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80 clipes brasileiros dos anos 80 (parte 1 de 8)

Ritchie - A Mulher Invisível - Depois de ter vendido mais de 1 milhão de cópias de Vôo de Coração (1983), seu álbum de estréia, o inglês radicado no Brasil Richard Court partiu para a gravação do segundo disco cercado de grandes expectativas. E foi assim que, em 1984, a gravadora CBS lançou ... E a Vida Continua, com direito a um generoso orçamento para a filmagem do videoclipe da música de trabalho, "A Mulher Invisível". Em entrevista concedida a Ricardo Alexandre para o livro Dias de Luta, Ritchie narra a saga deste clipe: "Gastamos uma fortuna para rodar em 35 milímetros, com uma equipe enorme, cenários, diretor de arte, extras. Ao todo, gastamos US$ 42 mil. Tudo para o Fantástico falar: 'Não segue o padrão Globo, não vamos passar'". Em tempos pré-MTV e pré-YouTube, um cantor não ter seu videoclipe exibido no Fantástico era sinônimo de desastre. De fato, seu segundo álbum não obteve nem um quinto das vendagens do primeiro, e o LP seguinte, Circular (1985), seria o último de Ritchie com a gravadora CBS.

Xuxa - Tindolelê - Depois do megahit "Ilariê", carro-chefe do álbum Xou da Xuxa 3 (que vendeu 3,3 milhões de cópias em 1988), Maria da Graça Meneghel recorreu a outra composição de Cid Guerreiro a fim de tentar repetir a fórmula do sucesso. E foi assim que, em 1989, as rádios e TVs foram invadidas por "Tindolelê". Cid sequer escondeu a origem da inspiração para criar o novo sucesso da apresentadora infantil: "Ilariê eu inventei. Tindolelê eu inventei pra rimar com Ilariê". Para a (in)felicidade dos baixinhos que viveram aquela época, Guerreiro lavou os cérebros de milhões com versos deste quilate: "Eu quero ver/ Tindolelê/ Nheco nheco, chique chique/ Balancê". Vale a pena conferir também o vídeo de Xuxa cantando "Tindolelê" em inglês ("Ilariê" também ganhou versão para os little kids). Em tempo: se você sofre com vergonha alheia, recomendo que você não assista a esta apresentação de "Brincar de Índio"...

Raul Seixas - Cowboy Fora da Lei - Gravado no disco Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béim-Bum! (1987), "Cowboy Fora da Lei" é a segunda versão de uma música originalmente intitulada "Anarkilópolis", composta em 1984 e lançada postumamente em uma coletânea homônima de 2003. O videoclipe conta com a participação de Wilson Grey, o ator coadjuvante mais famoso da história do cinema brasileiro (consta que ele participou de mais de 250 filmes). Bonus tracks: a participação de Raulzito no Clube do Bolinha e uma reunião dos clipes que Raul fez para o Fantástico nos anos 70 (incluindo "Gita", de 1974, primeiro musical gravado em cores para a Rede Globo).

Paralamas do Sucesso - Meu Erro - Embora já existisse um clipe oficial da música, Herbert, Bi e Barone gravaram outro vídeo especialmente para a Globo. Era uma prática comum na época, uma vez que o Fantástico recusava-se a exibir videoclipes que não estivessem enquadrados no "padrão Globo de qualidade". Sendo assim, os diretores Carlos Magalhães e Jodele Larcher filmaram outro clipe para este que foi o segundo sucesso do álbum O Passo do Lui (1984). Dirceu Rabelo, locutor global, faz a seguinte introdução para o vídeo: "Brigas de amor num cenário de muita ação. Uma pista de motocross é a história de "Meu Erro", com os Paralamas do Sucesso. Participação especial de Cláudia Magno".

Barão Vermelho - Bete Balanço - Descrito pelo indefectível texto de apresentação de Dirceu Rabelo como "um conjunto que ganha cada vez mais prestígio e popularidade em todo o Brasil", o Barão filmou para "Bete Balanço" mais um vídeo com participação de Cláudia Magno. A música, tema do filme homônimo de Lael Rodrigues assistido por mais de 300 mil espectadores em 1984, foi lançada no álbum Maior Abandonado. Cláudia, que participou de novelas como Final Feliz e O Dono do Mundo, morreu em 1994, aos 34 anos de idade, devido a complicações respiratórias oriundas do HIV. Dez anos antes ela havia perdido o namorado, vítima do mesmo vírus.

