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      <title>Che Caribe</title>
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      <language>pt</language>
      <copyright>Copyright 2008</copyright>
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         <title>pílulas</title>
         <description><![CDATA[<p>Voltei de novo de uma andança. Estou sempre voltando. <br />
Bom sinal. Significa que estou sempre indo.</p>

<p><br />
Adoro mudar de casa.<br />
Faz 31 anos que não mudo.<br />
Começa a me dar faniquito.<br />
Eu levo um tempão até ter faniquito com mudança.</p>

<p><br />
Numa cidadezinha de 5 mil habitantes, penso se conseguiria morar.<br />
Conseguiria. <br />
Mas e o tango? Será que se eu abrisse uma milonga a coisa pegaria?<br />
Será que em Crisólia alguém se interessa por tango?<br />
Nem Deus sabe.</p>

<p><br />
Depois de quase um ano, alguém comenta por aqui que eu não entendo nada de procissão.<br />
E acrescenta que Jesus me ama mesmo assim.<br />
Ah, bom!</p>

<p><br />
Outro quer comprar uma coruja.<br />
Quer saber quanto custa.<br />
Qual o preço da liberdade?<br />
A eterna vigilância?</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="prata-ouro.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/prata-ouro.jpg" width="240" height="180" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>

<p>Trecho Águas da Prata- Ouro Fino<br />
Quer ver mais?<br />
http://www.flickr.com/photos/checaribe</p>]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/checaribe/2008/10/pilulas.html</link>
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         <pubDate>Wed, 01 Oct 2008 17:24:45 -0300</pubDate>
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         <title>por onde andarão os vendedores de enciclopédia?</title>
         <description><![CDATA[<p>Às vezes vinham em dupla. Era infalível. A gente sabia pelos ternos e pelas caras, mais as maletinhas de couro que eles vendiam a Britânica ou a Barsa. </p>

<p>Homens, entre 25 e uns 40 anos, tipos medianos. Bem falantes.</p>

<p>Eu ficava encarregada pela mãe e/ou pai de dizer-lhes não na porta. Com pena, mas é que tanto a Barsa como a Britânica eram caras pra gente.  Então a gente tinha na estante uns genéricos delas, mas nada que se lhes comparasse.</p>

<p>Nos trabalhos da escola eu invejava quem copiava da Barsa ou da Britânica. Quando dava, eu ia até a biblioteca municipal pra copiar, eu também. Minhas aulas de história da época só fizeram melhorar minha letra e, mais tarde, minha datilografia. </p>

<p>Por onde andarão os vendedores de enciclopédia?</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="barsa.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/barsa.jpg" width="250" height="250" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>
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         <link>http://www.gardenal.org/checaribe/2008/09/por_onde_andarao_os_vendedores_1.html</link>
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         <pubDate>Wed, 24 Sep 2008 14:02:10 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>reflexões fisiologico-filosóficas noturnas</title>
         <description><![CDATA[<p>A bexiga pesa. Como sei que é a bexiga que pesa? Porque estou com vontade de fazer xixi.</p>

<p>A gente fica com vontade de fazer xixi quando a bexiga está cheia. E se ela está cheia, deve pesar mais do que se estiver vazia. Então, se ela está pesando, deve ser porque estou com vontade de fazer xixi.</p>

<p>Mas tenho preguiça. Aqui está quentinho, abrigado, aconchegante, por que sair?</p>

<p>Porque a bexiga pesa. Eu sei. Já disse isso. Você também já sabe,  se não for surdo, quer dizer, analfabeto ou cego. Porque já leu isso.</p>

<p>E se eu não levantar? Qual a chance de fazer nas calças? </p>

<p>Depende. Depende dos critérios utilizados pra fazer essa conta.</p>

<p>Se for história de vida, as chances serão muitas. Por preguiça ou por bexiga cheia até o limite, fiz – de vez em quando, é bom que se diga, pra livrar parcialmente a minha cara – até mais ou menos uns 10 anos.  É triste, mas é verdade. Não há porque esconder mais esse segredo. Que, aliás, nunca foi segredo pra ninguém em casa. Embora todos disfarçassem pra não constranger a mijona, no caso, eu.</p>

<p>Se o critério for minha idade atual, então posso ficar mais um bom tempo no quentinho da cama. Já passei há um bocado dos dez anos, mas ainda não cheguei à idade em que não dá tempo de levantar. Ou em que você nem lembra por que cargas d’água teria que levantar.</p>

