Cada povo tem o governo que merece
Confesso que me senti desestimulado em atualizar este blog após ver os resultados das eleições. Quando escrevi meu post contra o voto nulo, meu foco estava mais nas eleições para o Legislativo, que sempre ficam em segundo plano diante dos pleitos para Presidente e Governador. Pois bem: ao ver os resultados das urnas, alguns de meus piores temores se confirmaram. Dentre os deputados e senadores que elaborarão as leis e votarão projetos importantíssimos para nossas vidas nos próximos 4 anos (por exemplo, a emenda que decidirá o futuro do CPMF e as reformas política, previdenciária e tributária), figuram na lista dos eleitos inúmeros políticos envolvidos em escândalos diversos.
O que dizer quando o eleitorado brasileiro prefere eleger Paulo Maluf a Soninha? Jair Bolsonaro a Antonio Carlos Biscaia? José Mentor a Iara Bernardi? Devolve ao Congresso políticos como Valdemar Costa Neto e Paulo Rocha, que renunciaram aos seus mandatos a fim de escapar da iminente cassação que sofreriam por causa do esquema do mensalão, e puderam assim concorrer impunes nas recentes eleições? Que palavras usar para explicar as reeleições de figuras como José Sarney, Sandro Mabel, Pedro Henry e Fernando Collor? Como entender a generalização tacanha daqueles que crêem que todos os petistas são corruptos, fazendo com que um político da estatura ética de Eduardo Suplicy quase perdesse sua cadeira do Senado por São Paulo para o pefelista Guilherme Afif Domingos?
Paulo Delgado, que foi deputado federal pelo PT de Minas por cinco mandatos mas não se reelegeu nestas eleições, fez a seguinte declaração a Alan Gripp do jornal O Globo: "Foi a eleição do pragmatismo puro e sem princípios. Os prefeitos foram os principais cabos eleitorais e só falavam em emendas parlamentares e em Orçamento da União, não houve debate de idéias". Mais adiante, afirma: "Esta foi a eleição da devassidão eleitoral, sem propostas e programas de governo". Sábias palavras de mais um candidato lamentavelmente derrotado nas urnas, e que aumenta minha tristeza ao constatar que, a) campanhas milionárias, repletas de faixas e santinhos, angariam mais votos que propostas fundamentadas; b) o fisiologismo novamente deu as cartas nestas eleições; c) o eleitorado, ao crer que faz um "protesto" ao votar em bizarrices como Enéas, Clodovil e Frank Aguiar, conta uma piada tremendamente sem graça.
Mas enfim, a vida continua. Neste segundo turno, faço coro às palavras da jornalista e vereadora Soninha Francine, que torce para que a campanha possa ser mantida em um nível civilizado, "sem paixões partidárias que nos transformem em cegos inimigos".
P.S. 1: A ilustração deste post é de Galvão (obrigado pela dica, Carla!).
P.S. 2: Um texto que vai ao encontro de minha opinião sobre as eleições presidenciais: Raiva do Lula x Raiva de Mim, de Gravatai Merengue.
P.S. 3: Santos Passos, Ticcia, Marcia e Anna, obrigado pelas correções!

Comentários
Fala!
Na verdade fiquei meio triste em saber que o Serra tinha um plano de implantar casas de parto. Existem umas 8 ou 9 casas de parto no Brasil, se não me engano nenhuma de iniciativa federal, e boa parte (se não todas) anteriores ao Serra no ministério. Tem um lobby forte de médicos contra as casas, por razões bem longe da medicina, mais a ver com finanças e egos. Infelizmente acho que Serra, ou seu substituo no ministério, não soube ou não quis driblar esse lobby em nome de algo que seria muito benéfico para a população.
Quanto aos mendigos, parece que realmente houveram em administrações anteriores episódios de mandar os caras embora da cidade, mas as críticas eram de que, sob Serra, isso virou uma política, não era mais episódico.
Ok, vamos às informações corretas: após um encontro com David Capistrano (criador e idealizador da primeira Casa do Parto), José Serra entusiasmou-se com o projeto e implantou-o, em âmbito nacional, por meio da portaria 985 de 1999, com o nome oficial de Centros de Parto Normal. Ao todo existem 14 CPNs incorporados ao SUS, distribuídos pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. No entanto, devido às pressões advindas principalmente de sindicatos de médicos (vide esta matéria publicada no site da Rede pela Humanização do Parto e Nascimento), apenas 5 delas funcionam em plena capacidade. A razão para a não-proliferação de mais Casas de Parto, segundo esta matéria da revista Problemas Brasileiros, é a "falta de disposição dos governos estaduais e municipais". Sobre o assunto, vale a pena ainda ler este F.A.Q. sobre Casas de Parto da Folha de S. Paulo. Vamos, pois, correr atrás dos fatos antes de insinuar, por má vontade, meros palpites ou proselitismo que elas não se multiplicaram por falta de vontade em "driblar" lobbies.
Mudando de assunto: bom descobrir o seu site pessoal, Daniel.
Desabafado por Daniel | 31 de outubro de 2006, 18:43
Fala!
Concordo que os dois trabalhando juntos seria uma beleza. Como eu disse láá no primeiro comentário, a Casa do Parto é uma iniciativa fantástica, fruto de um projeto de um deputado petista implementado por um governador tucano (o Covas). E quem já ouviu falar da Casa do Parto?
Quanto aos mendigos, segue a busca pelas matérias perdidas. Um dia hei de achar links para as matérias da época. Mas acho que só o título desse aqui já é bastante esclarecedor, não?
"Serra pagará volta de sem-teto à cidade natal"
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u114378.shtml
Caro Daniel, veja só que curioso: ao caçar a Internet em busca do tal deputado petista que teria idealizado a Casa do Parto, implementada pelo Covas, descobri a resposta em um artigo escrito por ninguém menos que... José Serra. Um belo texto, por sinal, em que o governador eleito de São Paulo fala do primeiro contato que teve com o ex-prefeito de Santos David Capistrano Filho, e no qual Serra fala, por exemplo, de como conheceu o projeto das Casas do Parto e decidiu implementá-las em âmbito nacional quando foi Ministro da Saúde (taí um ótimo exemplo do que a cooperação entre tucanos e petistas pode fazer por este país). É um artigo intitulado "David Capistrano Filho: A Ausência".
Ah, também encontrei maiores informações sobre o problema dos sem-teto, vide esta matéria da Folha: "Serra dá até R$ 5 mil para sem-teto deixar SP". Segundo o relato feito pelos repórteres Afra Balazina e Alencar Izidoro, o dinheiro seria destinado ao pagamento de passagens de ônibus e mais uma verba para que as famílias retomassem suas vidas em suas cidades de origem. A reportagem destaca: "muitos dos sem-teto beneficiados pela verba acabam usando o dinheiro para pagar dívidas ou comprar objetos pessoais. E continuam na cidade". Em outro trecho, afirma: "O sem-teto que não quer deixar São Paulo tem a opção de ir para um albergue, entrar na fila de um programa habitacional ou receber uma bolsa emergencial (de R$ 250) para alugar um imóvel". No parágrafo final, a ressalva: "Alguns líderes de movimentos de moradia dizem que a ação semelhante também ocorria em gestões anteriores -como de Marta Suplicy e Celso Pitta". Ainda sobre o assunto, encontrei outro texto intitulado "Chacina dos Sem-Teto", que não poupa ninguém, afirmando: "Governos Lula, Alckmin e Marta são cúmplices na covarde nazi-chacina dos sem-teto". O assunto vai longe, e infelizmente não parece ter solução a curto prazo.
Desabafado por Daniel | 25 de outubro de 2006, 06:29
Fala, Alexandre. Vai aí uma respostinha, esclarecendo alguns pontos. Não consegui achar uns links importantes, outras coisas simplesmente não saíram no jornal, mas fiz o possível.
Se não quiser prolongar o papo na sua caixa de comentário, não precisa publicar essa resposta, não vou ficar achando que você "fugiu da raia" : ) . Se quiser responder, pode me mandar um email. Se não, OK. Sempre é um prazer debater aqui. Abraços.
a)É, você tem razão. Eu não lembrava do preço certo e mandei um 1,40 que era o último que eu lembrava. De qualquer maneira, foi um aumento que só serviu mesmo para as companhias de ônibus, feito por pressão delas.
b) Rapaz, o caso é que ela não consegue mesmo. Cada vez é uma dificuldade diferente. Enfim, era bem mais fácil antes. Mas valeu a dica.
c) A cidade que morei até os 18 anos, no interior de SP, certa época teve um prefeito de "esquerda". Não lembro se ele era do PT ou algum outro partido coligado. Quando ele saiu, recebeu tudo quanto é tipo de processo por má gestão da grana da prefeitura. O fato é que não era verdade, estava tudo certo, mas certos malabarismos legais possibilitaram esses processos, tudo por interesse político. Tenho o pé atrás com esses processos da Marta, quero ver certinho no que vai dar.
d) As viradas culturais são interessantes, mas careciam de definir melhor a que vieram. De qualquer maneira, achava melhor as iniciativas da prefeitura anterior, que eram mais inclusivas. A virada traz cultura pra uma parcela da população que já tinha acesso a ela. Acho q a prefeitura faria melhor mantendo o acordo que levava a Mostra Internacional e o É Tudo Verdade aos CEUs.
