Está online na TV Tatuapé um novo programa HQ Além dos Balões mostrando um compacto do que rolou no debate sobre A Internet e os Quadrinhos Independentes realizado no dia 27 de abril no Planeta Tela. O debate contou com a participação do Jozz, do Leonardo Pascoal, do Harriot Jr, do Will e também de um tal de Cadu Simões. A moderação foi feita pelo Eloyr Pacheco, editor do site Bigorna.
É engraçado me olhar no vídeo e perceber que meus alunos não estão exagerando e realmente possuem razão; eu falo rápido pra caralho. Nem eu estava me entendendo no video. Acontece que meu cérebro é um turbilhão de idéias e funciona a mil por hora, aí quando eu vou falar tento acompanhar o movimento frenético e caótico dos meus pensamentos. E olha que devido a meu problema de insônia, evito tomar cafeína, do contrário, seria mais elétrico ainda. Aí é que ninguém iria mais entender o que eu falo mesmo! =)
Mas enfim, assistam ao programa e depois me digam o que acharam.
No último sábado aconteceu no campus da Uninove Vergueiro o evento HQ & Cultura do qual eu e outros quadrinistas independentes fomos convidados a participar. Cheguei lá por volta da nove da manhã e me encontrei com o Harriot e com o Will pra montarmos a nossa bancada de fanzines e quadrinhos independentes.
Além dos meus fanzines, levei também os fanzines e quadrinhos que vendo lá na minha barraca na feira de artes e artesanato de Osasco. A esses títulos que eu levei, juntou-se o material dos quadrinistas independentes que lá estavam, fazendo com que nossa bancada ficasse com uma grande variedade de quadrinhos, de diversos estilos, gêneros e formatos, chamando muito a atenção do público presente no evento. Foi algo muito parecido com que já tínhamos feito no último Angelo Agostini.
O legal disso é ver que muito da minha ambição de unir os quadrinistas independentes está dando certo. Pois juntos fazemos muito mais barulho do que sozinhos, e assim, conseguimos nos fazer escutar pelos habitantes lá do mundo da superfície, como já havia expressado no editorial da Garagem Hermética #1. Estamos saindo dos subterrâneos e conquistando o nosso espaço na superfície. E este é um movimento que tende a crescer cada vez mais.
No evento participamos também do debate O Fanzine e o Século 21. Basicamente foi um repeteco do debate que fizemos no dia anterior no Planeta Tela sobre Quadrinhos e Independentes e Internet. O consenso a que se chegou é que a Internet e os meios digitais como um todo vieram pra facilitar em muito a vida do quadrinistas nas diversas etapas de produção de uma hq, seja na parte da criação propriamente dita, ou na parte de venda, distribuição e divulgação da obra. Só não chegamos a um acordo com relação a validade comercial das webcomis no Brasil, mas esta é uma questão que só será respondida com o tempo. A minha opinião sobre o assunto, vocês já conhecem!
Enfim, foi um evento bem legal. O HQ & Cultura foi bem proveitoso para nós quadrinistas independentes e espero que tenha sido para o público também, que teve a oportunidade de conhecer uma grande variedade de quadrinhos que muitos nem mesmo sabiam que existiam, pois não é um material que possa ser encontrado nos lugares “habituais”. Aliás, só esse fato deles descobrirem que existe também quadrinhos de qualidade sendo produzido além do universo das bancas e das livrarias, já fez o evento valer a pena. E eu espero que essa consciência se propague cada vez mais entre o público leitor de quadrinhos. E se depender de nós, isso realmente irá acontecer.
Fiquem agora com algumas fotos do evento que foram tiradas pelo Gil Tókio, que é o quadrinista independente dono das piadas mais infames que já vi. Até mais do que as minhas. =)
E obrigado pelas fotos Gil!
Nossa bancada de fanzines e quadrinhos independentes. Variedade de estilos, gêneros e formatos.
O público do evento apreciando os quadrinhos da nossa bancada.
Os quadrinistas independentes mutantes ninja e barbudos reunidos antes do debate começar.
Detalhe do Paulo Ramos do Blog dos Quadrinhos ao fundo prestando uma baita atenção no nosso debate. =)
Para conferir mais fotos do evento, visitem o meu álbum no flickr.
Eu estava devendo um relatório do que rolou na entrega do 23º Angelo Agostini, então segue algumas das minhas considerações sobre o evento. Eu cheguei no Sesc da Lapa por volta das 11h da manhã junto com o Leonardo Melo pra montarmos a nossa banca de fanzines lá no evento. Aliás, a banca tomou proporções gigantesca pois além dos fanzines que eu levei pra vender da minha barraca de fanzines, a cada novo fanzineiro e quadrinista independente que chegava por lá, deixava suas revistas e fanzines na banca pra gente vender. E o engraçado é que a banca de fanzines estava montada de frente ao estande da Comix. Parecia até a Aliança Rebelde contra o Império Galáctico, só que sem os X-Wings, os TIE fighters e a Estrela da Morte. =)
A primeira atividade do dia estava marcado para às 13h, e era uma palestra sobre “Edição de Revistas Independentes” da qual eu participei como editor da Garagem Hermética, apesar de ter repassado o meu cargo pra minha amiga Roberta. Aliás, teria sido muito melhor se ela tivesse participado da mesa, pois além de agraciar as pessoas do auditório com sua beleza, ela é uma garota inteligente e educada e não iria ficar falando um monte de baboseiras chulas que nem eu. Mas na próxima vez, podem ter certeza, será a vez dela.
