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Senna em Interlagos

Ontem tive o privilégio de assistir a uma magnífica corrida de Fórmula 1. Michael Schumacher, o chucrute voador, mostrou em seu GP de despedida porque é um dos maiores pilotos de todos os tempos. Fernando Alonso, o talentoso marrentinho de Oviedo, sagrou-se bicampeão com todos os méritos. E Felipe Massa, o sósia do Zacarias, conseguiu em seu primeiro ano na Ferrari a façanha que Barrichello perseguiu inutilmente nas seis temporadas que disputou pela escuderia italiana: vencer em Interlagos.

Porém, devo confessar que, apesar da alegria em ver um piloto brasileiro ganhar novamente uma corrida no país após 13 anos de jejum, a emoção que senti não passou nem perto daquela que vivi quando vi, pela televisão, Ayrton Senna vencer o GP de 1991 de maneira épica. Por mais bacana que tenha sido a vitória de Massa, basta assistir ao vídeo abaixo para constatar que Senna mobilizou muito mais a torcida.

Pudera: em 1991 Ayrton já era bicampeão mundial. Em tempos nos quais o futebol estava em baixa e ainda amargava um jejum de 21 anos sem vencer a Copa, Senna era indiscutivelmente o maior ídolo brasileiro. Mas as circunstâncias de sua primeira vitória também colaboraram para aumentar a vibração catártica das arquibancadas de Interlagos. Após 8 tentativas frustradas de ganhar o GP Brasil, Ayrton ganhou a corrida fisicamente extenuado, com um carro nitidamente inferior às Williams de Nigel Mansell e Ricardo Patrese. Na entrevista que concedeu após a corrida, Senna explica que sua McLaren começou a perder uma marcha após a outra, até que, nas últimas sete voltas, prosseguiu na pista usando apenas a 6a. marcha, única que lhe restou. Literalmente foi obrigado a segurar seu carro no braço, com a pista molhada e um desgaste físico que pode ser visualizado na histórica cerimônia do pódio, na qual Ayrton quase não teve forças para levantar a bandeira do Brasil e o troféu de campeão.

Tão emocionante quanto sua vitória em 1991 foi o GP Brasil de 1993.

Nem as mais entusiasmadas reações dos tifosi ferraristas podem ser comparadas à invasão dos torcedores após a segunda consagradora vitória de Senna no Brasil, que mal puderam esperar o final do GP para correr sob o asfalto de Interlagos a fim de erguer Ayrton nos braços. É uma imagem que, 13 anos depois, ao revê-la mais uma vez, ainda é capaz de me emocionar e de mal disfarçar as lágrimas nos olhos. Poupem-me da suposta objetividade jornalística ou das estatísticas que bradam que Schumacão é o maior campeão de todos os tempos: Ayrton Senna da Silva é inigualável.

* * * * *

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P.S. 2: O centenário do vôo de Santos Dumont com seu 14 Bis não passou em branco na blogosfera brasileira graças ao concurso de hai-kais promovido por Helô, do Banana & Etc.

P.S. 3: Tive o privilégio de escrever o prefácio do maravilhoso romance de estréia de um amigo pra lá de talentoso: Carlos Eduardo Lima, o CEL. Em breve nas livrarias, vem aí Vestido de Flor.

Comentários

Olá sou leitor assíduo deste blog, e navegando pela internet encontrei o blog da jornalista e apresentadora Doris Giesse, fiquei impressionado com o conteúdo do blog, e recomendo o endereço e www.dorisgiesse.zip.net
Muito bom

Valeu pelo link, Luis. Eu realmente não tinha a menor idéia de onde estava Doris Giesse, e cheguei a escrever algumas linhas sobre ela no post "Célebres anônimos". Bom saber que ela aparenta estar muito bem.

Oi, Ina, parabéns pela nominação! Estou um pouco atrasada, eu sei, mas já votei por você, e estou fazendo um pouquinho de "militância" no meu blog. Boa Sorte!

Eu vi sua "militância". Muito obrigado, viu? Um beijo!

Schumacher foi muito bom mas Senna era especial. Quem sabe se o alemão teria sido o que foi se Senna não morresse...
"Morrem cedo aqueles que os deuses amam". Viva Senna!

Olá!

Sempre é bom falar do Senna. Sempre dá um aperto no coração. Inesquecível.
Aiiiiiiiiirton Sennnnnaa do Brasssssil!

Fiquei lendo e não deu pra não ficar com os olhos embaçados.