O Bilhete Único ia ser integrado ao metrô na administração da Marta, foi o governo do Estado que se recusou a colaborar, numa jogada eleitoreira prá favorecer o Serra.
Quanto ao remédio em casa, parece ser um bom projeto, mas depois de ver a que se resumia o "Mãe Paulistana" eu gostaria de ver como funciona isso.
e) Cara, achei alguns links, mas tinha uma matéria mais extensa, na própria Folha, que dava uma geral nesse assunto e apresentava todas as críticas feitas à medida. Teve mais repercussão, saiu em mais lugares, mas na Folha tenho certeza. Pagamento de passagens pro pessoal voltar "para sua terra". Mas, além do jornal, bastava passar ali na av. Sumaré e ver os caminhões e funcionários da prefeitura fazendo a colheita. Foi uma medida extremamente criticada, mas que depois sumiu dos jornais. Pelamordedeus, revitalização de áreas urbanas não se faz expulsando moradores de rua. E essa desculpinha não cola, o Sumaré não precisa de revitalização e mandaram os mendigos embora mesmo assim.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2505200519.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2505200520.htm
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u114378.shtml
-Quando houve a comemoração dos 450 anos de SP, trabalhei num livro sobre a cidade. Já tinha um monte de CEUs prontos, isso logo no começo do último ano da prefeitura da Marta. Em Pirituba, meu bairro, no começo de 2003 já começaram as obras dos corredores de ônibus. A enxugada nas linhas de ônibus foi anterior a isso. O Bilhete Unico apareceu só em 2004, mas a proposta é de antes (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2411200031.htm - o governo do Estado já colocava empecilhos) e faz parte do projeto do Zarattini pro transporte. A prefeitura do Serra sequer tinha um projeto para o transporte.
O canteiro de obras no último ano da Marta atingiu só o chamado Centro Expandido, antes disso a prefeitura já estava em ação nas periferias e em bairros do lado de lá das marginais. Essa percepção de "não fez nada em 3 anos", além de não ser verdade, é fruto de uma visão estreita da cidade, que ignora qualquer coisa para além das marginais. Mas a verdade é que a cidade é beeeem maior que o Centro Expandido.
-O "São Paulo é uma Escola" não trouxe nenhum alento, muito pelo contrário. Foi implantado na correria, 15 dias antes do início do ano letivo, sem projeto, sem planejamento, sem nada, só para gerar números. Se resumia a uma hora a mais por dia para cada período, a ser preenchida com oficinas, sem disponiblizar pessoal nem orçamento para isso. As escolas quase pararam, devido à total impossibilidade de cumprir as regras impostas pela prefeitura. Não à toa, gerou uma enorme greve de professores. E o pior é que saia na imprensa como um excelente projeto, inédito. Mentira, a prefeitura da Marta tinha um monte de projetos-piloto nesse sentido, com a vantagem de disponibilizar orçamento para as escolas manterem os oficineiros. Procure saber sobre uma escola chamada Comendador Amorim Lima, no Butantã. Eles eram uma espécie de piloto de um projeto assim, que deixasse o aluno o dia inteiro na escola. Seria testado e depurado antes de ser implantado nas outras escolas. O Serra interrompeu o projeto, esvaziou as oficinas e depois relançou tudo de qualquer jeito com esse nome de São Paulo é uma Escola. Infelizmente, não tem link de notícia prá isso. Eu sei porque, como disse antes, minha mulher trabalhava numa escola da prefeitura, justamente o Amorim Lima.
Pena que a imprensa faz esse papelzinho ridículo. Nesse caso das prefeituras Serra e Marta, é patente o abismo entre a realidade e o que era noticiado. Triste, porque a administração da Marta foi uma das melhores, e a cidade precisava de mais uns anos de uma boa prefeitura. E olha que demorei a chegar a essa conclusão, porque a Marta é uma pessoa tão antipática que o primeiro impulso é não gostar de nada que ela faz.
Realmente, o Lula era prá ter sido presidente em 89. Pena que eu demorei tanto prá saber disso. Eu e todos nós.
Daniel, a convicção que tenho é de que José Serra e Marta Suplicy, se superassem suas divergências políticas e idiossincrasias pessoais, fariam uma administração sensacional se trabalhassem juntos em prol de São Paulo e do Brasil. Porque eles possuem inegáveis qualidades que se complementam.
Vejamos a administração Marta. Ela pegou um cenário de terra arrasada, após Celso Pitta na Prefeitura. Em seus 3 primeiros anos de mandato, sua gestão ficou engessada, buscando sanear as finanças de São Paulo. Na busca de recursos, recorreu às malfadadas "martaxas" de lixo e iluminação pública. Nesse período, sua administração foi lamentavelmente marcada por estranhos acordos com empresas de coleta de lixo (calcanhar de Aquiles de muitas prefeituras petistas, vide os casos de Santo André e Campinas) e perueiros.
Em seu último ano de mandato, Marta Suplicy transformou a cidade em um canteiro de obras. O problema é que nesse afã de mostrar realizações com evidentes fins eleitoreiros (no que não a condeno: TODO governo faz seu planejamento de modo a tomar as atitudes desagradáveis, como aumentar impostos e cortar gastos em determinadas áreas, no começo do mandato, para depois fazer inaugurações a rodo às vésperas das próximas eleições), lembrou as piores presepadas malufistas. Quem mora em São Paulo certamente se lembra, por exemplo, do imenso buraco na Avenida Nove de Julho (exemplo mais visível do queijo suíço em que se transformaram as ruas paulistanas durante sua gestão) e da patética inundação do Túnel Rebouças, que ela havia recém-inaugurado ao lado de Lula pouco antes das eleições. E onde estava Marta para se defender quando São Paulo foi varrida pelas enchentes em novembro de 2004 (ainda durante seu mandato, pois)? Em Paris, curtindo a ressaca pós-eleitoral. Com atitudes como essa, fica realmente difícil se desvencilhar da imagem (muitas vezes injusta) de pessoa antipática e arrogante.
Com toda essa gastança ao final de seu mandato, Marta conseguiu a façanha de deixar as dívidas da cidade maiores do que na administração Celso Pitta. E com isso ofuscou as suas melhores realizações, principalmente nos campos da educação e dos transportes. Duas áreas em que é inegável constatar que a administração anterior foi superior à de José Serra. Que, em compensação, mostra ser bem mais competente na gestão de recursos públicos, tomando atitudes como a adoção do pregão eletrônico, a renegociação e revisão de contratos (em especial, das empresas de coleta de lixo), extinção de 25% dos cargos comissionados e a transferência das contas dos servidores municipais do Santander para o Itaú. Atitudes que possibilitaram, por exemplo, a extinção das taxas de lixo e de iluminação pública.
Sobre o descalabro na educação paulistana, testemunhado pela sua esposa, isso reforça minhas opiniões sobre a incrível incompetência tucana na área. Desde o desastrado programa de aprovação automática adotado pelo Covas, até a execrável passagem de Paulo Renato Souza como Ministro no governo FHC, passando pelo assombro chamado Gabriel Chalita, é realmente difícil ver alguma coisa boa feita pelo PSDB com relação à educação neste país. Seria bom, inclusive, se você escrevesse um artigo relatando sua visão para a Agência Carta Maior ou o Gilberto Dimenstein, que foi um dos principais críticos da saída do Serra da Prefeitura.
Ah, sobre a questão da "exportação de mendigos". Eu também me lembrava de ter assistido a alguma matéria sobre o assunto, mas estranhava a associação que você fez à gestão Serra, uma vez que algo tão moralmente inaceitável certamente teria sido explorado na campanha política se tivesse um fundo de verdade. E, de fato, encontrei o motivo da confusão: a tal "exportação de mendigos e andarilhos" foi adotado pela cidade de Maringá e faz parte de seu programa de erradicação de favelas. Mas me parece que a cidade paranaense virou exemplo para outras prefeituras. Achei uma matéria do Jornal do Brasil denunciando um programa da Prefeitura do Rio que pagava passagens de ônibus para sem-teto deixarem a cidade (a maioria vinha para São Paulo) e uma ata da Assembléia Legislativa de SP contendo denúncia da deputada Mariângela Duarte sobre a "exportação de mendigos" de Santos para a capital.
