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fevereiro 24, 2006

Quando é tão melhor é estranho

O que tem num show de rock do Fillmore
~ Lugar bom para sentar
~ Garçonete servindo bebidas na pista
~ Pessoas normais que vieram direto do trabalho (alguns até ainda com gravata)

O que não tem num show do Fillmore
~ Fumaça de cigarro
~ Empurra-empurra
~ Adolescentes fantasiados de "indie"

Róque

The Fillmore, Feb 23 - Nada Surf, Rogue Wave, Inara George

Depois de um bom tempo babando nos pôsteres e candelabros do Fillmore, uma das casas de concerto mais importantes para a história do rock, resolvemos ver quem estava tocando.

Inara George - indie de pedigree (família inteira de músicos importantes), mas que soa como a Tori Amos, só que mais chata. Pista quase vazia, hora de comer um sanduíche.

Rogue Wave - Ótima surpresa, não os conhecia apesar de serem aqui da área. Com certeza ficarão muito conhecidos em pouco tempo. Seu som é alguma uma coisa na linha das músicas mais rápidas do Coldplay e vocais à Jeff Buckey. Um pouco balada demais para o meu gosto, mas eles são muito bons.

Nada Surf - Eles sempre foram uma das minhas bandas favoritas desde que apareceram, dez anos atrás. As músicas soaram todas perfeitas e a banda é muito simpática. Matthew Caws (vocalista) e Ira Elliot (baterista) são tão gente-como-a-gente que, por um momento, eu achei que eles fossem os roadies. Uau, o Nada Surft tem dois roadies, que beleza! Mas eram eles mesmos passando o som. Daniel Lorca (baixo) está parecendo um traveco panamenho bangela, com pose de Slash, fumando como uma chaminé e desfilando dreads sujos. Até que isso confere certo charme à banda. Eles tocaram todas as músicas principais de The Weight is a Gift, Let Go e Proximity Effect. Do High/Low, só tocaram um medley de Stalemate com Love will Tear Us Apart do Joy Division, fantástico. Outros medleys incluiram Ocean Rain do Echo & The Bunnymen e There's a Light, dos Smiths. Não teve o megahit Popular, que é a "Anna Júlia" do Nada Surf, mas ninguém estava esperando isso. O Nada Surf passou a última década provando que não é banda de um sucesso só. Esse show só confirmou que eles têm bem mais a oferecer.

Sobre o Fillmore

The Fillmore, also known as the Fillmore Auditorium, is a legendary music venue in San Francisco, California made famous by Bill Graham (1931-1991). Named for its location at the intersection of Fillmore Street and Geary Boulevard, in the mid-1960s it became the focal point for psychedelic music and counterculture in general, with acts such as The Grateful Dead, Quicksilver Messenger Service, Jefferson Airplane, and Janis Joplin getting their start. Besides rock, Graham also featured non-rock acts such as Rahsaan Roland Kirk and Otis Redding as well as poetry readings.

After a few short years there, because of a deteriorating neighborhood, in July 1968 Bill Graham moved from the original Fillmore at Fillmore Street and Geary Blvd to the Carousel Ballroom at the corner of Market and South Van Ness Avenue, which was called Fillmore West (in contrast with Graham's Fillmore East auditorium in New York City).

After Bill Graham died in a helicopter crash in 1991, those close to him decided to carry out his final wish and reopen the original Fillmore. The Fillmore has once again become a San Francisco hotspot with shows almost every night.

The Fillmore is also well known for its psychedelic concert posters by designers including Wes Wilson and Rick Griffin. Copies of these posters are given to fans free of charge as they exit selected shows. A large collection of these posters dating back to the early days is on display in the upper level of the auditorium today.

Other traditions are carried on to this day. One is a large tub of free apples for concertgoers positioned near the entrance. Another is a "greeter", a staff member who welcomes each guest as they enter ("Welcome to the Fillmore!")

fevereiro 23, 2006

Diálogo de academia, vale do silício

Em português, para melhor compreensão.

Eu: Cara, não é mais fácil correr na esteira tipo com uma bermuda?
Cara: Tô com preguiça de trocar... na verdade eu nem tenho uma bermuda.
Eu: Mas cê vai tomar banho e colocar de novo essa calça jeans, você não sua?
Cara: Opa, pra caralho. Mas eu não vou tomar banho.
Eu: Ok, boa idéia, vai fazer sucesso com as garotas.
Cara: Foda-se a garotas, eu fiz mestrado no MIT cacete!
Eu: Faz sentido... tem alguma mulher na sua divisão?
Cara: Ah, pera lá, tem sim... Somos 48, tem... três mulheres.
Eu: Engenheiras?
Cara: Sim, você tem alguma coisa contra engenheiros?
Eu: Claro que não, mas ainda bem que eu sento do outro lado.