No começo da palestra eu estava meio nervoso. Eu costumo assistir a palestras sobre quadrinhos há mais ou menos uns 10 anos, e foi uma sensação meio estranha estar pela primeira do outro lado da mesa, olhando para a platéia. Talvez por isso eu tenha soltado tantas baboseiras. Mas na medida do possível eu tentei passar um pouco da minha experiência como fanzineiro, e principalmente da experiência que adquiri editando uma revista independente junto com meus companheiros do Sócios Ltda. Espero que minhas palavras tenham servido de alguma coisa para os quadrinistas que estavam ali presente e que os tenha motivado a partirem pra produção independente, pois a cada dia que passa eu me convenço mais de que a única saída pra construção de um mercado de quadrinhos nacional forte e consistente são os os próprios quadrinistas tomarem a iniciativa. Não dá mais pra ficar esperando pelas editoras, ainda mais as grandes que não estão nem aí pro quadrinista brasileiro.
Inclusive, fiquei feliz de ver a grande quantidade de quadrinhos independentes que foram lançados lá no dia da premiação. Isso mostra que a filosofia “independência ou morte” está contagiando cada vez mais quadrinistas. Quanto mais títulos forem lançados, melhor é pra todo mundo, pois com a cena independente crescendo, ela começa a ganhar mais visibilidade, e com isso, mais força e importância. Só assim ela ira superar a barreira do próprio gueto dos fanzineiros e alcançar o “leitor comum”, fora do “mundo subterrâneo”. Alcançando este leitor, o quadrinistas independente terá um melhor feedback para melhorar a sua produção e evoluir como quadrinista. Ele ganhará ritmo de produção e aprenderá a se adequar ao gosto do seu leitor. E quando isso acontecer, saberemos então que as bases para a consolidação do mercado de quadrinhos brasileiro estarão prontas. A partir daí, os quadrinhos brasileiros estarão prontos para competir de igual pra igual com os títulos gringos.
É claro que esse cenário “idílico” que concebi acima levará anos pra se concretizar. Se tudo continuar ocorrendo como o esperado, eu prevejo uns 15 a 20 anos pra chegarmos até lá. Ou seja, a geração de quadrinista a qual pertenço na verdade apena irá pavimentar o terreno para a próxima geração que irá se formar. E só isso já será uma grande vitória, pois este é o grande problema para o mercado de quadrinhos nacional ainda não ter se consolidado apesar de ser tão antigo quanto outros mercados no mundo; ele não possui continuidade entre suas gerações de quadrinistas, mesmo com esse mercado já tendo alcançado patamares invejáveis de vendas. Havendo continuidade, as novas gerações de quadrinistas passarão a tomar como referência para seus trabalhos a gerações mais antigas, criando assim a tão discutida e polêmica “identidade” dos quadrinhos brasileiros. E a novas gerações de leitores não verão mais os quadrinhos brasileiros como algo alienígena, pois por mais contraditório que isso pareça, é o que acontece hoje em dia. As novas gerações tomarão a publicação de quadrinhos brasileiros como algo natural e habitual a ponto de não diferenciarem a nossa produção da produção gringa em questões técnicas e artísticas mais genéricas, mas reconhecerão um estilo todo próprio de fazer quadrinhos no Brasil, seja qual for a temática abordada, de histórias do cotidiano a ficções científicas cyberpunks. E se depender de mim e dos demais quadrinistas guerrilheiros que estão juntos comigo nesta empreita, esse cenário vai se tornar real por mais fantasioso que ele se pareça agora. Daqui a 20 anos veremos que todo o esforço valeu a pena.
Pois bem, acabei de perceber que comecei a delirar demais e fugi do assunto principal do post que era o Angelo Agostini. De certo modo, não foi uma fuga tão desconexa assim, mas deixaremos essas lucubrações sobre o mercado de quadrinhos nacional para posts futuros na qual irei ensinar táticas de guerrilha pra o quadrinista independente. “Lição número 1: Como tomar de assalto o leitor desprevenido”. =)
Por hora, fiquem com um relatório mais completo e menos delirante do 23º Angelo Agostini no site do Zine Brasil. E confiram também a cobertura do Prêmio Angelo Agostini feita pelo programa HQ Além dos Balões. E abaixo você confere algumas fotos do evento.
A nossa bancada rebelde de fanzines.
A mesa redonda sobre quadrinhos independente. Incrível como eu sai com uma cara de bêbado nesta foto. Tenho certeza que tinha mais alguma coisa além de água naquelas garrafas.
A platéia do auditório durante a premiação.
Para conferir mais alguma fotos, visitem o meu flickr.
Tenho recebido nos últimos dias diversos e-mails de quadrinistas me perguntando como participar da Garagem Hermética. Então resolvi fazer este post pra explicar como é o nosso processo de seleção de histórias caso tenha mais algum louco por aí que queria colaborar com a gente.
Para participar da Garagem Hermética basta nos enviar a sua história em quadrinhos para a avaliação do conselho editorial da revista, da qual eu faço parte. Uma vez aprovada por maioria pelo conselho, a sua hq entra no nosso banco de histórias, e então fica sobre decisão da Roberta Bronzatto, nossa editora bonita e limpinha, se a história já entra na próxima edição ou aguarda pra ser publicada numa edição futura, dependendo do espaço disponível na revista.