Mas olhe, eu ainda sonho com o dia em que PT e PSDB, duas legendas que, apesar dos pesares, ainda abrigam os melhores quadros políticos deste país, consigam governar juntos. Algo semelhante à frente de partidos que uniram-se no Chile pós-Pinochet, ou ao pacto feito na Espanha após a ditadura de Franco, em que legendas deixaram de lado divergências e uniram-se pelo desenvolvimento do país. É mais ou menos o que eu cheguei a vislumbrar quando o Mário Covas conclamou o PSDB para que apoiasse Lula no segundo turno de 1989. Desde então, nunca mais tivemos uma chance parecida.
Desabafado por Daniel | 24 de outubro de 2006, 18:58
Minha alternativa é: 1- Profissionalização dos cargos públicos e enxugar a máquina estatal; 2- Privatização. As empresas públicas tornaram-se moedas de negociatas; 3-Acabar com as verbas de representações; 4-Redução do número de parlamentares; 5-Adoção do voto distrital; 6-Concurso público para juizes dos Supremos Tribunais, etc. Com estas medidas iniciais, acredito, ja teríamos uma sensível melhora. A continuar nesta toada, a tendência é só pioarar. Como aliás vem acontecendo eleição após eleição
Desabafado por José Luiz | 24 de outubro de 2006, 17:12
Gente!!!
O q está havendo com o nosso país?
Será q os brasileiros estão perdendo a auto-estima? Só pode ser esse o motivo para elegerem e reelegerem tanta gente desqualificada!!
O problema é q eles elegem e todos nós é q "pagamos o pato". É deprimente...
Desabafado por Marjorie | 23 de outubro de 2006, 00:32
Olá!
Hoje conheci seu blog por acaso... ainda bem, né!?
Achei super interessante esse seu "mundinho", começando pelo nome é claro...rsrs...!
Apesar de não ter lido todos os seus textos, pude notar sua ousadia, e gostei!
Bem, falando sobre o assunto que você escreveu, votei pela 1ª vez esse ano e de uma coisa eu sabia, eu não ia votar em branco (nem nulo...), não depois de tudo o que o nosso povo teve que enfrentar para conseguir ter esse "direito" (se é que podemos chamar assim...), escolhi os candidatos meiu que em cima da hora, + escolhi... agora to pensando se vale a pena digitar os mesmo números dessa vez...
Desabafado por Tai | 22 de outubro de 2006, 17:07
Eu acho que, de acordo com a complexidade da nossa sociedade, a melhor alternativa de regime de governo no contexto capitalista seria uma tecnocracia. Concurso Público para todos os cargos que hoje em dia são eletivos (quem fará as provas é papo para outra hora).
Já posso imaginar as manchetes denunciando irregularidades na escolha da entidade responsável pelas provas do concurso público...
Desabafado por Dona Zefa | 20 de outubro de 2006, 18:55
Goxxtei, mr. Ina!
Vai levar deix mango!
Desabafado por ratapulgo | 20 de outubro de 2006, 04:07
Querido Inagaki,
ainda que mais tarde, venho só pra dizer que não estás só nessa angustia eleitoral..beijos
Desabafado por Mani | 19 de outubro de 2006, 23:06
"O que dizer quando o eleitorado brasileiro prefere eleger Paulo Maluf a Soninha? Jair Bolsonaro a Antonio Carlos Biscaia? José Mentor a Iara Bernardi? Devolve ao Congresso políticos como Valdemar Costa Neto e Paulo Rocha, que renunciaram aos seus mandatos a fim de escapar da iminente cassação que sofreriam por causa do esquema do mensalão, e puderam assim concorrer impunes nas recentes eleições?"
Por estas e outras que defendo o voto nulo como também um voto inteligente. Quando se é contra o processo eleitoral não resta alternativa. Conceitos como o voto proporcional, quoeficiente eleitoral etc, só valorizam os piores candidatos. Sem considerar que o Legislativo tem de repensar, profundamente suas funções e reponsabilidades. Pois como está até os bons políticos ficam inoperantes.
Sendo assim considero que chamar o voto nulo de burrice é de tamanha intolerância com as opiniões contrárias.
Não confunda opinião pessoal com intolerância, José Luiz. Assim como tenho pleno direito de achar que o voto nulo é uma inutilidade total, você tem todo o direito de discordar de mim, assim como de apresentar seus contra-argumentos (o espaço prossegue aberto nos comentários deste blog). Mas o curioso é que até agora nenhum defensor do voto nulo conseguiu me dizer qual seria a "graaaaande mudança" causada pelo tal movimento. Diga lá, caro José: qual é o projeto alternativo que vocês, que anulam seus votos, apresentam para este país, além do mero protesto ao melhor estilo "cabeça de avestruz enterrada na areia"? Ainda considero muito fácil e cômodo esquivar-se do processo político, deixar que outros decidam por vocês e depois dizer que não têm nada a ver com o status quo.
Desabafado por José Luiz | 19 de outubro de 2006, 14:42
em plena democracia votar nulo parece incoerente.
Desabafado por Eliane | 19 de outubro de 2006, 14:29
Ina, também fiquei meio deprê. Se a legislatura que acabou foi a pior de todos os tempos, o que podemos esperar desta nova? O Congresso deveria ter o que a sociedade produz de melhor, mas o que se vê é uma reprodução fiel do caráter médio do povo. Só discordo de tua indignação com o fato de Suplicy quase perder para o Afif. Considero o Afif digno de respeito, a despeito do partidinho podre ao qual é filiado. Ao menos ele tem sempre uma dúzia de idéias e projetos sobre os quais fala com paixão sempre que perguntado, ou seja, tem visões de mudança.
Caro Marco, o Guilherme Afif Domingos recebeu nota ZERO na avaliação que o Diap fez da atuação de todos os membros da Assembléia Constituinte de 1988. Em 1996, foi condenado, junto com Paulo Salim Maluf, em processo movido pela 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo por uso da máquina administrativa quando ambos foram candidatos pelo PDS (Maluf a Governador, Afif, a vice) nas eleições de 1982. Em 1998, foi nomeado "supersecretário" da administração Celso Pitta (sendo que sequer conseguiu implantar o Simples no município). Eu, sinceramente, não conseguiria ver sentido em vê-lo eleito no lugar do Suplicy.
Desabafado por Marco Aurelio Brasil | 18 de outubro de 2006, 20:55
Bom, minha análise da prefeitura do Serra não tem a ver com "torcida de futebol", e sim com o fato de eu ser paulistano, usuário do sistema de saúde e transporte da cidade e conhecer o sistema educacional.
Quando a Marta foi eleita, achei o fim da picada. Depois do Pitta, teríamos o reinado da peruagem. A administração dela cuidou de mudar minha opinião. Tinha planejamento e soluções para a cidade. Quando o Serra ganhou, fiquei desiludido, mas lembrei de como a prefeitura anterior felizmente frustrou minhas expectativas e esperei que eu estivesse errado em minha avaliação do Serra. A administração dele foi pior do que eu esperava. Não tem "torcida de futebol" aqui não.
Minhas críticas foram genéricas porque eu queria um comentário curto, mas já que sua resposta foi mais extensa, vamos lá:
SAÚDE: Há uns meses houveram muitas críticas ao fato da prefeitura ter promovido uma espécie de "terceirização" do atendimento médico, com a contratação de OSs (organizações sociais). Medida criticada por um monte de especialistas, entre outras coisas por ser muito similar ao PAS de Pitta e Maluf, num modelo que privilegia o volume de atendimentos em detrimento da eficiência dos mesmos. Também ficou mais difícil agendar consultas e há falta de especialistas. A análise geral de movimentos da área de saúde foi de que a gestão Serra piorou a situação da Saúde.
Serra fez muita propaganda sobre uma suposta preocupação que ele teria com a "humanização do parto" e as medidas que ele teria tomado em relação a isso. Minha filha nasceu este ano, na rede pública de saúde (na Casa do Parto, rara e praticamente desconhecida parceria de uma iniciativa de deputado do PT implementada por governador tucano, Mário Covas). As medidas de Serra se resumiam a uma sacola com roupinhas e toalhinhas para bebê. A gente não precisava da sacolinha e dissemos que poderia ficar com a Casa de Parto e ser doada a alguém que precisasse de DUAS sacolinhas. Não era possível, a prefeitura obrigava a Casa de Parto a dar a sacolinha prá todo mundo, "senão dá confusão prá gente", disse a enfermeira. Depois o Bolsa-Família que é assistencialista...
Quer dizer, são políticas que privilegiam os números em detrimento da qualidade, pensadas para gerar estatísca para a campanha de Serra, fosse para presidente, fosse para governador.