O demo na caixa

O último dia em que fiz alguma melhoria na casa foi o dia em que instalaram TV a cabo e Tivo. Faz um mês.

Precisamos de visitas para que novas melhorias sejam feitas. Somente o poder de manter as aparências vai me fazer largar do controle remoto.

Pelo menos até o dia do Xbox 360 ser instalado.

fevereiro 14, 2006

Janeiro foi péssimo

Uma sucessão de perdas, falhas e azares como há muito eu não via. Um monstro frio, cinzento e chuvoso que extendeu seus tentáculos até o início de fevereiro. Mas que passou, junto com uma bem-vinda primavera adiantada.

Um dos piores apertos, sobre o qual vou comentar por razões educativas, foi uma enrascada financeira sem precedentes. Para mim, pelo menos.

Durante a virada do ano, o ritmo da minha vida ainda era de adapção: mobiliar casa, acertar a vida, acostumar-se ao trabalho novo. Um grande caos com alguma tentativa de método. Tudo foi feito sob a máxima na medida do possível.

Foi nessa que eu aprendi, do jeito difícil, uma das implicações de morar num país de juros baixíssimos: as pessoas não têm pressa de botar dinheiro no banco. Afinal, com 1% ao ano, que diferença faz hoje, amanhã ou um dia desses?

Em algum momento entre as festividades natalinas, lembro de olhar meu saldo e pensar com meus botões algo digno de um epitáfio no Darwin Awards. Um flash, na mesma linha de "trem, que trem?" e "olha só o que eu sei fazer". Eu pensei "olha, tem mais dinheiro na minha conta do que eu imaginei, que legal, deve ser um bônus ou algo assim"

Obviamente a alegria e a gastança acabaram quando a proprietária da minha casa resolveu depositar três cheques de aluguel ao mesmo tempo. Sim, ela prefere ir ao banco uma vez por trimestre. E olha que aqui os bancos não têm fila nem detector de metais... Nem queira saber quanto morre no aluguel de uma casa no lugar mais caro dos EUA depois de Manhattan. Vezes três.

Eu, o forasteiro sem histórico de crédito portanto sem cheque especial borrachei os aluguéis. Eu, o forasteiro sem histórico de crédito portanto tentando pagar tudo certinho estou praticamente no Serasa do Tio Sam. Se tem uma coisa pior que crédito inexistente, é crédito ruim. Maravilha pura.

Pelo menos posso cobrir o que faltou, minimizando o vexame, usando meus maravilhosos cartões de crédito brasileiros cheios de limite. Porque aí ninguém liga se você pode ou não arcar com um limite de um zilhão de reais. Certo?

Não tão rápido, gafanhoto. Pois exatamente na mesma semana recebo uma ligação dizendo que meus dois cartões de crédito foram clonados. Algum malandrito foi pego fazendo o rapa nas Lojas Americanas às custas do meu ex-bom nome na praça. Maravilha pura II, cartões cancelados.

O que sucedeu foram algumas péssimas semanas de pindaíba absoluta. Eu me senti como o Zeca Carioca, fugindo dos credores até que uma movimentação super trabalhosa de investimentos e contas, de dar inveja em trafica de drogas fugindo da Interpol, pôs ordem na casa.

Não foi assim caso de passar fome. Mas para alguém cujo ganha pão é basicamente ser organizado (gerência de projetos), foi patética a extensão da falta de planejamento. Coisa digna de caipira que se dá bem em Vegas e depois de uma semana de festança aparece com a boca cheia de formiga no deserto ao redor de Barstow. De ficar em casa porque não tem dinheiro para colocar 10 mangos de gasolina no carro novinho. De comprar janta no "one dollar menu" e comer na frente da TV de plasma. Tudo… porque… nego acha NORMAL esperar 90 dias pra descontar um cheque NÃO-pré-datado.

Então basicamente eu fiquei de mau-humor o mês inteiro até a situação ser resolvida. Peço desculpas por não ter dado muito sinal de vida. O que eu aprendi? O de sempre, trust no one. Aprendi que o dia é mais ensolarado quando você não deve dinheiro pra gringo preguiçoso. E que pra curtir a vida adoidado faz bem gastar dois minutinhos a mais e checar o seu saldo.