Barão Vermelho - Maior Abandonado - Eis mais uma típica produção para o Fantástico. Desta vez a atriz convidada é Júlia Lemmertz, que contracena com Frejat (como a mulher que dá um pé na bunda nele) e Cazuza (sofre assédio dele em um bar). No fim do vídeo, aparece vestida de noiva (esses roteiros de clipes dos anos 80 são uma maravilha).

Barão Vermelho - Eu Queria Ter uma Bomba - Este é o derradeiro trabalho de Cazuza com o Barão Vermelho. "Eu Queria Ter uma Bomba" sequer integra algum álbum de carreira do Barão: foi lançada unicamente em compacto e na trilha sonora nacional da novela A Gata Comeu (1985). Sobre o roteiro do vídeo, que segue o mesmo, hmm, padrão de qualidade dos clipes anteriores do Barão, merece um especial destaque a sugestão que Frejat dá para o garçom: pendurar batatas fritas em um... varal.

Titãs - Insensível - Depois do tremendo sucesso de "Sonífera Ilha" em 1984, os Titãs resolveram gravar um disco no qual cada faixa fosse radicalmente diferente da anterior. Fecharam o conceito batizando esse álbum de Televisão (1985) e concebendo cada música como um canal a ser zapeado pelo controle remoto do ouvinte. A música de trabalho do disco, produzido por Lulu Santos, foi "Insensível". Uma faixa claramente pop, que fez com que a crítica da época comparasse a banda paulistana com outra pertencente ao casting da WEA, mesma gravadora dos Titãs: Kid Abelha & os Abóboras Selvagens. A comparação, claramente equivocada, cairia de vez por terra com o lançamento, no ano seguinte, de Cabeça Dinossauro. Mas esta é outra história...


RPM - Louras Geladas - O sucesso foi meteórico. Bastaram alguns meses tocando no circuito das danceterias de Rio e São Paulo (formado por casas como Radar Tantã, Mamute, Dama Xoc, Aeroanta e Mamão com Açúcar) para que a gravadora CBS oferecesse um contrato ao grupo formado por Paulo Ricardo, Luiz Schiavon, Fernando Deluqui e Paulo Pagni. O primeiro fruto da associação entre RPM e a gravadora foi o single "Louras Geladas", promovido por um compacto com remixes distribuído a rádios e DJs, e por um clipe cuja locação principal, como não poderia deixar de ser, era uma danceteria. O vídeo conta com a participação de Eliana Fonseca, atriz que anos depois passaria para o outro lado das câmeras, dirigindo longas-metragens voltados para o público infantil como "Ilha Rá-Tim-Bum - O Martelo de Vulcano" e "Eliana em O Segredo dos Golfinhos".

Afrodite se Quiser - O Que Que Ela Tem Que Eu Não Tenho? - Grafite, Cinema a Dois, Degradée, Nico Rezende, O Espírito da Coisa, Egotrip, Os Eletrodomésticos, Brylho, Neusinha Brizola, Obina Shok, Telex. Os anos 80 foram pródigos em produzir one-hit wonders, e o grupo Afrodite Se Quiser, que surgiu em 1987, é um deles. Trio formado exclusivamente por mulheres (Emilinha, compositora do único hit da banda, Karla Sabah, que posaria para a Playboy em outubro de 1989, e Patrícia Maranhão), suas músicas possuíam conteúdo razoavelmente feminista (uma de suas canções diz: "Seu desejo pra mim é só um/ Mas eu não sou só peito e bumbum/ Eu quero alguém que goste de mim/ E não só do recheio do meu jeans").

Comentários

Vivi os anos oitenta. Foi muito bom. O revival está legal.

viva os anos 80 muito bom os clipes

Quem diz que os anos 80 não foram especias tá DOIDO!!Tinha um lado brega sim mas era de uma variação musical muito grande hoje é tudo pré-fabricado tudo igualzinho...VIVA OS ANOS 80 QUE FORAM DOURADOS!!!!!!!

pena que o tempo não volta.mesmo sendo de baixa qualidade foi o tempo de maior criatividade,pelo menos nesse meu tempo de vida.

viva aos anos 80!É ISSO AI!ÓTIMOS CLIPES

ô gentinha TOSCA, tão tosca que apenas sabem qualificar as produções da época com o adjetivo tosco... a mente de vcs é tão tosca quanto seus comentários toscos...é...a palavrinha tá na moda, fazer o quê?...qualidade é a produção atual, isso sim...quando passar o tempo e vcs puderem enxergar como são atualmente TOSCOS...vcs suspirarão e resignados dirão: como fui TOSCO ao emitir comentários tão toscos...(!)