TRANSPORTE: A primeira medida de Serra foi aumentar de 1,40 prá 2,00 a passagem de ônibus. Medida desnecessária cujos beneficiários eram as empresas de ônibus. De acordo com análises feitas no fim do governo de Marta Suplicy - saíram até na Folha - o preço podia continuar o mesmo por um bom tempo que as companhias não teriam prejuízo. O bilhete único perdeu seu caráter universal no sentido de que antes qualquer um com 8 reais podia adentrar uma lotérica e adquirir um. Agora são necessários cadastros e comprovações de moradia que acabam por prejudicar justamente quem mais precisa. A faxineira de casa, por exemplo, não tem o Bilhete por não ter um comprovante de residência. Numa casa que morem, digamos, 8 pesssoas, nem todas terão contas de telefone ou água em seu nome. O projeto dos corredores de ônibus parou.
EDUCAÇÃO: Minha mulher fez um trabalho voluntário em uma escola da prefeitura no ultimo ano da Marta e no primeiro do Serra. Os cortes de verba e a falta de planejamento e políticas de longo prazo na passagem de um para outro foram gritantes. O projeto de "deixar a criança na escola o dia inteiro, complementando o horário com oficinas" se resumiu a uma hora a mais por dia, sem projeto, planejamento ou orçamento. A respostas para as reclamações das escolas de que o orçamento não daria era "o problema é de vocês, se virem". Decidida 15 dias antes do início das aulas de 2006, as escolas não tiveram tempo de se organizar nem de contratar oficineiros em tempo hábil. Isso gerou a enorme greve de professores que tivemos no começo do ano. A administração anterior passou de 0 para 21 CEUs. Cinco CEUs em construção é uma bela queda, não? Além disso, amigos que dão aulas e oficinas nos CEUs são unânimes em dizer que não há mais planejamento para o funcionamento deles e as atividades culturais caíram vertiginosamente.
FINANÇAS: 2 bilhões de rombo era a estimativa inicial da prefeitura de Serra, estimativa que caía bastante a cada novo boletim. O rombo não era tão grande assim, se é que era um rombo. Estivesse preocupado com isso, Serra não teria dado cano nas reuniões para renegociar a dívida da prefeitura que Marta organizou na transição de uma administração para outra. E uma prefeitura com rombo de 2 bilhões não teria gastado dinheiro mandando moradores de rua para outros estados nem deslocando funcionários e veículos para expulsar esses moradores de rua de onde estavam e muito menos construindo "rampas anti-mendigo".
Quanto aos genéricos, foram obra de Serra no Ministério, não na prefeitura, e eu estava desancando a prefeitura. Assim como o lance dos medicamentos da AIDS, foi uma medida correta e justa em qualquer aspecto que se analise, realmente. Mas foi tomada com o intuito claro de ser o "Plano Real" de Serra, alavancando a votação dele para presidente. Além disso, sempre é citada quando se quer elogiar o Serra, mesmo que não tenha a ver com o assunto. Me dá a impressão que foi a única coisa boa que ele fez.
Quanto a Mercadante, tens razão. Eu não votaria em ninguém diretamente envolvido naquela palhaçada de dossiê, nem em quem tinha entre seus contatos no ministério Abel Pereira, que se deslocou até o Mato Grosso disposto a pagar bem mais que 1,7 milhão pelo mesmo dossiê. Portanto, para governador, votamos Plínio de Arruda Sampaio.
Daniel, este seu comentário, por mais extenso que possa ter sido, agora sim diz a que veio. Mas, antes de mais nada, preciso fazer algumas correções nas informações trazidas por você, a saber:
a) o preço da tarifa de ônibus ao final da gestão Marta era de R$ 1,70, e não R$ 1,40. Foi aumentado para R$ 2,00 em março de 2005;
b) avise a sua empregada que NÃO é preciso apresentar comprovante de residência para adquirir o Bilhete Único (aliás, quem deu essa informação equivocada a ela?). Eu mesmo adquiri um hoje mesmo, aproveitando minha ida à lotérica para apostar na Mega Sena acumulada. A única diferença do Bilhete Único Cadastrado para aquele que pode ser comprado em qualquer lotérica é que, quando seu bilhete estiver descarregado e você tiver de pagar a passagem com o cobrador,só poderá fazer outras integrações gratuitas com os créditos dessa viagem se ele for previamente cadastrado. Ah sim: esse tipo de bilhete também ajuda a coibir fraudes, que eram muito mais freqüentes antes do advento do cadastro. A propósito, eis o link se você quiser imprimir o formulário para pedir o Bilhete Único Cadastrado (os documentos a serem apresentados são RG e CPF);
c) você afirmou que Serra "deu cano" nas reuniões de renegociação das dívidas da prefeitura organizadas por Marta. Estranhei sua afirmação, uma vez que ela não batia com minhas lembranças. Gostaria, pois, que você me dissesse onde extraiu essa informação. Porque, ao que me consta, Marta Suplicy endividou São Paulo mais do que o permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, e por causa disso corria até mesmo o risco de se tornar inelegível. Para não pôr seu futuro político em risco, solicitou junto ao Presidente Lula prorrogação de 1 ano no prazo de enquadramento na LRF (a Prefeitura precisava quitar uma dívida de R$ 7 bilhões que havia adquirido com a União). Mais: Serra, junto com Marta, participou de uma reunião com o então Ministro da Fazenda Antônio Palocci, reforçando o pedido de prorrogação do prazo. Ao final, o governo salvou Marta graças à edição da Medida Provisória 237, embora ainda corra o risco de ser punida por sua má administração financeira quando Prefeita.
d) já que você criticou o político José Serra (inclusive com a afirmação absurda de que sua passagem pela Prefeitura foi mais desastrosa que a de Pitta), elenquei algumas realizações dele no Ministério da Saúde como provas de que sua fama de administrador competente não surgiu em vão. E quando você diz que isso "dá a impressão que foi a única coisa boa que ele fez", eu posso citar várias outras realizações, oras. Como deputado constituinte, por exemplo, foi o autor da lei que regulou o programa do Seguro Desemprego e criou o FAT, Fundo de Amparo ao Trabalhador. Também foi o responsável pela primeira Lei de Diretrizes Orçamentárias do país. Além disso, ainda foi o responsável pela emenda que garante valores mínimos orçamentários para a Saúde. No Ministério, posso citar outras iniciativas como a criação da vacinação gratuita da gripe para idosos ou os mutirões de prevenção à catarata. Na Prefeitura, eu já havia falado da criação das Viradas Culturais, a distribuição gratuita de remédios pelo programa Remédio em Casa (vale citar ainda a reativação da FURP), a integração do bilhete único com as linhas de trem e metrô, o fim das "martaxas", construção de novos hospitais e, principalmente, a recuperação financeira da Prefeitura (num trabalho semelhante ao que realizou como Secretário de Planejamento do governo Montoro, quando saneou estatais destroçadas pela administração Maluf), com medidas como a extinção de mais de 2.000 cargos "de confiança" criados por Marta.
e) sobre as rampas anti-mendigo, de fato Serra foi infeliz e nem a justificativa de que serviriam como um passo para o projeto de recuperação de áreas como a Cracolândia serve de paliativo. Mas, sobre essa acusação grave de a Prefeitura ter mandado moradores de rua para outros estados, eu gostaria realmente de saber qual a sua fonte para afirmar algo tão estarrecedor. Já ouvi notícias do tipo, mas envolvendo outras prefeituras. Quais os links que corroboram essa afirmação?
É óbvio que nem tudo são louros na administração Serra, assim como nem tudo foi catastrófico na gestão Marta. No campo da saúde, as coisas vão realmente mal. Se na administração petista a saúde foi um calcanhar de Aquiles a ponto de Duda Mendonça ter apelado, na campanha eleitoral de 2004, à suposta criação dos "CEUs Saúde" a fim de tentar recuperar os votos perdidos, Serra também ficou devendo nesse setor. Pois, se foi um excelente Ministro da Saúde, na Prefeitura os prontos-socorros municipais prosseguem em estado caótico. Se o tucano ficasse até o final do seu mandato, aí sim poderíamos ter melhores parâmetros de comparação (lembrando que Marta não fez nada em 3 anos, mas em compensação transformou São Paulo em um canteiro permanente de obras em seu último ano de mandato, quando surgiram, enfim, os CEUs, o bilhete único e os túneis da Rebouças e Cidade Jardim).
