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Não seja imbecil, vote consciente

Ah, quer dizer que você acha que todo político é ladrão e que se você votar nulo e deixar de participar do "corrompido processo eleitoral" estará ajudando o Brasil a se tornar um país melhor? Com o devido respeito, não posso deixar de expressar minha opinião: você é uma besta.

Ok, se você me disser que faz trabalhos voluntários ou participa de alguma ONG tem todo o direito de me contestar, porque prova que ao menos faz algo para mudar esse estado de coisas. Porém, se você é daquelas pessoas que limitam-se a reencaminhar e-mails "indignados", falam mal do Presidente enquanto furam a fila do cinema, vociferam contra a corrupção enquanto seus cachorrinhos cagam no meio da calçada pública e usam a Internet para baixar o vídeo daquela modelo na praia ou fuçar a vida do ex-namorado no Orkut em vez de buscar informações sobre os candidatos destas eleições, tenho a sólida impressão de que você não hesitaria em aceitar mensalões e propinas caso tivesse as mesmas, hmm, oportunidades.

Em tempos nos quais diversos sites apartidários como Transparência Brasil, Voto Consciente, Contas Abertas, Congresso em Foco e Políticos do Brasil disponibilizam todo um manancial de informações preciosas para os eleitores, não posso deixar de pensar que só joga seu voto fora quem é excluído digital, tem preguiça de dispender alguns momentos de seu tempo ocioso para escolher com consciência seus candidatos ou é um analfabeto político que se encaixa à perfeição na descrição feita pelo poema de Brecht: "Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas". Em resumo: "é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política".

Conheça os outros participantes da blogagem coletiva sobre ética na política.Depois, quando o Congresso Nacional reunir-se para discutir a reforma tributária, qual é a moral que o eleitor nulo terá para reclamar dos impostos que paga? Quando os deputados e senadores decidirem o que será feito a respeito da legislação sobre crimes hediondos, questões ambientais e eco-sociais, cassação de parlamentares envolvidos em processos judiciais, reformas políticas e previdenciárias e outros assuntos que afetam nosso dia-a-dia, quem será o representante do eleitor nulo? Porém, mais grave ainda é a omissão dos eleitores que possuem condições de buscar informações que vão além da alienação causada por estratégias marketeiras e vinhetas televisivas, porque estes não possuem desculpas aceitáveis para ajudar na eleição de um Congresso mais qualificado, liberto da presença de figuras como Paulo Maluf, Cabo Júlio, Valdemar Costa Neto, José Sarney, Professor Luizinho, Severino Cavalcanti, João Paulo Cunha e Ney Suassuna.

Menos mal que parlamentares que se destacaram por suas atuações contra a corrupção deverão receber votações significativas. A matéria O Que Há de Novo, do site Congresso em Foco, cita nomes de diversos partidos, como Fernando Gabeira (PV-RJ), Chico Alencar (PSOL-RJ), Júlio Delgado (PSB-MG), Gustavo Fruet (PSDB-PR) e José Eduardo Cardozo (PT-SP), como exemplos de que ética também dá votos. Assim como eles, há diversos candidatos decentes concorrendo a estas eleições, desmentindo a generalização estúpida de que só existem políticos corruptos. Os meios estão aí, à disposição de quem se dispor a rastrear informações, cruzar dados e investigar a vida pregressa daqueles que pedem pelo seu voto. Além dos sites citados no terceiro parágrafo deste post, uma breve busca pelo Google informa a URL das páginas daqueles que efetivamente possuem currículo e propostas que justifiquem a razão de ser de suas candidaturas. Outras matérias do site Congresso em Foco informam a lista dos parlamentares que respondem a processos judiciais, os deputados que se ausentaram das votações dos processos de cassação na Câmara e os melhores parlamentares do Congresso segundo a opinião de 20 jornalistas políticos.

Aos que ainda insistem em crer na falácia de que votar nulo anulará as eleições ou impedirá os candidatos atuais de participarem novamente, recomendo fortemente a leitura desta entrevista concedida por Marco Aurélio Mello a Fernando Rodrigues da Folha de S. Paulo, e destes artigos de Antônio Augusto de Queiroz, Rosangela T. Giembinsky e Fernando Gouveia.

Mas, se depois de todo esse papo você ainda não se convenceu da importância do seu voto e da inutilidade do ato de anulá-lo, eis o meu último e mais persuasivo apelo: o recado de meus camaradas Calvin e Haroldo. E, por favor, faça algo mais útil do que simplesmente colocar um nariz de palhaço.

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* * * * *

P.S. 1: Sim, política precisa ser levada a sério. Mas não dá para ignorar a fauna de candidatos pitorescos que, auxiliados pela popularidade do YouTube, tornaram-se conhecidos no Brasil inteiro graças a seus, hmm, singelos vídeos de campanha. Confira algumas destas figuras através do blog Candidatos Bizarros e dos links da matéria É pra rir ou pra chorar?, escrita por Edson Sardinha para o site Congresso em Foco.

P.S. 2: A Folha Online disponibilizou um excelente site sobre os candidatos de São Paulo, apresentando inúmeros dados biográficos de cada um dos postulantes às vagas de senador, deputado federal e deputado estadual em meu estado. Se algum leitor deste blog souber de páginas similares com informações de políticos de outros estados, peço para que deixe o endereço do site em meu espaço de comentários.

P.S. 3: Este blog permanece engajado na campanha "Xô Sarney" e recomenda a leitura diária dos posts de Alcinéa Cavalcante.

P.S. 4: Algumas leituras para ampliar o leque de discussões: Valoriza o teu voto (Frei Betto), Eu não voto desde 1998 (Alexandre Rodrigues), Que país é esse? (Cristiano Dias) e o excelente e imparcial blog de Luis Nassif, que acabou de se desligar do UOL.

Comentários

Por princípio democrático temos que, também respeitar opiniões, mesmo que nem sempre consistentes, em alguns momentos seu tom sobe um pouco além do adequado para quem demonstra talento para avaliação, o quê, pensando em inteligência emocional, pode não ajudar muito.
Então por favôr pondere que o voto nulo é também legítimo,e, como não podemos votar no Cacareco (que não é do seu tempo), ou no macaco Tião, talvêz seja mais adequado que votar no Clodovil.
Considere também que nas grandes e consolidadas democracias o voto não é obrigatório.
Abraços.

Marco, opiniões contrárias à minha não apenas são respeitadas como possuem espaço para publicação em meu espaço de comentários. Um abraço.

Vc existe msm? Suas opiniões à respeito do voto nulo são ótimas, vou mandar para um amigo meu integrante do PSTU q quer votar nulo e está fzd campanha para q os outros tb votem. Ah....vc tem alguma comunidade se tiver me mande o convite....bjs.....xau

Lívia: penso, logo penso que existo. Ah, Pensar Enlouquece tem, sim, uma comunidade no Orkut. Entre sem bater. :)

Hmmm..Essa carapuça de besta serviu certinho aqui na titia, conforme conversamos pertoda eleição. Cumpri a palavra (essa é sagrada, afinal) e votei nulo.
Aliás, permita-me discordar, caro amigo, como defensora do voto nulo que sou. Não acho que quem vota desta forma é despolitizado, de modo algum. Ao contrário, muitas vezes é o rcontrário. Sei que discorda, mas essa a gente resolve no bar.
P.S. - E eu faço trabalho voluntário. Hehe..
Adoro-te ;)
Bjks,

Mô.

Sim, concordo quando você diz que muitos dos que votam nulo não são despolitizados. Há bons exemplos do que você diz na caixa de comentários deste post, aliás. Mas é que me dói saber que pessoas esclarecidas como você desperdiçam votos e ajudar a engrossar as fileiras daqueles que, por tabela, favorecem a eleição de maus políticos ao esquivarem-se do processo eleitoral. Discordamos, pois, mas sem perder a amizade. :) Um beijo!

Essa Folha Online citada na matéria é a mesma que todo dia coloca uma foto em destaque do Alckmin e que interpreta pesquisas de forma a favorecê-lo?

É lamentável. Teve um dia em que o datafolha (contestável, aliás) disse que, em uma região, Lula tinha 70%, Alckmin 16% e Heloísa 6%. O engraçadinho da legenda fez uma obra-prima do tipo "Alckmin segue em franco crescimento, Lula tem queda expressiva e Heloísa se mantem"

E quem não quiser mudar nada? E quem achar que está tudo ótimo, é uma besta também?

Não necessariamente. Outro dia, ao conversar com um mendigo sobre crise, ele me disse: "Crise? Mas que crise? Só se for no mundo de vocês, porque aqui na rua as coisas estão como sempre estiveram".

Ina, soh uma ressalva: a opcao de "nao-votar" e pagar a multa de 3 reais (q realmente eh uma merreca), q vc cita em um dos comentarios, pra quem mora no exterior (e depende de um passaporte q eh emitido apenas perante comprovacao de quitacao com a justica eleitoral) pode se tornar uma tortura surreal de filas, boletos, papelinhos, xerox autenticadas em cartorios e afins, dada a burrocracia do sistema. Mas factivel, jah o fiz algumas vezes, e sinceramente nao me arrependo.

Cabe a pessoa, portanto, a escolha de votar (des)animadamente ou perder alguns dias de sua vida nessa burrocracia endemica. A vida eh um somatorio de escolhas, neh? Basta assumi-la e entender/arcar com as consequencias.

