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janeiro 26, 2006

18 Wheeler Weeks

Dias têm passado cada vez mais rápido. Toda vez que checo o relógio são dez pras cinco. No novo mundo, isso significa hora de finalizar as pendências e ir para casa. Antigamente era só um breve momento no meio de uma longa tarde. O outro lado da moeda é que acordo todos os dias às 6h00.

O resultado dessa quebra de paradigmas ainda está para ser definido, mas tenho a impressão de que é positivo. Os dias têm começo, meio e fim bem delimitados, é como estar na escola novamente. Tudo passa rápido e é sempre "quase sexta". Ou quase segunda, se o seu lance for ver o copo meio vazio. By the book. A reunião é as 3h00? Se algum dos convidados não estiver sentado na sala 3h02 é melhor nem aparecer e botar a culpa na gripe aviária.

janeiro 09, 2006

Gore!

Hoje saiu a notícia de que Hostel, o terror independente de Eli Roth, apadrinhado por Tarantino, foi o campeão de bilheteria da semana. Maior que King Kong, maior que Narnia.

Não vou explicar muito do filme, não estou em modo spoiler e quem tem banda larga pode baixar o "assunto do momento" com facilidade. Estou só espantado com a forma pela qual a propaganda boca-a-boca causou esse estouro de boiada. Nunca se viu nada assim desde Bruxa de Blair, mas o buzz não passa de factóides plantados em blogs e fóruns de discussão. O que acontece com a platéia é algo que já se ouviu na época em que O Exorcista foi lançado: pessoas vomitando nas cadeiras, desmaios e até algo sobre um ataque do coração. Como marketing funcionou muito bem. Mas o filme é uma terrível decepção.

O "prazer culpado" de Hostel: ver o filme mais brutal, sangrento e chocante já feito, uma história que deixaria Saw I e II no chinelo. Perto dele, Massacre da Serra Elétrica seria Vila Sésamo. Mas não. Não só o roteiro parece ter sido escrito em cinco minutos por um adolescente bêbado (como um dos personagens da trama), mas a parte "chocante" (leia-se tosca) causa no máximo risadas, embaraço e arrependimento. Esse último pelo mau investimento de dez dólares no ingresso.

Aparentemente a nova geração de fãs de terror não se deu muito ao trabalho de pesquisar por nojeira, meleca e sangue espirrando. O Splatter é um cult desde seu auge no final dos anos 70 e início dos anos 80. Foi a escola de Peter Jackson (Braindead e Bad Taste), é o território do mestre italiano Dario Argento. É o gênero que desovou os documentários clássicos Mondo Cane e Faces da Morte, ou os bizarríssimos Cannibal Holocaust, Cannibal Apocalypse e Terror Firmer.

Hostel é um bom tema despediçado. É um culto ao redor do cruzamento de Wild On Amsterdam com os filmes "sérios" da Troma. O único diretor a carregar a bandeira do Splatter hoje em dia é Rob Zombie e suas pérolas-tributo House of 1000 Corpses e Devil Rejects.

janeiro 04, 2006

Smooth Start

O ano começou de um jeito bem civilizado. Tenho encontrado tempo responder emails, minha caixa de entrada tem apenas 137 items não lidos. E Isso não é ironia, é algo supimpa dado o número usual do último trimestre de 2005.

Diminui em cerca de 20 minutos diários (ida e volta) o meu trajeto de bicicleta de casa até o fretado do Vale do Silício. Tudo graças a atalhos topograficamente malandros e a acumulação do treinamento cardiovascular involuntário causando por morar em SF. Até iniciar o processo de renascimento das cinzas do Gardenal.org está sendo possível...

Pela primeira vez tenho um celular com câmera. E por mais sofisticado que seja o aparelho, a qualidade de imagens é um acinte para qualquer pessoa com um grão de interesse em fotografia. Mas talvez a limitação possa ser utilizada como elemento estilístico. Não vou arriscar uma comparação da aberração cromática e má captação de luz de uma câmera de celular com o as limitações charmosas da Polaroid, Lomo ou Helga... mas não custa tentar. Para quem anda por aí clicando com uma SLR do tamanho de uma torradeira. a miniaturização impressiona.

janeiro 03, 2006

Only happy when it rains

Hoje é dia de volta ao trabalho. Muito semelhante à volta as aulas, não no sentido de comprar canetas, livros e cadernos, mas no fato de que… eu esqueci tudo. Tenho de concentrar-me para recordar o que foi deixado pendente e o que havia de urgente há duas semanas atrás. Tenho a impressão de que era muita coisa, mas até pisar no meu cubículo vou fingir que não é comigo.

O intervalo de Natal e Ano Novo teve sua parte muito divertida, em Los Angeles, e uma parte extremamente morosa, aqui mesmo em San Francisco. Chove sem parar há quase três semanas. Essa é a época tradicional (e a única) de chuvas no ano, mas precipitação recorde tem causado enchentes pela região.

Enquanto o paraíso vinícola de Napa e Sonoma, uma hora ao norte, sofre com a inundação dos rios Russian e Napa, aqui o único impacto é a falta de vontade de sair. A chuva é constante e gelada, mas o pior que tem feito é dar vontade de ir ao banheiro. A temperatura oscila entre zero e dez graus.

Não há muito o que fazer quando chove assim. As coisas interessantes a se fazer na cidade em geral são ao ar livre. Mesmo o ímpeto de sucumbir às ofertas pós-Natal não vai muito adiante, pois a arquitetura padrão dos centros de compras sempre envolve céu aberto. Há um grande preconceito na região contra shoppings de "ar reciclado", como os locais chamariam o Shopping Morumbi ou Shopping Ibirapuera.

A casa quente e com uma infra-estrutura quase completa (falta: mesa, TV a cabo e rede wireless) estabeleceu como sentimento geral desses dias de ermitão a preguiça suprema. O que é bastante preferível à depressão, etc, mas não ajuda muito na finalização de projetos entediantes mas necessários, como trocar interruptores.

Durante uma folga de São Pedro, há dois dias, consegui fazer um passeio de bicicleta que estava atrasado desde a compra da mesma: de casa para o Zoológico e, pela beira da praia, até a Golden Gate.

É quase metade do projeto de circumnavegação da cidade, ou seria circumpedalação. A praia de São Francisco, que em dias de sol (infelizmente) lembra São Vicente, em São Paulo, estava com um aspecto todo especial por causa do tempo hardcore.

O apelo do lugar mudou, de uma praia reta e sem graça, para uma locação digna de Senhor dos Anéis: céu preto, ondas gigantes, rajadas de vento e pontos de comércio com cara de Bates Motel, de portas fechadas. Na altura do Golden Gate Park (que corta o lado oeste da cidade no meio e não é muito perto da ponte) há um moinho de vento que, contra o céu escuro, estava tão pitoresco que me fez dar meia volta num retorno de 10 kms (vários deles de subida) para pegar minha máquina em casa. Infelizmente a chuva começou a cair forte e eu liguei no modo preguiça.

Espero então que a estaçao molhada dure pelo menos até sábado, preciso daquela foto.