Sobre educação, reforço o que já havia escrito: nenhuma administração tucana, em nenhuma esfera, seja ela municipal, estadual ou federal, chega aos pés das realizações feitas pelo PT. Apesar do alento trazido por programas como "São Paulo é uma Escola", experiências como a realizada com os professores da USP Zona Leste e a implantação de bibliotecas em albergues, seria muito melhor para a cidade e o país se o PSDB se aliasse ao PT e ambos fizessem um intercâmbio de quadros, porque é nítido que são as duas legendas com membros mais capacitados para administrar este país. É uma pena que Lula não venceu em 1989. Naquele ano, a coligação suprapartidária liderada por Brizola e Mário Covas, e que deu suporte à sua campanha no segundo turno, poderia ter dado ao Brasil rumos bem mais promissores do que os trazidos pela medíocre política neoliberal de FHC, Pedro Malan, Antônio Palocci e Henrique Meirelles.
Desabafado por Daniel | 18 de outubro de 2006, 19:54
'ta tendo mais uma catastrofa eleitoral.
Costumam dizer, nos chamados país ricos, que tem que deixar as jovens democracias amadurecer. Mas vendo a crise atual da democracia nestes paises também, há boas razões de ficar pessimista pro nosso jovem Brasil...
Desabafado por um nortista | 17 de outubro de 2006, 03:30
Caro Inagaki, se te serve de consolo, boa parte da bancada evangélica envolvida nos escândalos foi ejetada do legislativo. O índice de renovação, nos legislativos estaduais e no federal foi bem alto, acima de 40%. Tateando, tenteando,a gente ainda chega lá.
Parabéns pelos alertas contra esse falso niilismo que joga todos os políticos no mesmo saco e só abre caminho para os collors e clodovis da vida.
Desabafado por S Leo | 16 de outubro de 2006, 18:24
A democracia é o único sistema que nos permite odiar a democracia. Até porque a política é feita por todos, até mesmo por quem não sabe disso. Mas que o elenco do legislativo dessa vez bateu no fundo, ah, isso é verdade.
Desabafado por Flavio Prada | 16 de outubro de 2006, 17:22
Não se sinta desestimulado a postar , a palavra ainda é uma arma boa , mesmo q muitos prefiram não ler ou melhor, não entender , mas como disseram aqui, há Malufs mas em contra partida ha Suplicys !
Mas devo concordar que nesse caso , Pensar enlouquece mesmo rss ... grande abraço
Desabafado por Valéria | 16 de outubro de 2006, 16:53
Depois o discurso é "Todo o político é ladrão"!
É foda.
Desabafado por Milton Ribeiro | 16 de outubro de 2006, 12:41
E pensar que Collor vai ocupar o lugar que era da Heloisa Helena...
Desabafado por Claudia Draper | 16 de outubro de 2006, 10:04
o q falta a nós é pensamento crítico e reflexivo.
o q adianta a massa 'pensante' do país saber de tudo isso, enqto quem decide o voto vai pela velha política do cabrexo ou se deixa levar pela imagem bonita da tv?
Desabafado por Thahy | 15 de outubro de 2006, 09:28
Dizem que a democracia não é o melhor regime de governo, mas que é o "menos pior". Eu discordo. A democracia, desde a democracia direta dos gregos, que era alimentada pela escravidão, até a nossa democracia atual, alimentada pelos escravos da sociedadede consumo, é o pior regime existente. É um regime ineficiente, lento, burocrático. É a dicotomia "liberdades individuais" x "eficiência do sistema". Eu abriria mão da minha liberdade de expressão por uma sociedade menos desigual. Até mesmo porque liberdades individuais não existem para aqueles excluídos do sistema.
Vixe, comentário polêmico este. Qual seria, então, a melhor alternativa à democracia?
Desabafado por Zefa | 15 de outubro de 2006, 02:44
Sempre fui contra o voto nulo ou branco (e mais contra ainda a esta aberração antidemocrática chamada "voto obrigatório"), mas este segundo turno para presidente não irá me deixar escolha, lamentavelmente; não consigo conceber a possibilidade de dar meu voto para Lula ou Alckmin.
Mr. Valletta, também sou defensor entusiasta do voto facultativo. E, sinceramente, não posso culpá-lo por cogitar abdicar de votar em um ou outro.
Desabafado por Marcelo V. | 14 de outubro de 2006, 21:49
Dos políticos citados, nenhum é pior que o Lula.
Desabafado por Jorge Nobre | 14 de outubro de 2006, 10:51
OLá... a primeira vez q venho aqui e adorei tudo.
Nossa q texto espetacular, amei, claro você tem toda razão sem sombra de dúvidas, e aqui no meu pobre Maranhão, q o q mais se vê pelas ruas são carros, e faixas onde têm escritos: "Sou Roseana indo e voltando". A cada frase dessa q vejo me revolto. Onde o senador q se elegeu foi um "velhinho", q já está envolvido na política do Maranhão há mais de 30 anos, que já participou de vários escândalos aqui também, q coitado ele q me desculpe mas acho que não vai conseguir chegar até o final de seu mandato não.
Mas sei que o nosso Brasil tem jeito! Ainda tenho esperanças!
Fique com Deus!!
Até mais!
;)
Desabafado por Malu Godinho | 13 de outubro de 2006, 23:11
Ina querido, é muito triste mesmo, mas deixe a tristeza de lado e veja o link. Cê vai ficar bem alegrinho! :) E tô te esperando lá no concurso do Bananão. Só faltam 6 dias! :)) Beijos.
http://revistaum.uol.com.br/edicoes/24/sumario.asp
Querida Helô, obrigado pela dica do link com fotos da minha musa Luciana Vendramini! :D
Desabafado por Helô | 13 de outubro de 2006, 21:19
Ina, eu estou em estado de exceção, vc é muito novo e não se lembra dessa expressão, meu querido Amigo.
Mas venho dizer obrigada por tudo o que faz por todos, obrigada pela sua eterna e sempiterna (hoje eu tô fofa, hein?) polidez e educação
E para dizer que só leio coisas assim, quando vc escreeve.
È toda a diferença.
Muitos beijos, querido
Meguita
Desabafado por Meg (sub Rosa) | 13 de outubro de 2006, 15:46
E falar que cada país tem o governo que merece é dar um tapa na cara dos brasileiros, Ina.
:)
Desabafado por eu, eu mesma a Rê | 13 de outubro de 2006, 12:42
Oi Ina, é realmente de chorar. MAs eu acho que o amadurecimento político do país tem ainda que ter muito chão para que chegue a algum lugar. Se serve de consolo, as últimas eleições na França tiveram como "finalistas" o direitista reacionário Le Pen e o Chirac, o Jospin perdeu até o rebolado sem saber o que dizer ao eleitorado. Nas próximas, apesar dos candidatos de alguns partidos indefinidos, o Le Pen volta pra corrida e me dá até angústia de pensar no que o eleitorado francês fará dessa vez. Muitas vezes o eleitor age emocionalmente, como se o seu recado de insatisfação tenha que ser colocado na urna. No nosso caso, isso se traduz em Clodovil... Ainda assim, mesmo sentindo certa indignação, prefiro pensar que nosso país tem muito a aprender, muita grama pra comer, e apesar de um tia ter eleito Collor pra presidente, hoje ao menos temos gente que é séria como opção. Então, vamos indo, o negócio é andar pra frente.
Desabafado por Margot Abirato | 12 de outubro de 2006, 06:24
O Cláudio conseguiu sintetizar mesmo tudo, o processo democrático também é composto por pessoas que acreditam-se representadas por políticos sem caráter.
E o que mais percebo nas eleições estaduais é que a maioria vota por alguma razão específica, fulano vai regularizar meu lote, fulano vai me dar emprego, fulano vai me dar algum favor. Essas trocas individualistas refletem também as relações presentes na sociedade, onde tudo é feito na base da troca, do dever favores. É uma pena que o público e o bem comum tenham perdido o seu sentido de coletividade.
Boa sorte com a inspiração para atualizar o blog, a discussão é sempre válida.
Desabafado por Bia | 11 de outubro de 2006, 10:15
Viu isso aqui?
http://www.youtube.com/watch?v=QhSeR-amXlQ&eurl=
Bela dica, Fabiane. O discurso do Jefferson Peres é um soco no estômago do Brasil.
Desabafado por Fabiane | 10 de outubro de 2006, 20:58
Cheguei à conclusão que é muita pretensão julgar saber o que "o eleitorado" pensa, do que "o eleitorado" precisa. Não sabemos de nada, amigos. E não obstante, felizmente, nunca desistimos de tentar entender mais um bocadinho.
Desabafado por anna v. | 10 de outubro de 2006, 19:11
poxa... saudade...
Ah, Lucila, eu sumo só para valorizar os meus retornos... ;)
Desabafado por lucila | 10 de outubro de 2006, 16:18
Ai, Alexandre, a tendência parece ser sempre piorar! Droga!
Um beijo!