Um outro ponto: acho sua avaliacao muito boa, mas muito local. Talvez pq tenho dificuldades pessoais em pensar em nacoes separadamente. Pra mim, o mundo eh o mundo. O Brasil eh um pedaco do mundo, apenas. Uma ONG tem q batalhar pra melhorar o mundo, mesmo q seja alfabetizando pessoas carentes no nordeste brasileiro - isso refletirah de alguma forma na melhoria do planeta como um todo (uma viagem, eu sei, mas sou assim). Tah certo, o candidato eleito hoje, nessa mesma visao, poderah mudar o mundo, atraves da mudanca do destino de diversos temas importantes do pais. Mas nao dah pra pensar em pais sem pensar em mundo - nao para mim. E tenderia assim a votar em um candidato q tenha mais essa visao - sao quase-extintos esses individuos.

Acho q vivo em eterno "flag-denial", para todos os paises. (Isso eh uma confissao, mais q um comentario.)

Beijos.

Obrigado pela ótima ressalva, Lucia. De fato, dei mais ênfase ao aspecto local da atuação das ONGs, até porque a tônica do post e dos comentários foi a discussão a respeito do Brasil, mas é lógico que é preciso pensar de maneira global, visando um mundo melhor e um planeta que seja minimamente habitável a médio/longo prazo. Um beijo!

Grande Calvim, ele realmente sabia das coisas.

Anular voto porque "política é um saco" ou porque "quer protestar" é coisa de golpista. Acha que democracia não serve pra nada e assume uma postura que abre margem ao surgimento (e avanço) de candidatos messiânicos e mesmo de ataques ao processo democrático.

Mas admito que é difícil não anular o voto no possível segundo turno da eleição para governador no Rio de Janeiro...

Olá, vim através do blog do Donizetti e mesmo não tendo o teu talento pra escrita, é tudo o q falo com amigos o q está escrito neste post, inclusive deixei um scrap pra amigos ontem no orkut q é um tipo de alerta para os q dizem q não temos opção. Acho q mais pessoas deveriam ler o q vc escreveu, já talvez seja mais difícil sugerir q leiam os textos q vc indicou.
Costumo dizer q nosso papel além de nos informar, é informar o maior número de pessoas "reguiçosas" e q preferem a confortável vida de alienação pq na verdade são elas q elegem já q são maiorias.
Abraços, bom domingo e maravilhosa semana.

Certíssimo. Concordo plenamente com vc! Abraços e parabéns pelo belo post!

É isso aí, Blogues não só conversações, mas também exercício de cidadania... porque discussão política pode ser feita com qualidade e agregando valor a vida cidadã.

[]'s

Certamente, Sergio. A cidadania pode ser exercida de diversas formas. Um abraço!

Bem... gostei do texto e parabéns. Mas discordo de algumas coisas. O cidadão que paga seus impostos em dia, cumpre com suas obrigações eleitorais e exercer a cidadania não é obrigado a votar em canalhas do poder. E ser honesto, trabalhador já o credita a reclamar de governante A ou B, mesmo que ele não tenha votado neles. Acho que o voto nulo é de protesto sim. E não é a questão de anular eleição e proibir o candidado a disputar novas eleições... é o simples fato de não concordar com os candidatos disponíveis. Veja em Alagoas, onde moro. Temos um usineiro muito poderoso acusado de não só roubar, mas mandar matar muita gente, e outro candidadto tb uineiro que ajudou a quebrar o banco do Estado. Mas dois candidatos "laranjas", e uma candidata do PT que não entende nada de governar, nem tem experiência para disputar tal cargo. Sou obrigado a votar em um deles? O simples fato de não querer nenhum deles e anular meu voto não significa que sou alheio aos candidatos e sou ignorante político. Simplesmente não concordo com os candidatos que estão disputando.

Ok, Rafael. E, diante das opções apresentadas para o governo de Alagoas, realmente não posso condená-lo por optar em abster-se de fazer uma escolha. Mas não creio que nenhum candidato a deputado federal ou deputado estadual esteja defendendo ideais, projetos de lei e/ou ideologias com as quais você se identifique. Não podemos esquecer que o Congresso a ser eleito neste domingo decidirá os rumos das reformas tributária, política e previdenciária, além de votar as emendas sobre o CPMF e o DRU.

Uma beleza de post, Inagaki. Também me entristeço (pra ser mais simpática e não usar o termo "revolto") de ver o pessoal resumindo a sua participação política a meia dúzia de comentários rabujentos sobre a podridão da política e dos políticos......afe. Acho que eu vou imprimir algumas cópias desse seu texto e vou andar com eles na bolsa, quando alguém me vier com esse tipo de churumelas eu entrego uma cópia. Posso? :-P

Sinta-se à vontade, Carol. :)

affff!!! o Sarney tbm recebeu votos na enquete do congresso em foco!

Sim. Pra você ver que é um site realmente apartidário e independente, ao citar parlamentares das mais diversas legendas e orientações ideológicas.

QUAL O NUMERO DO CLODOVIL?
DAELIO

Não sei. E, sinceramente, prefiro ficar sem saber.

Parabéns pelo post e por ter se dado ao trabalho de responder detalhada e (sempre)competentemente os comentários. Uma pena que esse tipo de discussão não esteja presente de forma tão esclarecedora na grande mídia.

Como vamos falar de política se nós brasileiros somos os mais ignorantes possíveis? Aceitamos santinhos nas ruas para jogar na próxima esquina e chamar o cara de filho da puta; Assistimos ao programa eleitoral falando "acaba logo que eu quero ver minha novela.."; passamos o dia ouvindo rádio com funk, forró e pagode mas quando chega na "Hora do Brasil" soltamos um PUTAQUEPARIU bem alto; não sabemos o que é pib, superavit, fmi, selic, risco brasil, e diversas siglas pertinentes ao caso; não sabemos sequer as leis de nosso país, que sá os 10 mandamentos!!!! Não temos respaldo quando se fala de política. "Eu sou brasileiro e não desisto nunca." Esse é o lema de um país cujo o nacionalismo ignorante tomou conta de nós. Claro que não são todos, alguém sempre se destaca, como aquele cara da favela que a Regina Casé adora mostrar, que virou ídolo do esporte ou sei lá do que e superou as "dificuldades". Meus Deuses. Cristovam Buarque preza pela educação do país, mas em 1º lugar temos que prezar pela educação política do nosso país, a qual realmente poderá levar à alguma revolução, até porque não é difícil vermos doutores, magistrados, e intelectuais dominando suas áreas mas sendo levados pela burrice político-democrática nacional. Não adianta, ou você estuda a política ou não a entende. E não adianta ver o jornal da globo não viu?

Åsa Heuser (Livrepensadora), sim, eu estou nu.

Prezado Alexandre,

Era uma das pessoas que via no voto nulo uma forma de protestar. Acredito seriamente que este artifício é viável, mas percebi que a sua concretização dependeria de que as pessoas do país tivessem acesso às informações referentes ao poder do voto nulo.

Gostaria de lhe dizer que todas as pessoas possuem pensamentos divergentes com relação a várias coisas e com a política não poderia ser diferente.

Sei do poder do voto, mas gostaria de lhe fazer algumas indagações.

Se vivemos em um sociedade democrática, porque o voto é obrigatório? Faço essa pergunta porque me assusta o fato de as pessoas serem obrigadas a fazer alguma coisa. Isso acontece porque as pessoas que estão no poder sabem que somente os brasileiros realmente conscientes e educados iriam "perder o seu tempo" para votar em candidatos que realmente merecem votos.
E toda a corja de políticos ladrões que possuem o poder de controlar massas de manobra não seriam bem votados pelo simples fato de que grande parte da população brasileira não perderia o seu tempo em um domingo pra saírem de casa e usarem o seu voto para elegerem os mesmos políticos corruptos que eleição após eleição fazem uso do poder público como carreira profissional.

Concordo plenamente com seus argumentos mas faço uma ressalva. Seus argumentos só funcionam com pessoas como você, ou como eu...que temos acesso às informações, somos educados (educados pela educação vigente no país que não é das melhores), somos instruídos exatamente da mesma maneira como a maioria dos políticos que lá estão. O grande problema do Brasil não está na infra-estrutura, no poder governamental, na saude ou na segurança. O grande problema brasileiro é a Educação falha que rege o país há anos. Péssimas escolas públicas, universidades mercantilistas e federais sucateadas. O grande erro do povo brasileiro é achar que o governo seja ele qual for, vai melhorar a vida das pessoas. Pessoas que não possuem discernimento crítico não podem fazer reinvindicações, pois elas não possuem argumentos (e na maioria das vezes não querem tê-los)para questionar os rumos que nossos políticos dão ao país. Deveríamos não só lutar pelo direito de uma vida melhor, mas devéríamos sim obrigar nossos representantes a investirem na Educação, na Ciência e na Tecnologia, caso contrário seremos um eterno país do futuro com matéria prima em abundância, mas sem saber o quê fazer com ela. Seremos ricos em infraestrutura, mas ela logo irá se deteriorar, pois o povo não tem educação para protegê-la e continuaremos cheios de políticos corruptos porque não combatemos a corrupção.
E te falo mais uma única coisa: até mesmo políticos honestos podem ser tornar corruptos, mas o problema no congresso nacional vai além da existência deles. Normas, leis e regras que são criadas para protegê-los, um judiciário que não é isento e é lento em seus processos, o fato de políticos honestos ficarem subjulgados ao "poder" de "uma mão lava outra" (vota nessa aqui, que voto pra você naquela ali, me ajuda nisso, que fico te devendo uma, etc).

