Morte e vida digital
"Memento mori" é uma expressão em latim que ressalta o óbvio nem sempre recordado: "lembre-se de que você vai morrer". A saudação, longe de ser pessimista, serve para que tomemos consciência de que um dia morreremos, e precisamos investir na vida enquanto ainda estamos por aqui. Não se trata de morbidez: pensar na morte é meditar sobre a vida, é aprender a encará-la com a serena naturalidade de quem sabe que ela faz parte inexorável da nossa existência.
Meu amigo Daniel Barros faleceu em 30 de outubro do ano passado, aos 50 anos. No entanto, segundo sua persona no Orkut, ele já completou 51 anos de idade. Quando vi em minha página inicial o lembrete de seu aniversário, deixei uma mensagem em seu perfil. Assim como eu, vários dos muitos amigos de Daniel também escreveram recados, não se importando com o fato de o aniversariante não estar mais por aqui para respondê-los. Um dos depoimentos deixados fala em torcer para que haja conexão à Web onde quer que ele esteja ("espero que existam cibercafés no céu").
O perfil de Daniel me fez lembrar de uma comunidade no Orkut intitulada Profiles de Gente Morta, criada pelo analista de sistemas Guilherme Dorta a partir de um tópico da comunidade No Escuro. Nela, milhares de membros postam links para as páginas de usuários do Orkut que já faleceram. Seus participantes são assustadoramente eficientes: mortes que repercutem na mídia, como as do recente acidente com o avião da Gol, ou a de Bruno Ribeiro de Macedo, assassinado pela polícia quando buscava ajuda médica para o seu pai enfartado, logo ganham tópicos nos quais são linkados seus perfis.
Ao navegar por eles, foi inevitável a comparação com as caminhadas silenciosas que faço ao ver os túmulos de um cemitério em dia de Finados. Mais do que isso, fui descobrindo histórias que passariam desapercebidas nos obituários de jornais ou estatísticas governamentais, e me senti como se estivesse assistindo a um documentário de Eduardo Coutinho, especialista em trazer à tela pessoas desconhecidas sobre as quais jamais saberíamos algo se não fosse por suas câmeras.
Reflexo do público majoritário a usar a Internet, os perfis em sua vasta maioria pertencem a jovens que morreram muito antes do que o normalmente esperado. São acidentes automobilísticos, assassinatos, suicídios, doenças fatais que acentuam a dramaticidade dos casos. Os scraps deixados em seus perfis deslindam uma breve fração de suas vidas. Na página de um rapaz de 17 anos, vítima de latrocínio, um amigo escreve: "A gnt ainda se ve, cara. Agora tu é meu anjo da guarda, maninho. Espero nao t dar mt trabalho, hehehe. Não consigo segurar a lagrima do olho. Mas a certeza de q a justiça será feita e d q tenho um anjo da guarda me consola". No perfil de uma jovem de 20 anos, que morreu durante uma operação no coração, seu pai desabafa: "Completou-se um ano da sua ausência entre nós, aqui neste mundo minha filha. Fecho os olhos e lembro do seu belo sorriso, da sua gargalhada, do seu olhar sempre buscando em mim mais uma palhaçada para que pudéssemos rir juntos mais uma vez. Sinto muito pelas broncas, pois quando lembro que por algum motivo eu a deixei triste, meu coração se consome".
No livro de recados de um jornalista morto aos 31 anos em uma tentativa de assalto, um amigo compartilha sua história com os outros visitantes: "Fernandinho, teve uma situação que eu quero registrar aqui para todos aqueles que te amam. Foi quando vc pegou sua carteira de motorista e nós estudávamos juntos no Helio Alonso. Em 20 minutos vc conseguiu perder a habilitação novinha três vezes. Numa delas o documento voou para o meio da rua na Vieira Souto. Quem te conhece sabe que vc é capaz destas proezas. Saudades de quem tem vc como exemplo". É difícil não se emocionar ao ler o scrap deixado por uma amiga no mesmo perfil: "Aproveito para mandar um recado p/o Marcão (amor da minha vida). Diz que eu mandei um beijão, que eu morro de saudade, que o nosso filho é tudo o que ele sempre imaginou e sonhou e que já tem muito orgulho dele, mesmo sem tê-lo conhecido. Vê se vocês não aprontam muito aí no céu, tá?".
Nesta "imensa teia de bits", a Internet mostra sua face mais humana.
Angela Marsiaj, colunista do site Blue Bus, perdeu o marido, o executivo Artur Ribeiro Neto, morto aos 46 anos de idade, vítima de câncer. Poucos dias depois, escreveu um belo relato a respeito de como o mundo digital remodelou a relação que possuímos com a morte. Eis um trecho de seu texto: "Eu era a esposa que em vez de ler a revista Caras enquanto acompanhava o paciente, aproveitava para checar o email, preparava power points. Realmente nos mudamos para o hospital e levamos a casa junto - nossos computadores. De noite, eu nao queria incomodar meu marido e assistia no laptop com fone de ouvido a episódios e mais episódios dos seriados americanos - Família Soprano, Friends, Seinfeld... Acho que o mundo digital contribuiu para nos trazer um pouco mais de conforto e familiaridade numa doença tao difícil".
Outro exemplo de como a tecnologia mudou nossa relação com a morte é o blog que Túlio Chuff criou após perder a namorada, Marina Ferreira Drumond, vitimada por um acidente de carro em julho de 2004. Na época, Túlio tinha 16, e Marina apenas 15 anos de idade. O primeiro post deste blog, intitulado Túlio & Marina, transcreve a carta de despedida que escreveu para a amada. Seu relato fala do CD que gravou com as músicas que marcaram o namoro e da última conversa que tiveram, por ICQ, pouco antes do acidente. Ao final, lamenta: "Eu queria tanto poder te dar um ultimo abraço, beijo, dar um ultimo tchau. Eu ainda não consiguo me acostumar com a ideia de que nunca mais vou ter você do meu ladinho pra ficar me dizendo aquelas coisas lindas que você me falava quando estavamos a sós, o que me fazia ficar completamente apaixonado por você. Eu daria e faria qualquer coisa para ter você de volta. So de pensar que perdi milhoes de chances de dizer que te amava, eu queria tanto te falar isso pra ver sua reação... Marina eu te amo tanto e jamais vou deixar de te amar, você foi, é e sempre será a menina da minha vida". Nas entradas subseqüentes, Túlio publica textos de amigas e também do pai de Marina, criando um verdadeiro memorial online para a namorada.
