Melodia do samba
Em uma época na qual os ritmos musicais se misturam ainda mais, até mesmo com uma qualidade duvidosa no resultado final – samba com eletrônico, rap com rock e outras combinações - com grupos e cantores formando uma verdadeira salada em busca do inusitado e do novo, que pode soar diferente aos ouvidos do público e assim obter notoriedade, Luiz Melodia escolhe o caminho inverso e aposta no tradicional que agrada puristas e saudosos do bom samba.
Embora o próprio Melodia tenha sido um dos responsáveis por historicamente misturar uma série de ritmos nos seus trabalhos ao longo da carreira, o novo CD “Estação Melodia”, lançado pela gravadora Biscoito Fino, chega ao mercado com ares de frescor para ouvidos tão exaustados pelas misturas.
O álbum se debruça na estética de composições que predominou nas décadas de 30, 40 e 50. Esse é o primeiro trabalho em que Luiz Melodia “atua” essencialmente como intérprete para soltar a voz e deixar fluir as raízes do samba que, inclusive, para ele vem de berço desde a infância nas rodas de samba do morro São Carlos, no Rio de Janeiro.
Com 14 músicas, “Estação Melodia” traz no repertório composições de Cartola, Ismael Silva, Wilson Batista e, também, seu pai Oswaldo Melodia.
O CD começa com um clássico de Cartola, “Tive Sim”, de 1968. Segue com canção composta por seu pai, Oswaldo Melodia, a filosófica “Não Me Quebro à Toa” – que assina ainda o sambão “Linda Tereza”. A levada sambista de “Estação Melodia” só tem um breque para abrir passagem ao choro na música “Choro de Passarinho” (Renato Piau/ Euclides Amaral/ Rubens Cardoso). Na ocasião a música é um dueto de grande qualidade com Jane Reis, esposa e empresária de Luiz Melodia. Completam o CD as faixas “Contrastes” (Ismael Silva) e “O Neguinho e a Senhorita” (Noel Rosa de Oliveira/Abelardo Silva).
por Tércio Silveira
terciosilveira@hotmail.com