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janeiro 3, 2007Won't stop making listsAgora não posso parar, e olha que nenhuma resolução de ano novo esteve envolvida no processo. Não sei se foi uma quebra de recorde, mas não lembro de outro ano em que tenha visto tantos filmes como 2006. Tanto no cinema quanto em DVD. Não que tenha sido o melhor ano da indústria -- muito pelo contrário, o começo do ano foi árido em películas minimamente assistíveis -- mas peguei a manha de onde ir para filmes pipoca e em que buracos me meter para lançamentos alternativos. Favoritos 2006 1. Pan's Labyrinth As Zebras Quality of Life - Filme indie sobre grafiteiros rodado aqui perto de casa (Mission District em San Francisco). Bom, bonito e barato, foi feito há dois anos mas lançado somente em 2006. 9:22 AM | Comments (2) | TrackBack (0) janeiro 2, 2007Back in BlackEm grandes blocos de vidro espelhado, de São Petersburgo à Santiago, pessoas tentam mascarar com um sorriso a tristeza pelo fim de mais um recesso, tão esperado mas tão curto, e o começo de uma longa reprise do ano passado. - Did you enjoy your holidays? Small talk. Pelo menos é algo para passar o tempo. Não tenho esse luxo aqui. Normalmente o volume de tarefas seria meu vilão escolhido, mas não tenho nada para fazer hoje. Não tem ninguém aqui. 2 de Janeiro, tecnicamente o primeiro dia de trabalho do ano... aspas irônicas no tecnicamente. Vamos então tentar umas listas, idle hands are the devil's tools... Coisas Bacanas Que Eu Descobri em 2006 - Música Punk Cigano Cena Canadense O Inverso do Shoegazing 1:18 PM | Comments (0) | TrackBack (0) maio 15, 2006SlummingOntem foi o primeiro dia realmente californiano do ano. No sentido do estereótipo terra-do-sol / céu-azulão. Tirando a metade de baixo (LA, San Diego), o estado tem as quatro estações do ano bem delimitadas como qualquer outra região temperada que se preze. Domingo foi tropical, mais de trinta graus e uma luminosidade tão forte que eu não conseguia olhar pra frente sem espremer os olhos mesmo usando óculos escuros. Dia de sair na rua, aproveitar a primavera. Tudo está florido, até coisas que achei que não davam flores: todos os gramados, plantas no meu jardim que julgava mortas, até as ervas daninhas que crescem nas calçadas entre os blocos de concreto dão umas flores roxas bonitinhas. Eu fui nessa, o resto da cidade também (aproximadamente um milhão de habitantes) e algo que parecia como três milhões de turistas. Um povo de chinelo e camisa colorida que brotou da terra e criou filas em todos os cafés do centro e da orla da baía. Eu não queria andar na parte turística mesmo, Fisherman's Wharf, nem com os playboys da Marina ou com os shopaholics de Union Square. Estanva tentando descobrir se algum resquício da parte bocada charmosa de São Francisco, a Barbary Coast, ainda existia. Tirando alguns quarteirões a oeste de Union Square, conhecidos como Tenderloin, não existe bocada em São Francisco. Mesmo os bairros mais afastados, onde os urbanóides acham que vão ser degolados na machadinha, são mais seguros que qualquer bairro de São Paulo. Mas existem bocadas e bocadas. E não há boemia de respeito num lugar tão arrumado que às vezes parece a Disneylândia. Slumming é o nome que se aqui para a prática de apreciar a boca-quente, de ir atrás da "vida como ela é", ficar chocado, tirar umas fotos legais e depois voltar pro Lexus e sentar o pé na tábua de volta pro bem-bom. Pelo menos é melhor que viver nos subúrbios e achar que todos os problemas do universo de resumem à "devo comprar um xbox agora ou esperar o novo playstation". É por isso que os gringos no Rio fazem tour da Rocinha. Eu achava idiota, mas quando você mora aqui dá pra entender. É por isso que todo mundo gosta da Boca, em Buenos Aires, ou do Soho em Londres, Monmartre em Paris, Lower East Side em NYC e mesmo os casarões da Luz, em São Paulo (eu ainda gosto). É podrão, mas se arrumassem tudo perderia a graça. O equivalente em São Francisco era a região conhecida como Barbary Coast. Uma mistura de bordéis, cassinos e bares da pior espécia foi por mais de 70 anos a meca da malandragem do velho-oeste. Da corrida do outro em 1849, passando pelo grande incêndio e terremoto de 1909, nenhuma outra quebrada do mundo tinha mais encrenca para oferecer que essas vinte quadras de Telegraph Hill até a Market Street. Foi a gênese de tudo o que é bizarro e pop hoje: piratas bêbados, chineses de bigodinho e rabo de cavalo lutando kung fu, pistoleiros, duelos, mineiros apostando sacos cheios de pepitas na roleta, dançarinas de cancan e vinho misturado com Spanish Fly. Mas praticamente nada resistiu ao tempo. As prédios de tijolos vitorianos nas piores ruas e becos do hemisfério ocidental ainda resistem, mas hoje são boutiques da Cartier e Armani. Ironia imensa que o maior antro de vício do continente tenha virado a área de compras mais sofisticada da cidade. Não existe tanta graça em passear e tirar fotos em lugares centenários, mas tão ajeitados que poderiam ter sido construídos ontem. Dá saudade de ver tinta descascando e paralelepípedos tortos no chão, mas pelo menos quando o sol aperta muito dá pra sentar numa sombra que não foi usada como banheiro por alguém, ou ter a segurança de que piratas não vão colocá-lo no porão de um navio rumando pra Shangai, como era corriqueiro em 1880. No final das contas, quando dá saudade de uma terra-sem-lei, sempre tem um cinema passando Eastwood. 