Lamentavelmente, a Internet reflete também a imensa estupidez humana. Não é raro encontrar nos perfis do Orkut mensagens absolutamente imbecis, que variam das perguntas abobadas ("oi, é verdade que você morreu?") até ofensas da mais grotesca covardia. Nesta matéria do New York Times, traduzida por Claudia Freire para o portal G1, administradores de sites como Legacy e MyDeathSpace.com (focado a participantes do MySpace, é o equivalente norte-americano ao "Profiles de Gente Morta" para os usuários brasileiros do Orkut) comentam o trabalho que têm para filtrar comentários ofensivos deixados nos livros de visitas online dos falecidos. Como bem escreve Isaac Adamson, mediador do Legacy, "a morte revela o que há de melhor e de pior nas pessoas".
Afirmou Sêneca: "Morremos mil vezes do medo de morrer". Mais do que a morte, é preciso dissipar em nós o medo de viver. Saber que a vida é um rascunho definitivo é conscientizar-se de que ela não deve ter gosto de obra inacabada. Busquemos o pássaro voando.
Requiescant in pace.
P.S. 1: Outros textos sobre o assunto: "Blogs de Pessoas Mortas" (Alex Castro), "O Reflexo da Estupidez Humana" (Pedro Doria), "Morte é Vida" (Alexandre Inagaki).
P.S. 2: Quero crer que nem tudo é memória RAM neste mundo digital.
P.S. 3: Dedico este post aos meus avós e a todas as pessoas que passaram pela minha vida, deixando lembranças e momentos que não existem em nenhum lugar mais além do meu coração.
Comentários
nossa!!!!!!!!
me amarro no seu blog, + costumo naum comentar nunka.
dessa vez fikei sem palavras + naum pude deixar de dizer ke me fez chorar mt, tah lindu, triste + lindu, vc estah de parabens, bjins e mt sucesso, a galera aki do meu trabalho tb tah mandandu um alô, geral se amarrou nessa post...
Desabafado por angelica | 15 de dezembro de 2006, 09:35
Olá Inagaki,
já tinha lido uma parte de seu blog há algum tempo atrás, acho perto da queda do avião da gols e tals
hj uma colega me colocou o link dele novamente... parabéns pela matéria... vc soube expor direitinho..
faço parte da comunidade Profiles de Gente Morta 9(carinhosamente chamada por seus membros de PGM :D) vai fazer um ano no próximo dia 16... já vi mtos fatos lá... qdo vc entra, realmente fica fissurado no q acontece... os scraps deixados pelos amigos são de doer o coração, os de namorados e pais, então? são de encher os olhos!!!
um amigo meu de lá já me disse q entra lá, não por conta dos profiles, mas das pessoas q fazem parte da PGM... ela não é uma comu feita por tolos, mas por pessoas com inteligência suficiente p/ poder tentar controlar seus sentimentos qdo lidam com assuntos tão complexos assim.... voltando ao meu amigo, ele dizia q entrava lá por causa das pessoas, as vivas, q transmitiam inteligência, alegria e bom-humor... ele é um dos mais 'gaiatos' e amado por mtos ali.. teve uma vez q ele virou p/ mim e disse: "Nossa vida já tá tão complicada aki fora, q a gente entra na net p/ tentar se divertir, e não p/ ver mais sofrimento... e onde a gente para? Na PGM!!! :D parece incoerência mas não é!
o mundo tá uma porcaria? tá... concordo q a gente deveria aproveitar esse tempo q temos na net p/ nos distrairmos, brincarmos, nos divertirmos!!! mas se eu posso fazer isso e aprender, não seria melhor???
é aí onde eu quero chegar (e me perdoem por toda essa volta, mas tenho um sério problema em tentar ser sucinta!)
quase um ano de PGM... qdo a gente pensa q já viu de td, aparece mais uma coisa de fazer com q vc tombe o queixo... mas já aprendi tanta coisa lá..... e o principal??? A VIVER!!! tantos jovens q queriam ter a oportunidade de fazer isso e não tiveram tempo suficiente.... tantos q naum valorizam e adeixam de lado, pensando q estão acabando somente com suas vidas, e esquecendo q tem familiares e amigos... pais q nunca deveriam ter recebido esse titulo... pessoass q demoraram p/ morrer... pessoas q nem tiveram a chance de viver... e eu aki perdendo tempo, jogando a minha fora, num falando as pessoas q amo q realmente as AMO de uma maneira q nem squer sei definir... q naum tenho feito tanta diferença assim na vida de algumas pessoas... DO Q ADIANTA VC TER UMA VIDA E NÃO SABER VIVER??? isso tanto no real como no virtual, se é q p/ algumas pessoas existe diferença... pessoas q amamos são tiradas de nós sem q possamos fazer algo p/ impedir... e parece q nós continuamosde braços cruzados, como se nada tivesse acontecido.... como se naum pudessemos aproveitar esse baque p/ crescermos, e fazer com q momentos tão tristes como esse, qdo existirem, não sejam mais tão dolorosos qto os primeiros...
nos chegou lá na comu um relato de uma pessoa q sabe mto bem o significado da frase: APROVEITAR A VIDA! vc pode conferir a sua história aki
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=16039333&tid=2498802206057667933&start=1
eu acho q já falei demmmaaaiiiss da conta
espero alguém tenha conseguido me compreender...
Desabafado por Quel | 6 de dezembro de 2006, 17:17
Ja disse e repito :
Esse rapaz tem talento !
Ina, Parabéns pelo ótimo(e tocante) texto !
Desabafado por Adilson | 5 de dezembro de 2006, 21:35
Olá meu amigo,
Este post foi de uma sensibilidade e força tão grande que me fez sair da passividade e te dar meus sinceros parabéns. =]
Muito refinadas as suas impressoas sobre a morte. Gostei mesmo do que li. Vou fazer um passeio pelos epitáfios virtuais e tirar também minhas conclusões.
