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    <title>Che Caribe</title>
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    <title>lugar de passarinho</title>
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    <published>2008-11-26T13:50:03Z</published>
    <updated>2008-11-26T13:54:56Z</updated>
    
    <summary>Lugar de passarinho não é na gaiola. Sempre achei isso. Acho uma puta sacanagem prenderem passarinhos quaisquer que sejam os argumentos. Já ouvi desde o “adoro o canto dele” até “ele nasceu na gaiola, se eu soltar, morre”. Isso de...</summary>
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        <![CDATA[<p>Lugar de passarinho não é na gaiola. </p>

<p>Sempre achei isso. Acho uma puta sacanagem prenderem passarinhos quaisquer que sejam os argumentos. Já ouvi desde o “adoro o canto dele” até “ele nasceu na gaiola, se eu soltar, morre”. </p>

<p>Isso de adorar o canto do bichinho é a coisa mais egoísta que ouvi. Apesar de eu adorar o canto do João Bosco ou da Adriana Varela, nunca me ocorreu tê-los presos ao meu lado. Se bem que o João Bosco...</p>

<p>E o argumento de que a criaturinha nasceu presa e deve continuar presa “ se não morrerá” tenha dó! Mais vale um dia de liberdade do que cem de gaiola, posso assegurar. Mesmo sem nunca ter estado numa delas. E nenhuma das pessoas que diz isso soltou o bichinho pra verificar.</p>

<p>Posto isso, ainda tenho a acrescentar que gosto de passarinhos. Eles lá no céu, eu aqui na terra. Aqui em casa tem montes deles. Com variados pios. Alguns eu imagino que é possível conversar, então me ponho a piar tentando imitá-los e tenho a ilusão de que respondem. Do que a gente é capaz quando não tem ninguém olhando!</p>

<p>Outros eu alimento. Mesmo minhas cachorras são cordatas com passarinhos. Dividem a comida delas numa boa. Quando elas não estão comendo, claro. Os passarinhos se aproximam, pulam no prato delas e ficam comendo. </p>

<p>Mas tem um, um só, que há meses me adotou. Ou adotou minha pitangueira. Fez a casa ali e dali não sai.</p>

<p>Não que ele coma pitangas. Nem ele nem nenhum outro, já notei. Elas devem ser azedas , suponho. Ficam lá, intactas no pé, sem nenhuma bicada.  E lá no pé, intacto também, fica esse sabiá. Porque é um sabiá. Grandão, tão gordo que mais parece uma pomba. E canta. E canta. E canta.</p>

<p>De manhã, de tarde e até à noite. Eu acordo com ele. Eu não consigo dormir com ele. </p>

<p>Já teve gente que achou que é passarinho preso, tal a intensidade do seu canto aqui dentro de casa. </p>

<p>Eu adoro passarinho. Acho que já disse. Mas pra tudo há exceção nesta vida.</p>

<p>Alguém aí sabe fazer um estilingue?</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="sabia.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/sabia.jpg" width="266" height="400" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>
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    <title>meus trabalhos de Hércules</title>
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    <published>2008-11-21T12:24:45Z</published>
    <updated>2008-11-21T12:34:16Z</updated>
    
    <summary>O primeiro deles foi escrever todos os números de 1 a 1000. Em algarismos romanos!! Eu devia ter uns 8 anos. Fiquei pasma. Eu costumava fazer tudo que as professoras pediam e era a melhor aluna (sim, pasmem vocês agora:...</summary>
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        <![CDATA[<p>O primeiro deles foi escrever todos os números de 1 a 1000. Em algarismos romanos!! Eu devia ter uns 8 anos. Fiquei pasma. Eu costumava fazer tudo que as professoras pediam e era a melhor aluna (sim, pasmem vocês agora: pelo menos no primário fui a melhor aluna!) mas logo que comecei percebi que não ia dar conta no tempo pedido. Meu irmão do meio, muito mais razoável que a professora, disse que eu devia ter entendido mal. Que ela devia querer de 10 em 10. Ou de 100 em 100. Eu aceitei o argumento, até porque não tinha outra opção, mas fiz de 10 em 10. Passei o fim de semana realizando a coisa.</p>

<p>Na segunda-feira, dia de entrega do trabalho, levei a maior esculhambação: que eu queria bancar a espertinha, que eu era preguiçosa e tal. Minha mãe teve que assinar uma advertência que eu levei pra casa. Junto com meu orgulho ferido, a sensação de injustiça e o ódio à burocracia se revelando desde então. Resumo da ópera-bufa: eu SEI escrever de I a M em algarismos romanos . Porque a insana professora me fez reescrever tudo. </p>