<p>Meia idade. Tá bom, já passou um pouco da metade. Só um pouco. </p>

<p>Mas a bexiga pesa. Minha consciência, por vezes, também. E nem por isso eu levanto pra fazer atos de contrição. Até porque consciência pesada não molha a cama nem incomoda quem estiver ao lado. A maioria nem percebe. Às vezes, nem eu mesma percebo.</p>

<p>Só quando a insônia bate. </p>

<p>Ou quando vem aquela vontade de fazer xixi e você fica fazendo hora pra ver se passa. E lembrando as coisas da vida. E aí quem pesa – só de vez em quando – é a consciência.</p>

<p>E afinal, uma vez que é muito mais fácil levantar e fazer xixi do que esvaziar consciência pesada, você acaba indo. </p>

<p>Fazer xixi.</p>

<p>Aí a bexiga volta a ficar vazia.<br />
Já a consciência...</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="picasso.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/picasso.jpg" width="276" height="356" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>
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         <pubDate>Mon, 15 Sep 2008 18:43:20 -0300</pubDate>
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      <item>
         <title>medões e medinhos</title>
         <description><![CDATA[<p>O primeiro medo a gente nunca esquece. Bobagem! Eu me lembro de quase todos. Porque medo é comigo mesma. </p>

<p>Mas vá lá: o primeiro foi de colégio interno. Isso mesmo: minha mãe me ameaçava umas duas ou três vezes por dia de me “botar em colégio interno” se eu não me comportasse. Eu tremia nas bases.</p>

<p>Nunca tinha conhecido ninguém que tinha ido pra esses colégios- a maioria de padres ou freiras – nem ninguém que tinha voltado deles. Era pra mim uma espécie de buraco negro, engolidor de crianças mal-comportadas, obrigando-as a rezar terços e mais terços ajoelhadas no milho. Meda!</p>

<p>Depois vieram os medos de meu pai perder o emprego e a gente vir a passar fome. A situação já não era boa, nunca foi, mas se ele perdesse o emprego, pioraria muito mais. Eu era magra como um termômetro, mas comia pra caramba. A hipótese de não ter o que comer me enchia de terror.</p>

<p>Mais tarde, de moça, o medo de “ficar pra titia”. As titias eram ironizadas, hostilizadas, ridicularizadas. Pra combater esse medo eu dizia que iria “virar” uma intelectual. Dessas de ganhar prêmios. Essas não eram cobradas por casar ou não casar. Queria virar escritora, veja só! </p>

<p>Com a maturidade os medos foram deixando de ser aqueles que me botavam. A coisa ficou muito pior. <br />
Com a maturidade, eu mesma passei a me botar medos. E foram – e são – tantos!! </p>

<p>Medo do vestibular, medo das pessoas queridas terem problemas de saúde, medo de falhar como mãe, medo de não ser feliz, medo de dores em geral, medo de ter medo numa certa época. Pânico de ter medo.<br />
 <br />
Hoje a coisa amainou. Resta o medo de não ter tempo pra fazer coisas boas. Medo afinal de que o bicho papão ou o homem do saco venham me buscar antes que eu faça os milhares de coisas que quero fazer, agora que os outros medos foram embora. </p>

<p>Foram embora médio: o medo de filme de terror depois das seis da tarde ainda persiste. </p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="caixão.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/caix%E3o.jpg" width="250" height="250" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>

<p><br />
</p>]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/checaribe/2008/09/medoes_e_medinhos.html</link>
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         <pubDate>Fri, 12 Sep 2008 16:56:41 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>bichos do caminho</title>
         <description><![CDATA[<p>Não gosto de todos os bichos. Tenho horror a aranhas e não vou com a cara (nem com todo o resto) de lesmas em geral. </p>

<p>Não posso negar uma aversão aos muito pequenos (pulgas) ou aos muito grandes (baleias).</p>

<p>Um certo  medo aos muito cheio de pernas ( lacraia, centopéia) e aos falto delas (cobras).</p>

<p>Mas existem os que vejo por aí. No caminho da fé, por exemplo, do qual acabei de fazer mais um trecho. </p>

<p>Eu sou calma. O caminho é grande, quase quinhentos km, mas eu não tenho pressa. Vou de 100 em 100.<br />
E por lá a gente vê bichos. Pássaros em geral, tucanos, e corujas. Adoro corujas. Uma questão de corporativismo ou solidariedade, sei lá. Meu apelido de pequena era esse mesmo: coruja, por enxergar mal. Mas, tal como a coruja, (que, aliás, enxerga muito bem) eu prestava uma atenção danada...</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="corujando.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/corujando.jpg" width="290" height="218" class="mt-image-right" style="float: right; margin: 0 0 20px 20px;"/></span>