Assim sendo, histórias mais curtas tem mais chances de entrar na revista. No entanto, aceitamos hqs mais longas também, mas se ela tiver mais do que 8 páginas, então você deve quebrá-la em mais de uma parte para ser publicada em mais de uma edição. Por isso é bom pensá-la de forma a ter um bom gancho ao final de cada parte para instigar o leitor a acompanhar a próxima parte da história que será publicada numa edição seguinte da Garagem.
Também aceitamos hqs seriadas, mas neste caso, ela deve ser fechada em arcos menores, como se fosse uma temporada de um seriado de tv. E o arco inteiro deve ser apresentado para avaliação, nem que parte dele seja apenas no roteiro, pra estudarmos se há viabilidade de publicá-lo até o final na revista. Esse costuma ser o sistema adotado por revistas mix na qual a Garagem Hermética se inspira, como a Métal Hurlant e a 2000AD.
Se você é apenas um roteirista como eu e não conhece nenhum desenhista com quem possa formar uma dupla de criação, não precisa se preocupar pois também aceitamos o envio de roteiros. Se o seu roteiro for aprovado pelo conselho, então tentaremos achar um desenhista que se habilite a desenhar a sua história. É claro que este processo de procura de desenhista costuma ser demorado, por isso se você mesmo já conseguir arranjar um desenhista, tanto melhor. Junto com o roteiro deve ser enviado uma sinopse de no máximo três parágrafos descrevendo de forma rápida e concisa como é a sua história para facilitar o nosso processo de avaliação.
Por fim, você deve estar consciente de que a colaboração para a Garagem Hermética não é remunerada e sua história será disponibilizada na revista sob a licença Creative Commons. No entanto, os direitos da história continuarão pertencendo aos seus respectivos autores e estão assegurados pela Lei nº 9.610/98 que rege os direitos autorais no Brasil.
Bem, é isso, qualquer dúvida é só deixar aí nos comentários, ou me enviar um e-mail.
Você que é aspirante a quadrinista não pode deixar de ler a coluna da Gabriela Kato no site Homem Nerd, onde ela pretende focar na produção de fanzines e histórias em quadrinhos. Nesta primeira coluna o assunto é como adequar a sua hq a determinado público-alvo. As dicas que ela passa lá são valiosas.
Eu só não concordo com uma coisa que ela escreveu. Na minha opinião, não vale a pena perder tempo tentando agradar aos otakus. A maioria deles só lê mangás e nada mais. E mesmo assim, uma grande parcela dos otakus nunca leu algum mangá realmente de qualidade, como Akira ou Lobo Solitário. Então, não importa o que você faça na sua hq, eles irão desprezá-la, seja por ignorância ou puro preconceito. Ou seja, há públicos-alvo mais interessantes e recompensadores para se focar, mesmo se seu estilo for mangá. Até mesmo porque seu estilo nunca será um “mangá puro”, mas sim uma hibridação, pois você vive no Brasil, e portanto, sofre as influências da cultura brasileira, que por si só já é pluricultural e hibrida. Por isso que digo que o “manga brasileiro” não existe. O que existe na verdade é quadrinhos brasileiro com influência da estética do mangá.
No mais, sugiro que comecem a prestar atenção na Gabriela Kato, pois ela será uma promissora editora. Digo isso não só pela sua formação acadêmica, mas porque a Gabi é fanzineira e está por dentro do que está rolando na cena de quadrinhos independente e alternativo brasileiro. Muito diferente de algumas pessoas que só sabem repetir que quadrinhos brasileiros são ruins sendo que não conhecem nem 1% do que é produzido atualmente. A Gabi, por sua vez, não só conhece essa produção, como sabe que tem coisas boas aí no meio, e que elas têm muito potencial pra melhorar ainda mais se bem editadas. Ela, assim como o Leonardo Pascoal, o Renato Lima, o Lorde Lobo, entre outros, pertencem a uma nova geração de editores que saberão fazer isso com maestria e serão os responsáveis pela virada de mesa do quadrinhos brasileiro. De olho neles cambada! =)
Na minha barraca de fanzines na Feira de Artes, Cultura e Laser de Osasco, tenho o costume de deixar os fanzines pendurados em cordas estendidas pela barraca como se fossem um varal de roupas. Isso sempre acaba gerando a seguinte pergunta das pessoas: “O que é isso? Literatura de Cordel?” Ao que eu prontamente respondo: “Não, é Quadrinhos de Cordel”. =)
Estou com essa barraca de fanzines na feira desde outubro do ano passado, e o que percebi neste poucos mais de três meses é que o público em geral não faz a mínima idéia do que é fanzine e principalmente, de que existe quadrinhos brasileiro além da Turma da Mônica.
Mas isso não é algo ruim não. Pelo menos não de todo ruim. Ao contrário do fã típico de quadrinhos, como os fanboys e os otakus, que não conhecem a produção de quadrinhos brasileira por puro preconceito, esse público da feira não a conhece por simples ignorância mesmo. E quando digo ignorância, não utilizo a palavra no sentido pejorativo. Eles ignoram os quadrinhos brasileiros simplesmente porque nunca antes tiveram contato com isso.
Cabe então apresentar esses quadrinhos a eles. O que é uma tarefa muito mais fácil do que apresentar quadrinhos brasileiros aos fanboys, pois como eu disse, diferente desses, o público em geral não possui um preconceito enraizado em si, e aceita o que é novo muito mais facilmente do que o cara que só lê Marvel e DC.