<p>E daí?</p>

<p>Bom, o segundo foi voltar de uma viagem de férias num fusquinha junto com minha família inteira. Quase inteira. Meu irmão mais velho, minha cunhada, meu pai, minha mãe e eu. Mais 13 mantas térmicas de lã, mais a bagagem de todo mundo, mais material para uma parrillada completa, com chinchulines y todo! Que afinal era de Montevidéo que a gente voltava. Mais de 2000 km encarapitada em cima de 13 mantas de lã (o peso uruguaio estava baixíssimo, as mantas Aurora eram o must da época e a família era grande). Isso em pleno verão. Num fusca decrépito porém limpinho...Fazia muito calor e os quitutes para a parrillada se faziam presentes no ar. No cheiro denso no pouco ar que havia dentro do fusquinha...</p>

<p>Anos mais tarde, minhas noites de “pixo”. Hoje morro de vergonha de confessar, mas nos idos de 80, a grana para propaganda política era mínima e a gente pixava muros. Alguns com permissão. Outros nem tanto...Passávamos a madrugada nessa atividade que hoje me pesa tanto na consciência. Por ter sujado a cidade, por ter acreditado tanto em políticos que muitos não mereciam nem cinco minutos de atenção, que dirá noites inteiras de trabalho insone. Quantas vezes ter que entrar no carro com o balde de tinta, a broxa, a cola, os cartazes e a polícia no encalço! E quantas vezes tropeçar com tudo isso e passar o resto da noite lavando o carro pra ir trabalhar no dia seguinte! Enfim!</p>

<p>Limpar a casa de praia quando chegamos com as crianças pequenas pra passar férias depois de ladrões terem entrado lá! Havia cocô nas esteiras de palha, almofadas e travesseiros cortados a canivete com plumas pela casa inteira, chuveiros esfaqueados, colchões cortados. Vocês já se depararam com cocô humano depois de dias numa casa fechada, coberto de plumas e penas de travesseiros? Agora imagine limpar isso...</p>

<p>Por enquanto conto esses. Com o tempo conto outros. Roma não se fez num dia nem Hércules realizou seus trabalhos de uma enfiada só...</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="herculeo2.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/herculeo2.jpg" width="175" height="180" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>
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    <title>ligada no modo ranzinza</title>
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    <published>2008-11-16T21:11:18Z</published>
    <updated>2008-11-16T21:18:25Z</updated>
    
    <summary>Quem me conhece sabe que não sou muito “de pele”. Só cumprimento aos beijos se a outra pessoa o fizer, mesmo assim só costumo dar um. Isso de três beijinhos é cansativo. Um bem dado é quanto basta, pelo menos...</summary>
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        <![CDATA[<p>Quem me conhece sabe que não sou muito “de pele”. Só cumprimento aos beijos se a outra pessoa o fizer, mesmo assim só costumo dar um. Isso de três beijinhos é cansativo. Um bem dado é quanto basta, pelo menos pra mim.</p>

<p>Tampouco sou de abraços. Embora adore abraçar. </p>

<p>Mas que eu saiba não tenho problemas com corpo, nem o meu nem o dos outros. Gosto de peles, de cheiros, de calores e pelos. Gosto de gente, do ponto de vista corpo. Gosto de gente de qualquer jeito.</p>

<p>Mas não suporto, não agüento mesmo gente que encosta pra falar. Gente que segura no braço, que se pendura no ombro, que cutuca, que dá palmadinhas.</p>

<p>Não fui uma criança rechonchuda, então não passei pela fase do “ai, que vontade de morder”, aquela fase canibal que um monte de mulheres assume ao ver uma criança fofinha. Disso escapei. Mas não escapei de ficarem alisando meus cachos, poucos, porém eficientes no quesito “que gracinha”! </p>

<p>Na medida em que fui crescendo e me tornando “séria”, fui me tornando também mais arredia com o corpo. E chata com quem encosta demasiado.</p>

<p>Eu –ainda- ouço bem. E enxergo bem com meus óculos. Então, é desnecessário falar encostado no meu ouvido, fazendo cosquinha na orelha. Nem chegar tão perto que eu descubra sem esforço qual foi a última refeição, qual o perfume e qual a pasta de dente da pessoa. </p>

<p>Também não precisa ficar me cutucando nem me puxando pelo braço. Ou a conversa é interessante ou não é. E se não for, não será um cutucão que vai melhorar a qualidade. </p>