Desabafado por lou. | 10 de outubro de 2006, 16:06
Gostaria de enfatizar as alianças espúrias que estão sendo feitas para o segundo turno, sem um pingo de coerência. Aqui no Rio, por exemplo, o Alckmin quase pôs tudo a perder ao posar para fotos junto com a família Garotinho, o que fez com que Cesar Maia saísse de sua campanha e a Denise Frossard chegasse a declarar que iria anular seu voto (depois mudou de idéia, mas o estrago já estava feito).
Do jeito que as coisas estão indo, não demora muito e o Lula vai dividir palanque com Newtão, Collor, Cabral, a família Sarney e metade do PMDB (e, se bobear, até com o Clodovil). Só acho uma pena que o Garotinho tenha resolvido apoiar o Alckmin. Como seria hilariante ver um palanque como esse desabando, com todo o mundo em cima... :-D
Desabafado por Daniel F. Silva | 10 de outubro de 2006, 13:05
é foda.
aqui no Rio elegeram para estadual o tal do Anabal, ex-prefeito de Seropédica, de índole, no mínimo, duvidosa.
Desabafado por JW | 10 de outubro de 2006, 12:41
É Ina. Eu fiquei decepcionadíssima com o resultado das eleições. Parece que o povo não aprende, não melhora, não se interessa. Reclamar é muito fácil, sim... Agora todo mundo tem preguiça de pesquisar sobre o candidato. As pessoas não levam a política a sério e não levam o Brasil a sério. Elas não votam baseadas em propostas ou no desempenho (bom ou não) dos candidatos que já ocuparam certos cargos... Não. Elas votam baseadas no preconceito que está enraizado. E aí é aquela velha briga de classes... Me falaram ontem: "um peão não pode ser presidente, mas um médico sim"... Oras, oras... naõ estou entrando aqui no mérito de o Lula ser melhor ou o Alckimin ser mais competente... O que me chateou foi a falta de critérios para escolher um candidato... puro preconceito... E o cara não leu as propostas de nenhum candidato. Não assistiu aos debates, não se interessou em dar uma olhadinha nos currículos dos candidatos.
Eu não sei onde o Brasil vai parar. E a culpa é nossa.
Diga-se de passagem, é terrível assistir aos programas eleitorais e ver um e outro competindo para ver que partido foi menos ético. Foi uma campanha medíocre a dos dois principais postulantes à Presidência.
Desabafado por Cris | 10 de outubro de 2006, 11:37
Belo desabafo.
Só queria lembrar também de um outro célebre personagem da era mensalão:o deputado José "dólar na cueca" Guimarães, que foi reeleito aqui no Ceará.Francamente, é muita ignorância que as pessoas tenham esquecido aquele episódio e reeleito este homem!
Desabafado por Felipe | 10 de outubro de 2006, 10:29
olá inagaki. post certeiro. votar e gente tosca para protestar é como cuspir para cima. não dá para entender os porquês de quem vota assim. cara, valeu mesmo pelo link nos blogs da semana. =)
Desabafado por jp | 9 de outubro de 2006, 22:22
Olá, Alexandre. Ótimo texto. Enquanto lia, fui lembrando de mais alguns salafrários que não foram citados: Arruda (aquele do painel de votação), que governará a capital do país; e Roriz, nosso ilustríssimo ex-governador, que vai para o Senado, porque se ele passar um só dia sem mandato de alguma coisa, vai pra cadeia. Que nem o Luiz Estêvão. Quer dizer, deixa pra lá...
Desabafado por Luis T Ladeira | 9 de outubro de 2006, 19:51
O segredo de uma boa macarronada não está só no tempero. Existe toda uma preparação para o prato.
E isso não existe no governo atual. Gente preparada e qualificada. Então dá no que dá. E o povo (que sempre vai na onda) pede bis...
Abraços
Desabafado por Neto | 9 de outubro de 2006, 16:54
Agora que virei um blogueiro fajuto eu escrevi sobre isso, embora não de modo tão brilhante como vc...
http://quintessencia.wordpress.com/2006/10/02/plantar-ventos-para-colher-tempestades/
Mas calma. Minha teoria é que daqui a exatos 160 anos o Brasil será uma república democrática excelente!
T§
Desabafado por Vozes na mente do Társis o obrigaram a dizer: | 9 de outubro de 2006, 16:42
Inagaki:
Acho que um bom exemplo de mudança se deu no Espírito Santo.
Aqui, tivemos alguns governos que foram lastimáveis e, junto com eles, legisladores que eram, para usar um termo brando, larápios.
Na eleição de 2002, elegemos um novo governador, comprometido com a ética e com o acerto do Estado. Mas mantivemos - não eu, mas os eleitores capixabas - vários dos deputados pilantras no cargo.
Agora, nesta eleição, as coisas mudaram. E acho que a maior responsabilidade pela mudança foi de um Governo sério, ético e que passou a tratar o Estado - a coisa pública - de outro modo. O resultado foi que, agora, os pilantras caíram fora, em sua maioria, já que um deles acabou se elegendo pelas beiradas.
O eleitor mostrou que entendeu a ação ética, já que ela deu resultado, o Estado se recuperou, passou a investir, a melhorar e a oferecer serviços aos cidadãos.
Existe muito ainda por fazer, é verdade. Mas já andamos um bom trecho. E parte dessa caminhada foi tirar os pilantras de seus postos, colocando gente decente, honesta e comprometida com a ética.
Por tudo isso, não sou pessimista como você. Acho que há, sim, muito que corrigir. Mas que o eleitor entende a necessidade da mudança. E isso pode ser provado pela renovação da Câmara.
O aperfeiçoamento é sempre possível e só vamos conseguir isso se nos engajarmos para influir nessa renovação.
Caro Lino, embora o texto soe pessimista devido ao meu desencanto com os resultados destas eleições, ainda acredito que este país tem jeito e que um dia os eleitores desta nação se conscientizarão da importância de seus votos. Independentemente de minhas preferências ideológicas, fiquei satisfeito em ver nomes como José Serra, Paulo Hartung e Marcelo Déda eleitos. Um abraço!
Desabafado por Lino Resende | 9 de outubro de 2006, 15:57
Não comentei seu post sobre o Voto Nulo, mas agora, depois da apuração posso fazer a seguinte pergunta:
Qual o voto mais consciente ? Voto nulo ou nesses 'candidatos'(Maluf, Clodovil, e cia).
Votar em Clodovil é uma atitude tão nula quanto votar em Cacareco, Macaco Tião ou Enéas. Não vejo diferenciação nenhuma nesse tipo de protesto tão eficiente quanto usar band-aid pra tratar de ferimento a bala.
Desabafado por Helvécio Guimarães | 8 de outubro de 2006, 23:50
Nessa eleição fiz duas coisas inéditas na minha história: votei e fui mesaria. Sim, vote. Apesar de ter 22 anos, nunca havia votado antes, e nunca me senti inclinada a isso. Acredito que perguntar porque é chover no molhado: não há uma educação para a democracia, e tudo que ficamos sabendo é que politicos roubam... com sorte fazem algo.
Não votava por não me sentir madura para tanto. Até que lembrei que a maturidade não vem do céu: vem das coisas que fazemos.
Lendo seus posts anteriores (li na faz tempo, mas não havia comentado ainda) lembro dos sites com nomes de politicos corruptos e pensei: mas eu não quero votar em uma cara que seja apenas honesto. Ser honesto é condição "sine qua non" mas não é só isso que espero de um politico. Espero propostas consistentes. Espero, no minimo, bom senso.
Contudo, como saber disso? Eu só vejo propagandas politicas vazias. Completamente vazias. Irritantes, sem duvida.
E os politicos acreditam que somos palhaços, só pode. Como mesaria vi nomes asurdos. O pior de todos: Tilápia Dandi. (Sim, como no paraná não tem crocodilo a tilapia virou o alvo).
Em Londrina algumas pessoas foram votar com nariz de palhaço. É a festa da democracia.
Estou ficando prolixa e sem sentido.
Parabéns pelos ótimos textos Ina.
Um abraço
Marcela
Desabafado por _Maga | 8 de outubro de 2006, 17:36
A cada dia que passa é mais complicado pensarmos pragmaticamente quando trata-se de política no Brasil. É triste e vergonhoso ler a entrevista de um dos deputados eleitos, em que diz que está preocupado com os móveis de seu gabinete.
A impressão que tenho é que a maioria dos eleitores não sabe a importância e força do Legislativo quando votam em figuras como esta.
Desabafado por Lexotânica | 8 de outubro de 2006, 14:33
Pois é, Ina. Dá raiva do Lula, claro.. Mas já pensou o Chalita de Ministro da Educação? E o Saulo de Ministro da Justiça?
O PSDB tem quadros melhores. Deveria ter apostado em qualidade, não somente no pragmatismo eleitoral.
Ecco, é vero. Imaginar Chalita comandando as diretrizes da Educação no Brasil é um pesadelo que não desejo a ninguém. O PSDB possuía quadros bem mais qualificados para estas eleições.