<p>Vi também um monte de vira-latas, minha paixão maior. Eles não me falham: é só dar um aceno, mandar um beijinho, que eles vêm rapidinho. E ficam se roçando, acarinhando, olhando olho no olho. Se os homens também fossem assim...</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="viralata.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/viralata.jpg" width="290" height="218" class="mt-image-right" style="float: right; margin: 0 0 20px 20px;"/></span>

<p>Porcos eu não gostava. Na realidade, não gosto da forma como muitos são criados. No meio daquela “porcaria” toda. Porco é bicho esperto. Limpo, como a maioria dos bichos. Não precisa chafurdar na lama nem comer só restos. E ainda por cima vir a ser hostilizado por isso. Vimos uns bem apanhadinhos. Pena que se destinem à mesa. Ou seja, à morte rápida e certa.</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="cavaloarredio.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/cavaloarredio.jpg" width="290" height="218" class="mt-image-left" style="float: left; margin: 0 20px 20px 0;"/></span>

<p>E cavalos e vacas. Uns, os cavalos, arredios. Eu chegava perto e eles fugiam. Olhando de soslaio. Já as vacas, gordas e lustrosas, era só ouvirem os passos no caminho pra virem correndo (na medida do possível para uma vaca) perto da cerca. E ficarem nos acompanhando com o olhar, como a desejar boa viagem. Também destinadas à mesa. Em forma de carne ou de leite. </p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="vacaxereta.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/vacaxereta.jpg" width="290" height="218" class="mt-image-right" style="float: right; margin: 0 0 20px 20px;"/></span>
Até burro. Pequeno, branquinho. 

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="burrinho.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/burrinho.jpg" width="290" height="218" class="mt-image-left" style="float: left; margin: 0 20px 20px 0;"/></span>

<p>O que eles devem achar da gente? Animais estranhos, sem pelo nem pena, mal apetrechados, tendo quatro pernas, só usando duas, falando cada um uma língua... Tão presos quanto os mais presos, matando à toa, morrendo à toa, vivendo à toa. </p>

<p>E destinados igualmente à mesa. Porque por aqui, comemo-nos uns aos outros, em todos os sentidos. </p>]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/checaribe/2008/09/bichos_do_caminho.html</link>
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         <pubDate>Mon, 08 Sep 2008 14:35:44 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>ruínas da fé</title>
         <description><![CDATA[<p>Um dos livros que mais gostei de ter lido, principalmente na época em que li, bem próxima à minha primeira comunhão, com uns dez anos, foi “a relíquia”, do Eça de Queiroz. </p>

<p>Bem sei que Eça de Queiroz não é propriamente leitura para essa idade, mas a gente tinha a coleção completa em casa e ninguém recomendava, tampouco proibia que eu lesse qualquer coisa. </p>

<p>A única coisa que eu não podia ler, e muito menos comprar, era gibi. Minha mãe tinha birra com gibi. Mas dos livros que havia em casa ela nunca leu nenhum. Então, eu escolhia  aleatóriamente. Cheguei ao Eça sem querer, mas em seguida li tudo querendo. </p>

<p>O Eça não era chegado em padres. Eu tampouco. </p>

<p>Acabo de vir de uma caminhada pelo interior. Trilha em estradas vicinais e no meio do mato ou de plantações em fazendas.</p>

<p>Lá pelas tantas, encontramos uma mulher, igrejeira, com sua respectiva igreja, enorme, bem ao lado de sua casa.</p>

<p>Digo SUA igreja, porque era dela mesmo. Construída por ela.</p>

<p>Os padres que ali vinham rezar missa, vinham a pedido dela. E a mulher, educada e estudada, deu pra falar sem parar de sua fé. Antes perguntou se a gente tinha alguma religião. Ante a resposta negativa, começou a falar da dela. </p>

<p>De quantas ave-marias rezava por mês, de quantas missas, de como eram os sorteios de santos pintados para “incrementar” as reuniões religiosas. De como eram homenageadas relíquias como as do Frei Galvão, aquele mesmo das orações pra serem comidas em papeizinhos. </p>

<p>Enfim..! </p>

<p>Eu não tenho religião, embora compartilhe de muita coisa da filosofia cristã, mas são coisas minhas. Uma mescla de ensinamentos familiares, de boa educação, de um pouco de ética, de bom senso. </p>

<p>Agora xiita mesmo nunca fui com nada. Talvez só com política, mas já passou, posso garantir. E aquela mulher, ansiosa e faladora, tão religiosa, mas que nem se lembrou de perguntar nossos nomes, nem se interessou pelas nossas vidas e passos, aquela mulher me cansou. </p>