Acho muito válido todos os seus argumentos, mas é uma pena que eles atingem uma pequena parcela da população do país...

..."justo um país será, no momento em que sua população possuir o poder de pensar"

João Paulo Gambogi Carvalho

Ótimo comentário, João Paulo. Se eu tivesse sentado em frente ao computador com a intenção de escrever um texto ponderado e sereno sobre o assunto, faria um post com vários pontos em comum com as suas observações. Mas eu, que há semanas estou extremamente incomodado com a apatia das pessoas diante destas eleições, deliberadamente optei por escrever um texto provocativo e com várias estocadas acima do tom que habitualmente uso, a fim de mover quem se incomodasse com ele. Porque de ponderados já bastam alguns dos candidatos soporíferos destas eleições presidenciais; por mais competentes e preparados que possam ser, são tão carismáticos quanto uma tampa de ralo de banheiro. Pena que o alcance de minhas palavras é limitado, mas se eu tiver feito com que ao menos um eleitor refletisse um pouco mais a respeito da importância do voto...

Pera aí....Deixa ver se eu entendi....Quer dizer que se eu exercer o direito do voto, a minha vida vai melhorar....Infelizmente esta conta não fecha, pois tô votando a mais de 20 anos e continuo sendo roubado, enganado e humilhado pela classe política desse país...Vou anular meu voto sim...É a minha forma de protesto contra esse sistema político viciado que aí está....Faltam duas coisas prá melhorar esta m.....
Investimentos maciços na Educação e Punição severa para os picaretas....Abraços

Você lembra em que você votou em todas essas eleições? Cobrou cada um de seus representantes no Congresso? Uma vez que citou a necessidade de investimentos maciços na Educação: está informado sobre ProUni, Fies, Fundeb ou programas de inclusão digital? Já leu as propostas para o campo da Educação de cada um dos presidenciáveis? Sabe quem são os membros da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, e o que cada deles fez? A conta definitivamente não fechará NUNCA se você não souber responder a estas perguntas. Não se permita ser humilhado: conhecimento é a arma mais preciosa para os "picaretas". E ao menos isso eu creio que você saberá entender.

na minha opiniao o mais "besta" como vc msm falo e a propria pessoa q escreveu esse texto cheio de bobeiras e sem nenhuma informacao util...vc por acaso sabia q c mais de 50% da populacao brasileira anular o voto os candidatos q estavao concorrendo ao cargo q foi anulado sao obrigados a ficar 4 anos sem poder concorrer e uma nova eleicao e chamada?

vc deveria respeitar mais a opniao de cada brasileiro a respeito doq cada um vai fazer com seu voto.

Gustavo, é até meio constrangedor responder a um comentário tão ingênuo, a começar pela dificuldade que tive em entender o que você queria dizer com esse miguxês. Se você ao menos se desse ao trabalho de consultar o Tribunal Superior Eleitoral em vez de acreditar, feito um acéfalo, em tudo que lhe é enviado por e-mail, teria constatado que, segundo o Recurso Especial Eleitoral 25.937, abre aspas, "não se somam (...), para fins de novas eleições, os votos nulos decorrentes de manifestação apolítica do eleitor, no momento do escrutínio, seja ela deliberada ou decorrente de erro". Em linguagem mais clara para analfabetos funcionais, caro Gustavo: é completa BESTEIRA acreditar que eleições possam ser anuladas por voto nulo. Da ASNEIRA de afirmar que candidatos são impedidos de concorrer novamente em uma suposta anulação de votação, vou deixar de dar o serviço mastigadinho; corra atrás de informações que sejam capazes de refutar o que afirmei no post, ok (mas não vale copiar o que você recebeu naquela corrente de e-mail)? Pra encerrar: quem quiser votar nulo tem todo o direito de fazê-lo. Não concordo, mas respeito aqueles que tomam essa atitude conscientemente. Só que BURRICE não dá pra respeitar. Sintam-se devidamente ofendidos aqueles que vestirem esta carapuça.

Oi Alexandre.
Não sabia que respondia ao povo que passa por aqui, que bom. :-)
Como você, tenho lido bastante sobre as propostas dos principais candidatos fora eixo PT-PSDB. Mesmo assim, tenho a sensação que votar no Cristovam será votar em alguém que representa só uma parte do que penso para o país. Quem sabe não falta ler mais um pouco... Portanto obrigada pela indicação de mais leitura.
Abraço,
Fernanda

Não é sempre que eu espremo um pouco de tempo para responder aos comentários, Fernanda. Mas este post, até por causa do momento pré-eleitoral, é um exceção especial em que fiz questão de escrever réplicas para um e outro caso. :)

Caro,

Seu BLOG, não é a ADRIANE GALISTEU, mas é show.
Conheci através do UÊBA, que sou fã.
EM TEMPO: Seus comentários influenciaram POSITIVAMENTE no meu voto.
VALEU !!!!!!!!!!!!!!!

belo texto;

concordo em partes:

também abomino o que hj em dia chamam de 'cidadão de bem', o brasileiro corruptível, covarde, deixa de ser correto qdo não tem ninguém olhando,que adora ter motivo prá reclamar,que faz de um político montado num avestruz virar assunto, enqto nem presta atenção num discurso bem feito, etc, etc, etc;

não é participando de uma ong que tento fazer meu país melhor, não vou me delongar neste tópico. muita gente participa destas ongs num ato egoísta para amenizar
uma consciência pesada,a maioria se encaixa no perfil descrito acima.

concordo e assino embaixo qdo vc questiona o voto obrigatório.

considero um tamanho absurdo as centenas de milhões de reais investidos em campanha eleitoral 'top of mind' que tem como público-alvo o brasileiro mal informado que sente muito mais conforto em ouvir um jingle que visa o recall
( exemplo: NÃO! NÃO! NÃO!) do que um manifesto. se estas pessoas não votassem, tudo seria diferente.

mas elas votam.

e com isso haja reais que poderiam virar educação, saúde, etc ,sendo queimados em poluição visual, sonora, e qq outro tipo de violência, visando gravar o nome do
candidato na mente destas pessoas, tal qual faz o sabão em pó.

querem que votemos racionalmente, mas colocam melodias, câmeras lentas, sorrisos...

"por que não ajudar a elegê-la, mostrando que competência, ética e trabalho sério podem render mais votos do que jingles lobotomizantes e campanhas milionárias"

eu não conheço nenhum presidenciável que permita-nos realizar esta sua citação.

por essas, e por todo circo que vem acontecendo, não escolherei um presidente desta vez.

isso não me dá a possibilidade de reclamar depois?
é, mas e o que dirá se escolher o 'menos pior'? meu voto tb será contestável em pontos que eu mesmo considero que não o fez um 'bom candidato'.

uma prima minha votou no fleury, menos pior que o maluf, e sua irmã a culpa pelo massacre no carandiru.

um abraço.
e parabéns pelo blog.

Bruno, de fato não posso contestá-lo quando você critica os votos nos "menos piores". Voto facultativo é a solução definitiva para evitar qualquer tipo de voto (seja ele nulo, em branco, "útil" ou de protesto - aquele que faz com que gente como Enéas ou Clodovil receba um caminhão de votos unicamente movidos por aspectos folclóricos) que não seja o movido pela crença genuína nas propostas de um candidato. Só não posso concordar com a sua afirmação genérica sobre pessoas engajarem-se em ONGs por "consciências pesadas". Por mais que as evidências possam nos tornar céticos e cínicos com relação à humanidade, posso citar inúmeros exemplos de pessoas que conheço que trabalham voluntariamente porque, simplesmente, querem fazer algo de bom para este país e este mundo.

Pessoal.. O Lula amarelou!!!

Cheguei aqui através do Megalopolis e coloquei uma entrada no meu blog com um link para este artigo, ao qual achei muito interessante.


Parabéns pela visão e pela quantidade de informação e links oferecidos em um único artigo.

Antes de tudo, devo dizer que, como cidadão, não escolhi ainda em quem votar, ou se vou votar nulo.

Em segundo lugar, alego que não estou aqui em defesa do voto nulo, ou do voto válido. Minha intenção é apenas tentar enriquecer o debate com informações.

Começando pelo segundo parágrafo: Partindo do ponto de vista de uma autora chamada Hanna Arendt, (com a qual, com respeito a isto que aqui coloco, mas não à teoria toda, eu concordo) a participação em ONGs, de modo algum gera política. A política só pode ser fruto da participação plural da sociedade. As ONGs (que convenhamos, estão recebendo do governo as incumbências políticas que ele deveria realizar) aplicam técnicas de gestão com vistas a uma eficácia na execução de políticas públicas, ignorando na maioria das vezes, a opinião e a vontade de participar das pessoas que serão beneficiadas por tais políticas. Trata-se portanto, não de direitos, mas da concessão de benefícios focalizados. Por outro lado, quem encaminha emails indignados ou reclama dos políticos, de certa forma, está tentando colocar a política em debate, e não tentando aniquilá-la por meio da mera aplicação técnica com vistas à eficácia na criação de benefícios a certas parcelas da população.