Desabafado por Gravatai Merengue | 8 de outubro de 2006, 13:59
Talvez seja mais correto afirmar que cada governo fabrica o povo que acha merecer.
Desabafado por Dom | 8 de outubro de 2006, 09:45
O único voto que não anulei foi para deputado federal. Votei na Soninha.
Inagaki, acho que o voto de protesto no Enéas foi qdo ele conseguiu mais de 1 milhão de votos. Agora, ele recebeu votos pra valer mesmo pq prestou contas pra população dizendo pq estava sem barba e tal. Enfim, um homem honrado que presta conta do seu mandato para o eleitorado. (óbvio q estou sendo irônico).
Não acho que o pessoal vota no Cãozinho dos teclados ou no Clodovil para protestar, mas sim por puro desinteresse e falta de informação. Qdo chega na hora de registrar o voto ele vai naquele que chega mais rápido na memória.
Curioso, nem dois escandâlos nos livraram do Pedro Henry! O cara tá envolvido no mensalão e no esquema dos sanguessugas.
Abs.
Desabafado por Tércio | 8 de outubro de 2006, 03:11
Pequena encheção de saco: discordo que a Carta Maior seja pró-PT. O site declarou apoio a Lula no segundo turno, mas foi um dos maiores críticos ao governo nesses 4 anos. A diferença é que era uma crítica fundamentada, ao contrário da crítica rasa e muitas vezes mentirosa dos veículos que você citou.
Os artigos de Emir Sader e Flávio Aguiar são tão tendenciosos e parciais quanto os textos de Diogo Mainardi e Marcio Aith. Posso, contudo, citar um veículo que, embora seja declaradamente pró-Lula (atitude mais digna do que a de certas publicações que deveriam assumir explicitamente suas preferências políticas), publica textos realmente bem fundamentados: Carta Capital. E dois jornalistas que merecem todo o meu respeito: Luis Nassif e Roberto Pompeu de Toledo.
Desabafado por Daniel | 7 de outubro de 2006, 21:07
Olá,
Acho bacana encontrar uma visão mais generosa do governo Lula aqui, onde já vi tantas críticas, muitas vezes exageradas.
Não sei se o PSDB teria algum candidato decente a apresentar. José Serra, infelizmente eleito governador, foi um péssimo prefeito, e jogou por terra a pretensa reputação de administrador competente e político independente, arrojado e dinâmico. A saúde, área que se dizia que Serra era competente, foi um fiasco. A educação, que se fez tanta propaganda, foi um enorme retrocesso em relação à administração anterior. O transporte, que na administração da Marta teve progressos que se esperavam a décadas na cidade, parou. As medidas tomadas apenas beneficiavam as empresas de transporte, e o bilhete unico perdeu seu caráter inclusivo e universal. Sem contar os lances francamente patéticos, como a perseguição aos mendigos.
Se o Lula foi, como insistem por aí, uma fraude eleitoral (o que eu questiono), então não há palavras para descrever o que foi o ano e meio (menos, até) de administração do Serra. O Pitta pelo menos precisou de quatro anos para ser ruim. Serra conseguiu ser pior em bem menos tempo.
Daniel, não é questão de ter uma "visão generosa". Eu apenas procuro analisar os prós e contras de um e outro político abstraindo as nocivas distorções que surgem do espírito de "torcida de futebol" que volta e meia envenenam certas avaliações. Por exemplo: você com suas críticas à gestão de José Serra na Prefeitura. Depois da catastrófica administração de Marta Suplicy, que deixou a cidade com uma dívida de quase R$ 2 bilhões (sendo que o próprio Ministro da Fazenda, na época Antônio Palocci, informou ao Senado que Marta havia violado a Lei de Responsabilidade Fiscal), considero até um milagre que Serra tenha conseguido recuperar as finanças de São Paulo em tão pouco tempo.
E não dá para levar a sério críticas tão genéricas, Daniel. Você afirma, por exemplo, que Serra foi um "fiasco" na saúde. Quais são seus dados para afirmar isso? Eu, por exemplo, conheço pessoas que são beneficiadas pelo programa Remédio em Casa, que distribui medicamentos para doenças como diabetes e hipertensão, e outros que pegam remédios a preços de custo em unidades do Dose Certa. Sei que as obras dos Hospitais Cidade Tiradentes e M'Boi Mirim estão em pleno andamento (lembrando que a gestão Marta não construiu um hospital sequer). Tenho um grande amigo que é grato até hoje ao Serra por este ter encampado a quebra de patentes de medicamentos contra a Aids quando foi Ministro da Saúde. Eu mesmo posso constatar os benefícios quando vou a uma farmácia, compro os remédios que minha mãe precisa tomar mensalmente e economizo no mínimo 50 reais porque compro alguns medicamentos genéricos. Por fim, vale a pena destacar que o presidente da CPI dos Sanguessugas, o petista Antonio Carlos Biscaia, afirmou que não há nada que incrimine Serra no tal dossiê dos "aloprados".
Sobre educação, reconheço que as gestões tucanas são péssimas nessa área, e este é o motivo principal de minha intenção de voto em Lula neste segundo turno. Ainda assim, devo lembrar que as "escolas de lata", implantadas na gestão Pitta e continuadas no mandato da Marta, foram extintas. E, ao contrário do que fariam muitos governantes, Serra não descontinuou as obras boas de seus antecessores. Vide o caso dos Centros Educacionais Unificados: a Prefeitura está construindo cinco novos CEUs.
Quanto à área de transportes, só uma visão francamente parcial pode explicar suas colocações. Você afirma, por exemplo, que "o bilhete unico perdeu seu caráter inclusivo e universal". Como, se na gestão de José Serra foi cumprida a promessa de integração das linhas de metrô e trem ao Bilhete Único, amplificando seu alcance? Posso lembrar ainda do estado cataclísmico das ruas de São Paulo durante a gestão Marta, repletas de buracos em todos os bairros. Até um notório crítico do PSDB, o deputado estadual Enio Tatto, foi capaz de reconhecer os méritos da administração Serra, ao afirmar: "Não dá para esconder que o Serra puxou a votação do Alckmin, especialmente com o programa de recapeamento de ruas na periferia".
De resto, não tenho como não louvar o fato de José Serra ter extinto as malfadadas "Martaxas" de lixo e da iluminação pública, assim como por iniciativas como a criação das Viradas Culturais e a revitalização da Galeria Olido. De quebra, São Paulo livrou-se de eleger como Governador Aloizio Mercadante, que empregava como seu assessor parlamentar no Senado alguém como Hamilton Lacerda, que levou R$ 1,7 milhão para adquirir aquele infame dossiê.
Desabafado por Daniel | 7 de outubro de 2006, 21:03
Ao ler seu post sobre voto nulo, discordei, principalmente pensando na eleição presidencial. Já falei sobre isso em comentário a um post de outro blog (www.simplesassim.org), mas não é o caso agora. Gostaria de manifestar minha opinião quanto à eleição de deputados. Discordo de sua posição contra o voto nulo principlamente porque, votando em um determinado de canditado, de um determinado partido, posso acabar elegendo outro cara, desse mesmo partido, que não tem nada a ver com aquele em quem votei. Eu nunca vi maior falta de ideologia e identidade partidária do que nesse país. Pessoas do mesmo partido apoiando candidatos diferentes, pessoas subindo em dois palanques ao mesmo tempo etc...dá pra levar a sério? Como escolher desse jeito? Pra mim fica difícil...por isso votar nulo está mais de acordo com a minha consciência.
Desabafado por Renata | 7 de outubro de 2006, 20:47
O povo é composto também por gente que se faz representar por ladrões, corruptos e desonestos, gente que se sente tranqüila em sua própria desonestidade cotidiana quando olha o planalto e pode dizer "eles sim são desonestos!"
Essa gente vota. Essa gente tão inocente quanto seus eleitos.
E, no povo, há ainda aqueles que repetem o que quase todos dizem "político nenhum presta" e levam muito a sério, votando em quem assume sua ignorância do que venha a ser um posicionamento político, o que é responsabilidade ou função do mandato, e vai de cara-de-pau disputar um emprego.
Sim, essa gente vota.
O povo pensa e fala muita bobagem, e vai formando mentes tão irresponsáveis quanto os comentários imbecis de "nenhum político presta" e "todo político é ladrão", e não nos esqueçamos também da famosa "esse povo não sabe votar".
Sim, pode nem saber, mas vota igual a qualquer um.
Sejamos responsáveis e deixemos de torcer - torcidas são manifestações estúpidas de quem fica na platéia sem tomar parte do espetáculo. Não torçamos, influenciemos e apoiemos aquilo em que acreditamos.