Essa é na minha humilde opinião a saída pro quadrinhos brasileiro. É criar público novo. Esqueçam os fanboys e os otakus. Esses aí já são casos perdidos. Você quadrinistas independente deve se focar no público em geral. Mas cabe aqui uma ressalva. Focar no público geral não quer dizer que você não possa fazer histórias para um público de nicho. Pelo contrário. Não só pode como deve. Mas nunca se limite apenas a quem já é leitor de quadrinhos. Lembre-se, é preciso criar público novo. Se você meu amigo quadrinistas fizer isso, estará conseguindo uma proeza que nem mesmo as grandes editoras mais conseguem fazer.
E é o que venho tentando fazer na minha barraca de fanzines. O Homem-Grilo tem agora uma parcela de leitores que antes nem sequer tinham o hábito de ler quadrinhos. Se me dissessem há um tempo atrás que meu personagem seria capaz de criar novos leitores de quadrinhos, nem eu mesmo acreditaria. E ainda mais novos leitores entre as crianças. Mas abordarei essa questão com mais detalhes em um post futuro.
Nessa foto acima você vê ao fundo o Ricardo Marcelino, o co-criador do Homem-Grilo, desenhando enquanto as pessoas o observam. Como você podem ver, o Ricardo não é um produto da minha imaginação como muito gente alega. Ele realmente existe e neste ano ele voltará a ativa para podermos lançar a revista em quadrinhos do Homem-Grilo (assim pelo menos eu espero).
Pra conferir mais fotos da minha barraca de fanzines, acessem meu álbum de fotos no flickr.
No último final de semana, como noticiado aqui, foi realizado o 3º Enquadrando, que já está se tornando um referencial para os quadrinistas da grande São Paulo. No sábado, quando eu cheguei lá na Devir, onde o evento foi realizado, já era mais ou menos uma hora da tarde. Eu pretendia chegar mais cedo pra pegar a palestra da Maria Helena, diretora da Gibiteca Henfil, pra saber afinal que fim vai levar a gibiteca, mas como acordei muito tarde, e moro no farwest de São Paulo (também conhecido como Osasco), não deu.
Quando cheguei, logo me encontrei com o Bira Dantas, e peguei com ele alguns exemplares do fanzine dele pra vender na minha barraca na Feira de Arte, Cultura e Lazer de Osasco. Me encontrei também com o Jorge, do Zine Royale, que me deixou alguns de seus fanzines pra vender na minha barraca.
Então fui assistir à palestra do Odair Braz Junior. Enquanto todo mundo tava interessando no rolo da Pixel com a Dc Comics, eu tava pouco me fudendo pra isso, e tava mais afim mesmo de saber quais seriam os próximos títulos de quadrinhos nacionais que a editora iria lançar. A Pixel para mim tem se mostrado uma das poucas editoras realmente disposta a apostar nos quadrinistas brasileiros, e principalmente, nos quadrinistas novos (ou ao menos novos para o grande público).
Mas também foi interessante ouvir os Odair dizendo quais seriam as propostas da Pixel caso a editora tivesse ficado com os títulos da DC. Em resumo, o foco editorial seria divulgar a linha de títulos para um público mais abrangente, que não é habitual leitor de quadrinhos de super-heróis, tentando formar novos leitores, algo que já não é feito há um bom tempo, desde da idiota idéia da Abril de criar a linha Premium, quando publicava a Marvel e a DC, dando início ao ciclo vicioso que vemos hoje em dia com quadrinhos cada vez mais caros e para um público cada vez menor, elitizando assim algo que deveria ser em essência produto de massa, ainda mais em se tratanto de quadrinhos de super-heróis.
O Odair disse que provavelmente os títulos da DC continuarão a ser publicado pela Panini, o que na minha opinião, é uma pena, pois se a Pixel realmente colocasse em prática essa linha editorial de “popularização” dos quadrinhos de super-heróis, focando mais o “leitor comum” ao invés do fanboy, teria sido muito mais benéfico que os títulos da editora tivessem ido pra Pixel, não só para a própria DC, como para o mercado de quadrinhos em geral, incluindo o nacional.
E o Odair até se mostrou pessimista quanto ao mercado editorial de quadrinhos no ano que vem caso a Panini confirme mesmo o seu monopólio. Vale lembrar que a editora italiana passará a publicar também os quadrinhos da Turma da Mônica, dominando todo o segmento de quadrinhos voltado para as bancas de jornal, impedindo qualquer sobrevivência de outra editora neste meio. Ou seja, sem concorrência, o ciclo vicioso continua, quadrinhos mais caros para cada vez menos gente.
Depois foi a vez da palestra do Worney de Souza sobre o 23º Prêmio Angelo Agostini. E começou falando um pouco do histórico do Ângelo Agostini e depois explicou como surgiu o prêmio que leva o seu nome e que premia as melhores publicações e quadrinistas do mercado nacional. Por fim, ele distribui cédulas de votação para os presentes. Vale lembrar que eu estou concorrendo com duas publicações como eu informo melhor aqui.
Então o Spacca assumiu a mesa e falou sobre o seu álbum Santô e os Pais da Aviação e sobre seus projetos futuros, todos na linha de romances históricos ou bibliográficos. Para mim a palestra dele foi bastante interessante, pois tenho pretensão também de fazer quadrinhos histórico, ainda mais que agora sou um historiador formado, e adquiri um grande conhecimento pra fazer algo assim. Apesar que eu prefiro muito mais fazer quadrinhos de História Alternativa, que é um segmento da ficção científica que consiste em pegar um fato histórico como base pra sua história, mas alterar os eventos de forma a criar uma realidade alternativa a nossa História. Acho muito mais divertido brincar com a História deste jeito. As possibilidades são infinitas. Eu já comecei a escrever um roteiro de uma hq sobre a Guerra do Paraguai onde o Paraguai é que ganha a guerra, e domina o sul do Brasil transformando-o num estado independente do resto do país, que chamaria República do Prata (que seria o nome da hq), mas o projeto ainda está muito no começo e precisa ser melhor formatado.