E eu sou um animal sentimental. Difícil ver essas imagens e escapar impune da armadilha da nostalgia.

Ina querido, muito obrigada pela citação. O concurso foi muito legal e Mestre Gravatá deu um tremendo apoio. Sempre fui fã de F1. Já até assisti a um GP Brasil na época em que Prost ganhou o apelido de "Rei do Rio". Foi muito bem ver um brasileiro novamente no pódium, mas já não tenho a mesma empolgação pelas corridas. Bom mesmo era ver o piloto ganhar no braço, independente da máquina. Agora vou lá votar no Pensar. Beijos.

Se eu não estivesse tão enrolado nos últimos dias (em particular, com a cobertura do GP), teria avisado meus leitores a tempo de participarem do seu concurso. Infelizmente "Administração do Tempo Pessoal" é uma matéria na qual nunca fui bem... :P Um beijo!

O Schumacher só é o "maior campeão de todos os tempos" porque o Senna morreu em 1994.

Fim de papo.

Ok! Fui lá e votei.
Grande abraço!

Valeu pela força, Mr. Farias. Um abraço!

O que dizer?

pã, pãramramramram, rãrãrãrãrã...

preciso dizer mais alguma coisa? Não fosse o Sr. da Silva dificilmente uma música sem letra e - pior, diriam alguns - erudita faria com que tantas pessoas parassem nostalgicos frente a ela...

um abraço Ina, e objetividade jornalistica é tudo o que não precisamos neses momentos... (e depois que algumas revistas de grande circulação rasgaram a objetividade em nome da parcialidade, acho que um blog cheio de bom-senso com o teu até pode abusar de uma opinião pessoal, não achas?)

Este é um dever que cumpro com o maior prazer: votar no teu blog.
Beijos

A recíproca é verdadeira. :)

O povo brasileiro gosta de heróis que superam dificuldades, não são arrogantes e conseguem conquistas significativas. Aqueles que com força inferior (motores menos potentes), conseguem vencer os fortes e arrogantes. Nos faz perceber que podemos mais, inconscientemente.
Acho que assim que funciona. E comigo funcionou.
Esses videos me fazem chorar.

Sei lá, tudo de que eu não gosto nessa idolatria é o que ela tem de cobrança. Não se escolhe alguém lá de baixo para ir apoiando e curtindo o crescimento, admirando cada passo da caminhada, aplaudindo mesmo com todo o coração cada pequena conquista, independentemente de um pódio, de um título de campeão, de uma vitória oficial. Parece que tudo o que se quer é repôr o herói que falta na prateleira - fosse possível... Nem todo mundo, mas uma maioria não apóia na derrota, não conforta, não espera. Até parece que a admiração se esgota numa velocidade que a dos próprios carros da Fórmula 1. Mas, talvez, seja só uma impressão.

Cláudio, como de praxe sou obrigado a concordar contigo. O aspecto da cobrança é o que há de mais execrável na idolatria. Porque cobranças do tipo são implacáveis. Se o ídolo passa por um momento de queda no rendimento, logo é tachado de "decadente", logo dizem que está em "fim de carreira" (vide o caso de Gustavo Kuerten, que veio do nada, trouxe o tênis brasileiro para um patamar inédito e, por culpa da incompetência da Confederação Brasileira de Tênis que não aproveitou a exposição inédita na mídia, não gerou os frutos da renovação, ao contrário do que acontece com nossos hermanos argentinos, que possuem diversos ranqueados no Top 100). Herói morto, herói posto.

Parabéns pela indicação Inagaki, conheci teu blog lendo o Querido leitor da Rosana Hermann. Também estou na disputa na categoria Blogwurst, at[e assustei quando vi meu blog lá. Boa sorte

Marcos, acabei de conhecer o seu Blog Pré-Fabricado por intermédio do seu comentário, e saiba que ele ganhou meu voto. Desejo boa sorte a você também, tanto no The BOB's quanto na sua reeducação alimentar (também preciso perder alguns quilos). :) Um abraço!

Olá, queridíssimo,
votei lá no seu. Também passeio pelos outros, mas o teu Pensar enlouquece é xodô, foi o destino de uma das minhas primeiras viagens internéticas, e de onde obtive muitas dicas de sites, filmes e músicas legais, precisa ir lá pro topo, pessoal, vamo votando, galera!

Beijo grande, e obrigada por incluir meu querido bloguinho entre os seus melhores da semana.