<p>E muito menos, mas muito menos mesmo, ficar me dando palmadinhas nas costas ao me encontrar! Eu não estou com nada entalado na garganta!</p>

<p>Bom, nessa circunstância estou, porque sempre fico com uma tremenda vontade de esganar o interlocutor que me dá palmadinhas. <br />
E isso fica aí, entalado na garganta ...</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="ranzinza2.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/ranzinza2.jpg" width="120" height="160" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>]]>
        
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    <title>nesta altura da vida...</title>
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    <published>2008-11-11T15:54:30Z</published>
    <updated>2008-11-11T16:00:41Z</updated>
    
    <summary>Eu já tive várias alturas. É claro, todo mundo, dirá alguém. Mas eu já tive várias alturas depois de adulta, quando se espera que o indivíduo já tenha crescido tudo a que tem direito. Eu já tive 1,67cm. Era logo...</summary>
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        <![CDATA[<p>Eu já tive várias alturas. É claro, todo mundo, dirá alguém. Mas eu já tive várias alturas depois de adulta, quando se espera que o indivíduo já tenha crescido tudo a que tem direito.</p>

<p>Eu já tive 1,67cm. Era logo após a adolescência. Eu demorei muito pra crescer. A coisa foi devagarinho, num ritmo de deixar qualquer adolescente maluca. Mas parou por volta de 1,65, 1,66cm. Aí eu, inconformada por não ter chegado pelo menos a 1,70cm, arredondava pra cima, dizendo ter 1,67cm.  </p>

<p>Por que 1,70cm? Porque 1,70cm era a altura das manequins da época. Hoje a coisa aumentou pelo menos 10 cm e emagreceu pelo menos 10 kilos ou mais, mas naquela época, modelo tinha 1,70cm. E eu que não havia nascido nem bonita, nem elegante embora magérrima, me contentaria em ter em comum com as modelos a altura. Mas não tinha.</p>

<p>Depois, muito depois, adquiri uma hérnia de disco cervical. Um bom tempinho internada. Os piores dias da minha vida, eu que detesto hospital e detesto dor. </p>

<p>Saí de lá com 1,63cm! Cheia de dores, encolhida ao máximo, querendo esquecer que pescoço existe e dói pra caramba. Pescoço, ombros, costas. </p>

<p>Meses de acupuntura, fisioterapia e RPG me devolveram aos 166cm. </p>

<p>Agora ando fazendo alongamento na academia. Além de musculação. Não pretendo ficar musculosa. Só quero evitar o aspecto ameixa seca mole da velhice. Velhinha sim, porém durinha! E o professor de alongamento, que estica a gente como se esticasse salário no fim do mês, jura que vamos ganhar pelo menos uns dois centímetros!</p>

<p>Pena! Ainda não vai ser agora que chego a 170cm...</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="hauteur_talon_sp.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/hauteur_talon_sp.jpg" width="300" height="225" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>
No tango sim, eu consigo vários cm a mais :)]]>
        
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    <title>supermercado</title>
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    <published>2008-11-04T17:10:50Z</published>
    <updated>2008-11-04T17:15:18Z</updated>
    
    <summary>Pouca gente gosta, eu sei. Mas eu gosto. Adoro fazer supermercado. Não o semanal, aquele que eu chamo de “fazer o japonês”, porque não é um supermercado mas uma quitanda misturada com mercearia que tem tudo de que eu preciso...</summary>
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        <![CDATA[<p>Pouca gente gosta, eu sei. Mas eu gosto.</p>

<p>Adoro fazer supermercado. Não o semanal, aquele que eu chamo de “fazer o japonês”, porque não é um supermercado mas uma quitanda misturada com mercearia que tem tudo de que eu preciso durante a semana, de uma família de japoneses. </p>

<p>Mas o do mês, aquele da compra maior, de coisas não perecíveis, pelo menos não rapidamente perecíveis. Ora, vocês sabem do que estou falando: coisas de limpeza, coisas básicas, mais vinhos também básicos. </p>

<p>Acho que é uma coisa que vem de família, assim meio genética. Passando pela minha mãe, filha de imigrantes italianos com mania de despensa cheia e apavorados com guerra e do meu pai, filho de família numerosa e pobre, onde a questão da sobrevivência era crucial. 18 filhos, sabe como é...</p>

<p>Então, desde que eu formei minha própria família, faço supermercado. No começo, carregava o maridão, fazendo elogios à tarefa. Que era divertido, que isso e aquilo. Não colou. Ele detesta. Passei a fazer sozinha, de vez em quando com a filha. Muito de vez em quando. </p>