Após o Spacca, seguiu a palestra do Ricardo Leite, desenhista do álbum Destino Oeste, que eu ainda não conhecia, e fiquei muito impressionado com a arte ao folheá-lo lá no evento. Ele falou sobre como foi a produção do álbum, e também sobre a lei de incentivo cultural de Cuiabá que ele utilizou pra financiar sua hq.
O Ricardo também faz a revista independente Gorjeta, com que eu troquei alguns exemplares por algumas Garagens Herméticas. Assim, ele leva para o Mato Grosso algumas revistas minhas pra vender lá, e eu vendo as revistas dele aqui em São Paulo. Esse hábito de trocar revistas com quadrinhistas independente de outras cidades, e principalmente, de outros estados, eu apreendi como o Renato Lima, editor da Jukebox. É uma ótima forma de distribuir a sua revista através do país, ainda que em proporções pequenas, mas como a nossa tiragem também é pequena, então esse sistema serve muito bem. Desta forma, já consegui enviar a Garagem pra Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Maceió. E se tiver algum quadrinhista independente que queira trocar suas revistas pela Garagem, é só entrar em contato comigo no e-mail homemgrilo@terra.com.br
Terminado a programação do enquandrando, tivemos o Will falando sobre a revista independente A Mosca no Copo de Vidro e o Márcio Baraldi falando sobre o lançamento do novo álbum do Roko-Loko. Aliás, assistir a uma palestra do Baraldi é sempre um evento divertidíssimo, pois o cara é uma figura. E partir daí começaria a programação da Maratona HQ, programada pela própria Devir.
Ela começou com uma palestra dos gêmeos Fabio Moon e Gabriel Bá, mas logo se juntaram a eles na mesa Fernando Gonzáles e Lourenço Mutarelli pra falarem sobre a adaptação de histórias em quadrinhos pra outra mídias. Esse ao menos era o tema da palestra, pois na verdade ela se desviou e se discutiu de tudo um pouco. E pra fechar o dia, teve ainda uma palestra do Sidney Gusman sobre jornalismo especializado em quadrinhos, algo que tem crescido muito nos últimos tempos, segundo constatação do próprio Sidão.
Ele começou contando sobre como iniciou sua carreira no jornalismo de quadrinhos e contou sua experiência profissional também em outras áreas. Depois, falou um pouco de como está sendo a experiência no seu novo trabalho no estúdio do Maurício de Souza. A palestra do Sidão estava muito boa, e bem divertida, mas eu infelizmente não pude ficar até o final, pois já era tarde, eu como eu disse, moro no farwest e o último trem pra cá sai a meia-noite, apesar de a tentação de ficar lá pra pegar os descontos de 40% nos álbuns da Devir que seriam dados durante a madrugada era grande. Mas como tinha de trabalhar no dia seguinte no domingo na minha barraca de fanzines na feira cultual de Osasco, acabou não dando. Mas quem sabe no ano que vem eu faço isso.
Eram nove horas da manhã quando cheguei na Biblioteca Municipal de Osasco no último sábado, dia 25 de novembro, para preparar os últimos detalhes do Zine Osasco, que iria começar às dez horas. O Zine Osasco é um evento sobre fanzines e quadrinhos independentes cujo objetivo é servir como um ponto de encontro entre fanzineiros, quadrinhistas e leitores para trocar idéias e discutir sobre a produção de quadrinhos e o mercado nacional, além de divulgar o trabalho dos quadrinistas iniciantes, incentivando-os a produzirem cada vez mais para assim melhorarem suas habilidades e perícias na confecção de uma história em quadrinhos.
O evento foi formatado da seguinte maneira: uma exposição dos fanzines inscritos que iram compor o novo acervo de fanzines da Biblioteca; uma exposição de ilustrações cujo tema desta primeira edição do evento foi mitologia grega; e por fim, uma série de palestras com temas pertinentes a produção independente.
A primeira palestrante do dia foi Beth Kodama, substituindo a Elza Keiko, que não pôde comparecer. Beth deu dicas e noções básicas sobre edição e diagramação de uma revista para os presentes, além de contar a sua experiência pessoal como fanzineira com os fanzines Kanetsu e Ethora Especial. Para aqueles que sempre quiseram fazer um fanzine, mas não tinham muita noção de como, a palestra da Beth foi bem enriquecedora.
Após uma pequena pausa para o almoço, foi à vez de Zé Oliboni, editor do site Pop Balões, dar a sua palestra sobre quadrinhos na Internet. Zé contou a experiência que ele está tendo com a publicação de quadrinhos no seu site, e também sobre outras experiências bem sucedidas de sites que publicam quadrinhos online, como a Nona Arte de André Diniz, e o Quantoon, da Quanta Academia. Oliboni destacou a importância da Internet como um ótimo meio de divulgação para os quadrinista, mas ressaltou que eles devem pensar mais em fazer quadrinhos adaptados a Internet ao invés de ficarem presos aos padrões das hqs impressas, já que na Internet é possível ousar mais neste aspecto, pois não há as limitações do formato do papel.