O mais triste é saber que uma maioria sabe o que não quer mas nunca pára para pensar no que quereria se, de fato, quisesse alguma coisa.
Abraços, senhor!
Bom segundo turno para todos nós.
Cláudio, seus comentários dispensam réplicas. Me atenho, pois, a agradecer pelas suas participações enriquecedoras em meu blog. Um abraço!
Desabafado por Cláudio Rúbio | 7 de outubro de 2006, 20:34
Inagaki, embora ainda tenhamos que conviver com Sarney, Maluf, Collor, Bolsonaro, Dornelles e, a partir de agora, ver no noticiário os pronunciamentos de Clodovil e Frank Aguiar, fiquemos também com o lado bom, representado por pessoas como Fernando Gabeira e Eduardo Suplicy. Bem ou mal, também estamos livres, mesmo que por algum tempo, de figuras como Arthur Virgílio e Eurico Miranda. Nunca haverá uma ruptura no processo político-eleitoral brasileiro. A mudança é sempre gradual e lenta. O sistema é corroído em tudo: não se muda facilmente a cabeça de alguém que sempre votou em um candidato de caráter duvidoso.
Eu tô contigo: sou contra o voto nulo (mas tá foda aqui escolher quem será o governador do Rio) e é leviano generalizar os políticos que temos. Devemos, sim, participar, ficar de olho e, sempre que possível, disseminar o que entendemos ser melhor pro avanço de nossa democracia. Ética e informação, palavras-chave. Aos poucos, a gente consegue. É trabalho de formiguinha, mesmo. Pros nossos filhos, pelo menos. Quiçá, netos.
Raphael, ainda bem que você ainda consegue manter um certo otimismo sobre o assunto. Eu tento, mas os fatos ainda insistem em me contrariar. :) Em tempo: o Arthur Virgílio ainda terá quatro anos de mandato como senador pelo estado do Amazonas.
Desabafado por Raphael Perret | 7 de outubro de 2006, 18:33
é, mermão, depois de ver o resultado das eleições, depois de ver a merda que meus compatriotas fizeram passei a procurar desesperadamente a embaixada do Líbano... vou pedir asilo político por lá.
sorte e saúde pra todos- menos pra quem fez da urna um penico!
Desabafado por Ane BRasil | 7 de outubro de 2006, 13:42
vc leu o texto q escrevi nessa semana?
acho que eu tbm fiquei um tanto quanto chateado com esses resultados... :-S
triste, triste...
Acabei de ler seu post após ver o seu comentário, Muta. E, sim, compartilhamos da mesma decepção.
Desabafado por Muta | 7 de outubro de 2006, 12:34
ina, você é um fofo e seu post me deixou feliz. obrigada :)
adorei tanto que linkei, tá? obrigada pela dica do gravatai (que eu ouvi muito falar mas nunca tinha lido. agora tou fã :D)
beijão!
Sempre bom receber a sua visita, Zel. :) Sou contumaz crítico de Lula, seu bando de aloprados e suas duvidosas companhias, mas não posso deixar de reconhecer os avanços de seu governo em áreas como a educação (destaco em especial o Pro-Uni) e a distribuição de renda (embora eu creia que apenas o Bolsa-Família não será suficiente sem que haja o necessário crescimento do PIB acompanhado pelo aumento da geração de empregos). Sinceramente? Não dá pra engolir o trio Alckmin, Saulo e Chalita. Ainda se fosse outro o candidato do PSDB, vá lá. Mas esse trio é de dar calafrios a qualquer cidadão esclarecido. A minha esperança é de que Lula FINALMENTE aprenda a lição e se desvencilhe de vez daquela turma oriunda da ala do Campo Majoritário. Um beijo!
Desabafado por zel | 7 de outubro de 2006, 12:22
voltando ao assunto do fato e do direito, todos tivemos espectativas a respeito de uma boa votação do povo. Nos surpreendemos com a votação: que estatuto conferir a ela? Admitiremos que o povo não é sábio em suas decisões (ou seja, que não somos todos capazes de votar)? Diremos que é culpa da mídia, que dirige seus holofotes ao escândalo, e se retira da responsabilidade do rigor da apuração de TODOS os acontecimentos?
Difícil - e indigesto - dizer!
Creio que há uma superestimação do tal "quarto poder", Catatau. Se a Globo fosse atualmente tão influente quanto na época da malfadada edição do debate entre Lula e Collor, Rosinha Garotinho jamais teria sido eleita governadora do Rio. E, enquanto Veja e O Estado de S. Paulo fazem campanha sistemática contra Lula, há veículos como a Isto É e a Agência Carta Maior que não disfarçam sua parcialidade pró-PT. Se o povo é sábio? Difícil associar a palavra "sabedoria" a um eleitorado que já foi capaz de eleger Collor presidente, Jânio e Pitta prefeitos, Garotinho, Fleury e Cassol governadores. A única certeza que tenho é de que muito pior estaríamos se não vivêssemos em uma democracia.
Desabafado por catatau | 7 de outubro de 2006, 11:53
Olá Iganaki. Parabenizo você pelo blog, que sempre apresenta textos interessantes e pertinentes. Só gostaria de comentar uma coisa: a eleição de deputados e senadores de procedência duvidosa só faz com que seja necessário investir cada vez mais em educação no Brasil. Não só a educação escolar, que é fundamental, mas também a educação visando incutir o espírito crítico e bons valores para jovens e crianças. Acho que é uma causa difícil, mas interessante, e que vai refletir positivamente no futuro do país. Pois só assim também podemos esperar um governo e um Congresso menos sujo e imundo.
Desabafado por Bruno | 7 de outubro de 2006, 10:48
Ina, como eu gostaria de ter direito a uma réplica quando leio textos como esse. Gostaria de dizer que não é bem por aí, coisa e tal, mas o pior é que você está coberto de razão.
Um país que elege gente desse gabarito é o que pode haver de mais terrível. Pelo menos, dessa vez, o Rio teve alguma dignidade e não elegeu nenhum dos canalhas. Em compensação o Sérgio Cabral, que eu não gosto, para conseguir apoio do Crivella abriu mão de lutar pelo direito dos homossexuais se casarem. Paulo Betti está certo: não se faz política sem botar as mãos na merda. Beijocas
Desabafado por Yvonne | 7 de outubro de 2006, 09:14
Olha, eu sei que o desânimo nessas eleições era geral e grande. Mas realmente não dá pra entender reeleger Maluf, Collor e Sarney. E o que dizer da estrondosa votação em Clodovil, então? Definitivamente, análise política, no Brasil, não é assunto para amadores. Talvez não o seja igualmente para profissionais.
Desabafado por Viva | 7 de outubro de 2006, 01:29
é, alexandre, não está fácil. Gravataí 100% certo. tb estou com ele. e sabemos q o chuchu nem da banda dos tucanos históricos é. ele é perigoso. faço idéia de como seria um governo com este sujeito. não confio nada, nada. periga um retrocesso ao totalitarismo seventies. tesconjuro.
beijão de saudades
Desabafado por maira parula | 7 de outubro de 2006, 00:54
Ina! Obrigada pela citação nos blogs da semana, mas se eu puder pedir, corrige o nome: não é Mme.Bean, é Mme. Mean. :) Nada a ver com aquele senhor inglês, portanto... Um beijo.
Ops! É isso que dá atualizar blog com déficit acumulado de horas de sono. Correção devidamente feita, Ticcia. ;)
Desabafado por Ticcia | 6 de outubro de 2006, 23:53
é, meu caro, há um grande abismo no Brasil entre o que é DE FATO e DE DIREITO.
A começar pela própria cidadania do cidadão...
Desabafado por catatau | 6 de outubro de 2006, 21:31
Bem, pelo menos não tenho muito do que reclamar... No estado do Rio, nenhum dos sanguessugas foi reeleito, a eleição estadual foi pro segundo turno e o Legislativo se renovou de forma satisfatória (salvo raras, e perfeitamente dispensáveis, exceções).
Desabafado por Daniel F. Silva | 6 de outubro de 2006, 20:53
Na Italia se diz: "chove? governo ladrao!"
A bem da verdade é que cada governo tambem tem o povo que merece.
Desabafado por Allan | 6 de outubro de 2006, 19:57
Eu entrei aqui pra reclamar sua presença, mestre!
Pois é triste mesmo, né? Mas um dia a gente aprende. Eu continuo acreditando que um dia o povo vai perceber o que é democracia, e quão sério é o ato de votar!
Bjos, até!
Desabafado por Carla | 6 de outubro de 2006, 19:47
O Paulo Delgado está coberto de razão, até na eleição de senador, aqui no Pará, só se falava em "trazer verbas para o Estado", nada mais do que isso. Debate de idéias zero.
Desabafado por Marcus | 6 de outubro de 2006, 19:07