Quarto parágrafo: Todo cidadão tem moral para reclamar de tudo o que achar que deve reclamar a respeito da política. É um absurdo pensar que o fato de alguém anular seu voto, ou mesmo optar por ir à praia ao invés de votar, faça com que esta pessoa deva ser alijada da política por 4 anos. O Estado é responsável por, e representante de, todos os cidadãos que dele fazem parte, devendo portanto abrir espaço para a livre participação de todos a qualquer tempo, e não apenas no momento de digitar o voto na urna. (Caso contrário, teríamos de fato, ditaduras com período predeterminado formadas por coalizões de governantes, e não democracias - o que não deixa de ser parcialmente verdadeiro).

Quinto parágrafo: Você citou candidatos de cinco partidos que tiveram uma participação intensa e louvável nesta legislatura. Evidentemente, a partir disso, a população pode optar por votar neles, sabendo que são (pessoalmente) bons representantes. No entanto, é preciso saber que, pelos moldes do funcionamento da política brasileira, quem de fato determina as decisões finais no legislativo são os partidos, e nunca o candidato A ou B. A maioria das votaçõe se fazem apenas pelos líderes das bancadas com a contagem do número de cadeiras de cada partido, não cabendo ao deputado individual sequer opinar sobre o assunto. Desse modo, existe um problema de representatividade, já que, quem votou no José Eduardo Cardoso, de fato apenas deu força para as decisões da cúpula do PT. Além disso, é claro que votar nestas eleições no supracitado candidato colabora com a eleição de Palocci, já que os votos são contados, primeiro, para a formação da bancada, e apenas num segundo momento, para a escolha dos candidatos individuais dentro do partido em questão.

Há muitos estudos de Ciência Política que comprovam que a política brasileira é dominada pelos partidos políticos, não havendo espaço para a atuação individual dos deputados e senadores (apesar das propagandas políticas, à primeira vista, passarem essa impressão).

Desse modo, quem for votar deve ter em mente que a escolha primordial não é a respeito do candidato A ou B, mas sim da legenda A ou B, que é o que vai determinar a política que se desenvolverá ao longo dos próximos 4 anos.

A respeito da fidelidade partidária, citada em alguns comentários: Estudos da migração dos deputados entre os partidos comprovam que, apesar de intensa, ela é inóqua. Sabendo que de fato a pessoa do deputado influencia muito pouco no processo político, valendo de fato a sua cadeira que conta um voto a favor do seu partido, é notável que os deputados migrantes são tantos, e em tantas direções, que acabam anulando a movimentação toda. Ou seja, o número de cadeiras distribuídas entre os partidos começa e termina sempre mais ou menos igual.
Além disso, é preciso ressaltar a respeito das votações no Congresso que vão a plenário (e não são decididas simplesmente pelo colégio de líderes), que o índice de fidelidade partidária nas votações (ou seja, a porcentagem de deputados que votam seguindo a decisão da cúpula de seu partido) é MUITO ALTA, algo em torno de 95% se não me engano.

A respeito do voto em Cristovam Buarque, do PDT: primeiro, votar nele ou anular o voto é praticamente a mesma coisa, tendo em vista que as chances de vitória do Cristóvam são baixas. Entretanto, em oposição ao voto nulo, o voto em candidatos pequenos aumenta as chances de 2° turno, pois aumenta o número de votos válidos. De qualquer maneira, é preciso ter em mente que votar nele não passa, também de um voto de protesto. Além disso, se por algum milagre ele for eleito, a governabilidade que alcançará será baixíssima, já que o PDT tem uma bancada ínfima no Legislativo e ele teria poucas chances de ter seus projetos aprovados.

Por fim, gostaria apenas de dizer que começar um texto chamando alguém de imbecil é um convite a que esta pessoa não leia o texto.

Obrigado pela atenção,
Diego

Antes de mais nada: este post foi o que obteve mais repercussões em quase quatro anos de blog, contando-se aí as vezes em que Pensar Enlouquece foi citado na Época, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, dentre inúmeros veículos. Se o iniciei com um convite para que pessoas supostamente ofendidas deixassem de ler este texto, creio que fracassei retumbantemente. Até porque as dezenas de feedbacks que recebi, principalmente de defensores (ou ex-defensores) do voto nulo comprovam que este puxão de orelhas cívico foi razoavelmente bem-sucedido.

Uma vez que você citou Hannah Arendt, lembro do sentido primordial que a política possui segundo ela: liberdade. Liberdade de praticar o exercício da democracia e de escolher os representantes que governarão uma sociedade. Mais do que um dever, o voto é um direito do cidadão. Mas não deveria ser obrigação. E eu, mais uma vez, uso este espaço de comentários para defender o voto facultativo.

Há quem opte por ser "politicamente passivo". Direito de escolha de cada um. Mas há outras maneiras de alguém exercer uma militância pública além de votar, cobrar seus candidatos, participar de manifestações, filiar-se a um partido ou até mesmo conversando com amigos sobre o assunto. Por exemplo, há quem prefira focar seus esforços coletivos trabalhando em ONGs, ciberespaço, atividades esportivas, religiosas ou artísticas. Não deixa, pois, de exercer sua cidadania por meio destas atividades. ONGs, embora apliquem técnicas de gestão empresariais, são canais de participação e ativismo militante de crescente importância em qualquer sociedade.

Sim, é óbvio que todos têm direito a reclamar de seus governantes, inclusive os que renunciam a suas personas políticas ao deixar de votar. Esse "livre espernear" é característica marcante da população brasileira. Mas não posso deixar de expressar minha indignação com aqueles que queixam-se do Estado e não contribuem com suas parcelas pessoais em nome da sociedade, como aqueles que sonegam impostos, jogam lixo na rua, desperdiçam água ou seus votos.

A fragilidade dos partidos brasileiros é uma das razões estruturais da atual crise política. Concordo parcialmente com suas colocações a respeito do voto em um determinado candidato ser na realidade destinado à legenda à qual ele pertence, fazendo com que, por exemplo, o voto em Cardozo ajude a eleger José Mentor, Professor Luizinho e outros candidatos que também são filiados ao PT. Parcialmente porque, a) esse voto não necessariamente se dirige à legenda específica, mas à coligação à qual pertence esse mesmo partido, fato que explica, por exemplo, porque a saída da Câmara dos Deputados de um deputado petista abre espaço para a posse de um suplente filiado ao PC do B; e, b) os atuais mandatários mostraram que há muitos parlamentares que rebelam-se contra suas legendas de origem, muitas vezes pela opção de serem mais fiéis às suas convicções pessoais do que às orientações partidárias. Vide os casos da senadora Heloísa Helena (expulsa do PT por contrariar sistematicamente as ordens da sigla), do deputado federal Fernando Gabeira, que optou por desfiliar-se do PT desgostoso com os rumos tomados pela legenda, e do deputado estadual por São Paulo Tripoli (ex-PSDB, atualmente sem partido), eleito Presidente da Assembléia Legislativa após concorrer contra Ricardo Montoro, que havia sido indicado por sua própria sigla.

Devido às razões explanadas no parágrafo acima, prefiro dar meu voto a políticos que, apesar de manterem-se fiéis a suas legendas, mostraram em momentos capitais que possuem independência para tomarem decisões que nem sempre vão de acordo com o desejado por suas siglas. Um exemplo bem à mão: Eduardo Suplicy, que é considerado um "calo" por dirigentes do PT devido à defesa de posições como suas declarações apoiando a criação do CPI dos Correios antes mesmo de sua implantação, ou sua recente atuação quase que implorando, junto a Gilberto Carvalho (chefe de gabinete de Lula), para que o presidenciável fosse ao debate da Globo. Em ambos os casos, constatou-se que Suplicy estava certo (como mostra a queda nas pesquisas de Lula, que em vez de dar satisfações públicas sobre o casos como a venda desastrada daquele dossiê Tabajara, ausentou-se do debate e agora arca com as conseqüências da péssima repercussão de sua decepcionante atitude).

Meu voto em Cristovam Buarque é baseado pelas minhas convicções pessoais, pelo passado íntegro na política não apenas dele como também do candidato a vice na chapa do PDT, o senador por Amazonas Jefferson Peres, e pela importância de termos outras alternativas de projetos políticos além da dupla PT/PSDB. Não se trata, pois, de voto de protesto. Até porque outra coisa que abomino é o "voto útil", na qual renuncio a escolher aquele que creio ser o melhor candidato a fim de votar naquele com "mais chances de ganhar". Sim, o voto em Buarque fortalece as possibilidades de haver segundo turno, o que acho ótimo, porque obrigaria Lula a participar de debates e de dar à população a oportunidade de ver o candidato petista dar explicações que ela merece ouvir a respeito de diversos assuntos como propostas de governo e os recentes escândalos que envolveram auxiliares próximos ao atual Presidente. Não discuto o aspecto "governabilidade" de uma hipotética vitória de Cristovam porque infelizmente sei que ele não possui a mínima chance de ganhar, mas esse tema torna-se importantíssimo ao pensarmos em como Lula atuará em um provável segundo mandato com uma bancada reduzida do PT no Congresso e a dificuldade de buscar aliados que não sejam cooptados por meio do fisiologismo mensaleiro.

Obrigado pelo comentário, Diego.

Pensei (vagamente) em Cristovam Buarque e Heloisa Helena para votar, mas fico no velho sapo barbudo mesmo.