<p>Me lembrou o Eça e a Relíquia. </p>

<p>Daí, continuando a caminhada ( aliás, chama-se caminho da fé) demos com este “desmanche” de imagens. Bem a calhar. </p>

<p>Se a mulher encontra isso é capaz de reciclar pra aumentar a popularidade de suas reuniões...</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="ruinasdafé.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/ruinasdaf%E9.jpg" width="290" height="387" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/checaribe/2008/09/ruinas_da_fe.html</link>
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         <pubDate>Tue, 02 Sep 2008 00:26:03 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>memórias da sala de jantar</title>
         <description><![CDATA[<p>Uma cristaleira. Dois buffets, ou etageres, como minha mãe chamava. Não sei se serão esses os nomes ou corruptelas deles. Enfim, dois móveis iguais, dispostos cada um em uma parede, enormes eles, enormes as paredes também, pé direito de 3 metros. </p>

<p>Em cima de um deles, um relógio Napoleão. Que, evidentemente, não funcionava. </p>

<p>Não funcionava como relógio, porque como casinha dos meus valetes, damas e reis de baralho, funcionava perfeitamente. </p>

<p>Dentro  do relógio, um espaço grande que podia abrigar turmas inteiras de valetes, de bobos da corte.<br />
E eu era dona de um reinado inteiro.</p>

<p>Um só, não! Quatro deles: copas, ouros, paus e espadas. </p>

<p>E inventava histórias, casava uns com outros, refazia sem saber a saga de Romeus e Julietas, onde os naipes diferentes faziam as vezes de famílias inimigas. </p>

<p>No meio da sala, como convém- ou convinha, que hoje no meio da minha não tem nada, porque não cabe- uma grande mesa de jantar. Com pés que formavam uma cabana, bastando pra isso pegar a maior toalha de mesa, daquelas que caem pelas bordas ou mesmo um cobertor. Com cobertor o sururu que a mãe armava era menor. Porque as maiores toalhas eram de linho, de festa, pra natal ou ano bom.  E não podiam ser sujas nem estragadas. </p>

<p>Assim que casei e herdei algumas, passei adiante ou troquei uma por duas. Minha mesa atual é metade das de antigamente. O que não tem importância, porque minha família atual também é. </p>

<p>Decorando a mesa um vaso de Murano. Horroroso. Com flores de...lã! Horrorosas.  Meu primeiro trauma estético. Inesquecível. Um dia o vaso rolou. Deixei rolar. Caiu. Quebrou. </p>

<p>Felicidade custa pouco. Foi duro fazer cara de triste pra mãe. </p>

<p>Dentro da cristaleira, louças e cristais, claro.  E dentro dos etageres os conjuntos de louça “mais chic”. Havia ingleses, tchecos, chineses que a gente olhando contra a luz via uma mulher no fundo das xícaras finas como papel. </p>

<p>Quando eu queria treinar desenho, copiava os das louças como modelo. Achava-os lindos, queria usar todo dia. Minha mãe não deixava. Dizia que quebrariam.</p>

<p>Acho que ela tinha razão. Herdei um conjunto daqueles quando casei. Não durou nem o primeiro ano. </p>

<p>Mas foi bom enquanto durou. </p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="napoleão.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/napole%E3o.jpg" width="250" height="300" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>
]]></description>
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         <pubDate>Sat, 23 Aug 2008 12:56:35 -0300</pubDate>
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      <item>
         <title>matrix da periferia</title>
         <description><![CDATA[<p>Filme de espião nunca foi meu forte. Ou meu fraco. (essa nossa língua ...)</p>

<p>Em todo caso, ser espião antigamente não parecia coisa das mais difíceis. Em caso de ser apanhado, a ordem era engolir a prova. </p>

<p>O que não parecia difícil. As pessoas escreviam o que tinham que escrever em pedacinhos pequenos de papel. Que, em caso de necessidade, eram devidamente comidos. A seco ou com água. Depende do filme. Nos americanos a seco. Nos europeus, com vinho. Ou champagne. Uma questão de classe...</p>

<p>Isso era antigamente. Nos filmes de espião da época da guerra fria, do cinema noir, daquelas coisas das quais eu nunca pensei sentir saudade, mas às vezes sinto.</p>

<p>Bom, isso é porque ontem saiu uma notícia no jornal que me deixou condoída.<br />
O cara nem era espião, essa coisa glamourizada nos filmes. </p>

