Minha vida secreta de redator de perfis do Orkut

Recebi há alguns dias um e-mail de minha amiga Andréa Augusto a respeito de um assunto desagradavelmente familiar para mim: apropriação de textos. Escreveu Andréa: "Acontece que o meu 'about you' do Orkut tem sido copiado a rodo e colocado em diversos profiles. Sem autoria, claro, e muitas vezes assinado pelos donos dos profiles. Uma loucura. Não tem absolutamente nada de mais no texto, que aliás escrevi ali mesmo antes de salvar. (...) É como se a pessoa fosse oca e precisasse se apropriar do conteúdo de outra, sei lá. Já tive poemas, textos e até simples comentários em livros de assinaturas copiados, roubados, essas coisas, mas um 'about you', pra mim, é incrível, sei lá, acho bizarro, entende?"
Que o mundo é estranho, isso é fato líquido e certo. Eu, que já cansei de encontrar textos meus surrupiados por aí, não me espanto com essas ocorrências. Se você achar, portanto, um texto iniciado com a sentença "Dual, sou assim; misturo meus anjos ao lado obscuro, vou fundo e me retraio", saiba que ele foi redigido originalmente no perfil do Orkut de Andréa Augusto, e que esse texto foi copiado tantas vezes que ela se viu obrigada a registrá-lo na Biblioteca Nacional a fim de resguardar seus direitos como autora.
Não sou tão zeloso assim com meus textos. Cansei de encontrar versões adulteradas, por exemplo, da minha crônica "Pequeno Tratado Sobre a Mortalidade do Amor" (uma delas foi cometida por Pedro, namorado da Bruna Surfistinha). O dossiê definitivo sobre os inúmeros copy-and-paste feitos do "Pequeno Tratado" foi publicado no blog Autor Desconhecido, escrito por Vanessa Lampert. Mas, após receber o e-mail da Andréa, resolvi fazer uma busca no Orkut, só de curiosidade, a fim de descobrir se alguém teve a pachorra de reaproveitar o "Pequeno Tratado" por lá. Pois e não é que encontrei 54 perfis que copiaram meu texto, sendo que apenas 4 deram os devidos créditos?
Contudo, o "Pequeno Tratado" não é meu texto mais plagiado na Internet. Esta duvidosa honraria pertence a uma nota besta que publiquei no final da edição 048 do Spam Zine, publicado em 20 de janeiro de 2002. Eis o texto que escapuliu, por algum descuido, de meus neurônios:
Ontem, ao fazer compras no supermercado, fiquei estupefato com a variedade da linha de papéis higiênicos Neve, aquele mesmo que era anunciado antigamente pelo mordomo Alfredo. Segundo seu fabricante, Neve é um produto sofisticado, destinado às classes A e B. Percebe-se pelas frescuras de cada modelo. Como o Neve Ultra, que já vem com alguns opcionais: relevo de flores, perfume e uma microtextura, que segundo o texto da embalagem proporciona a seus felizes usuários a "suavidade de uma pétala de rosa" (perguntar não ofende: alguém já limpou a bunda com uma pétala de rosa?). Depois, tem o Ultra Soft Color (mais caro e mais metido a besta): é laranja e vem com extrato de pêssego. Mas demais mesmo é o Neve Ultra Protection, o top de linha. Este Rolls Royce dos papéis higiênicos, além de conter óleo de amêndoas ("garante maciez superior e um cuidado maior com a sua pele") em sua delicada fórmula, vem com Vitamina E (!!!). Não é supimpa? Agora você pode cagar e sair com o cu vitaminado! Depois disso, o que mais vão inventar? Papel higiênico reciclável?
Esta singela observação, escatologicamente infame, apresenta 434 resultados no Google e foi incluída em dois livros que reúnem "o melhor do humor na Net", provando que internautas não são muito exigentes com relação à qualidade do que lêem.
Não conheço, porém, nenhuma vítima maior do roubo de textos para serem aproveitados em perfis no Orkut que não seja Edney Souza. Sua página de poemas é fonte de "inspiração" para muitos incautos preencherem o campo "quem sou eu" com palavras alheias. Dois exemplos: (In)diferença foi copiado por 34 orkuteiros, enquanto o recordista, Descanso ("Minha vida tem de ser sofrida/ De nada valem os acertos/ Não consigo melhorar"), aparece em nada menos que 113 perfis. Mundo estranho...
P.S.: Albano Martins Ribeiro lançou recentemente o livro Os Melhores (e Alguns dos Piores) Textos de Branco Leone. Leitura altamente recomendada, como qualquer um que assistir ao seu comercial no YouTube poderá constatar.