Viva os anos 80, os quais fui tesstemunha ocular e posso dizer de camarote...TOSCOS são os que criticam sem saber contextualizar a época e sem saber valorizar os talentos de uma geração de ouro...

Toninho was born em 1971!

SENSACIONAL a coletânia! Vou enlouquecer vendo como os anos 80 eram bons e ruins!

Eu morava no interiorzao de Minas quando esses grupos estouraram e o melhor canal para ve-los, além do Fantástico, era o Programa do Chacrinha.

Ele dava espaco, mas colocava todo o mundo em situacoes pra lá de constrangedoras, ainda mais no final, quando estava, claramente, ficando gagá.

Adorei a selecao. Deu a maior saudades daquele tempo, com buzina e bacalhau!

Podem falar o que for, mas que os anos 80 eram o máximo, isso eram!
Beijos estratégicos...

Incrível!! Seu blog está fantástico... vc conseguiu unir uma diversidade de assuntos de forma primorosa! Adorei essa postagem dos anos 80 (eita época boa!!!)
Voltarei sempre para ver as novidades.

Vivianne

fala assim da emilinha, não. mãe do meu amigo, pow.

Ué, creio que não falei nada que seja pejorativo sobre ela. Ter pertencido a um one-hit wonder não representa absolutamente nada de condenável, muito pelo contrário!

Caríssimo Ina,

Deu saudade!
Grande abraço

Post Scriptum: Apesar de vossa opinião, o Anomia continua vivo sim! :)

Mas suas atualizações conseguem ser mais espaçadas que as minhas, rapaz! :D

Ina, eu fui no Rock in Rio de 85, claro. Eu tinha 16 anos e só consegui grana para comprar ingresso para um dia de show. Meu grupo de 8 amigos decidiu ir no dia do Queen (além deles tinha B-52's, Go Go's, Kid Abelha, Eduardo Dusek e Lulu Santos - mais anos 80 impossível, ha ha ha!) Nesse dia a lama já estava generalizada, e era meio difícil e cansativo se locomover, porque era um tipo de lama que grudava no pé. Inclusive a maior decepção foi não poder dançar pulando num pé só (que era a coreografia para as músicas do B-52s).

Ah, inveja. Eu tinha 11 anos, e, por Tutatis, como eu gostaria de ter estado lá! Foi graças ao Rock in Rio que ouvi pela primeira vez bandas de new wave e heavy metal. Em tempo: já que você citou os B-52's, creio que você vai adorar este vídeo. ;)

Tenho muita simpatia pelos anos 80. Por isso, fiquei animadinha quando vi de relance sua seleção de clipes da década mais non-sense de todas! Mal posso esperar pelas seleções vindouras. Muito bizarras as narrações introdutórias, aliás. Uma preciosidade haha.

* Você me linkou. Não sei como agir nesse caso. Vai que soa brega ou afetadinho agradecer? Ah, foda-se. Valeu! Fiquei feliz mesmo.

Não carece de agradecimento não. Mas aceito um voto no The BOBs. ;) Beijo!

E quer saber mais do quê... Oba, não tem política hoje aqui. Sinceramente, não agüento mais. Oh, dia. Oh, vida. Oh, senzala.

Ah, os ossos do ofício! Quem mandou virar jornalista, Dona Dal?

Eita... Nem sabia que o menino veneno tinha um hit para a Mulher Invisível, ou mulher invisiVÉÉÉÉÉÉl. Me senti ligeiramente homenageada. Gracias pela descoberta, Ina-man.

Bonito pseudônimo o seu! ;)

Agora eu entendo porque a Globo proibiu que o Mion utilizasse esses clipes naquele programa "Piores clipes do Mundo"

Chega até ser covardia :)

Em compensação, o Mion fez a festa com o acervo da Band quando apresentou o Descontrole. Vide as tiradas de sarro dele a "Mama Maria", do grupo one-hit wonder Grafitti. :)

Isto é que é garimpagem! Ótima seleção, amigo.

Tentei comentar ontem e não funcionou. :(

Os vídeos podem ser totalmente toscos, mas nos anos 80 o rock brasileiro deu um salto de qualidade e criatividade. Tanto é que as melhores bandas continuam atuando até hoje.

Mas foi realmente triste relembrar dos cabelos, maquiagens e roupas horríveis que a gente usava na época. A Cláudia Magno tá parecendo um homem no vídeo dos Paralamas, coitada, que Deus a tenha.

Ah, Ina, se você quiser ver um vídeo emocionante dos Paralamas em 85, Meu Erro, procura o show deles no Rock in Rio. É legal ver as cenas do público fazendo as coreografias típicas da época (já que todo mundo dançava igual).

bjs

Por acaso você esteve no Rock in Rio I, Leila? Eu assisti aos shows pela TV e morri de inveja de quem se enlameou por lá. No YouTube, só encontrei os Paralamas tocando "Óculos".