<p>Era só corrupto. Essa coisa que ultimamente dá mais que ..bom, eu ia dizer chuchu no mato, mas o chuchu também anda caro e não fica por aí, que nem antigamente, dando nos matos. <br />
Vocês imaginem alguma coisa muito fácil, que dá muito, ora, vocês sabem!</p>

<p>Bom, voltando, o cara foi apanhado e engoliu a prova do crime: um pen-drive!! </p>

<p>Modernidade é isso aí! </p>

<p>Bom, soube-se depois que ele não engoliu, uma vez que nada foi revelado nos exames que fizeram no estômago dele. </p>

<p>Só foi achada uma tampa de pen-drive mastigada no carro da polícia.</p>

<p>Então das duas uma: ou o cara fingiu e jogou o resto na rua ou no bolso de um policial tão corrupto quanto, ou ele tem a melhor digestão que eu já vi, o que nem me surpreenderia tanto.</p>

<p>Neste país  de cobras e lagartos e histórias rocambolescas, a gente engole de tudo. De sapos a pedras. </p>

<p>Pen-drive deve ser petisco. <br />
<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="pendrive.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/pendrive.jpg" width="300" height="300" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span><br />
</p>]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/checaribe/2008/08/matrix_da_periferia.html</link>
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         <pubDate>Wed, 20 Aug 2008 13:10:14 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>da arte de pendurar roupa no varal</title>
         <description><![CDATA[<p>Demorou pra eu aprender a pendurar roupa no varal. De pequena gostava de ajudar minha mãe pendurar. Ela punha as roupas lavadas numa bacia enorme de folha de flandres e eu ia pendurá-las. O varal era um fio muito alto, levantado ao meio através de um bambu, firmemente fincado na grama do quintal. Quanta coisa a gente tinha de criança! Quintal, grama, varal, bambus, e finalmente, tempo pra lavar, quarar e estender. Sem pressa. Deixando o sol fazer seu serviço.</p>

<p>Quando meus filhos cresceram e eu passei a trabalhar em casa, passei também a lavar e estender roupas.<br />
No começo era o caos (epa! Acho que já iniciaram algum livro com essa frase..)! As calças eram lavadas e estendidas com os bolsos pra dentro, de forma que nunca secavam. E eu as estendia pela cintura, o que, logo aprendi, nestes tempos de calças com lycra, acaba deformando.  Gastava um montão de pregadores e o aspecto geral do varal, após minha penduração, era profundamente antiestético. </p>

<p>Hoje não. Adquiri toda uma técnica. O varal fica bonito. Tiro os pregadores que não estão em uso pra não apodrecerem com a chuva. Porque, é claro, só uso pregadores de madeira. Aprendi que os de plástico são como roupa de baciada: colorida mas pouco durável. O único cuidado a tomar é evitar que eles caiam ao chão. Pelo menos evitar que eles caiam com minha cachorra olhando. </p>

<p>Gosto de estender bem esticadinho. Facilita a passagem. Ou será passamento? Não, isso parece enterro. Bom, facilita o ato de passar roupas, seja lá que nome tenha isso. </p>

<p>E, finalmente, gosto de olhar pro varal em dia de sol e vento. Parecem bandeiras. Bandeiras que cheiram bem. </p>

<p>Uma olimpíada da limpeza. ( só pra não deixar de mencionar o assunto do momento)</p>

<p>Uma olimpíada sediada no meu quintal. </p>

<p>Chiquérrimo</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="clothes-pin.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/clothes-pin.jpg" width="200" height="155" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/checaribe/2008/08/da_arte_de_pendurar_roupa_no_v.html</link>
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         <pubDate>Fri, 15 Aug 2008 15:53:15 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>presente</title>
         <description><![CDATA[<p>Aprendi que presente é sempre bom. Mesmo quando a gente não gosta. </p>

<p>Porque a pessoa se empenhou em buscar alguma coisa, escolheu, procurou, pensou em você e naquilo que você pudesse gostar, teve trabalho, quis te agradar.</p>

<p>Minha mãe tinha estranhos hábitos em relação a presentes. Nunca os abria na frente de quem dava. A gente estranhava, achava até um descaso, mas ela argumentava que “era feio” abrir presente na frente de quem deu. Que se devia agradecer muito mas deixar pra ver depois. </p>

<p>Nunca entendi isso. Acho que ela não sabia esconder muito bem a decepção. Assim, se escondia pra abrir presentes. </p>

<p>Sei lá! Sempre tive uma certa dificuldade em entender minha mãe. </p>

<p>Enfim...eu abro. Já comentei aqui que meu natal geralmente acontece antes. Porque eu não agüento esperar pra abrir nada. Então a família fica me provocando. Fazendo pacotes indevassáveis. Deixando pra por na árvore no último momento. </p>