Comentários
eu quero um site que ..opossamos..colocar.o.text.e.em.ingles.e.depois.de.uns.10segundos..todo.o.texto.esteja..traduzido.pra.o.portugues..nao.queo.propagandas..inuteis..falo
Desabafado por nara | 12 de maio de 2007, 15:15
Esse texto do papel higienico é irado, gargalhei até não querer mais, faltei chorar de rir... não imaginava que era seu quando eu li pela primeira vez, eu já havia lido em outros lugares... esse negócio de cópiarem pensamentos, mensagens, enfim textos... é ruim porque assim outras pessoas podem ler suas idéias e já ter visto antes e podem pensar que vc que anda copiando as coisas dos outros...quem copia as idéias dos outros sem dar os devidos creditos são pessoas sem conteúdo, ocas, vazias
bjus
Carol
Desabafado por Carol | 23 de março de 2007, 17:52
Um novo espaço de encontros e amizades , com videochat, mapas, blogs, albuns de fotos, videoteca, música e noticias sobre Africa! www.africamente.com
Desabafado por africamente | 7 de março de 2007, 21:59
Eu uso seus textos, sim. Confesso. Mas com a devida autoria. E com link direcionando ao seu blog. Sempre. E faço isso com todos os textos de terceiros. "Faça com os outros o que gostaria que fizessem com você." Mesmo que isso não seja garantido. He he
Desabafado por Lis | 17 de fevereiro de 2007, 13:41
Pior do que texto roubado sem crédito é quando dão créditos esdrúxulos (tipo aquele texto horroroso sobre OB que creditaram São Luis Fernando Verissimo).
bjs!
Desabafado por Tita | 14 de fevereiro de 2007, 14:22
Lembrei-me de uma coisinha que escrevi, história de ficção, mas que bem pode ser verdade. Ou não. Agora, se já foi copiada e não creditada, eu não duvido nada:
"Veríssimo
Veríssimo era um cara legal. Veríssimo escrevia muita coisa legal. Veríssimo não era o seu nome real.
Começou como brincadeira, ou quase. O fato é que Veríssimo sempre gostou de rabiscar frases. Até que um dia, tal qual videogame, ele mudou de fase.
E das linhas vieram parágrafos, que se fizeram vários. E logo, longos textos ocupavam papéis, que ocupavam gavetas, que ocupavam armários.
Mas o que Veríssimo queria era ver seus textos vistos. Vê-los lidos, fossem eles gostados ou mal-quistos.
Então, da tecnologia, Veríssimo fez aliada. E passou a enviar seus escritos por e-mails, numa inesperada enxurrada. Mas você acha que alguém lia suas linhas? Qual nada.
Para Veríssimo, tal indiferença doía mais que faca no peito. Mas ele não se abateria até conseguir dar jeito. E uma idéia veio repentina em sua mente, qual plano para o crime perfeito.
E voltaram os e-mails às caixas dos amigos. Estampavam nome novo como autor dos escritos. E como eram do Veríssimo, agora eram lidos.
Mas o inesperado sucesso fez tudo fugir ao controle. E os textos de Veríssimo ganharam mundo sem que ele pudesse segurar sua prole.
Veríssimo não deixou de escrever nem de Veríssimo ser. Mas os créditos serão sempre do outro, aquele famoso, mesmo que este odeie ver, mais do que tudo, seu nome em textos que nunca pensou escrever."
Desabafado por William Wilson | 14 de fevereiro de 2007, 10:49
Sou velho de internet e não sabia que o texto do papel higiênico, que sempre achei muito engraçado, era seu!
Mas é isso mesmo, a partir de agora, a cada texto escrito, deve-se registrá-lo em cartório, pois a internet é terra sem lei e sem propriedade.
Desabafado por Neto Cury | 12 de fevereiro de 2007, 14:21
Pois acabo de receber um PPS justamente do texto sobre o papel higiênico. Obviamente, sem os devidos créditos.
Desabafado por Cristina | 12 de fevereiro de 2007, 10:28
Comecei agora esse negócio de blog e além disso, não tenho nada de útil que alguém queira copiar. Mas já aconteceu de um colega de trabalho utilizar um trecho de e-mail que enviei pra ele, pra enviar outro e-mail pra outro colega. Não tinha nada de literário no texto. Só estava bem escrito. Na verdade, o fato de não haver palavras como "seje" ou "menas", já faz diferença em textos de e-mails corporativos.
O que acontece é que aquilo me deixou puto da vida. E o cara nem fez aquilo escondido. Não. Ele achou super natural utilizar o trecho, já que nele, continha a informação que ele queria passar.
Acho que esse foi um dos motivos que me fizeram criar um blog. Pra parar de achar que e-mails enviados pra colegas de trabalho, falando de coisas práticas e desinteressantes, sejam obras literárias.
