Gore!
Hoje saiu a notícia de que Hostel, o terror independente de Eli Roth, apadrinhado por Tarantino, foi o campeão de bilheteria da semana. Maior que King Kong, maior que Narnia.
Não vou explicar muito do filme, não estou em modo spoiler e quem tem banda larga pode baixar o "assunto do momento" com facilidade. Estou só espantado com a forma pela qual a propaganda boca-a-boca causou esse estouro de boiada. Nunca se viu nada assim desde Bruxa de Blair, mas o buzz não passa de factóides plantados em blogs e fóruns de discussão. O que acontece com a platéia é algo que já se ouviu na época em que O Exorcista foi lançado: pessoas vomitando nas cadeiras, desmaios e até algo sobre um ataque do coração. Como marketing funcionou muito bem. Mas o filme é uma terrível decepção.
O "prazer culpado" de Hostel: ver o filme mais brutal, sangrento e chocante já feito, uma história que deixaria Saw I e II no chinelo. Perto dele, Massacre da Serra Elétrica seria Vila Sésamo. Mas não. Não só o roteiro parece ter sido escrito em cinco minutos por um adolescente bêbado (como um dos personagens da trama), mas a parte "chocante" (leia-se tosca) causa no máximo risadas, embaraço e arrependimento. Esse último pelo mau investimento de dez dólares no ingresso.
Aparentemente a nova geração de fãs de terror não se deu muito ao trabalho de pesquisar por nojeira, meleca e sangue espirrando. O Splatter é um cult desde seu auge no final dos anos 70 e início dos anos 80. Foi a escola de Peter Jackson (Braindead e Bad Taste), é o território do mestre italiano Dario Argento. É o gênero que desovou os documentários clássicos Mondo Cane e Faces da Morte, ou os bizarríssimos Cannibal Holocaust, Cannibal Apocalypse e Terror Firmer.
Hostel é um bom tema despediçado. É um culto ao redor do cruzamento de Wild On Amsterdam com os filmes "sérios" da Troma. O único diretor a carregar a bandeira do Splatter hoje em dia é Rob Zombie e suas pérolas-tributo House of 1000 Corpses e Devil Rejects.