Grande abraço
Desabafado por Tin Megali | 20 de novembro de 2006, 13:47
Para mim, o mundo digital possibilita que as pessoas expressem, ainda que por escrito, o que dá nó na garganta e não conseguem dizer para a família de quem morreu. Quando a voz não sai, o jeito é digitar as intenções. E, embora haja pessoas que revelam o pior de si em situações assim, creio que a maioria, o oposto, resgata em nós as esperanças no ser humano. O fato é que a saudade é tão grande, dilacera tanto a gente, que é preciso fazer algo para expressá-la. Que bom que o mundo digital quebra esse galho...
Desabafado por Kandy | 18 de novembro de 2006, 15:27
Boa noite a quem lê...
Bom estou tão envolvido com o mundo digital que as vezes esqueço do lado humano que anda em conjunto a ele. Ao passar aqui se fortaleceu a ideia que as pessoas não usam mais a internet só para apenas utilizar seus serviços, elas a usa tambem para expor suas alegrias, tristezas, fraquezas e outros sentimentos diversos que se pode fazer uma longa lista.
Perante a isso só uma coisa me preocupa, a segurança da pessoal que a utiliza expondo fatos que decorrem em sua vida e logicamente a segurança de outras pessoas que estão ligadas a pessoa que expos.
Desabafado por Ricardo | 17 de novembro de 2006, 20:43
Um amigo meu me mandou o link ao saber que eu acabei de perder um amigo do tempo de escola... Nos últimos anos, eu perdi alguns amigos, e vejo seu nº de scraps sempre aumentando... As pessoas não parecem se conformar, o que acho que em grande culpa é parte do preparo religioso comum no ocidente - depois da vida seremos julgados, coisa que todos tememos.
Não vejo as coisas assim. Pra mim é tudo uma questão de tempo, você morre e uma hora você vai voltar e continuar a caminhada. Acho essa manutenção dos perfis de mortos dificulta a passagem, tanto pra quem vai, como pra quem fica.
Mas todo mundo lida de uma maneira diferente com isso. Eu odiaria manter meu perfil no orkut, mas acho interessante manter meus escritos que estão online.
Desabafado por Diana Prallon | 17 de novembro de 2006, 12:24
Caramba... Quando eu acho que vc já escreveu seu melhor texto vc vai e aparece um um post desses...
Simplesmente genial cara! Um dos melhores posts que já li na internet
Desabafado por Leonardo Prado | 17 de novembro de 2006, 10:07
Cara, me sinto mal com essas demonstrações de morbidez da internet, principalmente no Orkut. Não costumo estimulá-las brindando-as com minha audiência, nunca sequer entrei na comunidade dos perfis de pessoas mortas.
Dia desses me deparei com uma nova modalidade de morbidez on-line ao acessar o perfil de uma garotinha que havia visitado meu perfil do Orkut. Na real, o perfil havia sido criado pela mãe da garotinha, que por sua vez havia morrido aos dois anos. O perfil era uma homenagem da mãe para a garotinha.
Cada um tem o direito de lidar com a dor e a saudade da maneira que lhe aprouver, mas que isso é muito mórbido, ah, isso é. Ainda está por ser inventado o cemitério on-line, onde o respeito e as homenagens aos falecidos sejam mais naturais que nos perfis e blogs que sobram depois que a pessoa se vai.
Desabafado por daniel | 14 de novembro de 2006, 13:11
Tenho medo da "estupidez humana" que fica mais evidente neste mundo digital. Acho que todo mundo já pensou um dia: "Se eu morresse hoje, quem iria no meu enterro?", na era digital, pode-se transcrever algo parecido como: "Se eu morresse hoje, quem me deixaria scraps?".
Eu prefiro não pensar nestas questões e deletar as referências.
Idem ibidem. Já pedi para apagarem meu perfil no Orkut. O blog pode até continuar no ar, mas com comentários fechados.
Desabafado por Carla | 13 de novembro de 2006, 11:00
Oi
O bom de voltar ao mundo dos blogs eh ver que vc continuar escrevendo maravilhosamente bem e sobre assuntos interessantes. Me emocionei lendo esse post e vou continuar voltando por aqui.
Beijao
Desabafado por Chrys | 13 de novembro de 2006, 10:55
Inagaki, querido,
acredito que essa foi a segunda vez que chorei com a net. Talvez por ainda a ver um pouco com um olhar brechtiano por facilitar mas também afastar o contato - só não posso negar que conheci muita gente bacana nesse espaço.
Acho que quanto mais o tempo passa a gente se faz mais desses questionamentos: como será, quando, como ficarão os que gosto (até aqueles que não). E tudo que já escrevi? Se não organizar já, posso morrer amanhã, ao dormir, talvez nunca saibam dos meus desejos, temores, amores. Quem irá ao meu enterro, sentirão minha falta? Até lá, terei feito alguma diferença ao mundo? Ao meu bairro? Minha família?
Um estranho paradoxo esse de se pensar tanto na morte e ter tanto medo que ela nos pegue de surpresa, ao dobrar a esquina.
Viver é mesmo tão fugaz, e intenso, e bonito. Que assim seja morrer.
Beijo.
Desabafado por Aleksandra Pereira | 12 de novembro de 2006, 21:10
Ina:
Há alguns dias, falando do que queria ser quando tivesse mais idade, lembrei-me do meu avô, que sempre amou muito a vida, mas soube conviver com a morte, uma presença constante na família.
Concordo com você que ao falarmos da morte estamos, na verdade, prestando atenção à vida.
Só os imbecis é que acham mórbido lembrarmos das pessoas, do que elas fizeram e, ao fazer isso, celebrar a vida que ficou, as pessoas que continuam.
Parabéns por levantar, com tanta lucidez, um assunto polêmico.
Desabafado por Lino Resende | 12 de novembro de 2006, 20:33
Nossa, mto interessante o post, foi realmente emocionante e interessante! meus parabéns :) um bjo
Desabafado por Lislei | 12 de novembro de 2006, 20:25
Belo e emocionante post, Ina. E o que mais me surpreende é que o Orkut no Brasil é tão recente e já abriga tantos freqüentadores mortos!