Desabafado por Arnaldo | 11 de fevereiro de 2007, 16:25
Aica, Ina, tô besta. Nunca tinha pensado nisso e agora fiquei encanadíssima. Tô querendo procurar pra ver se copiaram meus "about me", mas tô com medo porque sei que vou achar e vou ficar putíssima. Ai, ai, ai, que absurdo. Cacete, viu.
Desabafado por Andréa N. | 10 de fevereiro de 2007, 21:37
a maravilha da internet, onde ninguém é dono de nada.
Desabafado por rodrigo ribeiro | 9 de fevereiro de 2007, 13:47
Pensando bem, o pior não é ter o texto plagiado, é simplesmente o fato do plagiador sequer aprender ou entender realmente o texto que copiou-colou. É coisa do tipo, "isso é legal" e pronto.
:S
Desabafado por tudo o que o Társis escreve é psicografado | 9 de fevereiro de 2007, 13:27
Meus queixos caíram. Meu blog em inglês, o Anarchic Universe, de menor número de posts e de leitores, teve três plágios! Todos os três em frases bobas sobre um comentário racista de um senador sobre outro.
Quando o primeiro Universo Anárquico tinha um pouco mais que um mês de vida um post foi roubado: Saudades do Brasil. Está arquivado aqui em casa.
Deixei recadinho pro carinha. Fiquei magoada. Mais ou menos como você disse, Alexandre Inagaki, um texto pessoal roubado atinge a gente.
Quanto a expressões, vejo meu papel, não higiênico, pois até eu conheço o texto do PH via e-mail, sem autoria, meu papel de blogueira, em parte, é de reintroduzir no uso corrente palavras/expressões do português que vão morrendo por falta de uso. Monteiro Lobato descreve este fenômeno muito bem no "...país da gramática."
Só aprendi o que era plágio quando vim estudar mestrado aqui na USC. Em arquitetura acho que a gente saía copiando coisas daqui e dali.
Aqui nos EUA professores de secundário quando suspeitam teclam a frase em questão e Google responde. Ah, seria bom se o português não fosse isolado tal Macau (Paulo H.Britto)
Bom almoço, uma vez mais.
Desabafado por tina oiticica harris | 9 de fevereiro de 2007, 11:05
Um texto meu foi copiado em mais de 100 perfis no Orkut (há até uma menção sobe isso no meu próprio perfil) e também me vi obrigada a registrá-lo na BN junto a outos textos que também vinham sendo divulgados em nome de outras pessoas ou sem créditos, na Internet. Ter um blog é complicado, atualizá-lo diarimente ou que seja com frqüência, torna impossível o registro de cada texto antes de sua publicação, mas é muito desagradável mesmo.
Desabafado por Roberta de Felippe | 8 de fevereiro de 2007, 23:45
pior di que aquele .pps nao podem ter ficado. já copiaram meu perfil umas 15 vezes, eu nem dava mais bola.
daí coloquei uma letra de música do Roberto Carlos e meus problemas acabaram! nunca subestime o poder do proconceito...
ou essa música não é tão boa quanto eu imaginava, vai saber...
Desabafado por ana raisa | 8 de fevereiro de 2007, 19:49
Sabe, acho que não tem como controlar isto, mesmo que alguém quisesse. Produzir bons textos, dignos de serem publicados, lidos e tocar as pessoas não é uma tarefa fácil, mesmos os mais experientes já falharam. No entanto, muito facilmente, dou uma passeada rápida em um blog aqui noutro ali...e pronto!! meu post está pronto e mantenho meu público super feliz com "meus interessantes e inéditos texto" ...é isso ai!
Desabafado por Lesles | 8 de fevereiro de 2007, 15:48
Minha última conversa sobre plágio foi com a minha orientadora, quando fiz a monografia.
Nunca tinha ouvido falar de cópias de "about you/me" no orkut.
Agora o seu texto do papel higiênico eu já tinha lido sem autor.
Para alguém que tem o trabalho de escrever bem como você, ver cópias (e muitas vezes adulteradas "grosseiramente") espalhadas por aí deve ser muito desgostoso.
Desabafado por Alana Vellasco | 8 de fevereiro de 2007, 14:54
É, babe... isso só serve para confirmar o que eu digo: o texto do papel higiênico, por mais que vc o despreze, é ANTOLÓGICO.
(Vai cair no vestibular de 2150, vc vai ver.)
Beijão. Te cuida.
Desabafado por Carla | 8 de fevereiro de 2007, 12:20
Pegaram meu "about you" três vezes. Não liguei. Apaguei e fiz outro. Um dos caras, disse que eu o descrevi no meu profile e nada mais justo do que pegar a minha frase. Então tá.
Desabafado por Elis Marchioni | 8 de fevereiro de 2007, 11:54
¬¬'
Nem falo nada.. odeio plágio.