11:34 PM | Comments (0) | TrackBack (0) maio 12, 2006SFO > GRUUm amigo meu havia comentado isso um dia. Quando voltara para Londres, sua cidade natal, depois de um ano longe, não foi preciso mais que dois pints de Stella para que a longa ausência aparentasse ter sido, na verdade, apenas um longo fim de semana. Comigo foi mais ou menos essa a impressão, após uma a breve visita de uma semana. E eu não sei ainda se é bom ou ruim, mas é confortável. Estava ansioso pela possiblidade de estar perdendo o assento de janela para assistir o... progresso? Sei lá progresso do quê, mas em geral a esperança é que as coisas progridam. Os amigos, a família, a cidade, coisa e tal. Talvez a impressão de que o tempo parou seja exacerbada pelo fato de que, para quem muda de país, o ajuste seja tão estressante e radical. Qualquer coisa menos chocante que colegas passando em seis meses de pacatos ratos de escritório para pugilistas mascarados da luta-livre mexicana fica com cara de slow-motion. Pera lá, então eu ainda sei dirigir no trânsito caótico, eu ainda sei que buracos existem, e sei desviar deles. Eu sei que é pra trancar o carro e não confiar no sinal verde de pedestres... Como é que é? Ainda tem uma cratera no Largo da Batata e outra na Fradique? Acho que vou ter de me contentar em umas ruas recapeadas e um prefeito que eu nem sei o nome. Mas enfim, eu nem vim pra isso, eu vim para matar saudades das pessoas. Pra isso, o quanto mais "como antigamente" possível, melhor. Agora, só mais uma coisa: quer dizer que aquele alargamento da Rua das Olimpíadas ainda não rolou? Vejamos da próxima, que ainda bem não está assim tão longe... Afinal meu estoque de paçoquinha Amor não vai durar muito.
10:31 PM | Comments (0) | TrackBack (0) março 28, 2006A melhor placa de todos os tempos
A do canto inferior direito, "proibido jaca". A jaca é uma das frutas nacionais da Cingapura, mas a polêmica do seu cheiro é tamanha que o governo coloca essas placas em todos os vagões do metrô. Segundo um dos meus amigos locais, existe uma variedade da fruta chamada D24 que é extremamente macia, tem gosto de sorvete de baunilha, e "quase não fede". Infelizmente não encontrei uma pra vender e não tive coragem de encarar a normal. 5:10 AM | Comments (0) | TrackBack (0) março 23, 2006Masala NewsSabe quando você fica bravo ao ouvir um gringo burro perguntando se no Brasil tem gente andando pelada na rua, no meio dos macacos e elefantes? Deve ser porque ele confundiu São Paulo com Bombaim... A Índia é tudo isso e muito mais. É tanta coisa ao mesmo tempo que eu vou demorar mais um bom tempo até processar a experiência. É um elogio. Preciso voltar aqui muitas outras vezes, com mais tempo. Tudo no subcontinente é extremo, nada é cinza, normal ou meio termo. O meu hotel é 10x melhor que o melhor hotel de São Paulo. Da janela do meu quarto, além do Mar da Arábia, dá pra ver uma favela enorme que é 10x pior que a pior favela de São Paulo. Ainda assim há alguma ligação cósmica entre as duas megalópoles. Óbvio que se comparado com minha querida casinha em São Francisco, isso aqui é o planeta Júpiter. Eu nunca vi um trânsito tão hardcore quando o daqui. Umas trinta pessoas diferentes me falaram isso, mas mesmo assim eu não estava preparado. Existem faixas pintadas no chão, mas ninguém as leva em consideração. Todos os carros, rickshaws, motos e bicicletas andam o mais rápido que conseguem a meio centímetro uns dos outros. Na contra-mão muitas vezes. Quase não existem faróis em Bombaim e a cidade tem 16 milhões de habitantes, a preferencial nos cruzamentos é de quem tem menos medo da morte: todo mundo acelera até o último segundo pra ver quem vai ceder. Volta e meia me pego fechando os olhos, fazer uma conversão aqui é mais aterrorizante que qualquer filme do Jason. Fico estressado só de pensar em atravessar a rua, ninguém liga pra pedestres, a única preferencial são para as vacas, que são sagradas, e pra o elefantes, mais raros, que são muito grandes e não tem medo de carrinhos minúsculos e barulhentos com motor dois cilindros. Eu estou adorando. E eu nem falei dos templos, e das pessoas, e dos palácios, e da comida. Aah, a comida. Só digo que estou contrariando todas as ordens médicas de assepsia e continuo incólume: "não coma com a mão" (é o jeito tradicional), "não coma frutas", "não tome sucos", "use água mineral para escovar os dentes", "não tome o trem". Ando impressionando a todos como o gringo menos fresco que já pisou nesse escritório e isso é um incentivo para experimentar mais coisas estranhas, incríveis e apimentadas. 5:03 AM | Comments (4) | TrackBack (0) março 3, 2006HardcoreÍndia, Hong Kong, Cingapura e Austrália em duas semanas. Bem-vindo ao mundo dos projetos internacionais. Mas depois vem o Brasil, e é bom: |