A última palestra do Zine Osasco foi realizado por Eloyr Pacheco,Will, Leonardo Pascoal, e Caio Majado. A palestra começou com cada um deles contando um pouco das experiências pessoais na área de quadrinhos e apresentando seus respectivos trabalhos. Depois foi a vez deles falarem um pouco da revista em quadrinhos A Mosca no Copo de Vidro e Outras Histrórias que eles produziram juntos. Então começou-se a discutir sobre a crescente produção independente de quadrinhos no Brasil. O consenso que se chegou com essa discussão é que a produção independente é extremamente importante para a criação futuramente de um mercado de quadrinhos nacional consistente, estável e extremamente profissional.
Mas para que isso seja possível, é preciso que haja uma conscientização dos quadrinistas de que este mercado só se tornara uma realidade a partir da iniciativa deles mesmos, que devem produzir cada vez mais, ao invés de ficarem parados esperando que as editoras os publiquem. E felizmente este é um movimento que já está acontecendo, e espero que a produção independente cresça cada vez mais a ponto de chamar a atenção dos leitores de quadrinhos, cuja grande maioria ainda não faz nem idéia da existência deste cenário independente no Brasil. O 1º Zine Osasco deu um passo nesta direção, uma pequena contribuição para que o leitor possa tomar conhecimento de tudo isso e também interagir de perto com os quadrinhistas independentes.
Por fim, posso dizer que os saldos do 1º Zine Osasco foram positivos. Gostaria de agradecer aos convidados que gentilmente aceitaram dar as palestras e principalmente, aos fanzineiros que participaram ativamente do evento. Sem vocês, ele não teria sido possível. Valeu!
E para conferirem a fotos do evento, visitem o meu álbum de fotos.
“Quadrinho independente, cara. Dá uma olhada! Ô, meu, pára aí, dá uma olhada! Dá uma olhada, cara, é oitenta centavos! Quarenta! É de graça! EU PAGO PRA VOCÊ LEVAR!!!”
Isso foi dito pelo Rodrigo numa desesperada tentativa de vender o seu fanzine No FioFó Todo Dia para um apressado otaku com duas sacolas cheias de mangás no portão de saída da Fest Comix, feira de quadrinhos que foi realizada no final de semana passado.
A Fest Comix a cada ano que passa se torna cada vez maior. Lembro da primeira edição do evento, há alguns anos atrás, quando era apenas algumas tendas em frente à própria loja da Comix. Depois o evento migrou para o terraço do prédio da Gazeta, que logo se tornou pequeno pra tanta gente, e agora o evento mudou para o colégio Marista Arqueodecesano, onde tipicamente já são realizados os eventos de anime.
É legal ver a quantidade de pessoas que visitam uma feira dessas, pois por aí é possível saber que existe um grande público ávido por consumir quadrinhos. Só é uma pena que a grande maioria desse público ainda não se interessa por quadrinhos nacionais, muitas vezes por puro preconceito, simplesmente porque é nacional. Foi o que eu constatei lá na Fest Comix nos dois dias em que fui vender a Garagem Hermética. Felizmente também existem pessoas que não possuem este tipo de preconceito, o que garantiu boas vendas da minha revista.
Fui no primeiro dia da Fest Comix, na quinta-feira, feriado de finados, esperando encontrar uma fila quilométrica na entrada como acontecia lá nas edições do evento no prédio da Gazeta, mas para minha surpresa, já quase não tinha fila nenhuma. O que foi uma pena, pois pelo menos pra nós fanzineiros, filas são ótimas pra podermos vender nossos quadrinhos. =)
A minha idéia inicial era colocar a Garagem Hermética pra vender lá na Fest Comix, mas os organizadores da feira queriam cobrar 50% de comissão, o que tornou completamente inviável. Nós do coletivo Sócios LTDA que fizemos a Garagem, não temos a intenção de obter lucro com a revista. O preço de R$ 3,00 reais que cobramos é apenas para cobrir os gastos de produção e pagar o próximo número. Com uma comissão alta deste jeito iríamos sair num puta prejuízo. O jeito então foi vender lá fora do evento mesmo.
Na saída da Fest Comix encontrei com o Leonardo Melo e com o André Caliman da excelente revista em quadrinhos Quadrinhópole, que tiveram a moral de virem de Curitiba pra venderem a revista deles no evento. Começamos então a vender as revistas dando desconto pra quem levasse tanto a minha quanto à deles juntas. De início as vendas estavam meio fracas, mas conforme o pessoal foi deixando a Fest Comix, as vendas começaram a melhorar. Mas pro nosso azar, eis que começa um puta pé d'água a cair sobre nós. Pelo jeito São Pedro não gosta de fanzineiros. Mas como somos teimosos, não arredamos o pé, e continuamos ali vendendo. E até que conseguimos vender algumas revistas, mesmo debaixo de chuva.