Desabafado por Thiago Augusto" | 8 de fevereiro de 2007, 11:09
É.Como disse a Tati, isso é fama, caro Inagaki.
Se bem que a coisa está bem descarada:através do site que você linkou lá embaixo, descobri que até meu blog, um rebento recém dado à luz da blogosfera, já teve partes copiadas sem os devidos créditos.
A coisa está feia mesmo...
Até.
Desabafado por Felipe | 8 de fevereiro de 2007, 09:18
Vale, Alexandre! As pessoas acham que são homenagens, mas não entendo assim. Homenagens levam a autoria verdadeira e não são assinadas por outras pessoas.
Eu já tive muita coisa furtada na net, mas o "about you" é uma coisa que me deixou desconcertada mesmo. Um texto tão simples, que escrevi ali mesmo sem nenhuma pretensão se espalhou pelo orkut. Incrível!
Tem os casos clássicos que encontro pela net, vc é um deles. Já vi um texto seu sobre "As pontes de Madison" que eu amo (filme e texto) assinado por outra pessoa.
Tem o famoso "Trem da Vida" da Silvana Duboc que circula como autor desconhecido ou vários outros "autores". Qdo vejo, falo mesmo. Quer fazer sua homenagem, coloque o nome do autor, diga a ele que usou o texto, poema sei lá. Eu sempre fico honrada qdo acontece porque não sou escritora como você. Esse gostar me comove, de verdade, afinal não é o meu ofício.
De qq maneira, Alexandre, brigadão mesmo, viu? ;)
bjimm procê
Andréa (angelblue83)
Desabafado por Andrea Augusto | 8 de fevereiro de 2007, 08:07
AMOR-FÊNIX?!?
Bem, talvez não seja o momento de pensar nisso, né?
Beijos!!!
Srta. Honorato, não é à toa que eu digo que pensar enlouquece... :P
Desabafado por Renata Honorato | 8 de fevereiro de 2007, 01:11
Acho que tu deve ficar orgulhoso te ter teus textos copiados!
E eu que já fui clonada?!
Beijo
Amanda
Ah, mas eu também já tive meu perfil clonado no Orkut...
Desabafado por amanda | 7 de fevereiro de 2007, 21:40
Ainda não tive a curiosidade (nem a coragem) de pesquisar no Google por onde andam os meus textos. Sei que algumas pessoas já colocaram textos inteiros meus no perfil do Orkut, embora tenham dado o devido crédito. Mas plágio sempre vai existir enquanto existirem pessoas sem criatividade e ética, isto é, enquanto existirem pessoas. Lá na editora, é freqüente autores de livros de Interesse Geral, por dominarem muito o assunto mas pouco a comunicação escrita, copiarem descaradamente sites da Internet sobre o tema. Uns ainda dão uma floreada; outros, mais sofisticados, traduzem trechos inteiros de sites em inglês. Então, agora, a preparação de texto feita por mim também inclui uma bela pesquisa para pegar o autor no pulo. Não me faço de rogada: imprimo a página do site de onde foi feito o plágio e anexo aos originais, com um bilhetinho delicado e diplomático (porque assim exige meu profissionalismo) perguntando sutilmente o porquê da cópia (leia-se: Sr. Autor, o senhor acha que somos trouxas ou o quê?!). Então, se até autores copiam autores, o que dizer de anônimos copiando a gente?! (!!)
Desabafado por Kandy | 7 de fevereiro de 2007, 21:29
Poderia ser pior: e se copiassem seu texto e finalizasem com ..."um beijo no coração"..????...hehe
Vixe maria. Tenho até medo de fuçar o Google, porque é bem capaz que alguém já tenha cometido um despautério desses!
Desabafado por Vivien | 7 de fevereiro de 2007, 20:23
Ina!
Meu irmão tem um profile fantástico, copiado por uma galera. Engraçado é que algumas pessoas deixam scraps dizendo "ei, cara, adorei teu perfil, posso copiar?". Estranho, muito estranho, como diz vc.
Mas sobre o povo que copia seus textos...sei que é foda por causa de direitos literários... mas tem um outro lado que é o de vc sentir-se lisonjeado.O Mac Donalds foi imitado, copiado, descaradamente...mas não deixou de ser o melhor.
Big Mac é Big Mac... por mais que outras lanchonetes tentem, o gostinho nunca será o mesmo.
