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Um poema para Meg

Roses, foto de Edwin Hale Lincoln.

"Ergo uma rosa, e tudo se ilumina
Como a lua não faz nem o sol pode:
Cobra de luz ardente e enroscada
Ou vento de cabelos que sacode.

Ergo uma rosa, e grito a quantas aves
O céu pontuam de ninhos e de cantos,
Bato no chão a ordem que decide
A união dos demos e dos santos.

Ergo uma rosa, um corpo e um destino
Contra o frio da noite que se atreve,
E da seiva da rosa e do meu sangue
Construo perenidade em vida breve.

Ergo uma rosa, e deixo, e abandono
Quanto me dói de mágoas e assombros.
Ergo uma rosa, sim, e ouço a vida
Neste cantar das aves nos meus ombros
".

* * * * *

Há quase cinco anos dediquei os versos acima, publicados pelo poeta bissexto José Saramago no livro Os Poemas Possíveis (1966), para a minha amiga Maria Elisa Guimarães. Nascida em Belém do Pará, Meg foi professora de Filosofia, crítica literária e uma das blogueiras mais importantes do Brasil. Sempre generosa, sempre incentivando os inúmeros amigos que fez graças ao seu blog, o Sub Rosa, minha querida amiga Meg deixou este mundo na noite do dia 14 de janeiro.

Em uma preciosa entrevista concedida à jornalista Elis Monteiro em maio de 2002, Meg afirmou: "Escrever um blog é uma tarefa que não se faz sozinho. Vira um trabalho coletivo. Quer no fato de que as pessoas que nos lêem seguem indicações e chegam a outros destinos, vão em frente, como também suas críticas, seus questionamentos, os que apontam erros nossos, contribuem expressivamente para se saber a quantas se anda. (...) Acho que blog é uma experiência conjunta de se viver melhor. Da prática da partilha, a negação da propriedade absoluta. Exercício de esforços do afeto".

Meg, você foi a mais generosa das amigas que fiz neste vasto (às vezes decepcionante, quase sempre gratificante) mundo que é a Web. Obrigado por seu afeto e pelo incentivo constante que você deu a todas as minhas iniciativas na rede, desde os tempos em que eu escrevia no Logopéia e no Spam Zine. Obrigado pela paciência que você sempre teve com meus e-mails atrasados (você, sim, foi um presente que ganhei na Internet e na minha vida pessoal). Obrigado, enfim, pelas preciosas lições de vida, de escrita e de amizade que tanto me iluminaram e me enriqueceram. Meg, você estará sempre aqui, em um lugar especial no meu coração. E você me perdoe, por favor, pela voz embargada e desafinada, mas é que gostaria de lhe dedicar este verso: "adeus não, me diga até logo". Um beijo deste seu amigo relapso.

* * * * *

Ane Aguirre, Beth Salgueiro, Cora Rónai, Cynthia Feitosa, Eliane Stoducto, Elis Monteiro, José Carlos Cipriano, Luisa D.S., Luiz Antônio Gravatá, Magaly Magalhães, Milton Ribeiro, Nelson Moraes, Paula Foschia, Paulo José Miranda, Rachel Kizirian, Sergio Fonseca, Solange A., Stella Cavalcanti, Thaís Fabris também escreveram sobre a Meg.

* * * * *

UPDATE: Escrevi o post "A morte e a não-morte de Maria Elisa Guimarães", sobre desdobramentos posteriores deste caso.

Comentários

É sempre bom ler sobre a MEG. Abraços

Ina, afinal, a Meg morreu ou não? Abs

Maitê, a resposta à sua pergunta está neste post que acabei de publicar.

poxa, eu fui saber agora. que pena.
bjão Ina,
conte comigo, eu tb sou sua amiga, pode crer. Laura

Laura, muito obrigado pelo seu apoio. Mas, conforme você verá no post mais recente que acabei de publicar, a vida constantemente surpreende a gente. Um beijo!

Eu escrevi mas retirei. Ou melhor, retirei o que havia escrito. Deixei só os comentários porque acho que todo mundo tem o direito de dizer o que pensa.

Forte abraço!

É.. soube bem depois.
Postei hoje no finado Relicário. ;o(

Muita saudade, muita falta. Um vazio enorme.

Linda declaração essa! Um dia eu ganho uma...
Mais uma meta! Agora são 4 .
Beijocas

espia aqui, Ina!
http://ubbibr.fotolog.com/meguimaraes/?pid=13523054

Olha só! Eu nem sabia que a Meg tinha um fotolog. :) Obrigado pelo link, Cris.

Só consigo me lembrar das risadas dessa menina. Que susto. Saudades. E a estrada.

