Saiu duas resenhas sobre o primeiro fanzine dos Territorianos, coincidentemente, quase ao mesmo tempo, uma no Universo HQ e outra no Melhores do Mundo, e por mais incrível que pareça, as críticas foram positivas (mas eu juro que não andei dando a bunda pra ninguém, eles falaram bem por que quiseram).
Na crítica do UHQ feita por Zé Oliboni, uma coisa que ele disse, e que eu acho que define muito bem o espírito dos Territorianos, foi: “não espere muita coisa...”. E é justamente isso, não esperem muita coisa dos Territorianos, e esperem menos ainda do Homem-Grilo. A nossa intenção não é fazer grandes sagas e tramas complexas envolvendo centenas de personagens, onde um monte deles morrem (apenas para ressuscitarem em alguma edição posterior). Muito nenos um novo Watchmen ou Cavaleiros das Trevas. Decididamente, não!
O que queremos é fazer histórias de super-heróis simples, a qual uma pessoa que nunca leu nada de super-herói na vida possa entender a história e se divertir com ela tanto quanto alguém que lê quadrinhos desde pequeno e saca todas as referências que colocamos ali. Fico super contente quando vejo tanto um garotinho de 9 anos, quanto um cara com seus quarenta e poucos lendo uma história do Homem-Grilo. Isso quer dizer que estou atingindo um leque de leitores que eu acho que nem mais a Marvel e a DC hoje em dia conseguem atingir. E para um mercado onde não há renovação de leitores de super-heróis, isso é muito gratificante.
É claro que o alcancem, tanto do Homem-Grilo, quanto dos Territorianos, é restrito a uns poucos gatos pingados por aí que estão por dentro do cenário de “quadrinhos subterrâneo”. Por que essa é real. O Homem-Grilo e os Territorianos são tão underground quanto é a Tarja Preta, quanto é a Mosh, quanto é a F. quanto é o Areia Hostil, quanto é a Manicomics, quanto é o Contínuo, e muitas outras produções independentes Brasil afora. Porque por maiores que sejam a diferenças de estilos entre as revistas e fanzines citados, vivemos todos no mundo subterrâneo, não por opção, mas por necessidade, pois em um país onde não há um mercado de quadrinhos nacional (e não venha me citar Turma da Mônica), a produção independente se torna a única alternativa. Mas quem sabe algum dia, os habitantes do mundo lá de cima, tomem conhecimento desta enorme produção de quadrinhos que há no mundo aqui de baixo.
Mas voltando as resenhas dos Territorianos, ambos destacaram a excelente arte do Márcio Takara, porque vamos ser sinceros, ele é o único cara competente neste time de criação. Os dois roteirista, não manjam nada, e o cara que fez o letreiramento, menos ainda. Se não fosse o Takara, os Territorianos já eram.
Vai, para não ser injusto, outro que se salva aí é o grande Zé Daltônico, que é certamente o melhor colorista em p/b que já pisou na face da terra. Ninguém consegue fazer um preto tão preto como ele consegue fazer. E seus brancos então? Nem Omo consegue uma brancura como a dele. Sua fama já é tanta, que ele foi contratado pelo próprio Frank Miller para colorir a próxima HQ de Sin City. O cara é foda!
E se você não tem o fanzine dos Territorianos ainda (ou mesmo do Homem-Grilo), basta enviar um e-mail para homemgrilo@terra.com.br e pedir o seu. O fanzine está saindo pela bagatela de R$ 2,00. Mas se você for um puto morto de fome sem nenhum tostão furado, não se preocupe, você pode ler a HQ online lá no site do Homem-Grilo. E se gostar, pelo menos divulgue pros amigos, e assim, contribua para que os personagens fiquem famosos e futuramente eu possa lançar toda uma série de produtos e bugigangas com eles, de bonequinhos e brinquedos, passando pro mochilas e cadernos, e até mesmo preservativos. Já pensou numa camisinha do Homem-Grilo com anteninhas na ponta? Você usaria uma dessas? Ela podia até fazer um som de cricrilar. Legal, né? E viria nos modelos padrão, escarlate, uniforme negro, versão cósmica, armadura de ferro, e com saco de pão na cabeça. E ela também poderia ter... huum, acho que é melhor parar por aqui.