<p>E eu sempre gosto. Mesmo quando não gosto. </p>

<p>Então,  acho extremamente meigo minha cachorra vir todo santo dia com alguma coisa na boca pra me dar de presente. Logo cedo. Qualquer pauzinho ou folhinha, que ela encontra no quintal.  Traz na boca e fica olhando pra mim. Abanando o rabo. </p>

<p>E eu sempre estimulo. Porque ela quis agradar, quis presentear, enfim, os argumentos que eu já expus.</p>

<p>Às vezes tenho que engolir em seco e fingir que gostei.<br />
Porque a intenção sempre é muito boa.</p>

<p>Mesmo quando ela vem, como veio ontem, abanando o rabinho, me trazendo na boca um tremendo ..rato ! Morto, felizmente.</p>

<p>Fosse eu  a minha mãe, deveria ter guardado pra abrir depois... </p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="mancha copy.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/mancha%20copy.jpg" width="290" height="322" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>
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         <category></category>
         <pubDate>Fri, 08 Aug 2008 19:08:46 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>cavalo de aço</title>
         <description><![CDATA[<p>A gente não se interessa muito por cavalos, hoje em dia.</p>

<p>Tá certo, o povo que se esvai em adrenalina e grana no Jocquey, até que se interessa, sim. Mas estou falando da gente- eu e você- que só vemos cavalos no interior (poucos) e em filmes. </p>

<p>Eu via cavalos quando era pequena. Desde que cheguei aos meus incríveis 1,66cm, já não os vejo. </p>

<p>Aqueles que vinham na rua de casa, direto de chácaras a beira do rio Pinheiros, entregar verduras e/ou galinhas, esses não existem mais. Nem os cavalos, que afinal isso já faz tempo e eles devem ter morrido, nem a profissão de seus donos: verdureiros, carroceiros. </p>

<p>Porém, de uns tempos pra cá, meses, pra falar a verdade, ando vendo cavalos. Ou burros. Que eu sou tão inexperiente no quesito eqüino que nem sei direito a diferença.  Acho que é uma questão de orelhas, mas não tenho certeza. </p>

<p>Ando vendo-os por aí. Sem seus donos. À toa, andando à noite pelas imediações do bairro. Como eu, que também prefiro caminhar à noite. </p>

<p>Porém a atividade deles é o que mais causa estranheza. Andam virando latas. Sacos de lixo, que aqui o lixeiro passa à noite.</p>

<p>Nunca tinha visto isso: cavalos e/ou burros vira-latas.</p>

<p>Fico pensando no que terá acontecido. Cavalos são vegetarianos. Não comem restos de sanduíches, nem de salgadinhos, nem lixo em geral. <br />
Estes comem.</p>

<p>Pra que isso tenha acontecido, muita água deve ter rolado na história deles. Muita fome, muito abandono.</p>

<p>Lendo hoje que, tanto na capital como no interior, as motos substituem os cavalos com vantagens e custo menor, fico imaginando que estes tenham sido largados. Substituídos por um cavalo de aço.</p>

<p>Custo menor. <br />
Ou coração menor. </p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="youknow3.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/youknow3.jpg" width="211" height="131" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/checaribe/2008/08/cavalo_de_aco.html</link>
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         <pubDate>Fri, 01 Aug 2008 15:22:05 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>dentaduras e moral</title>
         <description><![CDATA[<p>Cada sociedade estabelece as regras de etiqueta que acha melhor.</p>

<p>Na realidade, não sei quem acha. Tal como a autoria das gírias que correm por aí, é difícil descobrir quem cria regras. </p>

<p>Numa sociedade, provavelmente quem manda mais. O poder determina muitas coisas. Da corrupção à possibilidade de ditar regras. Sejam elas de etiqueta ou de moral.</p>

<p>Bom, passando desse intróito (podia dizer que foi iniciação, mas ia parecer safadeza), devo dizer que, se a sociedade dita regras, as famílias também. </p>

<p>Minha família inicial não tinha muitas regras de etiqueta. Já de moral...</p>

<p>Lembro que falar de boca cheia era errado. Mas numa família de pouca grana e muitas cáries, a maioria que detinha o poder – os mais velhos- eram todos cheios de dentaduras. Aí, sob certas circunstâncias, falar de boca cheia podia ser permitido.  Pelo mesmo motivo – dentaduras- não era costume comerem-se maçãs verdes nem torrones. Pelo menos os mais velhos.</p>