Aleksandra, muito obrigado. Pelo voto, pela conclamação e pelo seu blog bacana. :)

Ai, Alexandre, quando Senna morreu foi a primeira vez que vi meu pai realmente mal. Isso me marcou bastante. Nunca fui à uma corrida de fóruma 1, mas cresci assistindo pela TV e indo à corridas que acontecem aqui, como Stock Car e Fórmula Truck. :*

Sensacional corrida! Aliás, sensacional temporada, seguramente a melhor dos últimos 15 anos. E o de 2007 promete ser ainda melhor, pois Massa terá maiores oportunidades na Ferrari e Alonso buscará ao máximo reerguer a McLaren.

Faltou o Soares Silva.

Sempre falta alguém nessas listas. Eu, por exemplo, não deixaria de incluir O Biscoito Fino e a Massa e Ao Mirante Nelson se tivesse que fazer uma seleção do tipo.

Glup...

Caraca!!!

Chorei com esses vídeos. Lembrei que assisti às duas corridas. Assiti inclusive quando ele morreu. Assisti ele se tornar um dos maiores pilotos de todos os tempos.

Não pude resistir! Chorei.

Realmente, tu tem razão... Senna era incomparável!
Definitivamente, o alemão é fodão!
Abração

Complementando: o próprio Massa disse, na coletiva após GP, que foi a corrida mais fácil da vida dêle. As Ferraris estavam sem dúvida, acima da concorrência.

Podemos ponderar também que o cara está no lugar certo e talvêz, o mais importante, na hora certa, com a aposentadoria do Schumacher.

Cara, eu não consigo ver graça em corrida de carro. Até fiz um post sobre isso que, pra mim, é um mistério - a popularidade desse esporte. Mas enfim, bom saber que foi uma boa corrida...
E parabéns pela eleição para os 10+. Vou lá votar.

Também assisti a última corrida desse gênio da Formula 1.
Apenas discordo quando você diz que ele é um dos maiores pilotos de todos os tempos. Ele é o maior.
Está errado o Barrichello quando afirma que Schumacher será rapidamente esquecido. Pilotos como o alemão, Senna, Prost, Fangio e Jim Clark, jamais serão esquecidos pelos amantes do automobilismo.
Esquecidos serão aqueles que não assumem seus erros e não têm o mesmo arrojo e a mesma competência de Michael Schumacher.
Nenhum piloto do mundo, obteve records tão expressivos como o alemão.
Não se deve comparar Pelé a Maradona, como não se deve comparar Shumacher a ninguém.
O mundo da Fórmula 1, jamais será o mesmo.

Compareci à urna virtual já.
E quero agradecer pelo belíssimo prefácio, amigo Ina.

Inagaki
Obrigado,cara. Obrigado. Fiquei muito feliz com a vitória do Massa exatamente porque me fez relembrar essa época tão bela de Ayrton Senna. Eu era uma criança, mas me lembro bem daqueles anos e ainda hoje me arrepia ouvir o Tema da Vitória.
Estou emocionado.
Obrigado.

Valeu, André. :) Aliás, pra mim o momento mais bacana da vitória do Massa foi o momento em que ele, após ter recebido a bandeirada, parou o carro e resgatou o gesto do Senna de pegar a bandeira do Brasil.

Fui lá votar, você merece.

Eu não acho muita graça em automobilismo e muito menos no Senna. Sempre achei que ele foi um ídolo fabricado pela Globo.
Mas, creio que depois disso, conquistou fãs.

beijos

Senna teve méritos de sobra para se tornar ídolo, Saramar. Em tempo: obrigado! :)

Disse bem Alexandre. Não há emoção comparável com aquela de 91. Até hoje, basta a gente assistir esses vídeos para a emoção vir forte. Senna é realmente inigualável.

Aproveito para deixar meus parabéns pelo blog!

abraços

Não sou especialmente fã de automobilismo mas o Senna me fazia vibrar a cada corrida. Confesso que sem ele e, depois, sem o maior entusiasta da F1 aqui de casa, acompanho as corridas apenas pelos jornais. Espero que o Massa receba os investimentos necessários para se aprimorar e nos alegrar nas próximas temporadas.

Mais uma vez cumprindo com o meu dever cibercívico. Tasquei meu voto. Boa sorte no sufrágio. Aproveitando, parabéns ao Santos-Dumont, e que se lasquem os irmãos Wright!