Beijinhos
Cris, eu não consigo me sentir lisonjeado ao ver meu texto original sendo modificado à revelia, por exemplo. O "Pequeno Tratado" foi todo emendado, soldado e costurado com retalhos dos mais grotescos, a ponto de eu preferir ser conhecido como "Autor Desconhecido". Porque eu não quero ser conhecido como o autor de um Big Mac com hambúrguer de soja e vinagrete. :P
Desabafado por Cris | 7 de fevereiro de 2007, 19:39
Inagaki, essa coisa de plágio é REALMENTE complicada... Bom, eu não posso falar muito, já que o meu profile do orkut é um "plágio" inspirado pelo PEPN. CALMA! Eu explico: Há um BOM tempo atrás, teve um post (que acho que veio a ser caracterizado como meme mais tarde) que tentava descrever as pessoas dentro de um determinado padrão, e convidava a quem interessasse pra fazer o seu. Pois bem, fiz, e muita gente gosta.
Dá uma olhada lá, eu nunca mais mudei, faltou fonte pra outra cópia, hahahahaha.
Abraço!
Desabafado por Gigante | 7 de fevereiro de 2007, 18:21
Ina, este é um assunto que renderia horas de papo. Como você sabe, trabalhei na Editora da Tribo e a quantidade de textos que eu recebia para avaliar (não, eu não dava a palavra final no que era ou não publicado, claro... apenas dava uma filtrada) era imensa. Claro que vinha muita, mas muita coisa plagiada. O lado bom de se ler muito é que você certamente consegue na hora sacar que tal poesia não é da Jéssica da Silva, de Taubaté, mas da Adélia Prado. Se eu ficava com raiva? Claro. Mas não podia fazer muita coisa. Todo fim de ano era a mesma coisa: resmas e resmas de papéis e uma paciência de Jó para ler tudo e ainda tentar acreditar que a autoria era MESMO da pessoa. Muito chato isso. Chegamos ao ponto de redigir uma mensagem mais ou menos assim "Olá, João. Gostamos muito do material que você nos enviou, e gostaríamos de publicá-lo. Contudo, precisamos muito saber se o texto é realmente de sua autoria, pois não queremos prejudicar ninguém".
Isso porque a pessoa pode plagiar algum autor de internet, um blogueiro, que nem tem ainda seus textos registrados na Biblioteca Nacional. Tudo seria tão mais fácil se todos agissem de forma ética, né?
Inspirada em você, fiz uma busca por poemas meus no Orkut e vi que pelo menos 25 pessoas o usam. Menos mal que quase todos dão os créditos, ainda que meu sobrenome tenha sofrido as mais diversas e engraçadas modificações (Koler, Koller, Coler, Colher, Kolher), mas aí já era pedir demais, né? :P
E quantos textos que circulam por aí como sendo do Veríssimo (quase sempre dele, incrível!), do Jabor, do Quintana... muitas vezes em linguagens e abordagens NADA a ver com a deles. O pessoal não tem mesmo critério. Recebe e repassa.
Nossa, falei demais. :P
De qualquer forma, parabéns por ser responsável por tantos "about me" (ou about you? rs) no Orkut. Sinal de que muita gente se identifica com suas palavras. :-)
Beijos, querido. ;)
Desabafado por Patrícia Köhler | 7 de fevereiro de 2007, 18:10
por falar em apropriações em indevidas no orkut, esses dias tive 3 comunidades surrupiadas!! consegui pegá-las de volta mas eh um absurdo!! e a comunidade do cansei de ser sexy caiu nas mãos de um spamer inescrupuloso. q raiva!
Desabafado por fernando | 7 de fevereiro de 2007, 15:48
Como disseram aí embaixo, ainda bem que a lei está começando a tratar esses casos internéticos. Tem o paspalho preguiçoso que copia de outrem porque não sabe mesmo se expressar mas tem histórias incríveis como a do colunista que sistematicamente chupinhava os textos da Rosana Hermann. Difícil traçar a linha entre a falta de imaginação e a má-fé.abs
Desabafado por Márcia W. | 7 de fevereiro de 2007, 15:06
Ina:
O controlcê controlvê está em toda parte, inclusive no mundo acadêmico. O que tem de trabalho copiado é uma grandeza.
Falta de conhecimento? Acho que nem tanto. E mau caráter mesmo.
Desabafado por Lino | 7 de fevereiro de 2007, 14:22
Ina, que festival de plágio e curiosidades internéticas. Interessante como tem gente sem um pingo de imaginação para descrever si mesmo. SErá que é tão difícil dizer de si com as próprias palavras? Não seria mais autêntico, mais verossímil? Talvez esteja aí a incógnita: ou muita gente não sabe o que é ou não tem coragem de se descrever. O resto deve estar inventando mesmo. :o)
Desabafado por MArgot Abirato | 7 de fevereiro de 2007, 13:20
Poxa Inagaki,
É bizarro, mas realmente nao dá pra acreditar em autorias no orkut. Nas comunidades onde estou, tem uma do Mário Quintana e outra do Luis Fernando Verissimo onde existem até alguns corajosos que fazem o valioso esforço de desmentir a autoria de alguns textos falsamente atribuídos a eles (tipo o das borboletas, o quase)...