<p>Já em termos de moral e bons costumes havia um montão de regras. Devo dizer que a maioria- descobri  bem depois- devidamente descumpridas.</p>

<p>Bom, deixemos pra lá.</p>

<p>Na minha família de hoje, não acho que existam tantas regras. A maior delas: avisar quando e aonde se vai. Uma questão de segurança. Quem sai, avisa quem fica pra onde vai. Seja velho ou novo. </p>

<p>Ninguém aqui em casa usa dentadura. O que não quer dizer que tenhamos ótimos  dentes. Só quer dizer que passou o tempo de dentaduras. A modernidade criou os implantes.</p>

<p>Por isso, come-se de tudo. Menos carne vermelha que eu sou vegetariana e não cozinho. </p>

<p>Também não se come fritura. É contra meus princípios. </p>

<p>Não se fala alto. Pelo menos não sem que eu reclame. </p>

<p>Nem se ouve música alta. Não com minha filha em casa. A gente espera ela sair...</p>

<p>Não se fuma. Regra criada depois que eu e meu marido deixamos o vício. A gente perdoa os amigos.  <br />
Desde que eles fumem lá fora.</p>

<p>E quanto à moral. Bom, não matando, não roubando, como diz o mano do ônibus, ta limpo.</p>

<p>E é isso. Poucas regras. </p>

<p>Esqueci de dizer: maçãs verdes e torrones são permitidos e até estimulados.</p>

<p>Ah, nada como a alternância de poder! </p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="torrone.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/torrone.jpg" width="241" height="288" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/checaribe/2008/07/dentaduras_e_moral.html</link>
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         <pubDate>Sun, 27 Jul 2008 19:05:09 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>dissonância</title>
         <description><![CDATA[<p>Gosto muito de humor. </p>

<p>Não da piada fácil, do trocadilho infame, mas de humor mesmo. De preferência non-sense.</p>

<p>Aquilo que em psicologia a gente chama de dissonância cognitiva. Você tem uma idéia à respeito de alguma coisa e alguém ou algum fato se apresenta de forma totalmente inusitada, diferente da tua idéia. Por exemplo, você sabe que certa pessoa é um calhorda e de repente ela faz alguma coisa de enorme generosidade. Isso causa dissonância. Você não espera.</p>

<p>É claro que no caso de gente, fica difícil definir. Porque não há limites nem antagonismos da forma que expus. O cara pode ser um calhorda e ter atos de bondade. Ser um tremendo burro e pelo menos uma vez na vida ter uma idéia genial. Enfim, eu sou confusa mas espero que vocês não. Suponho que já entenderam.</p>

<p>Tudo isso pra dizer que admiro senso de humor. Tenho que fazer uma força danada pra não cair de amores pelos calhordas da política que têm senso de humor. São raros mas existem. </p>

<p>Então, quando vi um programa em que o apresentador levanta a maior bola pro Maluf, perguntando-lhe o nome do maior prefeito nos últimos 20 anos – pergunta que ele fez a todos os outros prefeituráveis também, obtendo as mais variadas respostas – e ele responde que a modéstia o impedia de falar, tenho que segurar meu riso. Não fica bem admirar aquele senhor. Mesmo que ele tenha um refinado embora óbvio senso de humor...</p>

<p>Mas foi difícil. </p>

<p>Pronto. Confessei. </p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="monty_python_life_260.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/monty_python_life_260.jpg" width="260" height="260" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/checaribe/2008/07/dissonancia.html</link>
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         <category></category>
         <pubDate>Tue, 22 Jul 2008 12:25:29 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>pragmática, eu?</title>
         <description><![CDATA[<p>Tem gente demais, ultimamente, me chamando de pragmática.</p>

<p>Eu me acho mesmo. Mas vejo que alguns me chamam de pragmática como se me chamassem de babaca.</p>

<p>Não que eu não possa ser – pragmática e babaca ou só um dos dois – mas é que são coisas diferentes.</p>

<p>O pragmático é aquele, na minha opinião, que elimina os rodeios. Que vai direto ao assunto. Que gosta de pão, pão, queijo, queijo. Sem essa de maionese, de folhinhas, de muita firula. Quer salada? Peça salada e não sanduíche. Quer creme? Faça um bechamel decente. </p>

<p>O pragmático dá cabeçadas, como qualquer outra pessoa. Mas procura ver bem onde bateu a cabeça pra não voltar a bater. O pragmático didatiza o erro. </p>

<p>O pragmático busca soluções. Quando a coisa parece impossível, quando a montanha é dura de subir, não tem vergonha nenhuma na cara, dá meia volta e parte pra outra. O pragmático não tem orgulho besta.<br />
 <br />
O pragmático tem saídas curtas. Tem pressa. Sabe que a vida passa. E que atrás sempre vem gente.</p>

