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dezembro 27, 2005

Da série Cousas que Americanos Fazem

Um hábito brasileiro que sempre me encheu de vergonha é o vício caipira de aplaudir o piloto do avião após uma aterrissagem. Como se não pousar de barriga ou deixar o avião explodir fosse grande feito, além das obrigações usuais do trabalho.

Americanos não aplaudem o piloto do avião, mas aplaudem coisas similarmente estranhas. Entre elas, batem palmas para vários momentos da rotina de assistir filmes no cinema. Se o filme é bom, ganha aplausos no final, se o trailer é empolgante, também. Até uma propaganda engraçada merece esse "reconhecimento".

Ranking de aplausos, segundo experiência própria.
Nota: em filmes independentes e/ou cabeça a platéia tem mais noção do ridículo.

1. Harry Potter
2. Trailer do X3
3. Featurette da THX (exemplo de uso de som surround)
4. Propaganda nova do Fandango (site de venda de ingressos)
5. Narnya

LA Story

É preciso mesmo estar longe de casa, num lugar onde nada precisa ser consertado, organizado ou pintado, para voltar a escrever aqui.

Chegamos em Los Angeles ontem à tarde, após um exaustivo chorinho de tempo na estrada causado por um acidente que bloqueou a ligação da Bay Area à Interestadual 5, o jeito "rápido" (~ seis horas) de vir para o Sul da Califórnia. Viemos pela rodovia 101 em oito horas, parando apenas uma vez para abastecer e comendo Pop Tarts de almoço. O lado bom é que pudemos apreciar o belo por-do-sol no trecho em que a estrada corre ao lado da praia, de Santa Barbara até Malibu.

A casa está cada vez melhor, porém os items que faltam ainda significam trabalho o suficiente para me manter ocupado em todas as horas livres. Por isso essa semana de férias será aproveitada ao máximo. Aguardando em São Francisco tenho a companhia de gás aprontando presepadas com o nosso abastecimento, uma instalação de DirecTV pra supervisionar e a dupla mais chata de coisas a serem pintadas: rodapés e teto. Acho, contudo, que com o evento Natal-em-casa (fotos no flickr) pudemos perceber que o lugar já está bem aceitável para convidados. Tirando a falta de cadeiras e de um sistema de som, a estrutura estava completa.

Outros brasileiros expatriados presentes na festa confirmaram minha teoria de que as pessoas se acostumam rápido demais com as benesses da califórnia. Todos acabam virando bunda-moles. A perda de street smarts nos coloca em risco de, na próxima visita a São Paulo, sermos atropelados, assaltados e ficarmos chocados com a sujeira das ruas. Eu mesmo estou espantado com a sujeira nas ruas de Hollywood, sendo que estive aqui há seis meses e não havia notado nada de errado (eu morava em SP). Amigos que costumavam passar os sábados com um ar blasè, comprando CDs piratas no meio da cracolândia, hoje ficam chocados ao saber que há um vagabundo pedindo trocados na estação de trem de Mountain View. Uma pessoa, na cidade inteira. Tenho certeza de que ele logo será enxotado dali.

Agora preciso ir, voltar ao trabalho árduo de turistar por Venice Beach.

dezembro 08, 2005

Updatapalooza

Foram cerca de três semanas de servidor incapacitado. Longa espera sob qualquer parâmetro, mas para quem está montando casa, o tempo passa como anos de cachorro. Fizemos um progresso considerável e vou tentar listas as novidades aqui. Fotos serão incluídas também.

Casa colorida

Após pintar três cômodos (quarto roxo-claro-acinzentado, quarto vermelho escuro e sala cinza escuro), um processo que passa por raspar e lixar imperfeições, posso inferir algumas descobertas arqueológicas.

Nos últimos noventa anos a casa já foi amarela, rosa, bege, cinza e branca. Em algum momento dos anos 50 ou 60, ela teve papel de parede. Posso estimar isso pela quantidade de camadas de tinta acima do papel. Não, nunca ninguém se preocupou em tirá-lo antes de pintar por cima. E eu não vou ser o primeiro…Estou apenas consertando as partes descoladas e escondendo emendas com massa. Não é muito elegante, mas preserva a sanidade mental.

Com o término da sala de jantar cinza-claro e cozinha azul-turquesa, passarei para a parte chata mas necessária de pintar rodapés, portas e tetos.

Pedestre vs. Motorista

Meu carro novo chegou. Após uma semana posso dizer que ele superou minhas expectativas. Veio certinho de acordo com minhas especificações: bancos de couro vermelho, faróis auxiliares, nada de adesivinho escrito Mustang que todo mundo cola da porta e com um motor que ronca como um trator mesmo em ponto morto. Por incrível que pareça ele não tem um consumo muito pior que o meu Civic no Brasil.

Sofás

Nossos sofás de camurça-sintética beringela chegaram. Foi preciso uma verdadeira operação de guerra para colocá-los na sala, subindo um lance de escadas e fazendo uma curva muito fechada no hall de entrada. Mesmo assim a sala continua muito vazia, estamos pesquisando que diabos de móveis podemos colocar lá para tornar o lugar mais aconchegante.

Cama

Após perceber que precisaria de um box para colocar embaixo do colchão, ilusão de imigrante achar que existe estrado nessa terra, comprei um na liquidação de Thanksgiving da Sears por um preço sensacional. Boxes normalmente vêm em dois modelos: cama inteira ou duas metades. A versão duas metades custa o dobro, mas são mais práticas para transporte. Resolvi fechar a mão e apostar na sorte, comprei a opção mais barata.
Por cerca de 1,5 hora de luta achei que tinha sido uma grande perda de dinheiro. O negócio é rígido e jamais ia subir pelas escadas até o quarto. Mas com um poquinho de fé e a remoção do corrimão e balaústre o negócio passou raspando. Novamente foi uma das tarefas "simples" que revelaram-se das coisas mais complicadas que eu já fiz.

Formigas

Um dos meus maiores pesadelos. Formigas. Elas invadiram nossa casa. Parece que é habitual das colônias de formigas californianas atacar as casas na temporada de chuvas. Por dois ou três dias elas estavam em todos os lugares: comida do gato, lixeiras, pia da cozinha e até banheiro. Fomos à loja comprar um arsenal de venenos completamente descrentes de que algo surtiria efeito. Mas após tapar alguns buracos com espuma de látex expansível e colocar armadilhas no jardim, o problema foi miraculosamente resolvido. Faz uma semana que eu não vejo uma delas sequer.