Cristovam e Helena repartiram o programa original do PT da primeira eleição do Lula, muito do que está no programa dos dois estava no programa do PT de 2002. Nada mais natural, já que ambos vieram do PT.

Aliás, em termos de programa, aquele era ótimo. Só a equipe econômica da transição FHC-Lula já era uma beleza (Belluzo, Maria da Conceição Tavares, etc), mas aí chegou o Palocci, a Carta aos Brasileiros, o Dirceu e a coisa desandou.

Enfim, em contato com a realidade o programa virou essa coisa que nós vimos. Frustrante, é verdade.

Porém, se nem o Lula e o PT com a bola toda e um puta apoio popular de 2002 conseguiram aplicar aquele belo programa, conseguirá Cristovam Buarque transferir estas ótimas idéias para a realidade?

Tenho grandes dúvidas quanto a isso, e assim prefiro esperar até 2010 para que algum tipo de 3a via tome força de verdade. Enquanto isso, vamos falando mal do Lula e torcendo p/ coisa seguir um rumo melhor no segundo mandato. Ainda assim, acho que por pior que tenha sido este governo, ainda foi bem melhor do que as notícias davam a entender, e há razões suficientes para crer em melhoras no segundo mandato.

http://eleicoes.uol.com.br/2006/infografico/especial_002.jhtm

Do blog: www.reinaldoazevedo.com.br

"Eu não defendo voto nulo como princípio. De maneira nenhuma! Eu sempre defenderei, não havendo saída, o mal menor. Essa é a minha moralidade, é a minha escolha. Como tal, acho que o mundo seria melhor se todos fizessem assim. Mas isso não quer dizer que eu ache antidemocrático ou absurdo quem anula o seu voto. Penso que é uma opção, como qualquer outra. Em 2000, eu votei em Marta Suplicy contra Paulo Maluf. E me arrependi. Entenderam? É absolutamente legítimo, num caso como esse citado, não escolher ninguém. Entre Lula e Geraldo Alckmin, é evidente que só há uma coisa responsável a fazer se você não é petista, pouco importa se gosta ou não dos tucanos ou desse tucano em particular. Mas vamos pensar uma situação extrema: digamos que Heloísa Helena disputasse o segundo turno com Lula. Votar no Apedeuta? Eu? Não voto. Tampouco nela. Isso eu deixo para o Ziraldo. Então não tem essa de satanizar o voto nulo, nem mesmo sob o pretexto de que acaba beneficiando quem está na frente. Uma avalanche de votos nulos, a depender do pleito, também é uma manifestação de protesto. “Ah, é um protesto idiota”. Não é, não. Pode ser um bom recado às elites políticas. Já não faz sentido o voto ser obrigatório. Você não pode ser obrigado a atravessar a rua se não quiser. Mesmo que seja para o seu bem, ora essa. Levemos a situação ao extremo: faz sentido aprovar uma lei contra o suicídio? Ora..."

Por Reinaldo Azevedo.


Tendo argumentos como estes, não acho certo chamar pessoas de "bestas". Não é como falar "Quem vota no Maluf é besta" pois esse é um ponto sem discussão, agora, voto nulo tem assunto a dar e vender. Pense nisso.

Espaço aberto, Ed. De minha parte, concordo com o Reinaldo Azevedo quando ele afirma que o voto obrigatório não faz sentido. Mas ainda não vejo o menor sentido em dar um "bom recado às elites políticas" com uma "avalanche de votos nulos". Recado por recado, sair às ruas quando do movimento pelo impeachment do Collor foi algo muito mais significativo, mas nem por isso um Roberto Jefferson ou um Renan Calheiros, só para citar 3 membros de sua notória "tropa de choque", mudaram suas atitudes. Ou melhor: "mudaram pra não mudar", parafraseando a famosa citação de "O Leopardo". Sinceramente: haja inocência para crer que aqueles que representam o que há de mais execrável na política irão se incomodar com a quantidade de votos nulos. Sobre o tom que utilizei neste post, peço que você clique aqui, a fim de ler as explicações que já dei sobre o assunto. Um abraço e obrigado pelo comentário.

O erro não é meu, é da cláusula de barreira, que não incorporou a fidelidade partidária :)

As informações sobre a cláusula são conflitantes, há quem diga que fica vetada a representação parlamentar, há quem diga que não fica vetada, mas as facilidades (fundo partidário, etc.) são revogadas. Como no site do congresso está dito que a representação não é vetada, então teremos Clodovil na Câmara. Oh céus, não, esse erro não é meu!

Vai aí mais um link prá esse assunto que nunca tem a divulgação proporcional a sua importância, as regras da eleição proporcional:

http://www2.camara.gov.br/internet/agenciacamara/chamadaExterna.html?link=http://www.camara.gov.br/internet/agencia/materias.asp?pk=93355

Saiu-se bem, Daniel. :D Ah, sobre a questão da representação parlamentar, o que acontece é que os deputados e senadores eleitos pelos partidos que não conseguirem atingir nas urnas as porcentagens estipuladas pela cláusula de barreira terão atuação restrita: suas atuações estarão limitadas a votações em plenário e discursos na tribuna. Não poderão, por exemplo, fazer parte de Comissões Parlamentares de Inquérito. Maiores detalhes estão disponíveis nesta página do TSE.

Oi Alexandre!

Sou da turma da vai anular para presidente (somente para este cargo) para tentar ser menos hipócrita - por mais difícil que isso seja pro ser-o-mano.

Enfim, voto nulo por não ter sido "mobilizada" por nenhum candidato a presidente, do ponto de vista das propostas e idéias para o país. É óbvio que nessa minha decisão, da qual não tenho orgulho, pesa também a desilusão com a postura de uns e outros, já que votar no nome é, queira ou não, votar na sigla.

E aí eu pergunto: O que é mais consciente? Isso, ou fazer como alguns por aí, que dizem que vão votar no Alckmin só para não "deixar o Lula entrar". Pra mim, isso é o mesmo que dizer "vou casar com fulano, mesmo sem o amar, só para não ficar encalhada o resto da vida".

Mas VOTO EM VOCÊ quando clama a galera a acompanhar a política. Parabéns pela lucidez!

Um abraço,
Fernanda
(vulgo: lá vem a chata...)

Olá Fernanda, eu particularmente creio que é fundamental fortalecer uma terceira via na política brasileira, a fim de que possamos ter outras opções além dos projetos encampados por PT e PSDB. Assim como você, não senti a menor motivação em votar em Lula ou Alckmin (e ler as análises feitas por Luis Nassif das gestões lulista e alckminista não me deu o menor alento). Porém, encontrei uma boa alternativa na chapa formada por Cristovam Buarque para Presidente e Jefferson Peres para Vice. Não me deixam sozinho nesta declaração de voto outros eleitores como Guilherme Fiúza, Alfredo Sirkis, Charles Pilger e Ricardo Noblat. Caso você queira conhecer melhor as idéias de Cristovam, recomendo a leitura desta entrevista concedida a Soraia Costa, e das respostas que o candidato do PDT deu a perguntas feitas por outros candidatos à Presidência em uma sabatina promovida pela Folha de S. Paulo.

Como sempre Alexandre Inagaki consegue se expressar através das palavras escritas em seu blog de forma espetacular. Expõe idéias e pensamentos que me atormentam, de maneira clara, inteligente e objetiva. Atingindo todas as mentes pensantes que não tem medo de enlouquecerem. Quanto ao que escreveu, há muito tempo faço a minha parte votando consciente, sempre lembro os meus candidatos, e só repito o voto para aqueles que merecem, para terem uma idéia, tenho direito a voto a exatamente vinte e três anos, e em todo esse tempo somente um candidato fez jus ao meu voto mais que uma vez. E para fazer um pouco mais do que votar consciente, coloquei o link desta ótima matéria, disponível em vários e-mails para amigos e em comunidades do Orkut que participo, sem esquecer logicamente de citar os créditos ao autor.

Obrigado pela divulgação e pelas palavras hiperbolicamente generosas, Tony!

Alexandre,

Reproduzi seu texto no meu blog. Achei demais.
http://denisesomera.multiply.com/journal/item/37

(quanto menos votos válidos, menor será o quociente eleitoral necessário para a eleição de um deputado). [...] "É por esse motivo que não é feita, pelos partidos políticos e coligações, campanhas para diminuir o número de votos em branco. É para ficar mais fácil se eleger".

Sabe que é exatamente por isso que eu penso que o voto nulo ou em branco, em eleições para o legislativo, não tira de jeito nenhum a MORAL de quem votou assim para reclamar depois, já que na prática é um voto para TODOS os parlamentares eleitos, ao invés de NENHUM.

É por isso também que o voto, nulo, branco ou válido, tem que ser CONSCIENTE. Porque quem vota em algum candidato sem saber o que está fazendo é tão "imbecil" como quem vota nulo/branco achando que não está votando em ninguém.

Quanto ao Clodovil, esse ano tem essa regra de barrar os partidos com menos de 5 milhões de votos. Assim fica mais difícil uma história como a do dr. Enéas se repetir.

Aliás, isso traz outra dúvida: com essa regra nova o quociente eleitoral é calculado com todos os votos válidos ou apenas com os votos dos partidos que garantirem a votação mínima para terem representação no Congresso?