<p>O pragmático não vende voto nem troca ideais. Isso quem faz é o calhorda. O oportunista. O pragmático vota uma vez. Deu merda. Nunca mais vota no infeliz. </p>

<p>O pragmático não repete merdas.</p>

<p>O pragmático quer ser feliz. Como todo mundo. Mas ele acha que é possível. </p>

<p>O pragmático não se perde em ilusões. Ele filosofa, sim, mas enquanto isso, vai remendando a meia furada e adiantando o almoço de amanhã. </p>

<p>O pragmático se apaixona. E chora por amor.<br />
Um pouquinho. </p>

<p>Isso tudo é o que eu acho que é ser pragmático. <br />
E eu não sou.</p>

<p>Mas bem que queria! </p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="pinup_elvgren_15-2T.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/pinup_elvgren_15-2T.jpg" width="196" height="250" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>

<p>A pragmática sabe onde usar salto e onde usar tênis. <br />
E acha que fazer charm tem limite. </p>]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/checaribe/2008/07/pragmatica_eu.html</link>
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         <category></category>
         <pubDate>Mon, 14 Jul 2008 21:03:12 -0300</pubDate>
      </item>
      
      <item>
         <title>high tech anos 50</title>
         <description><![CDATA[<p>O corpo da gente é uma espécie de máquina. Uma espécie porque nem tudo nele é previsível. Mesmo o envelhecimento. Mesmo a doença e a cura. Ou a falha final. </p>

<p>Mas como as máquinas, com o tempo vai se tornando obsoleto, enferrujado, falha aqui e ali.</p>

<p>Minha memória não é mais a mesma. Falha? Em lembrar palavras, às vezes. Em outras coisas, menos. Eu posso estar totalmente enganada- até porque acho que o senso crítico também vai ficando meio “crítico” com o passar dos anos-  mas acho que a memória ainda funciona legal em muitas coisas. </p>

<p>Aprendi alguns truques pra memória.  Aprendi com meu PC, vejam só! </p>

<p>Aprendi a não sobrecarregar com bagulheira minha memória. Selecionar o que vou botar lá dentro. Da minha caixa de arquivos. </p>

<p>Aniversário daquela colega de trabalho que já não vejo há 10 anos? Delete.</p>

<p>Nome do antigo dono da padaria? Delete.</p>

<p>Aquele barzinho sem-vergonha que havia na Vila Madalena, onde hoje está o, o, o como é o nome mesmo? Enfim, não sou chegada em barzinhos da Vila Madalena. Xápralá. </p>

<p>Aquela cidade que a gente visitou em 75 e o pneu do carro furou e não tinha borracheiro num raio de 50 km? Ah, tem dó!</p>

<p>Em compensação, deixo ficar e uso cada dia mais a memória antiga. Parece que as coisas ficam mais nítidas. Aí, quando comparo com meu irmão, com amigos da época, vejo que a memória não está tão correta assim.  De quem desconfiar? De mim ou dos amigos? </p>

<p>Desisto. Prefiro pensar que o corpo não é tão igual às máquinas. Que ele não só guarda certas lembranças como as melhora, modificando-as, com o passar dos anos.</p>

<p>Minha casa de infância fica enorme e bonita. A escola vira uma coisa clara e limpa. Até aquela vizinha chata vejo hoje que nem era tanto. </p>

<p>Tolerância? Falha de memória? Photoshop afetivo?</p>

<p>Pode ser. Mas pode ser também que, à luz dessa forma mais objetiva de ver as coisas, selecione nelas –nas coisas- aquilo que realmente importa. Que importa que minha casa de infância fosse mesmo um sobradinho mofado, escuro e pequeno? Foi lá que eu aprendi e brinquei. Que eu descobri a música, o pião colorido, a cadeirinha de balanço e a Raquel, aquela vizinha chata que me ensinou a controlar a agressividade. Ela foi a única a quem eu ameacei com um canivetinho. De lá pra cá, sou muito mais controlada...</p>

<p>A máquina se otimiza. Se não sou de última geração, posso ser uma vintage jeitosinha. </p>

<p>Sempre tem quem colecione...</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="computer vintage.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/computer%20vintage.jpg" width="274" height="268" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>]]></description>
         <link>http://www.gardenal.org/checaribe/2008/07/high_tech_anos_50.html</link>
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         <pubDate>Tue, 08 Jul 2008 14:27:21 -0300</pubDate>
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