Este é um post pra lá de histórico, do tipo que nos faz refletir sobre muitas coisas. Parabéns!Mas já está virando rotina.
gd ab
Desabafado por JULIO CESAR CORRÊA | 12 de novembro de 2006, 18:35
Inagaki,
Que belo texto! Não apenas porque gosto de ler o que vc escreve, como me deixou mais otimista com a net. Anda amarga, irritada, impaciente com o mundo digital e com minha participação nele. Estou respirando fundo para manter o encanto...rs.
Convivo bem com o ambiente onde homenageamos a morte. Meu avô materno trabalhava num Cemitério, eu adorava Finados pois íamos visitar todos os túmulos da família e enfeitá-los com muitas flores. Acho que coisas como esta e iniciativas como as que você citou que existem na net ajudam a gente a aceitar melhor a batalha que travamos para esquecer que um dia morreremos. E me parece que funcionam como um paliativo para a eternidade que nós não temos, como se fosse uma continuação que merecemos... Sei lá...rs.. Bjs.
Desabafado por Susan | 12 de novembro de 2006, 12:30
Já disseram, "a vida é sonho", portanto, virtual. Uma idéia que continua enquanto a memória se mantém. Morrer é atravessar o portal. Lembrar, de repente, é promover essa ressurreição via orkut.
Do lado estúpido dessa história ficam os que acreditam que isso baste, dispensando então o lado carne-e-osso das pessoas.
Estamos vivos, talvez isso tenha um significado.
Abraços, senhor.
Não tiro a razão de Calderón de La Barca. Assim como não tenho como discordar de suas palavras, remetendo á frase final de um esboço autobiográfico que escrevi há cerca de 8 anos: "Por detrás dos monitores, modems e CPUs, existem corações que amam, ferem, iluminam, redimem, vivem. Isso jamais pode ser esquecido". Um abraço!
Desabafado por Cláudio Rúbio | 12 de novembro de 2006, 09:55
Oi Ina. Visito seu blog há anos, sou fã do Virunduns e ganhador do primeiro concurso (O Elefante). Calado, mas presente. Seu post Vida e Morte Digital foi realmente de encher os olhos de alguma coisa. Só me lembro de momentos assim quando da morte do meu avô e da saudade que de vez em quando bate de minha filha (viva, mas morando muito longe). O seu texto é uma reflexão, que deveria estar grudado no espelho de todo mundo para lermos todos os dias e lembrarmos mais na morte para pensarmos mais na vida. Um abraço. Ciso
Desabafado por Tarcísio Cavalcante | 12 de novembro de 2006, 07:58
difícil pensar na morte, pois suspeitamos que é ela mesma que nos espreita, ainda que silenciosamente, misteriosamente.
então, o que as escritas que vc nos brindou, sobre pessoas que não estãoa mais aqui ao nosso lado parece mostrar é a própria potência da morte, capaz de nos abalar, inquietar, fazer aquela "conversão a si", porque ela nos desestabiliza e contribui para que voltamos a nós de uma forma mais "revigorada" porque, talvez - e apenas quando ela se afirma como potência -, ela nos desassossegue, nos inquiete, nos perturbe e nos modifique, enfim.
então, belo post, para dar visibilidade mesmo à nossa face mais humana, àquela que o oscar wilde, em "de profundis", diz ser mais produtiva, porque produzida através do sofrimento.
Desabafado por efêmera | 12 de novembro de 2006, 03:14
Pois é Inagaki, mais uma vez, você tem razao (que bom)...
Ainda assim confio no próximo post, se nao dá, muitas vezes ajuda a achar as peças.
Abraço.
Desabafado por Cíntia | 11 de novembro de 2006, 22:06
Pronto, agora que eu parei de chorar, comentários:
Eu recebi a notícia da morte de um amigo meu via orkut. A esposa mantém o perfil dele como túmulo virtual. Acho que eu não gostaria disso, mas um blog, por exemplo, me parece uma posteridade interessante, como naquela expressão que diz que quem escreve um livro, planta uma árvore e tem um filho, não desaparece de verdade...
Desabafado por Dani | 11 de novembro de 2006, 22:05
O que o globo e a folha estão fazendo que não te dão uma coluna semanal, eu não sei. Nós merecemos, pô.
Valeu, Celso. Mas creio que vivemos tempos nos quais independemos dos suportes tradicionais para nos fazermos conhecer. Um abraço!
Desabafado por Bear | 11 de novembro de 2006, 15:56
Ontem, ao transferir a agenda de um celular para outro encontrei o telefone de um amigo que se foi em maio. Ao esvaziar a caixa de sms, algumas msgs dele que eu não tinha coragem de deletar.
Quando esse amigo sumiu (ele foi encontrado morto) a gente mandava mensagem para ele no orkut. Apelos, principalmente, prova que a gente tinha esperança.
Depois rolou umas ameaças pelos fotologs da vida (foi um caso nebulosíssimo), pseudo denúncias anônimas que não serviram em nada para a polícia. Eu, que passo a maior parte do meu dia online, paguei o preço de ser curiosa.
A mãe dele conseguiu deletar o orkut dele. O orkut precisava criar uma forma de deletar esses perfis, eu penso. Um pouco para evitar esses scraps idiotas (oi, vc morreu?), outro pouco por conta do gerenciamento de comunidades.
Eu já dei minha senha aos meus pais, se morrer, eles deletarão meu perfil e meus emails. Memórias são boas, mas não precisam de suporte digital.
=) Boa semana, guri. Beijos.
Tenho a impressão de que basta contatar o Orkut para que perfis sejam apagados. Muitos dos citados na PGM foram deletados. Bem, de qualquer modo já deixei meu login e senha com dois dos meus melhores amigos, que sabem exatamente o que deverão fazer.
Desabafado por Carla | 11 de novembro de 2006, 13:43
Caríssimo Ina, é justramente este assunto que me toma os parcos pensamentos diários...
Escrevi sobre isso, lembrando da música Pais & Filhos do Legião Urbana, na saudosa voz do Renato Russo.Parece mesmo tudo desaguar no Carpe Diem...colhamos o dia como se um fruto maduro ele fosse...
E la nave va meu caro amigo blogueiro e cinéfilo.