Daniel, há uma informação equivocada em seu comentário: a candidatura de Clodovil tem a possibilidade, sim, de arrastar consigo a eleição de outros nomes do PTC na carona devido ao tal quociente eleitoral. Para ser mais claro: se Clodovil receber, como previsto em algumas pesquisas, 1 milhão de votos, elegerá mais TRÊS candidatos do PTC para a Câmara Federal. A cláusula de barreira citada por você, e que se aplicará a partidos que não atingirem 5% do total de votos válidos no país e 2% em pelo menos 9 estados, fará com que parlamentares pertencentes a siglas que não atinjam estes percentuais sejam impedidos de participar da Mesa Diretora da Câmara ou de CPIs. Mas, mais significativo, fará com que essas legendas nanicas tenham direito a apenas 2 minutos de TV por semestre (atualmente cada partido tem direito a um programa semestral de 20 minutos em cadeia nobre e mais 40 minutos de propagandas a serem exibidos em inserções de 30 segundos ou 1 minuto) e recebam ínfimos 1% do fundo partidário (os demais 99% de um valor, previsto no Orçamento, de R$ 112 milhões, serão divididos entre os partidos maiores). Esclarecendo sua dúvida, pois: os votos dados aos candidatos do PTC serão válidos, sim, e contabilizados no cálculo do quociente eleitoral. Assim, se confirmada a expressiva votação de Clodovil, é provável que o costureiro e os deputados que este carregar consigo filiem-se a uma legenda maior posteriormente. Em tempo: vale a pena ler a explicação do TSE sobre como são calculados o quociente eleitoral e o quociente partidário.

Concordo plenamente com vc!Mais axo ke votando nulo se pode tirar essa sujeiro que está, assim eh uma forma, digamos, uma "revolução".Sei lá.Esse assunto foi até tema do debate de história na minha escola, ontem.E eu disse isso, se nun esta satisfeito vota Nulo!Bom essa eh minha opinião!

Abraços e gostei mto do seu blog; Parabens!

Higor, se você "concorda plenamente" comigo, como é que me comete a afirmação de dizer que votar nulo representa uma "revolução"? Tenho a sutil impressão de que você deixou muito a desejar nesse debate...

Concordo com tudo que você falou nesse post.
Também tenho uma pequena observação a respeito da pesquisas políticas:Ao que parece, elas apenas reforçam o monopólio de certos partidos que já estão no poder.Já ouvi muitas pessoas dizerem "Ah, o candidato Fulano de Tal tem boas propostas, mas ele só tem 1% dos votos na pesquisa, não vou jogar meu voto fora".Sinceramente, as pessoas acham que as eleições são iguais ao Campeonato Brasileiro?Fico indignado com esse tipo de pensamento.

Boa colocação. Ainda no clima de comparações ludopédicas, e aproveitando o passe dado pelo Felipe, espero que o clima de torcidas organizadas de futebol, que ameaça se instalar entre simpatizantes tucanos e petistas, se arrefeça após os resultados das urnas. A torcida deve ser pelo Brasil, por todos nós, independentemente de quem vencer as eleições.

Parabéns, muito bom esse teu artigo, recebi a dica pelo Orkut (Tony, na comunidade Ateus, Agnósticos e Felizes, tópico "Eleições 2006"). Gostei também porque é cheia de referências e links úteis.

Teve uma voz discordante que achei simplesmente hilária. Permita-me comentar isso:

"Se for numa loja de roupas, e não tiver a roupa que eu quero, prefiro não comprar. Simples."

Simples? Será que ele vai andar pelado? (rsrsrs)

Grande abraço,

Åsa Dahlström Heuser (Livrepensadora)

Bom Aexandre, primeiro quero te dar os parabéns não só pelo excelente texto ou mesmo pelo blog mto bem feitoo,mas sim parabés por você ser tão culto,inteligente e politizado!!
Realmente fico muito feliz em saber que ainda existem brasileiros como você!!
mais uma vez, parabéns! E eu vou passar o link pro pessoal ler..tem muita gente precisando!rs

Beijos

Excelente teu post, como sempre gosto muito.
Meu querido eu já estive umas 3 vezes tentando deixar comentário, hoje consegui, o PC não abre a caixa- deve ser problema no meu.
Obrigada por participar :)
Um Bj Laura

ah, alexandre, chega a dar até um desânimo!

Esmorecer é algo até natural nos dias atuais. Mas não permita que o ceticismo leve você ao cinismo niilista que tomou conta de boa parte da intelligentsia brasileira; não desista deste país.

Discordo.
Justamente por valorizar o meu voto, que não votarei em nenhum desses candidatos %$&%$&%$. Quem me garante que o Gabeira não seria igual o Lula se estivesse lá? O voto nulo é o resultado da total indignação do que vimos acontecer nos ultimos 30 anos na politica brasileira. Entra PMDB, sai PMDB, entra PSDB, sai PSDB, entra PT, sai (?) PT, e os valores éticos continuam os mesmos... a cultura politica brasileira de corrupção continua,e acho que continuara por um bom tempo... então vou ser contribuinte para eleger esses patifes mais 4 anos?
Minha conciência e meu estômago não aceitam mais isso... Só restou o voto nulo, porque se tivesse como tirar voto de algum politico, ai sim eu escolheria algum.
Eles precisam sentir essa indignacão, eles precisam saber que o povo esta saturado...de que outra forma isso pode acontecer? Não precisa achar que vai anular eleição não, mas é o protesto, é a rejeição.
O problema são as opções!
Se for numa loja de roupas, e não tiver a roupa que eu quero, prefiro não comprar. Simples. E só uma coisa: EU NÃO SOU UMA BESTA. Tenho certeza absoluta disso.

Curioso o seu exercício de adivinhação a la Mãe Dinah, feito quando você afirma: "Quem me garante que o Gabeira não seria igual o Lula se estivesse lá?". Seguindo essa mesma linha de raciocínio, é de se supor que, se você é traído por uma mulher, opta por não se envolver com mais ninguém. Afinal de contas, quem lhe garante que outra moça não agiria da mesma maneira que a anterior, não é mesmo? Falando sério: eu fico estupefato com esse tipo de pensamento que achata o mundo e iguala um Mário Covas a um Paulo Maluf, um Jefferson Peres a um José Janene, um Hélio Bicudo a um Erasmo Dias, um Darcy Ribeiro a um Roberto Jefferson, um Jorge Viana a um Hildebrando Pascoal. No mínimo, é muita falta de conhecimento histórico, uma demonstração do que existe de mais nocivo, mais estéril nesse desprezo desinformado pela classe política como um todo. Escolher os homens e mulheres que decidirão os rumos desta nação pelos próximos anos certamente influenciará a sua vida muito mais do que a aquisição de uma roupa nova. E dizer que nenhum candidato lhe satisfaz, como se absolutamente ninguém dentre os milhares de nomes que concorrem às vagas de deputado, senador, governador e presidente não corresponda minimamente a qualquer uma de suas expectativas com relação a educação, saúde, transportes, turismo ou economia, me soa como uma tremenda falta de vontade em ao menos conhecer as propostas, o plano de governo ou as prioridades elencadas por cada postulante. Estou sinceramente saturado desse tipo de queixa genérica, balbuciadas do tipo "ah, esse país não tem mais jeito mesmo, ninguém presta", coisas de quem não lembra em quem votou, nunca entrou em contato com um vereador ou deputado para cobrá-los por suas decisões, de quem deixa de fazer a sua parte, seja saindo às ruas e participando de manifestações, seja se engajando em alguma atividade que vise o prol coletivo, limitando-se a resmungar por causa dos "patifes", seja lá quem forem eles. Tenho certeza absoluta disso.

Eu, que sempre votei no PT de olho fechado achando-me a mais consciente das pessoas, uma vez órfã de partido... Nunca pensei tanto sobre a política nacional e os políticos quanto nesta eleição.
Não cheguei a boas conclusões, mas o caminho já valeu.
Ainda não completei minha cédula-cola eleitoral, mas vou completar até domingo. Ninguém vai me tirar o direito de expressar minha vontade política. Nem mesmo os políticos.
Um beijo procê, que continua escrevendo ótimos posts.

Dá uma olhada no vídeo que fiz para essas eleições:
http://www.youtube.com/watch?v=bBXbX-_w-_g

Falou tudo, Alê. E pensar que lutou-se TANTO para ter direito ao voto.

As opções são: reclamar, xingar, fiscalizar e votar.
Ou reclamar sem fazer nada e ver quem está comendo quem na novela.
Não está morto quem peleia, né?

E se liga que vozes na minha mente me obrigaram a fazer um blog tb... divirta-se.


Eu também sou mais partidário (principalmente pra deputada federal :D). E também respondo processo!

Excelente o texto, Ina. Claro que o voto nulo é um direito, e claro que esse direito tem o seu significado.

Mas tem gente aí achando que, ao votar nulo, vai provocar uma revolução. Bobagem. O máximo que vai conseguir é diminuir o montante de votos válidos.

O resto é cascata.

Diga-se de passagem, voto na mesma candidata a deputada federal que você. Por crer, dentre tantos motivos, que ela é o símbolo de uma renovação necessária no Legislativo.

Rapaz, enquanto os inconformados com tudo não tomarem pra si a briga e substituírem os que gostam do jogo (não é assim que funcionam as coisas?), não nos resta mais do que informação e um certo grau de confiança. Acredite: teu post de hoje deveria ser espalhado pra todo mundo que ainda tem algum amor por esse país (e eu espero que esse "todo mundo" ainda seja uma maioria significativa). Excelente ajuda em cima da hora.