Save Ferris, back to normal.

fevereiro 11, 2006

Cousas que aprendi hoje

A abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno foi hoje. Pela primeira vez esse é um evento que faz parte da minha vida, por pura martelação da mídia. As pessoas realmente levam a sério essa competição. E olha que não neva na Bay Area. E todos os atletas vêm de lugares ermos dos Apalaches ou algum outro lugar bizarro das montanhas onde mora o Pé Grande e o Unabomber.

Mas o que é interessante é ver a lógica de torcida dos americanos. Não que faça mais ou menos senso que qualquer outra lógica internacional, mas funciona assim na mente deles:

- Seja lá qual for a competição, USA rules.
- Se existem diversos atletas americanos, você torce pelo que cresceu mais perto de você, exemplo aqui da minha quebrada:
- Costa Oeste prevalece sobre Costa Leste (no Superbowl todo mundo era Seattle Seahawks)
- Califórnia prevalece sobre todos os estados, mas você sempre torce contra Los Angeles (terra de playboy e dondoca)
- Se os EUA está fora da competição, você torce contra os outros de acordo com seus preconceitos:
- Sempre contra a França (derrotistas/esnobes segundo o populacho)
- Sempre contra os Alemães e Japoneses (Pearl Harbor, sempre)
- Contra os asiáticos, que são "muito inteligentes e fazem meu filho parecer burro na escola"
- Contra os Indianos, que "roubam os empregos dos EUA com seus salários baixos e proficiência em matemática"
- etc, etc, etc

Pelo menos a coisa boa é que, por default, nego prefere os atletas "perdedores", de passado sujo ou boca imunda e que não seguem as regras. Tipo o Maradona. É sempre mais legal torcer pelo bandido.

Nota: coloquei um badge do Upcoming aí do lado. Esse é um site muito bacana onde você pode listar os shows e eventos que está pensando em ir. Essa é a minha lista para as próximas semanas.

fevereiro 08, 2006

GarDenial

Em quase três anos de funcionamento, o Gardenal.org tem sido uma enorme fonte de diversão para mim. Reunimos sob um só teto boa parte da vanguarda do jornalismo cultural Brasileiro. Ou Lusófono, por que não? Mas para cada talento que cooptamos para nossa causa, há uma dor de cabeça infinita causada por Murphy e outros deuses da má-sorte.

Em nossa curta vida como provedor de maluquices (desde 2003?) tivemos de enfrentar:

1. Expulsão de nosso primeiro servidor por alegação de quebra de contrato (falácia!)
2. Meu email pessoal sendo adicionado à listas de spam pelo provedor acima mencionado, depois que fiz uma reclamação formal ao ProCon.
3. Primeira Grande Migração de Blogs e Dados
4. Segundo provedor foi à falência, ficamos fora do ar por um mês
5. Primeira Grande Perda de Base de Dados
6. Segunda Grande Migração de Dados
7. Primeira Grande Migração de Banco de Dados (Berkeley para MySQL)
8. Quase um ano sem problemas, e então: Segunda Grande Perda de Base de Dados
9. Ficamos fora do ar por um mês
10. Terceira Grande Migração de Dados
11. Irritantes Problemas Com Acentos e Erros de Servidor

E finalmente:
12. Coming Next: Segunda Grande Migração de Banco de Dados (Berkeley para MySQL)

Quando o Gardenal surgiu, a economia de grana proporcionada por um provedor grátis fazia muita diferença, mas hoje os preços de hospedagem caíram. Quem está no Gardenal, permanece por que as idéias e o espírito do coletivo se alinham.

Não tenho nada contra quem se exalta com os problemas, mas… se é algo tão difícil de aguentar, porque não arcar com os trinta reais mensais que a LocaWeb cobra e começar uma carreira solo? Não precisa ficar "de mal", nós mantemos o link na home, coisa e tal.

Eu ajudo o pessoal porque eu gosto. Mas trabalho o dia inteiro e estou num fuso horário completamente maluco para falar com as pessoas no Brasil (Brasília -6) e quando chego em casa não estou com ânimo para ser call center de pão-duro.

As coisas estão instáveis, posso afirmar que vão melhorar muito em breve, mas no ritmo de hobby, não no ritmo de dever de casa da sexta-série

Eu sempre fazia todo o meu dever de casa na sexta-série.