...
Desabafado por Adriano | 12 de fevereiro de 2007, 16:03
Mas o pior é que o Lula tá muito certo. No fundo todos nós (que não cometemos crimes bárbaros) gostamos de vingança, por mim mesma poderiam matar esse tipo de gente e mandar a conta da bala pra família. Mas a realidade é que isso seria injusto e tão brutal quanto as atitudes dos mesmos. Uma boa educação e oportunidades cortariam o mal pela raiz.
Desabafado por Lori | 12 de fevereiro de 2007, 16:00
também postei sobre o mesmo assunto hoje. aliás, nem sei porque postei, eu já não acredito mais em nada :/
talvez o post seja um modo de dizer que apesar de não acreditar em um conserto da sociedade, eu até gostaria de pensar diferente.
abraço, ina.
Desabafado por Doda | 12 de fevereiro de 2007, 14:39
Pena de morte não adianta. Primeiro porque é o reconhecimento da falência do Estado, que ao matar se iguala ao assassino. E segundo porque, no Brasil, só morreriam os pretos e os pobres, enquanto os grandes criminosos da alta classe continuariam circulando por aí, babando na gravata da impunidade.
O que precisamos com urgência é de uma Reforma Judiciária que facilite a condenação de crimes hediondos como este do menino João. A Justiça no Brasil se ampara numa quantidade absurda de recursos. O cara mata uma criança de seis anos e um advogado canalha enche o rabo de dinheiro. Vai protelando o julgamento, adiando a condenação. E quando o cara vai em cana, logo arruma-se uma liminar, baseada num recurso, e o sujeito volta às ruas ou responde em liberdade.
É crime hediondo? Ficou provado que houve a intenção de matar? Então que se leve ao julgamento e se condene o assassino à pena máxima. 30 anos de prisão não são poucos, desde que sejam cumpridos. O que não podemos mais é conviver com essa aceitação da impunidade, perpretada por essa justiça falha e corrupta.
Tentei me manter longe desse caso. Não li detalhes da morte, não quero ler, não quero saber. Mas a gente acaba tendo de se informar, mesmo sem querer. Só posso dizer que estou arrasado. Desde então não tenho conseguido escrever nada no blog e o tenho mantido atualizado com textos antigos, de gaveta.
PS - Cabe dizer também, Inagaki, que o menino João fosse preto e favelado, a repercussão na mídia não teria sido a mesma. E a revolta da sociedade também não. Pediríamos a pena de morte para um filho de papai que matasse um menino pobre? Quem pediu a pena de morte quando aqueles estudantes de Brasilia queimaram um índio?
Desabafado por Bruno Ribeiro | 12 de fevereiro de 2007, 14:28
Acho que não existe uma só resposta para tudo isso, ou talvez as respostas sejam as mesmas já ditas todas as vezes que paramos pra discutir questões sobre violência e barbárie: educação, infra estrutura básica para a população (e toda aquela coisa que a gente escuta durante o período eleitoral)
Sobre reduzir a maioridade penal... não sei se esse é o caminho, teríamos crianças cada vez mais novas envolvidas com assassinatos e usadas pelo crime.
Uma coisa é certa a nossa perplexidade tem que nos impulsionar para ações.
Desabafado por debora | 12 de fevereiro de 2007, 12:54
Eu acredito na redução da maioridade penal, mas também concordo que educação e infraestrutura são capazes de reduzir os índices de violência do país.
E pena de morte não resolve nada.
De fato. Pena de morte em um sistema judicial tão falho como o brasileiro definitivamente não resolverá nada.
Desabafado por marcus | 12 de fevereiro de 2007, 12:06
Inagaki, eu não consigo pensar numa punição adequada para os perpetrantes, nem tampouco num consolo para os pais. Já chorei muito por causa dessa barbaridade; quem tem filhos, como é o meu caso, pode entender a emotividade que aflora nesses momentos.Dá vontade de sumir - do mundo, mesmo.
Renato, não é à toa que encerro o segundo parágrafo com uma série de questões: não tenho respostas fechadas para tais perguntas. Ainda estou perplexo e estarrecido demais com o caso.
Desabafado por Renato K. | 12 de fevereiro de 2007, 11:50
E ae bugrino, blz? Deve tá duplamente triste, tanto pelo fato acima, como pela goleada do final de semana.
Brincadeiras a parte, eu quando fiquei sabendo sobre o caso na semana passada, peguei minhas coisas, e fui embora do trabalho. Sério, o meu dia tinha se dado por acabado, o fato foi deplorável.
Escrevi no meu site sobre o assunto, dá uma olhada, não é nem de perto o texto tão bem redigido como o seu, e é bem intolerante, lá dentro siga os links, tem algumas teorias minhas :D
http://www.morroida.com.br/2007/02/09/a-favor-da-esterilizao-e-aborto/
abraço!
Desabafado por Fabião Morróida | 12 de fevereiro de 2007, 11:06
é a reflexão mais sensata, pertinente e sensível q já li. esse crime é hediondo, injustificável. mas tb é desalentador ver como as pessoas reagem com tanto rancor e medo. vejo isso em minha própria casa. não percebem q reações vingativas estão na raiz do mesmo mal e as iguala aos assassinos de uma criança.
Desabafado por luizgusmao | 12 de fevereiro de 2007, 10:55
post super-polêmico.
Mas concordo com o Lula, e a pesquisa que vc apresentou na imagem é flagrante: 4,01% acreditam que a pena prevista é a que deveria ser aplicada. O povo acredita que, precisamente pela justiça não ser eficiente, deveria ser aplicada a pena de morte. Mas... lembram-se que a pena de morte provém de uma crença da justiça ineficiente? Concordaríamos, agora, em aplicar uma pena de morte também ineficiente (imagine as injustiças a mais que virão...)?
Desabafado por catatau | 12 de fevereiro de 2007, 10:54
Muito curioso eu entrar aqui e ver exatamente o tema que tratei no meu blog, quase que no mesmo horário em que você postou. Há algum tempo eu não aparecia por aqui, e vim para divulgar uma campanha que deve interessar a todo mundo blogueiro. Vamos nos unir pela PAZ. Passe lá no meu blog e divulgue também, Ina!
Abraços!
Desabafado por Juliana | 12 de fevereiro de 2007, 10:23