SFO > GRU
Um amigo meu havia comentado isso um dia. Quando voltara para Londres, sua cidade natal, depois de um ano longe, não foi preciso mais que dois pints de Stella para que a longa ausência aparentasse ter sido, na verdade, apenas um longo fim de semana.
Comigo foi mais ou menos essa a impressão, após uma a breve visita de uma semana. E eu não sei ainda se é bom ou ruim, mas é confortável. Estava ansioso pela possiblidade de estar perdendo o assento de janela para assistir o... progresso? Sei lá progresso do quê, mas em geral a esperança é que as coisas progridam. Os amigos, a família, a cidade, coisa e tal.
Talvez a impressão de que o tempo parou seja exacerbada pelo fato de que, para quem muda de país, o ajuste seja tão estressante e radical. Qualquer coisa menos chocante que colegas passando em seis meses de pacatos ratos de escritório para pugilistas mascarados da luta-livre mexicana fica com cara de slow-motion.
Pera lá, então eu ainda sei dirigir no trânsito caótico, eu ainda sei que buracos existem, e sei desviar deles. Eu sei que é pra trancar o carro e não confiar no sinal verde de pedestres... Como é que é? Ainda tem uma cratera no Largo da Batata e outra na Fradique? Acho que vou ter de me contentar em umas ruas recapeadas e um prefeito que eu nem sei o nome.
Mas enfim, eu nem vim pra isso, eu vim para matar saudades das pessoas. Pra isso, o quanto mais "como antigamente" possível, melhor.
Agora, só mais uma coisa: quer dizer que aquele alargamento da Rua das Olimpíadas ainda não rolou? Vejamos da próxima, que ainda bem não está assim tão longe... Afinal meu estoque de paçoquinha Amor não vai durar muito.