Acho uma pena a gente perder essa informaçao dos autores, mas acho pior ainda quando distorcem os textos.
A única maneira para lutar contra isso talvez seja insistir e informar. Trabalho de formiguinha, quem sabe também questao de prioridades...
Ah, alguma vez, provavelmente por falta de espaço ou por dúvida mesmo, devo ter citado o seu famoso mantra "a vida é boa e cheia de possibilidades", que aliás, tenho pendurado na minha geladeira (ops, sem crédito).
Nao sei se chegaria a tanto como dizer que a pessoa está vazia quando copia o texto, o que acontece é que nem todo mundo escreve bem, e já me aconteceu de encontrar nas palavras dos outros coisa muuuito melhor do que eu mesma poderia inventar... (só que eu sempre tento citar a fonte, apesar de ser gaúcha e lá no RS existir o ditado de que "quem cita fonte é água mineral")...
Talvez seja o momento de lançar alguma campanha para conscientizar as pessoas de que é falta de respeito mesmo sair plagiando, porque provavelmente muitos nem se dao conta do que estao fazendo...
Bom, acho que era isso. Abraço
Desabafado por Cintia | 7 de fevereiro de 2007, 12:48
Essa me fez lembrar do filme "Quero ser John Malkovich". O orkut mostra bem esse lance de fazer a pessoa tentar parecer diferente do que realmente é.
Desabafado por Pires | 7 de fevereiro de 2007, 12:48
É uma questão de consciência, ou falta dela! Pessoalmente ainda não tive razões de queixa. Já me copiaram textos, mas pediram-me autorização e depois colocaram o respectivo link. Lido bem com isso e na verdade, até me sinto lisongeada. Agora plagiar é mesmo uma falta de consciência muito grande! se gostam do texto, peçam ao autor e coloquem o link! A honestidade compensa muito mais porque ajuda a estreitar laços de amizade e solidariedade entre blogueiros.
Beijinhos Alexandre
Desabafado por Daniela Mann | 7 de fevereiro de 2007, 12:03
Tinha um site esperto, que você até postou uma vez no blog (procurei nos arquivos, mas eles foram perdidos, né?) para verificar se os textos do seu blog foram copiados, né? Por obséquio, você ainda tem o endereço dele?
Gabriel, ei-lo: Copyscape.
Desabafado por Gabriel | 7 de fevereiro de 2007, 10:49
hahahahahaha
Cara,
eu bem que devo ter contribuído para a disseminação do texto do papel higiênico. Na época, copiei e mandei por imeio para uns amigos.....mas eu sempre dou a fonte, com link e nome do autor.
Desabafado por Fabricio Neves | 7 de fevereiro de 2007, 10:39
Cada vez mais famoso... :) Isso é a fama sr. Inagaki! Bjo!
Como sempre digo, só acreditarei em fama no dia em que me convidarem para a Ilha de Caras. :)
Desabafado por Tati | 7 de fevereiro de 2007, 10:02
Nossa, nada pior que copy and paste ... pior ainda é esquecer de dar credito ao criador...
será que tem algo mais bonito do que suas prórpias palavras pra definir o seu interior ?? eu acho mais bonito do que alguma coisa copiada ... mais autentico.
Originalidade, Criatividade ... não é difícil vai ...
Será que as pessoas estão perdendo a autenticidade ?? poxa :(
Mas sei lá, sempre que gosto de algum texto, poesia ou algo do gênero de alguém e tenho vontade de colocar no meu orkut ou blog, eu coloco o crédito de quem fez, plágio é feio, não exercitar a mente pra criar suas próprias artes por achar mais fácil copiar e colar é desprezível.
Desabafado por Arathane | 7 de fevereiro de 2007, 09:56
Fala "moço do papel higiênico"!
Essa coisa de copiar textos é lugar comum. Já tive alguns muitos espalhados em blogs, a maioria deles, sem crédito. Não me incomodo que copiem e postem mas quando eu conseguia contato, agradecia e pedia que colocassem o crédito, a maioria das pessoas fica indignada e diz que eu devia ficar contente por ter sido copiado. Um texto meu, publicado no Releituras correu blogs. Um dia cheguei a recebê-lo por e-mail, com nome de outro autor, imagem de fundo e tudo. Com fotografia não é diferente. As pessoas acham que está na internet, pode usar. Mas hoje em dia pode dar processo. A justiça já começou a tratar o que acontece na rede do mesmo modo que no mundo concreto.
Um abraço!
Desabafado por Sergio Fonseca | 7 de fevereiro de 2007, 09:50
Você me fez lembrar que certa vez encontrei um perfil meu no orkut alheio. Agora fui atrás e achei quatro pessoas com ele. Escrevi sobre isso lá no meu buraco, valeu pelo tema.