Post Scriptum: quando você finalmente aportar nesta Capital Alencarina, faço questão de tomarmos algumas cervejas geladas, chega de abraços virtuais-binários! :)
Desabafado por Emerson Damasceno | 11 de novembro de 2006, 12:34
Lendo o post pela segunda vez, lembrei de uma passagem de Santo Agostinho, em que ele falava sobre o tempo:
"O que é o tempo? Se não me perguntarem, eu sei. Se me pedirem para explicar a alguém, não consigo! O problema é que o passado já se foi, o futuro ainda não chegou e o presente voa tao rápido que parece não ter extensão alguma. Aliás, se o presente só existe para virar passado, não seria o tempo uma caminhada rumo à não-existência?"
Quis dividir isso.
Felipe, valeu por compartilhar as palavras de Santo Agostinho. []'s!
Desabafado por Felipe | 11 de novembro de 2006, 10:37
"deixando lembranças e momentos que não existem em nenhum lugar mais além do meu coração."
Inagaki, que bonito esse texto, difícil não encher os olhos de lágrimas!
Bom te encontrar por aqui, Said. Valeu pelas palavras!
Desabafado por Said | 11 de novembro de 2006, 09:19
Lindo demais, caro Ina. É até um pouco complicado pensar nisso, mas gostaria, caso haja mais algum problema, de ter algo assim feito pra mim - uma eternidade forçada através da internet. Creio eu ter criado um pouco disso ao fazer meu blog, e com ele contar meus problemas, meus anseios, minhas conquistas e meus desejos. Através dele posso mostrar quem sou e pra que vim a esse mundo, tão bizarro e inóspito.
Fiquei realmente comovido com esse texto, Ina. Parei pra pensar no que teria sido do meu blog, caso eu não tivesse sobrevivido ao câncer. Teria lá todas as suas mensagens, as mensagens de todos meus queridos amigos - de quem tenho o maior carinho do mundo. Viveria, e viverei, pra sempre nas palavras que deixo quase todos os dias nesse meu endereço virtual.
Nunca tinha parado pra pensar na eternidade dos meus pensamentos deixados no blog. A partir de hoje terei mais carinho por essas mesmas palavras. Obrigado, Ina. Mesmo.
Bruno, confesso que também já imaginei deixar este meu blog no ar depois da minha morte, como um modesto legado dos pensamentos que tive, e de pensar em outras gerações lendo meus textos e imaginando o que se passava na cabeça de um cara como eu. No seu caso, ainda bem que você foi mais forte que a doença, e prossegue firme e forte colocando suas idéias na forma de palavras que um dia serão lidas quando nenhum de nós mais estiver por aqui. Nem tudo é memória RAM na rede. Um abraço, mermón!
Desabafado por Bruno | 11 de novembro de 2006, 04:09
Que eu choro até com comercial de fim de ano, já sabia.
Anteontem, descobri que sou perfeitamente capaz de chorar com documentário ("Uma verdade inconveniente", em cartaz e essencial).
Hoje, cheguei ao ápice do chororô: estou com os olhos cheios d'água por causa desse artigo.
Vai ser chorona assim lá na China... :(
Desabafado por Lu | 11 de novembro de 2006, 01:45
Car****, a hora que eu parar de chorar, eu comento.
Desabafado por Dani | 11 de novembro de 2006, 01:19
Este assunto ainda é complicado pra mim, como você pode imaginar. Talvez por isso ainda não havia comentado, embora tenha lido o post assim que foi ao ar.
Nunca fui ao PGM, não tenho a menor curiosidade. Acho um tanto quanto mórbido, sinistro. Pode parecer contraditório mas acredito que cada um deve viver seu luto da maneira que lhe aprouver (sempre com respeito, é claro). Nem que seja deixando scraps que nunca serão lidos pelos destnatários. Eu converso com meus mortos a noite, quando me deito.
Acho incrível que as principais religiões ocidentais não preparem seus fiéis para aceitar a morte (e neles me incluo). Queria pensar diferente, aceitar que a morte faz parte da vida, que "pra morrer basta estar vivo". Mas, mesmo tendo sofrido duas perdas prematuras, não consigo me acostumar com a idéia.
Quanto á estupidez humana, não há limites para ela.
Sobre sua última frase, Albert Einstein cunhou o pensamento definitivo: "Há duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas não estou bem certo sobre o primeiro". Um beijo!
Desabafado por Viva | 10 de novembro de 2006, 23:39
Belissimo post! Com certeza foi de encontro ao que muitos procuram entender..
Desabafado por Léo | 10 de novembro de 2006, 22:30
Sem palavras...
Se duvidar, um dos melhores textos que já li até hoje.
Sem palavras...
Desabafado por Hilder P.S. | 10 de novembro de 2006, 21:51
Ina (se é que assim posso chamá-lo), estou impressionado com este post. Vinha há uns dias perambulando pela blogosfera e começando a achar que mais valia a pena gastar esse tempo lendo livros ou jornais. Mas acabo de mudar de opinião.
Abraço!
Caro Luis, sinta-se à vontade pra me chamar de Ina. Quase todo mundo que me conheceu por intermédio da Internet me chama por esse apelido. :)
Desabafado por Luis T Ladeira | 10 de novembro de 2006, 19:01
Ina querido.
Sempre que penso que vc conseguiu me deixar sem fala em um texto, vc me prova que o próximo será mais surpreendente ainda.
É por isso que sempre indago se vc realmente existe.
O texto é muito bom, só vc mesmo pra ter tanta criatividade em falar de morte usando o orkut como exemplo.Nos textos que comumente vemos por aí, a morte é citada com um tom de eterna tristeza, teu texto já deixa outro tom, a eterna saudade.
Pela primeira vez, lembro-me dos meus que já se foram e não choro, apenas esboço um sorriso provocado pelas cócegas que a saudade faz.
O texto é brilhante, como tudo que vc sempre escreve!!
****APLAUSOS****
Vc é ardentemente fantástico e admirável!
Amo vc!!
Creio que foi a Rosana Hermann quem escreveu: "penso, blogo, existo". É mais ou menos por aí. :)
Desabafado por Brisa | 10 de novembro de 2006, 18:06
ô moço, que post triste...