Na sexta-feira eu não fui, e só voltei ao Fest Comix no Sábado. Lá me encontrei novamente com o Leo e com o André, e desta vez pra completar o “time”, apareceu os malucos do zine FioFó; o Caio, o André e o Rodrigo. Voltamos a vender nossas revistas lá fora, mas quando foi 16h, nós entramos dentro da Fest Comix, pois o Leo e o André iriam fazer uma entrevista no auditório sobre a Quadrinhópole. Chegamos lá, e tava rolando uma palestra com os quadrinistas da Quanta Academia que trabalham pro mercado norte-americano. Eu ainda consegui vender algumas Garagens pro pessoal que estava lá no auditório enquanto o Leo e o André foram falar lá na frente. E no auditório eu também encontrei com o Pablo Casado e finalmente tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente, e ele ainda me presenteou com alguns de seus fanzines. Depois rolou uma palestra dos gêmeos Fabio Moon e Gabriel Bá, só que eu não fiquei pra assistir. Como já assisti um monte de palestra deles, achei que não iria ouvir nada de novo, e resolvi sair lá fora pra vender. Nada contra os gêmeos, é claro, inclusive já disse milhares de vezes que eu comecei a fazer fanzines por causa deles, mas melhor do que ouvir mais uma vez o discurso deles de “tem que fazer!”, é colocar em prática pra ver se funciona. E não é que funciona mesmo?! =)
Bem, no fim, eu posso dizer que a Fest Comix foi muito proveitosa. Eu só acho que os organizadores deveriam dar uma força maior pros quadrinistas independentes. E nem precisa de muita coisa, apenas cobrando uma comissão menor já seria uma puta ajuda. Afinal, é preciso ter consciência de que o quadrinista não possui a mesma intenção de lucro que uma editora possui, até mesmo porque ele não terá, e na maioria das vezes, como é o nosso caso, o lucro é zero. Ao ajudar os quadrinistas independentes, a feira estaria colaborando com a criação de um mercado de quadrinhos nacional estável e forte, e isso, eu acredito, será extremamente benéfico a longo prazo para eles mesmo. Mas enfim, eu sou apenas um ingênuo sonhador (apesar de insone) e pode ser também que eu esteja falando um monte de besteiras. Mas de qualquer forma, o jeito é continuar vendendo as revistas na rua, mesmo debaixo de chuva. =)
Segue algumas fotos do evento:
Garagem Hermética e Quadrinhópole, uma parceria de sucesso!
Fanzineiro que é fanzineiro, vende quadrinhos até debaixo de chuva!
Aplicando minha técnica ninja de venda com os olhos fechados.
Pra conferir todas as fotos, acessem o meu Flickr.
Este post foi transferido para o seguinte endereço: http://grilocaverna.homemgrilo.com/2006/10/29/feira-de-artes-cultura-e-lazer-de-osasco/
Este post foi transferido para o seguinte endereço: http://grilocaverna.homemgrilo.com/2006/10/20/somos-todos-undergrounds/
Na foto acima estou eu, com cara de bêbado insone, e o Renato Lima, fazendo propaganda da minha revista, a Garagem Hermética, no lançamento aqui em Sampa da revista dele, a Jukebox.
Agora sou Eu e o Leo Finocchi. O incrível é que eu consegui sair com a mesma cara da foto anterior.
E por fim, foto da banquinha de revistas independentes que o Renato montou durante a festa. Detalhe ao fundo da minha mochila “Aluno Presente” que eu surrupiei da escola em que eu trabalho. =D
A festa de lançamento da Jukebox foi bem legal (até o programa Metrópoles da Tv Cultura apareceu por lá). Espero que essa seja apenas a primeira de muitas aqui em São Paulo. E queria agradecer ao Renato Lima pela gentileza de ter permitido que eu vendesse a Garagem Hermética na festa dele. Valeu mesmo cara! E pros cariocas que quiserem uma Garagem, é só falar com o Renato que ele é agora o nosso revendedor oficial aí no Rio. =)
Esta foto aí em cima foi tirada pelo Tiago Souza durante o 2º Enquadrando, que rolou no último sábado lá na Gibiteca Henfil. Da esquerda pra direita: o Edú, a Ingrid, Eu, a Camila e o Harriot. Eu saí nesta foto com mó cara de sono. Também, quando ela foi tirada acho que já iria fazer umas 36 horas que eu já estava acordado.
Originalmente era pra gente ter feito o lançamento da Garagem Hermética durante o evento, mas como a revista não ficou pronta a tempo, apresentamos apenas um boneco pro pessoal poder ver como será a revista, e também fizemos a apresentação do nosso Coletivo, o Sócio Ltda.
O evento em si foi bem legal. O Enquadrando está se tornando um bom ponto de encontro para que os quadrinhistas possam se reunir e discutir sobre seus trabalhos, o mercado de quadrinhos, e também pra descontrair e jogar conversa fora. Durante o evento, me encontrei novamente com o Renato Lima, e peguei com ele uma JukeBox. Conheci o Jorge, que faz o Zine Royale, uma HQ em formato pocket, que aliás, é muito boa. E finalmente conheci pessoalmente o Andrews, que organiza o blog Tiras Nacionais, do qual eu participo com as tiras do Homem-Grilo.
Após o evento, a galera fez um happy hour em um dos bares em frente ao Centro Cultural. E eu, depois, ainda tive pique pra ir com o Thiago Cruz, que tem uma HQ publicada na última Quadreca, e com o Olavo Costa, um dos integrantes da revista O Contínuo, pra festa de lançamento da edição nº 5, que eu ainda não li, mas assim que o fizer, posto meus pareceres sobre a revista aqui. O que eu já posso dizer é que a capa, que traz um desenho do Fabio Moon, está espetacular. A galera do Contínuo está de parabéns. Já disse diversas vezes que a revista deles é na minha opinião um das melhores revistas em quadrinhos sendo publicadas atualmente, e não estou me restringindo apenas as HQs independentes, não.
Depois de tudo, vocês pensam que ao voltar pra casa eu finalmente deitei na minha cama pra dormir? Nada disso. Passei o domingo todo preparando um seminário pra faculdade. A sorte é que eu consegui dormir um pouco no domingo à noite, do contrário, não iria conseguir apresentar o seminário na segunda. É... vida de quadrinhista historiador insone não é fácil. Mas ao menos é divertido. =)
Um pouco atrasado, mas vamos aos meus pareceres sobre a entrega do 18º Troféu HQ Mix que rolou na terça-feira passada.