Desabafado por Rafael Batata | 7 de fevereiro de 2007, 08:31
"Copiar é fácil, criar é para poucos." (Autor desconhecido)
Melhor comentário até agora. :)
Desabafado por Bender | 7 de fevereiro de 2007, 07:39
Se vc achava o mundo muito estranho, imagino agora depois de ler minha opinião.
Sinceramente, não ligo que "peguem" meus textos, idéias ou coisa do tipo talvez pq ache que não valem muita coisa). Imagine quantas pessoas não falam "show de bola" ou mesmo "e ai, beleza?". Será que estamos plagiando os autores destas "célebres" frases? Vejo da mesma forma com textos. Quando alguém copia alguma coisa minha, fico contente por outras pessoas sentirem a mesma coisa ou terem gostado a ponto de quererem copiar. Particularmente, não gosto de copiar nada. Sinto muitíssimo prazer em criar, na real acho mais interessante o processo de criação do que avaliar a obra pronta. Essa é só minha opinião. Eita mundo estranho, não? Ainda bem! :)
Franklin, essa é uma questão muito subjetiva. Há textos, como esse do papel higiênico, que escrevi em 3, 4 minutos no máximo, e de forma tão boba e descompromissada que, sinceramente, não faço a menor questão de ser creditado. Mas quando escrevo uma crônica, conto ou poema que envolve carga emocional, foi lapidado palavra por palavra, escrito e reescrito várias vezes de forma a tentar expressar todos os sentimentos que vivi em determinada época da minha vida, é muito irritante ver um ignaro qualquer chupinhá-lo, receber os louros de terceiros e ainda se gabar por ele. Mais estranho do que tudo pra mim é isso: alguém se sentir satisfeito ao receber elogios por algo que não criou.
Desabafado por Franklin | 7 de fevereiro de 2007, 01:06
a simples curiosidade do seu post me levou a procura se eu fui plagiada.
E para minha surpresa encontro a minhas descrição inteira q postei no meu flog,no about me de um cara.
Pireiiiii.. q cara de pau do caralhoooo.
e olha q nem escrevo bem,
o q mais dói é o não reconhecimento,a falta da autoria.
Falta de respeito,viu?
vou te contar..
Desabafado por Helen | 7 de fevereiro de 2007, 00:33
Eu tenho o hábito de quase sempre escrever na primeira pessoa, inclusive no MeioBit. Isso personaliza o post, mas não impede o roubo.
Já tive textos entremeados com observações pessoais descaradamente copiados.
Embora não deixe de considerá-lo um verme desprezível condenado ao extermínio, tenho profunda pena do plagiador, uma criatura tão vazia de experiência e opiniões que precisa roubar textos na primeira pessoa.
Desabafado por cardoso | 7 de fevereiro de 2007, 00:26
Ina querido, eu recebi essa do PH(papel higiênico para os íntimos) em ppt,musiquinha e tudo! é a glória.. ehehehehehe
Lúcia
Putz. Fizeram powerpoint DESSE texto? Lúcia, definitivamente este mundo é MUITO estranho.
Desabafado por luluzita | 6 de fevereiro de 2007, 21:57
Isso só prova que muita gente no orkut não se conhece, não consegue nem mesmo se descrever. Muitas pessoas já comentaram que meu perfil é bem engraçado, mas espero sinceramente que ninguém o tenha copiado, afinal, saber que existe outra pessoa igualzinha você, mesmo que no orkut, é péssimo...rs.
E quando será que as pessoas vão tomar vergonha na cara e colocar a cachola para funcionar, não?
Quando? Xi, Bia, espere sentada, porque de pé cansa mais... :P
Desabafado por Bia Cardoso | 6 de fevereiro de 2007, 21:50
Houve um tempo em que eu dava aulas a alunos do Ensino Médio e, para certa turma, resolvi ensinar a criar homepages.
Era um tempo bem antes dos blogs e das câmeras virtuais, mas olhinhos adolescentes já brilhavam com a possibilidade de "aparecer na rede". O encantamento desaparecia, porém, logo na primeira aula, pois, em vez de começar o curso pelo HTML, eu iniciava pelo levantamento de conteúdo.
Quando os analfabetos funcionais descobriam que teriam de definir uma lista de temas, pesquisá-los e redigir textos originais sobre eles, e que tudo isso seria submetido à avaliação deste Cláudio Rúbio chato aqui, antes que "os megaportais sobre absolutamente tudo" que eles haviam imaginado fossem ao ar com aquelas maravilhosas letras vermelhas flutuantes sobre fundos dourados com texturas onduladas, aí sofriam.
Infelizmente, muita gente quer ter a vez de falar, mesmo que nada tenha a dizer. Isso é participação e expressão para muitos. Graças ao Senhor pelas exceções!