Por via das dúvidas, deixei instruções ao meu namorado para que me delete do virtual e avise as pessoas do blog em caso de alguma fatalidade...vai saber, né? Não me agrada a idéia desses altares virtuais não. :P
Se bem que, se o céu tiver conexão, é bem capaz que eu dê um pulinho na internet heheheh...vício é vício...
bjim!
Aliás, espero que na Skynet exista banda larga. Porque na Hellnet com certeza a conexão é discada... :)
Desabafado por thata | 10 de novembro de 2006, 16:24
Oi Alexandre, vc me deixou emocionada e com saudades dos que já mudaram de andar. Hoje à noite, tomarei um vinho em homenagem a eles.
bj
Desabafado por CANTABILE | 10 de novembro de 2006, 15:10
Tocante. Você diz muitas coisas que eu gostaria de dizer mas não tenho a articulação verbal pra tanto. Recebo seus textos via RSS sempre com grande expectativa e a certeza de que vou encontrar alguma jóia preciosa. A de hoje é de grande quilate. Abraço!
Obrigado, Dauro. De minha parte, digo que é uma honra ter um leitor como você. Um abraço!
Desabafado por Dauro | 10 de novembro de 2006, 15:03
Engraçado como o mundo virtual ainda nos é uma terra incógnita. Morremos de carne e osso e, no entanto, as crenças ocidental e oriental pregam que nosso espírito vive pra sempre. Esses nichos do orkut em que se fala sobre morte e se postam links para os perfis dos mortos não são unanimidades entre os frequentadores do site. E nem deveriam. Desde quando a morte é unanimidade? Se há tanta gente que vive mais no "mundo virtual", o que fazer se lá essas pessoas não morrem, a menos que alguém pratique uma eutanásia de dados?
Desabafado por CEL | 10 de novembro de 2006, 14:57
Prezado Ina;
Grande post!
A propósito hoje eu estou ficando mais velho...
Grande abraço!
Parabéns, Bion! Como dizem os libaneses, "que teus olhos sejam atendidos".
Desabafado por Bion | 10 de novembro de 2006, 14:56
Caro Inagaki,
Você não imagina como faz falta os seus textos. Ler algo seu é um balsamo.
Parabéns e "blogue" sempre.
Valeu, Carlos. Como diria o padeiro da esquina de casa, "servimos bem para servir sempre". :)
Desabafado por Carlos Henrique de Magalhães | 10 de novembro de 2006, 12:29
Sensacional.
Desabafado por Marcela | 10 de novembro de 2006, 12:27
Alexandre, este post foi um dos mais tocantes que eu já li web afora. Minha melhor amiga, da época da adolescência, faleceu aos 19 anos, há 2 anos atrás, de câncer. Um amigo fez uma comunidade para ela e toda vez que eu entro no orkut e ela aparece no cantinho, me dá um aperto no coração. Não sei até onde isso é bom, ficar lembrando o tempo todo, às vezes aumenta a dor.
Bjos!
Dizem os budistas que a vida é dor. E que o amor, por ser a mais intensa manifestação da vida, é justamente responsável pelas nossas maiores alegrias e tristezas. A consciência de que tudo é fugaz faz com que valorizemos cada instante pelo que ele possui de único, especial.
Vale ainda lembrar um pensamento de Drummond: "a dor é inevitável, o sofrimento, o apego à dor é opcional". Um beijo!
Desabafado por Anne | 10 de novembro de 2006, 10:54
Cara, quando eu estava no orkut, passei uma vez pela Profiles de Gente Morta. Realmente, os recados para as pessoas ficam inevitáveis.
Penso que a dor pós-morte ficou mais fácil de ser solta em palavras nos profiles das pessoas.
Pena que, muitas vezes, tem pessoas que acabam mesmo deixando recados sem sentido. É uma pena.
Mas eu não procuro pensar na morte, visto que a vida já é bem difícil... hehe...
Um abraço!
Desabafado por Nanci | 10 de novembro de 2006, 10:20
Primeira vez q venho aqui!
Esse post me fez lembrar de uma moça q eu nem conhecia mais q sua morte foi muito comentada nos vibes da vida...
Ela tinha 19 e fazia faculdade de advocacia.Morreu num acidente de carro.
Eu nunk havia falado com ela mais ao saber de sua morte e ler os recados emocionados de sua familia foi inevitavel não deixar um comenterio do tipo:"Fica bem..."
E achei valida a minha intenção!
Foi escrito relmente de coração!
"Memento mori"
Seu texto é realmente brilhante.Me fez refletir...
Desabafado por Luanda | 10 de novembro de 2006, 10:15
Parabéns - Excelente texto ! Estou sempre acessando este blog. Várias vezes na semana, aguardo um novo post. Este foi de uma qualidade fora de série.
Desabafado por MACA | 10 de novembro de 2006, 10:03
Agora tô aqui chorando...
Saco!
Desabafado por Angela | 10 de novembro de 2006, 09:23
Inagaki,
Esse "memento mori" aliado ao mantra do post passado "a vida é boa e cheia de possibilidades" vai pouco a pouco ajudando a direcionar minhas crises existenciais...rsrs
Agora só falta perder o medo de viver mesmo.
Adoro seus posts, mas pouco a pouco chego à conclusao de que vou acabar parando na terapia quando voltar ao Brasil (que salário em euro nem sempre paga terapia em euro), e que Pensar Enlouquece mesmo.
Por enquanto, somarei as duas frases citadas anteriormente para ter algo como "memento mori, a vida é boa e cheia de possibilidades" e vamos ver no que dá, na espera de que no post que vem apareça outro mantra (a peça que faltava?)para emendar aí...
Abraço
A peça que falta está sempre em nossas mãos, Cíntia. :) Um beijabraço deste que infelizmente ganha em reais!
Desabafado por Cíntia | 10 de novembro de 2006, 09:00
Olá! Ler você faz parte da minha rotina diária. Faço sempre o mesmo caminho: Fal, Ina, Rosana. Seu endereço não está no meu browser, assim como o da Rosana tbm não. Desse jeito, é como se eu me sentasse para tomar café em algum lugar sossegado e fosse encontrando amigos. Uma página me leva à outra, que me leva à outra.