Ôpa, valeu mais uma vez pela força!

e esse youtube não ajuda, eu até lembro, mas vale mesmo a pena revêr.

A corrida de ontem foi mesmo especial, havia expectativas e tudo mais. É bom ver Massa ganhar, ficamos todos felizes de ver um brasileiro no pódium e tal, mas não adianta, o tema da vitória é do Senna. E toda vez que tocam para outro acho tudo meio falso. Um ídolo não se faz apenas com vitórias, se faz também com carisma e um sobrenome tão brasileiro como Silva. Muito bom relembrar com os vídeos.

Bia, vale a pena lembrar que o Tema da Vitória, composto por Eduardo Souto Neto, foi executado pela primeira vez para celebrar uma vitória de Nelson Piquet. No entanto, acabou sendo associado a Senna, devido às suas inúmeras vitórias que marcaram as manhãs de domingo, e assim ficou. Quando Barrichello venceu uma corrida pela primeira vez, no GP da Alemanha de 2000, foi meio estranho ver o Tema da Vitória sendo tocado para celebrar outro piloto. E essa sensação perdura toda vez que ouço essa música sendo dedicada a alguém que não seja Senna.

Ina, a corrida de ontem me fez lembrar por que eu já cheguei a gostar tanto de automobilismo. Estava esquecido de como isso podia ser emocionante. Mudando de assunto, fiz uma citação a vosmecê, espero que tenha sua bença.

Caro Marco, se eu pudesse escolher a musiquinha do meu celular quando você me ligasse, tocaria "Sempre Rir", versão de "Make'em Laugh", aquela música que no filme "Cantando na Chuva" foi interpretada por Donald O'Connor, e que no Brasil foi consagrada pela versão cantada por Bozo com os backing vocals de Vovó Mafalda, Papai Papudo, Salchi Fufu, Garoto Juca e as Bozolinas. Um abraço!

Sim, é um dos dez melhores blogs, apesar de não ser atualizado com a freqüência que merecemos, não é, Inagaki?

Err... Hmm... (cof, cof!)

Quando ouvi a música, me deu um aperto no coração. Por mais bacana que foi a vitória do Felipe Massa, senti um vazio no peito, de saudade do Senna!

eu, que não sou dos mais entusiasmados com a fórmula 1, lembro com clareza dessas duas vitórias do senna. e a cena em que ele é carregado pelo público também me provoca lágrimas.

enfim, belo post, mas sentindo a falta da sua opinião sobre o que está acontecendo na imprensa. abraços.

Ian, o próprio ombusdman da Folha de S. Paulo, Marcelo Beraba, declarou: "A imprensa deixou claro nesta eleição que, apesar de experimentar um amadurecimento nas últimas duas décadas, continua preferindo uma fofoca, um bate-boca, um jogo de cena, uma pesquisa, uma pauta subordinada aos caprichos dos marqueteiros, ao trabalho estafante de pensar, refletir, analisar e investigar". Sobre o assunto, recomendo a leitura destes textos de Tão Gomes Pinto ("Abril deixou de faturar 40 milhões. Será por isso que...?"), Luis Nassif ("Requiém do jornalismo") e Alberto Dines ("A vilanização da imprensa"). Por fim, abro aspas para outra reflexão feita por Nassif sobre os recentes casos envolvendo matérias de capa da Veja, Carta Capital e Isto É:

"Não há diferença entre a esquerda xiita e a direita inculta. Se você escreve o que querem ler, torna-se o orgulho da categoria; se não escreve, é o jornalista vendido. Da mesma maneira, com o mesmo estilo, a mesma agressividade do seu avesso do avesso.

É evidente que há uma enorme massa de leitores incomodados com a parcialidade da cobertura jornalística. Mas, em relação aos militantes, a parcialidade é dos dois lados.

Se sai uma capa da 'IstoÉ' atacando José Serra, pouco importa se está bem fundamentada ou não. Na mesma hora espalha-se pela net a celebração por parte dos lulistas, a indignação dos anti-lulistas, com a mesma rapidez com que se espalha a indignação dos lulistas e a celebração dos anti-lulistas com as capas da 'Veja'. E ambas são filhas do mesmo tipo de jornalismo.

O problema não é ser anti ou pró-Lula ou Serra. O problema é o estilo, o patrulhamento, a desqualificação é atitude torpe em si."

Fui lá votar em você. Parabéns por ter sido indicado. Você merece. Beijocas

Obrigado por tudo, Yvonne. :D

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