(Triste do país em que, em vez de se ler jornais e livros, para aprender a escrever e a comunicar-se melhor, alunos são "formados" à base de apostilas mal escritas, sem menção aos verdadeiros autores dos textos, e, ainda por cima, em vez de mostrarem o que aprenderam escrevendo redações, são avaliados pelos "professores" por meio de concursos de rap.)
Desabafado por Cláudio Rúbio | 6 de fevereiro de 2007, 20:06
isso mesmo, foi o tema do post, rssss
Desabafado por catatau | 6 de fevereiro de 2007, 19:13
Esse texto do papel higiênico é teu? Que surpresa! Já o recebi inúmeras vezes, sem autoria definida. O bom é que esses textos de "domínio público" acabam, vez por outra, sendo "reciclados" como demonstrações de power-point...
Desabafado por Moziel T.Monk | 6 de fevereiro de 2007, 18:01
Talvez escrever perfil no Orkut e outras modernices possa ser mesmo um dos negócios do futuro. Esses dias deparei com um amigo do MSN cujo nick (ainda se usa esse termo da era do ICQ?) era um espirituoso "Compro frase de efeito para MSN", fiquei até motivado a escrever algo sobre, mas passou.
Achei atual, mas prefiro usar o meu MSN como mídia. Rs.
Abraço.
Desabafado por Renato Ourinhos | 6 de fevereiro de 2007, 17:57
Os orkuteiros estão quase me convencendo a voltar a escrever poesia. Como você disse, o pessoal não é muito exigente em termos de qualidade :)
Edney, tenho um amigo que descolou uns trocados como redator de perfis no Par Perfeito. De repente, há filão de mercado para redigir perfis de Orkut, não? :D
Desabafado por Edney Souza | 6 de fevereiro de 2007, 15:52
ina,
e já roubaram texto seu assinando "Fw:Fw:En: IMPERDÍVEL, JABOR!!!" ou "FW:En:Re:EN Sempre VERÍSSIMO!!!" ?
aliás, sempre me pergunto os motivos da mediocridade precisar de tantas exclamações. tenho várias respostas, outro dia retomamos o assunto.
ah, e orkuteiros surrupiadores de texto geralmente são exclamadores de primeira hora, repara só nas legendas do álbum ou nas comunidades em que eles estão.
Quando eu ainda tinha saco pra ficar rastreando onde meus textos iam parar, ou eles eram assinados como "Inagaki" (mas repletos de adaptações "criativas" de dar desgosto - melhor seria se tivessem limado meu nome de vez), ou como o famosíssimo "Autor Desconhecido".
Desabafado por Doda | 6 de fevereiro de 2007, 15:46
Grande Tio Ina! Muito obrigado pela lincada. Não espere, mande já seu endereço (por e-mail) para receber um exemplar, e começar a rasgar ainda hoje! Bem... er... pode ser depois de amanhã?
Ôpa! Estou mandando DJÁ minhas coordenadas!
Desabafado por Branco Leone | 6 de fevereiro de 2007, 15:41
Que cara-de-pau desses plagiadores. Claro que a maioria é gente ignorante e patética. Mesmo assim é gravíssimo quanto o plagiador usa o texto alheio para obter compensações financeiras, avançar na carreira, na universidade, ou obter fama.
Desabafado por Leila | 6 de fevereiro de 2007, 15:22
Escrevi faz pouco tempo um post sobre apropriações, mencionando alguns autores, e o Instantes, de Borges. Curioso ver que esse tipo de coisa já foi ampliado até aos blogueiros...
"Instantes" que, reitere-se, NÃO é de Borges, e sim de Don Herold (apesar de ter sido atribuído durante muito tempo a Nadine Stair).
Desabafado por catatau | 6 de fevereiro de 2007, 15:21
Ina, isso é muito engraçado mesmo. digo isso no mau sentido.
Quando eu estava na quinta série tinha um menino repetente e grandão na sala que tomava cola à força dos outros, de mim inclusive. Aí um dia ele mandou eu escrever uma redação pra ele (eu só tirava nota boa em redação). Não escrevi a redação, chamei o professor, resolvemos ali e mal nos falamos pelos próximos anos. Aí outro dia ele me encontrou no Orkut e veio com aquele papo: oi, lembra de mim, estudei com você... quando eu fui lá o peste tinha copiado o about you de outro colega de classe. Não aceitei a "amizade" dele e ainda avisei o meu colega que virou amigo. Mas a moral da história é que tem gente que nasce pra copiar.
Desabafado por Rosa | 6 de fevereiro de 2007, 15:13
Já dizia Abelardo Barbosa: nada se cria, tudo se copia, não apenas na TV.
Desabafado por Cesar Cardoso | 6 de fevereiro de 2007, 14:13