Apesar de algumas músicas boas (mesmo descontando o fator emocional e saudosista), os clipes dos anos 80 eram ruins de doer. Um dos piores era o de "Você não Soube me Amar", do Blitz. Tosco que dói! E, aproveitando, vagamente me lembro do Blitz, pouco antes de estourar aparecendo no programa do Flávio Cavalcanti e ele quebrando o LP deles, como ele costumava fazer com os discos das músicas que ele considerava "lixo".

Também lembro de ver o Flávio Cavalcanti quebrando um disco do Camisa de Vênus. Quanto ao vídeo do Blitz, é uma pena que não o encontrei em lugar algum. Aguardo por algum colecionador abnegado que o disponibilize em algum lugar por aí...

Uh! Muito bom esse revival. Mal posso esperar o resto. Boas lembranças. Lembrei de Lauro Corona, outro ator morto pela AIDS e que tb participou de Bete Balanço. Para os mais novos, Lauro Corona era o Daniel Oliveira dos anos 80.

Eu quero ver se você arruma é clipes de Fantástico do Ronaldo Resedá, Dudu França (que seria um genérico de Lulu Santos se o próprio Lulu não tivesse aparecido depois...), 14 Bis, Roupa Nova e Herva Doce.

Pô, e eu que tenho um LP do Espírito da Coisa? siniiiistro.

Grande Marcos, do Ronaldo Resedá há um clipe incompleto de "Marrom Glacê" (com uma coreografia sen-sa-ci-o-nal do mesmo). Do Dudu França encontrei um vídeo que fizeram de "Fim de Semana". Há várias apresentações ao vivo do 14 Bis na página de um fã do grupo. Do Herva Doce, só um vídeo da música "Falso Viciado". O Roupa Nova tem um monte de vídeos no YouTube, incluindo diversas apresentações em programas como Xou da Xuxa, Domingão do Faustão e Globo de Ouro. Mas clipe mesmo, que não seja mera filmagem de alguma apresentação ao vivo, não encontrei nenhum. Necas de O Espírito da Coisa também (a não ser uma performance com "Ligeiramente Grávida" como trilha sonora na festa Trash 80's).

Sempre muito bom seu blog!!!

OI Alex !
Que saudade do século passado ...

Botei um blog no ar e espero sua visita.
beijo

Post legal este. lembro de Richie, tão bonitinho, pernas finas, calça justa. O produtor ou empresário dele era no prédio que eu trabalhava, a gente se cruzava, ele já estava meio esquecido...
Ina, excelente teu post sobre Rogério Duprat .
um bj, saudades de vc. Laura

aproveitei tão pouco... só 4 anos! :*

Ah, o peso dos anos. Eu sou apenas um pobre balzaquiano a caminho de virar Humbert Humbert... :P

Sua garimpagem foi maravilhosa. Matei as saudades. Beijocas

Thanks! Mas este foi só o prólogo, ainda tem muita coisa que encontrei por aí...

caraca, revi esses clipes agora e eh espantoso como sao ruins e cafonas. parecem vir direto do mundo bizarro

Sim, de fato. Clipes toscamente produzidos, sem soluções criativas e com roteiros chinfrins. Em especial as produções para o Fantástico. Ainda há o fato de não encontrei em lugar nenhum o melhor clipe do brock 80, "Cara Pálida" da Gang 90. Ainda assim, creio que vale o registro ciberarqueológico.

Eita... Tempo bom. Tudo tão descartável que dava dó de jogar fora. É comercial, totalmente, mas quem nunca se afeiçoou a uma Brastemp, a um Fusquinha, a uma latinha de batatas Pringles? :-) O rock dos anos 80 era assim: o descartável de que todo mundo guardou um pedacinho.

Musicalmente não tenho muitas saudades dos 80. Tenho a impressão de que a maioria destes artistas tb não. Acho que, ao assistirem esses vídeos, muitos deles devem pensar: "Meu Deus o que não fiz por dinheiro!"
gd ab

Ah, eu gosto do rock brasileiro dessa década. Sim, há um quê de valor sentimental na avaliação que faço, mas creio que não se pode negar a qualidade de compositores revelados nessa época, como Cazuza, Renato Russo, Leoni e Herbert Vianna.

Que delícia de viagem! Estou ouvindo a voz da Ciça Guimarães dizendo "di-re-to-do-tú-nel-do-tem-po".

Fala que eu te escuto

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