Um abraço!

Clap, clap, clap, caro Ina! Apesar de ser, digamos, mais "partidário" que você, concordo com absolutamente tudo. Só gostaria de fazer uma ressalva: que o leitor pese com bastante cuidado a consulta à lista de parlamentares que respondem a processos judiciais. Estar respondendo a processo judicial não faz de ninguém, a priori, um bandido. Sem ir mais longe, lembremos que nossa amiga Alcinéa está respondendo a um processo judicial. Muitas vezes, parlamentares que incomodam os interesses dos poderosos passam a vida defendendo-se de processos judiciais. Sim, a consulta à lista é importante, mas também é importante a atenção a que tipo de processo se trata. Era só um pequeno acréscimo, que me pareceu importante nesta época de tantos linchamentos a priori. Grande abraço!

Obrigado por fazer a devida ressalva, Idelber. Porém, é preciso lembrar que a matéria citada deu espaço para que todos os congressistas citados se defendessem, e a maioria optou pelo silêncio. De qualquer modo, como expressei em meu post, reitero: é preciso, sempre, levantar dados, cruzar informações, confiar desconfiando e, a partir das pesquisas realizadas, que cada um chegue às suas próprias conclusões. Um abraço!

Querido, eu concordo em gênero, número e grau com você, acho que todos têm o direito de anular seu voto, cada cabeça uma sentença, mas estaria assim deixando ao léu o que acontece conosco hoje em dia. Ah, vou fazer um post sobre isso, num comentário não dá pra falar tudo.beijos e parabéns querido pelo post.
Ah, e obrigada pela inspiração! :)

A carapuça serviu... um pouco apertada, pois não foi feita para mim, mas com a auto crítica ligada, serviu mesmo. Já estou comprando minha passagem para ir votar.

Fala vizinho de Gardenal!

Só hj li seu texto. Eu nem havia notado que publicamos textos com opiniões opostas praticamente no mesmo dia.

Bom, todos os seus argumentos eram os meus até a última eleição. Respeito todos eles e discordo de alguns, mas infelizmente (ou não) minha opção é pela anulação (talvez eu salvo algum voto pra federal e senador, mas isso ainda não é certeza).

Eu acharia melhor se o voto não fosse obrigatório. Mas os políticos não fazem isso pq têm medo das urnas ficarem às moscas.

Existe voto nulo consciente, afinal, apesar da obrigatoriedade do voto, não é obrigatório ao eleitor que ele se sinta representado por alguém.

Valeu pelo feedback, Tércio. Lamento pela sua decisão, a mesma tomada por muitos cidadãos que acreditaram no mito do monopólio da ética política criada por determinado partido que, infelizmente, decepcionou substancial parte do eleitorado. Ressalto, porém, que o todo não pode ser condenado pela parte. E torço para que suas opiniões sejam revistas futuramente. Um abraço!

Eu fico com vergonha para quem diz "não gosto de política" para justificar sua alienação. É como aquelas pessoas que falam "odeio ler" como se fosse vantagem! Eu entendo isso como um "não sei e não me conte que eu não quero saber".
Eu sempre fui muito ligada em política desde criança. Lembro-me de quando teve um plebiscito, eu tinha uns 7 anos, e eu já tinha a minha opinião formada. Acho que por isso é que eu estou indignadíssima com os comentários que ando escutando sobre as eleições. Voto nulo, já convenci várias pessoas a não fazê-lo. Sem contar aquelas que acham que todo político é ladrão, então vamos ficar com a merda que já está aí. Tudo bem que os candidatos não são o que precisamos, mas não podemos perder a esperança. Vamos dar um voto de confiança para um novo e ver no que dá. É melhor que votar em alguém que já aprontou todas. Se deram uma chance para o Lula que nem prefeito foi na vida e vivia de agorar o governo dos outros, porque não dar uma chance para alguém que tem 30 anos de experiência, subiu degrau por degrau na política e que nunca se ouviu falar nada de mal? Não consigo entender. Pior são aqueles que dizem "ah, vou votar no Lula, ele vai ganhar mesmo". Se o seu time estiver perdendo, você torce para o time adversário? Aposto que não. Vou ficar muito triste se o Lula ganhar. Brasília virou o vaso sanitário nacional nos últimos 4 anos, o que vai acontecer nos próximos 4?

Um abraço!

Na verdade, é um agradecimento pela reunião de alguns – e apresentação de outros – links importantes. Já posso tirar um tanto do meu prejuízo.

E, por conseguinte, do País.

Grato.

Alexandre, seu artigo é um serviço que faltou em muitos veículos especializados, mais preocupados em alimentar a fogueira com informações que só envenam ainda mais o eleitorado, provocando reações como as que encontramos aqui nas caixas de comentários.

Por mais que meu voto vá em massa para o PT, meus votos para deputado e estadual vão para candidatos que eu acredito na competência e honestidade. Eles são o primeiro passo para que uma reforma política seja feita e a possibilidade de colocarmos mais pessoas decentes no legislativo aumente.

E muito divertido perceber que o artigo serviu para você praticar um dos seus esportes favoritos, que é argumentar. E como deu pena de ver algumas pessoas naquele site do nariz de palhaço, como o Lobão.

Abraços

Ina!
Adorei este post. Ótimas justificativas para não anular o voto. Tenho certeza que as pessoas que lerem seu texto vão pensar duas vezes antes de escolher qualquer Zé Mané para nos representar. Indiquei o Pensar Enlouquece para todo mundo que eu conheço. Parabéns!Um super beijo!

concordo com boa parte do que vc disse, mas... convenhamos, considere a eleição ao governo do estado do Rio de Janeiro. você acha que dá para ter orgulho de dizer que vou votar na Denise? eu o farei apenas como voto contra ao Sérgio Cabral, naquela de "vai o menos pior"...

Caro Jorge, o post é essencialmente voltado aos que cogitam votar nulo nas eleições para Câmara e Senado (que, infelizmente, ficam em segundo plano diante das eleições concomitantes para o Executivo), mas, ainda assim, creio que o cenário eleitoral do Rio neste ano é razoavelmente melhor do que em 2002 (quando Rosinha Garotinho, Benedita da Silva e Jorge Roberto Silveira disputaram o seu voto). De qualquer forma, compreendo a sua situação: passei por uma situação terrível em 1990, quando tive que optar no segundo turno das eleições para Governador de SP entre, pfuf, Fleury e Maluf. Foi como escolher entre o capeta e o diabo.

Quando eu crescer quero ser que nem tu.
Beijos.

Você não sabe do que está falando, Andréa... :) Ainda assim, thanks!

Inagaki,

parabéns pelo texto e pela lucidez com que desfia seus argumentos. Para iniciarmos qualquer mudança precisamos iniciá-la internamente antes de mais nada. Senão, corremos o risco de pensar como o simpaticíssimo Calvin.

Grande abraço.

Ina, que nós nos respeitamos, é certo. Mas creio que você se traiu ao dizer, respondendo ao Saboya, que "Atitude muito mais digna do que votar nulo ou nos Cacarecos e Macacos Tiões da vida.".

Não há indignidade em votar nulo. Do mesmo modo que não há indignidade por votar em A ou B ou votar em branco ou mesmo em não votar e pagar o preço.

Indignidade está em trair as promessas de campanha, programas partidários, em mudar de partido como se muda de roupa, em falar uma coisa e votar em outra, em esconder-se atrás da votação secreta para defender corruptos indefensáveis. Indignidade está em membros do executivo corromperem membros do legislativo com dinheiro desviado. Indignidade está em usar a máquina para se reeleger. Indignidade é fazer isso tudo e se justificar dizendo que todo mundo faz. Indignidade é "blindar" um presidente que das duas uma: ou é corrupto ou idiota, a ponto de não saber nada do que continua a ocorrer nas suas barbas.

Por favor, pense melhor, quando se referir a dignidade.

Caro Celso, não creio que você mereça vestir a carapuça. E não vou, a cada réplica que faço a alguns comentários deste post, repetir que as críticas que desfiro a quem vota nulo não devem aplicadas, a ferro e fogo, a pessoas que se engajam em outras atividades desvinculadas à política, mas que também auxiliam na construção de um mundo menos individualista. Há diversas maneiras de ajudar o Brasil a tornar-se uma nação mais digna, seja participando de uma ONG, auxiliando na alfabetização de pessoas carentes ou difundindo as artes por meio de atividades como a participação em um coral, apenas para citar alguns exemplos. Porém, mantenho minha opinião de que é uma enorme injustiça crer que todos os políticos são indignos. O voto nulo implica em uma generalização grosseira que nivela os Jeffersons e Dirceus da vida a parlamentares como Fernando Gabeira e Carlos Sampaio, só para citar dois bons exemplos. Felizmente ainda é possível encontrar gente que exerce a carreira política com a honradez necessária, e que faz com que eu opte por alimentar a esperança fundamentada em vez do ceticismo estéril.

Respeito opiniões contrárias às minhas. E creio que o respeito passa também pela maneira como nos dirigimos a essas pessoas. "Imbecil", "besta","excluído digital", "preguiçoso", "ocioso", "analfabeto político", "burro", além de, indiretamente, 'corrupto em potencial' (últimas palavras do segundo parágrafo) - essa última foi pesada. Quem confia nos seus argumentos não precisa dispor desse tipo de intimidação. Faço trabalho comunitário, tenho firmes convicções apolíticas e meu voto nulo é consciente. Mas não creio que os acomodados vão se mexer diante dos seus impropérios. Você poderia ter deixado a raiva na gaveta. Você perdeu força aí.