Ina, a Teruska também escreveu.

Muitos mais além da Teruska escreveram, Tereza. Filthy McNasty, Clarice Melo, Fernando Cals, Verô, Fer Guimaraes Rosa dentre eles. Já era de se imaginar que as manifestações de pesar na blogosfera seriam tantos que vai se tornar quase impossível compilar todos eles.

Li querida. Não deu para responder-lhe imediatamente.Recolhi-me em prece Estava chocada e incapaz. Vim outra desta concetraçãozinha. Estou aqui para formar com todos voês Deixei em meu blog algumas palavras de despsdida. Mais vaziado que nunca, ainda junto-me a vcs para homenageá-la. Bjs

Ina, a Magaly também escreveu.

Eu não consigo parar de NÂO acreditar no que aconteceu. Conheci a Meg a fundo, pessoalmente, e passamos tantas juntas...! E essas ´tantas´ também nos afastaram, ou fizeram com que eu me afastasse naturalmente, para que pudesse ´nos preservar´. E eu amava. Putz! AMO!

É uma pena. O Subrosa foi o primeiro blog decente que eu conheci.
Deixei uma foto para Meg no pdp.

Abraço!

Simplesmente não acredito. Não caiu a ficha...

Ah que tristeza, meu Deus. Que tristeza.
Só soube hoje :/

Fiquei muito, muito triste com esta notícia Ina...

Nossa, q triste... :(

Puxa :( Eu conheci o blog da Meg através do seu. É lindo. Sempre a linkei, e quando voltamos com o Cintaliga ela foi uma das primeiras a comentar, foi super carinhosa com a gente. :( Que triste, Alexandre. Não sei o que dizer não, os olhos estão turvos aqui. :(

Conheci o SubRosa através do seu link há pouco tempo, mas ela me cativou pela simpatia e pelos comentários inteligentes. Ela comentou no Bala no dia 31 e não acreditei quando soube através do Milton Ribeiro. Fazer falta MESMO!
abração

estou passada, Iná... triste, mas feliz tb por tê-la conhecido... por poder chamá-la de Meg minha linda.... sem mais nada a falar... um beijo

Esse tipo de experiência é estranho. Como neófito em blogs, também já acabei passando por isso. Mas, de todo modo, não se trata de uma despedida muda: palavras permaneceram ali, para serem revisitadas, reativadas, reagenciadas. Ainda estão vivas, à espera do leitor que se agencia com elas.

Não tive tempo de conhecê-la mas , pelo que li hoje , ela era excepcional.

infelizmente eu nunca tive a oportunidade de ler o blog da Meg, mas do jeito que você falou dela, ela parece ter sido uma pessoa maravilhosa.
a despedida sempre é dolorosa, e a saudade só tende a aumentar - mas acho que é melhor sentir dor na perda de alguém que alívio, não?
aguente firme aí!
beijo!

meu deus
que engasgo
não sabia, ina
nossa...
nem sei pq estou escrevendo aqui, se nem sei oq escrever...
ai ai ai

Ina, estou aqui até agora tentando acreditar. A Meg foi uma das pessoas mais raras que já tive o prazer de conhecer. Ela é daquelas que fazem a diferença. Um serzinho iluminado e sensível que, agora, vai ficar olhando por nós lá de cima.
Triste, fiquei muito triste :-(

Acabei de saber também. :/
Que triste...

cada post que eu leio sobre o assunto renova o susto, a incredulidade. não pode ter sido assim e foi. e a saudade, moço, que é que a gente faz com a saudade, com o buraco no peito?

A Meg já está fazendo muita falta.

Acabo de saber, meu coração se partiu. :(

Também estou triste com a notícia, apesar de quase não ter tido contato com a Meg no meio virtual.

Poucas pessoas sabem, mas ela foi minha professora de filosofia na Universidade Federal do Pará, no meu primeiro ano de faculdade. E não só isso: eu fiz em seguida vestibular para outro curso (na época se podia fazer dois cursos simultâneos) e escolhi filosofia, influenciado pelo ótimo conteúdo que ela passava em sala de aula.

Ela tinha problemas de depressão e às vezes faltava várias aulas seguidas, mas as demais que dava durante os períodos de boa saúde compensavam, e muito, as ausências. A turma toda gostava dela.

Foi com ela que me interessei pela primeira vez por filosofia, e também foi ela a responsável por entender um pouco o que significa a depressão, o que me ajudou muito quando esta se manifestou em mim, anos depois.

Quero mandar um abraço de solidariedade a todos os que a conheceram através dos blogs. Ela era uma grande pessoa.

Pois é...
Eu estou engasgada.
Bonito post, Ina.
Beijo.

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