Bem, a coisa toda já começou pra mim antes da premiação, pois passei a tarde toda junto com meus amigos Harriot e Ingrid dobrando, refilando e grampeando cerca de mil folhas, com uma prévia da Garagem Hermética contendo a hq Onde estão os Tatus-Bolinhas?, que seria entregue mais tarde durante a premiação junto com uma bala dadinho. Foi um trabalho cansativo, depois de terminado eu estava parecendo o Charles Chaplin em Tempos Modernos, só que ao invés de ficar repetindo o movimento de apertar parafusos, eu estava grampeando qualquer coisa que eu via pela minha frente. Depois dessa estou até pensando em inaugurar uma nova arte-marcial, o Fan-zine-dô. Sabe, as pessoas pensam que dobrar e grampear fanzine se limita apenas a um trabalho repetitivo, mas tem toda uma filosofia e uma sabedoria ancestral envolvida junto. E depois com mais uns cem mil fanzines dobrados, tenho certeza que chegarei a iluminação.
Mas no fim, todo o trabalho que tivemos foi recompensado, pois a estratégia de marketing de distribuir a HQ com uma bala dadinho deu muito certo e chamou muita a atenção das pessoas que foram à premiação. Teve gente que até voltou pra pegar mais só por causa da bala dadinho. E depois quando eu falo que quadrinhista é tudo morto de fome as pessoas não acreditam em mim. O Van Gogh chegou até a subornar um dos seguranças com uma bala dadinho, pra poder permanecer na área "restrita" ao lado do palco. Incrível!
O melhor do HQ Mix é a social que você pode ter com os outros quadrinhistas, principalmente com a galera fanzineira, que indiferente da situação do mercado de quadrinhos nacional (se é que ele realmente existe) não deixa de produzir quadrinhos constantemente. Nesse HQ Mix tive a oportunidade de conhecer o Renato Lima, um dos editores da Mosh, que é super gente fina e até me presenteou com um exemplar da edição nº 12 da Mosh (que infelizmente será o último da revista) e o Leo Finocchi, que também participa da Mosh, além de colaborar pro MDM (o site de quadrinhos mais engraçado da net). E finalmente também conheci pessoalmente o Lorde Lobo, o editor da Areia Hostil, em cuja edição nº 11 foi publicada uma hq do Homem-Grilo.
E como não podia deixar de ser, tinha muita gente lá também vendendo seus fanzines e hqs independentes. Eu estava muito interessado em comprar a nova hq dos gêmeos Fábio Moom e Gabriel Bá, Um Dia, uma Noite. Mas depois que vi o preço, acabei desistindo. Cinco reais por uma revista de 24 página p/b e capa duas-cores é muito caro. Pelo jeito os gêmeos esqueceram que quadrinhos é cultura de massa, e portanto deve ser não apenas bom, mas também BARATO. Preferi gastar esses cinco reais com a nova edição da Quadreca e não me arrependi. São 74 páginas internas, sendo que algumas delas são coloridas, e a qualidade das histórias não devem em nada a dos gêmeos. Outro fanzine que comprei e curti muito foi o Comic Sans da Gabriela Kato, que traz uma hq curtinha, mas muito divertida. Quando comecei a ler a história, logo pensei: "puxa, mas uma hq fofinha com final feliz, que droga!". Mas logo que virei a página, vi que estava errado, pois a história se transfigura pra um humor negro sensacional. Só sei que passei horas afins rindo dessa hq. E pra completar, o fanzine ainda traz na última página uma tira do Leonardo Pascoal, onde ele manda muito bem mostrando o que é realmente acreditar no amor e na amizade. =)
E ainda troquei e ganhei um monte de outros fanzines, como a última edição da Manicomics, a edição especial do Subterrâneo, e a versão "mini" do fanzine No Fio Fó Todo Dia.
Bem, no fim o evento foi muito proveitoso. Ano que vem tem mais. E quem sabe, eu talvez até esteja concorrendo com a Garagem Hermética. Sonhar não custa nada, não é? =)
Este post foi transferido para o seguinte endereço: http://grilocaverna.homemgrilo.com/2006/06/28/10-paezinhos/

Para quem quiser conferir todas as fotos que foram tiradas durante o lançamento da PutzGrila, basta visitar o nosso albúm de fotos no Flickr.
E a quem não foi no Lançamento da PutzGrila nº2, só posso dizer que perdeu um evento muito legal. Principalmente pela Jam Session de quadrinhos que realizamos. No começo eu estava meio apreensivo se aquilo iria dar certo ou não, já que nunca havíamos feito alguma coisa assim ao vivo (e arriscaria dizer que ninguém mais havia feito algo assim, ao menos no Brasil). Mas depois que eu vi a coisa funcionando, foi demais.
Tentem imaginar uma HQ coletiva iniciada por Rodolfo Zalla, e que ainda contou com a participação de quadrinhistas do naipe de Fábio Cobiaco, Felipe Cunha, Sandro Castelli, Sam Hart, entre outros. Todos eles desenhando ao vivo para o público. Certamente foi algo fabuloso de se presenciar. Espero que possamos fazer uma outra dessas futuramente.
E para mais informação sobre o evento, além de conferir algumas fotos, visitem o site Bigorna ou o site da Editora Conrad.