Dri, quem possui a consciência de que não veste determinada carapuça não possui o menor motivo para se sentir minimamente ofendido com o que escrevi. Aliás, posso lhe dizer, sem o menor pudor de disfarçar minha satisfação, que recebi 12 e-mails de pessoas que leram este post (5 deles oriundos de alunos de uma classe cujo professor recomendou a leitura de meu blog), pensaram melhor no assunto e decidiram não anular mais os seus votos. E isso sem contar com as manifestações nos comentários deste post e de dois feedbacks que recebi pessoalmente. Ok, admito que posso ter exagerado em uma e outra colocação. Mas eu lhe digo que, em tempos nos quais a vasta maioria da população parece encarar com indolente apatia este clima pré-eleitoral, eu conscientemente decidi escrever um texto repleto de termos contundentes que levassem os incomodados a reagirem de alguma forma às minhas palavras (e às palavras do Brecht e do Bill Watterson). A julgar pelos feedbacks recebidos, creio que acertei no tom. De qualquer forma, agradeço pelas suas ponderações.

Senhor, há as bestas que não votam, há as bestas que votam como se jogassem na loteria, há as bestas que votam como se torcessem por um time de futebol... enfim: temos mais bestas que pastos nesse país. E poucos são os que verdadeiramente se importam. É indecente. A maioria se cala diante de um mimo. O pior dos canalhas, o mais sangue ruim dos assassinos é considerado um bom homem por alguém - basta que a esse alguém o malandro tenha favorecido de alguma forma. É, repito, indecente.

Isso é comum nas empresas, escolas, igrejas, ONGs, filas de INSS a supermercados, e por aí vai. O brasileiro é o indecente sem-vergonha metido a vítima e super-honesto.

Ele tem pressa, fura o sinal, compra o guarda, posa para o radar anunciado; ele quer namorar, mata aula, cola matéria, pede pra alguém assinar a lista de presença; ele pode, ele é certinho, ele é fodão.

O outro não.

Brasileiro nunca trai, só dá uma escapadinha... ah, sem importância... desde que seja ele, não o parceiro, não o amigo, não a mulher, não o empregado, não o outro.

Cidadão nulo anula o voto e confirma. Cidadão omisso vota em branco e confirma. Cidadão alienado vota em qualquer um e confirma. Cidadão conivente vota em corrupto e confirma. Cidadão burro conforma-se e confirma.

Cada um, cada um, mas o Brasil é a soma de todo mundo.

Assuma-se e confirme.

Aquele abraço, senhor!

Como havia citado no meu blog: Há um mal maior do que simplesmente reclamar e reclamar dos políticos desse país; É o da ignorância e preguiça humana.

Você está certíssimo com esse post. E a todos os outros, só tenho a dizer que depois não adianta mais chorar pelo leite derramado.

Engraçado que foi justamente depois de passar alguns dias pesquisando os sites indicados (transparência Brasil e etc.) que resolvi votar em branco nas eleições para deputado deste ano. A regra do quociente eleitoral, além de ser um mistério quase sempre explicado DEPOIS da eleição, faz com que seu voto conte para gente que você nem imagina. Ao votar em alguém que você acha interessante mas que não teria votos suficientes, seu voto conta para a legenda e ajuda a eleger alguém mais famoso e em quem você talvez jamais votaria. Por outro lado, votando em alguém famoso, com muitos votos, seu voto conta também para nanicos que você nem imagina quem é e depois se pergunta:"mas QUEM vota nuns figuras desses?" Pode até ter sido você, sem saber. O dr. Enéas carregou com ele gente que não tinha nem 300 votos. Sem contar que esse ano a regra de votação mínima vai bagunçar ainda mais o coreto, apesar de ter boa intenção.

Por que existem tantos candidatos "pitorescos"? Prá contar voto prá legenda!

Ao visitar os sites indicados, percebi que há picaretas em TODOS os partidos, e embora muita gente pondere que, por exemplo, "devemos separar o PT de Soninha, José Eduardo Cardozo e Suplicy do PT de Palocci e Berzoini", infelizmente a regra eleitoral não faz essa distinção, e o voto conta para todos os PTs. Sem contar que os sites ainda pecam por algumas coisas. O Transparencia, por exemplo, tem apenas candidatos a reeleição. O Candidatos do Brasil não oferece listas simultaneamente por partido e Estado, o que dificulta a avaliação de como seu voto vai influenciar a votação.

E também não temos pesquisa eleitoral para deputado! Precisava ter, até mais do que para os cargos executivos!

Enfim, por isso voto branco. É um voto consciente e branco. Aliás, acho que não votar é um direito tão importante quanto o de votar, desde que seja consciente.

PS.: Matéria escondida do UOL tentando explicar o quociente eleitoral. Outro dia tinha um filminho de flash explicando isso, mas não achei.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u83575.shtml

Otimo tópico para discussão. De fato, a fragilidade dos partidos brasileiros estimula o troca-troca de legendas que ocorre a cada início de ano de eleições. E a regra de quociente eleitoral fez com que os 1,5 milhão de votos dados ao Enéas em 2002 garantissem ao Prona a nefasta façanha de eleger mais 5 deputados federais (lembrem-se disso aqueles que pensam em votar no Clodovil), dentre eles Vanderlei Assis, que tornou-se um dos 70 representantes do estado de São Paulo na Câmara com ridículos 275 votos (como informa este artigo de Rodrigo Freire de Carvalho e Silva). Ou seja, tão danoso quanto o voto nulo é o voto alienado de protesto. Mas vale fazer aqui o seguinte alerta, citando trecho da mesma matéria da Folha citada por você: como o quociente é determinado pelo total de votos válidos, os partidos tendem a se beneficiar caso o número de votos nulos seja maior (quanto menos votos válidos, menor será o quociente eleitoral necessário para a eleição de um deputado). Como explica o advogado Everson Tobaruela na matéria de Andrea Catão: "É por esse motivo que não é feita, pelos partidos políticos e coligações, campanhas para diminuir o número de votos em branco. É para ficar mais fácil se eleger". Por essas e outras, nunca votei em legenda; prefiro votar em um candidato em específico. Em tempo: obrigado pela errata sobre balalaica.

Caríssimo Ina!
Seus textos nunca deixam de me impressionar, principalmente pela clareza. Pensei em tudo isso outro dia mas, infelizmente, acho que enfeitei demais o post e acabei não dizendo nem a metade do que gostaria. Ainda bem que exitem blogs mais objetivos e informativos (como o seu) para salvar o mundo da minha subjetividade!!!!
Beijão!

Mas Inagaki, eu deixei bem claro que em relação a você, concordo com a posição do Voto Nulo. Uma bobeira achar que isso é civilidade.

Mas não se importar com polítcica não significa não poder reclamar depois. Calvin está certo: em política a sociedade tem que ser sempre oposição. É a única forma de manter essa gente na linha. poder corrompe, e não importa quem você seja - no dia que acha não precisar dar satisfação pra ninguém, a tirania está instaurada. Achariamos ruins sermos governados por robôs também.

Eu não voto e já to devendo uns vitnte e tantos reais pra justiça eleitoral. Mas mesmo quem tá devendo 3 reais pode apontar dedo na cara de qualquer político e ainda merece ser tratado por respeito.

Sabe-se lá se o fulano vai votar nas próximas eleições ou não...

Quem não se importa com política é quem não entende que a conta de água, a segurança pública, seu emprego registrado em carteira, a qualidade do transporte coletivo ou os impostos embutidos no maldito pão nosso de todo dia são temas diretamente ligados aos governantes e legisladores a serem eleitos a menos de uma semana. É óbvio dos mais ululantes afirmar que todo mundo tem direito de reclamar: desde os cidadãos apolíticos até o bebê que berra babando porque derrubou sua chupeta no chão. Aliás, em nenhum momento do post afirmo o contrário. O que escrevi, e repito aqui, é isto: "qual é a MORAL que o eleitor nulo terá para reclamar dos impostos que paga?". Optou por omitir-se do processo eleitoral e deixar que outros decidissem por você? Ok, todos têm direito de fazer isso (apesar dos pesares, vivemos em um regime que ainda pode ser chamado de Democracia). Eu só gostaria que essas pessoas que reclamam, reclamam, reclamam dos impostos, do governo e da vida em geral e depois pedem "respeito" me mostrem o que fizeram de prático para tornar a barafunda deste país um lugar menos pior.

É realmente muito triste ouvirmos muita gente tão esclarecida dizendo que vota nulo porque não adianta nada. Essa passividade me deixa preocupada com o futuro dos meus filhos.

Ina, por razões particulares não vou poder votar este ano. Ainda bem porque, caso fosse, até o momento ainda não decidi nada. Já pensei em anular o meu voto, mas depois eu vi que não seria legal. Aliás, eu não conseguiria fazer isso. Beijocas

Só uma correção :

Funcionário público não é obrigado a votar. É obrigado a estar quites com a justiça eleitoral. Seja votando, justificando ou comparecendo ao cartório eleitoral em até 90 dias após as eleições para regularizar sua situação (o que implica no pagamento de uma multa de R$ 3,51).

Digo com conhecimento de causa.

Falou !

Rods

A partir do m