Já li a PGM várias vezes. E acho importante que todas aquelas pessoas tão jovens vejam que a morte existe. Que beber e dirigir mata, que usar drogas pode matar. Já li depoimentos de muitos que passaram a ver a própria vida de outro jeito depois de ler sobre suicídios. É a verdadeira utilidade pública. Tem um lado freak? Sim, mas há muito tempo eu deixei de crer em maniqueísmos.
Nunca perdi um ser amado muito próximo, acredita?
Beijos
Fabby, um dos casos que mais me impressionaram na PGM é o de um rapaz que se matou com um tiro no coração e deixou sua carta de suicídio em seu perfil no Orkut (posteriormente o perfil foi apagado, creio que a pedido da família). Me fez, sinceramente, pensar na volatilidade da vida. Temos muita sorte, Fabby... Um beijo!
Desabafado por Fabby | 10 de novembro de 2006, 08:04
Ina-san,
pois é, que papo é esse de vir visitando o blog e não comentar! "Rascunho definitivo" é tudo que eu sempre quis dizer e só descobri quando você escreveu! Como diz um amigo, é uma expressão que já nasceu tradicional.
Lendo o post lembrei de um diálogo num filme, que não faço a menor idéia qual era, uma criança perguntando a um xamã/velho da aldeia ou coisa que o valha: Mas quando os mortos morrem? E a resposta, acho que cabe no espírito (sem trocadilho) do post: os mortos morrem quando a gente pára de pensar neles.
um abraço rascunhado.
Márcia, "rascunho definitivo" é, inclusive, o subtítulo do livro de poesias que escrevi e que não pretendo publicar tão cedo (poema bom é que nem vinho, necessita envelhecer a fim de que possamos saber se sobreviverá ao teste do tempo ou se não passava de vinagre). Bom ver sua pegada por aqui. Um abraço!
Desabafado por Márcia W. | 10 de novembro de 2006, 06:58
Alexandre!
Esse post me tocou tão fundo... Hj mesmo falei com uma amiga virtual sobre a saudade de meus avós, e sobre um filme chamado "O Pássaro Azul" (vc já deve ter visto...nele a menina encontra os avós que já morreram).E agora me deparo com esse "Busquemos o pássaro voando" e seu ps.3. Impossível não pensar em sicronicidade.... e tbém complicado não chorar...pq parece que hj minha vó e meu vô queridos resolveram assoprar no meu ouvido lembranças muito caras, através da...net.
Sobre os blogs de pessoas falecidas...acho válido.
Acredito que as homenagens sinceras e boas lembranças chegam aos que partiram... Já ouvi falar, inclusive, que chegam materializadas em forma de flores...bom,isso nao sei...mas tenho c-e-r-t-e-z-a que chegam, de algum jeito.
Perdi meu melhor amigo há dez anos...E foi a dor mais lancinante que já passei. Próxima à insanidade.
Por isso não sei como existem pessoas tão cruéis a ponto de desrespeitar profiles...a crueldade em grau máximo.
Obrigada por escrever este post. Ele trouxe à tona recordações lindas! Se for verdade a historia das flores... vc me ajudou a enviar varios buques.
Bjos, gatinho!
"O Pássaro Azul"... Lembro de ter visto esse filme há muito tempo, no tempo em que a Sessão da Tarde também exibia "As Sete Faces do Dr. Lao", "Fúria de Titãs" e outros clássicos que já não têm mais espaço nas reprises da Globo. Não havia pensado nele quando escrevi o P.S., e sim numa inversão daquele ditado do pássaro na mão valer mais que dois voando (elegia da comodidade, em meu ponto de vista), mas e não é que ele aplica-se perfeitamente ao filme da Shirley Temple (ou você o viu na versão com a Liz Taylor?)? Uma das cenas que mais me marcou é aquela em que um casal apaixonado chora porque vai reencarnar (um barco surge em meio das nuvens para levá-los de volta) e é obrigado a se separar, ainda que momentaneamente.
Desabafado por Cris | 10 de novembro de 2006, 04:25
Confrontado cedo com o inevitável através de incidentes familiares, não pude deixar de refletir desde criança sobre a questão da mortalidade (reflexão que, afinal, é constitutiva da própria condição humana). Tenho procurado perceber as pessoas (vivas) através de um "véu de morte", por assim dizer: imaginar-nos nesta situação-limite, na eterna ausência do outro nos retira de um certo transe cotidiano e nos torna mais sensíveis à importância que as pessoas têm sobre nossas vidas. É neste espírito que eu também gostaria de "sair da minha passividade" de leitor silencioso e agradecer-lhe pelos excelentes posts, em especial este.
p.s.: "Os Pés do Morto", crônica de Rubem Braga, dentre tantos outros textos que abordam o mesmo assunto foi um dos que mais me marcou.
Obrigado por comentar pela primeira vez neste blog, Klavdjo. Eu, que gosto muito de Rubem Braga, ainda desconhecia a crônica citada por você. Correrei atrás dela. []'s!
Desabafado por Klavdjo | 10 de novembro de 2006, 02:37
a PGM tem sido ótima fonte de imagens de falecidos para os veículos jornalísticos.
não dá outra: morreu? vai lá no orkut e encontra imagens do sujeito!
isso é estranho, cara... quase "sombrio".
Há algum tempo o Orkut tem servido como fonte de informações para jornalistas, em todas as áreas. Desde o lance da homossexualidade da Thammy Gretchen até ver jornalistas contando quantas comunidades foram criadas para repercutir o vídeo da Cicarelli na praia, é fácil constatar que o Orkut virou manancial de dados. Seja para encontrar personagens de matérias, seja para vasculhar fotos por aí. Mundo novo e estranho em que vivemos, caro JW.
Desabafado por JW | 10 de novembro de 2006, 01:17
Desculpa, mas eu ainda acho meio bizarro tudo isso... ;***
Desabafado por marie. | 10 de novembro de 2006, 00:48
"O mundo inteiro teme a própria vida. A morte é coisa que não é nossa. Mas a vida, a vida é, e eu morro de medo de respirar."
[ Clarice Lispector ]
beijos :)
Desabafado por _Maga | 10 de novembro de 2006, 00:36
Poxa...
Odeio comentarios do tipo
"Porque você nos deixou e etc etc, bla bla bla...
Um Abraço Ina
Desabafado por Diego Wakko | 9 de novembro de 2006, 22:39
Ina, eu falei muitas vezes de morte neste último ano... hoje mesmo republiquei um post onde me despeço de um amigo virtual que marcou definitivamente minha vida, mas que ao contrário do que vc. diz, muitos não sabem do falecimento pq a família não permitiu que a vida virtual, que ele tanto gostava, se misturasse à vida real...
Eu me lembro do falecimento do Daniel pois meu amigo faleceu alguns dias depois e agora, passado 1 ano, não me surpreendi com o tema do seu post...
Cresci ouvindo minha mãe dizer que a única certeza na vida é a morte.
Um abraço
Desabafado por Luci100 | 9 de novembro de 2006, 22:39
Inagaki, você é um dos caras que mais me emociona com as palavras. Sem sacanagem, foi você e Ferreira Gullar os responsáveis por profundas buscas internas por respostas (território aonde o Google AINDA não atua). Eu já disse um a vez em um comentário, mas como você me emocionou tão fortemente me permito ser repetitivo, que aquele post da meninha ruiva foi algo que me marcou profundamente.
Abraços e peço que não faça mais esse tipo de coisa. Não pega bem um homem ficar se emocionando na frente de um monitor hehehheheheh
Ô Thiago, fico pra lá de lisonjeado com essa comparação exagerada com aquele que é possivelmente o maior poeta vivo brasileiro. Obrigado mesmo, espero um dia conseguir beirar os ombros do Gullar.
Desabafado por Thiago | 9 de novembro de 2006, 21:51
Certas mortes me seguiram anos a fio: a do meu pai, em 1986, marcada pelos feriados aqui nos EUA; a de Kurt Cobain, um desconhecido, um suicida que eusabia que suicidaria. A morte de um ex-namorado, de câncer, em 2003.
Minha angústia não é a morte. É a impossibilidade da retenção do presente, o qual, ao ser percebido, torna-se passado. Outra angústia, aproveitando o tom confessional do post, é a impotência face a deterioração da mente de minha mãe, que foi advogada e tradutora de mapas históricos no Itamaraty. Não sei se minha obsessão em catalogar todos os momentos que vivo é pior que a ausência de memória ou censura de Mommy. Mas são essas as minhas aflições re. vida e morte.
Um conto de que nunca esqueci foi "Moça, flor, telefone" do Drummond de Andrade. Lembrei-me dele quando você mencionou cemitério.
Não havia porque se preocupar, Alexandre Inagaki. Ficou muito bem medido teu post.
Obrigado pelo feedback, Tina, e por compartilhar um pouco de sua vida pessoal. Em tempo, ótima lembrança: "Flor, Telefone, Moça" é uma das melhores prosas escritas pelo Drummond. A quem interessar, um link curioso: uma versão em áudio do conto de Drummond, produzida pela Rádio Senado.
Desabafado por tina oiticica harris | 9 de novembro de 2006, 21:29
Pô Ina, muita sacanagem isso!
Memento mori eu já conhecia e, justamente por isso, tento viver da melhor maneira possível.
Mas lendo o seu texto, é inevitável PENSAR (sem trocadilhos) demais sobre muitas coisas, inclusive sobre aquela menina lá de Maringá em quem penso todo dia, ou alguma outra coisa que tbm valha a pena e acabo não valorizando...
Seu pulha, emocionei e quase chorei aqui no escritório. Sorte que já passam das 10pm e não tem mais ninguém por aqui!
Abraço!
Mas, Muta, chorar é bom. É catártico, e dizem que o peso da alma é aliviado com as lágrimas que saem de dentro da gente. É como diz aquele verso de Mestre Paulinho da Viola: "lágrimas são as pedras preciosas da ilusão". Um abraço!
Desabafado por Muta | 9 de novembro de 2006, 21:22
Prefiro ver a morte com certa esperança em vez de receio.Também havia escrito algo sobre as visões que se tem da morte no meu blog, ressaltando esse lado de que ela virá inevitavelmente e que o melhor a se fazer é compreendê-la no lugar de temê-la.
Enfim,belo post, caro Inagaki-San!
Desabafado por Felipe | 9 de novembro de 2006, 21:06
Ultimamente, a Internet tem revelado mais a estupidez humana do que qualquer outra coisa... E Sêneca foi muito bem lembrado e oportuno para o post.
Muita luz para todas as pessoas que deixaram momentos que não existem em nenhum lugar mais além dos nossos corações!
Beijo!
Desabafado por Simone Húngaro | 9 de novembro de 2006, 20:49
Não sei o que pensar sobre a permanencia do blog na net, depois da morte de seu autor..Não sei, já pensei que seria melhor que o blog fosse desativado (no meu caso), mas por outro lado, é um legado para quem fica. Não sei...beijo
Mani, em meu caso pessoal creio que deixaria meu blog no ar, exatamente do jeito que está, com comentários devidamente moderados.
Desabafado por Mani | 9 de novembro de 2006, 20:26
Belo texto Ina!
Abração
Desabafado por Neto Cury | 9 de novembro de 2006, 20:13
Muito comovente. Lembro que você já falou sobre isso antes, e a cada vez que volta ao assunto, ele continua pertinente.
Por outro lado, eu não gostaria de ter um "túmulo virtual" no Orkut.
Assim como você falou que fez, da outra vez, eu também dei a uma pessoa querida e de confiança a minha senha do Orkut, com o compromisso solene de apagar o meu perfil se eu não tiver mais condições de fazê-lo.
Mais do que isso, Marcus: duas pessoas de minha extrema confiança possuem minha senha no Orkut e sabem perfeitamente do meu desejo de ter meu perfil por lá em caso de morte. Gostaria de poupar meus familiares do risco de se depararem com a "estupidez humana".
Desabafado por Marcus | 9 de novembro de 2006, 19:24
cara, eu acompanho seu blog há algum tempo, mas nunca comentei, eu acho.
mas li esse post, e achei lindo. não teve como não comentar.
o blog é ótimo, tá de parabéns mesmo.
abraço.
Obrigado, Diógenes. Fico realmente feliz quando vejo leitores que não costumam deixar comentários saírem de sua passividade a fim de mandarem feedbacks. Um abraço!
Desabafado por Diógenes | 9 de novembro de 2006, 18:34