<p>E adoro remexer tudo. Ler rótulos, sopesar com as mãos e os olhos coisas diferentes que eu sei que não vou comprar jamais. Namorar vinhos de mais de dois dígitos. Suspirar diante de chocolates proibidos. Alisar com vagar queijos igualmente proibidos. </p>

<p>Percorrer os corredores com dois carrinhos cheios, fazendo malabarismos e de vez em quando correndo neles como criança, levantando os pés do chão. Com aquela sensação que, venha a crise que vier, entre em queda livre a bolsa ou não, pelo menos este mês a despensa fica cheia. E nunca mais, como diria Scarlet, nunca mais passarei fome. </p>

<p>Tá bom, nunca passei, mas quando estou no supermercado enchendo carrinho, a sensação de bem-estar é grande. Quando olho pros armários cheios de comida também. </p>

<p>Meio como o homem das cavernas devia se sentir ao olhar seu mamute despedaçado, pronto pra sustentar a família inteira de cavernícolas por um tempinho. A bolsa pode cair, a política, o clima, o futebol e a cultura sempre podem piorar, mas aqui na minha toca tem comida. Por um tempinho. </p>

<p>Sei lá, é bobagem tudo isso, mas é assim que me sinto. </p>

<p>Adoro fazer supermercado.  </p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="carrinho-3.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/carrinho-3.jpg" width="300" height="400" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>
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    <title>tipos de roupa pra usar num baile do caribe</title>
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    <published>2008-10-29T17:15:15Z</published>
    <updated>2008-10-29T17:22:14Z</updated>
    
    <summary>Continuando a pesquisar meu contador, alguém mais veio com dúvidas fashionistas. Embora eu pouco ligue pra moda, ligo muito pra dançarinos e por uma questão de corporativismo puro, vou tentar responder. Em primeiro lugar, temos que descobrir o que é...</summary>
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        <![CDATA[<p>Continuando a pesquisar meu contador,  alguém mais veio com dúvidas fashionistas. Embora eu pouco ligue pra moda, ligo muito pra dançarinos e por uma questão de corporativismo puro, vou tentar responder. </p>

<p>Em primeiro lugar, temos que descobrir o que é um baile do caribe. Pode ser um baile bom pra caramba, “duca” ou do caribe, na gíria. Aí, minha filha (ou meu filho, o contador não especifica o sexo) qualquer roupa serve.</p>

<p>Eu costumo usar geralmente preto. Vestido preto, meias pretas, sapatos pretos. Eu e a torcida do River.  Ou do meu coringão. Porque tanguero que é tanguero, usa preto. Seja homem, mulher ou qualquer outra opção.  Nas vezes em que não está usando preto usa vermelho. E quando quer variar,  mas variar mesmo, usa preto e vermelho. Como qualquer bom flamenguista ou filho de exu.</p>

<p>Isso porque pra mim baile “do caribe” é baile de tango. É milonga. </p>

<p>Agora se você está se referindo a bailes dos países banhados pelo mar do caribe, aí é melhor usar bastante cor. Pra dançar o son, a salsa, a rumba, o mambo, o reggae, o ska, e o que mais for. Porque se há uma região boa de música, é o caribe.  O nordeste brasileiro também. E em ambas, o rebolado predomina. Por isso fica tão bonita uma saia curtinha e muita cor. Já pensou dançar uma salsa toda de preto, de saia com fenda e salto 10? </p>

<p>De qualquer forma, a roupa pra dançar é o que menos importa. Importa ter a cabeça leve e o corpo idem, os pés alegres como o coração, a cintura solta como o pensamento. A não ser que seja tango. Aí mantenha a postura tensa, mas não tanto a ponto de não seguir o parceiro como um vira-lata fiel. E não, não ofendo os tangueros nem os vira-latas. Amo os dois. E nada me diz tanto a respeito de fidelidade do que um bom vira lata. </p>

<p>Ou uma boa tanguera. </p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="cantiotangoterriers.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/cantiotangoterriers.jpg" width="315" height="450" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>
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    <title>sou muito magra, o que fazer, como que nem um bicho...</title>
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    <published>2008-10-23T01:51:04Z</published>
    <updated>2008-10-23T01:55:17Z</updated>
    
    <summary>Os caminhos do coração humano são cheios de meandros, mas os caminhos que trazem um ser a um blog são mais. Taí o contador que não me deixa mentir. Alguém chegou aqui dizendo que é magra demais. Mas que come...</summary>
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        <name>Che Caribe</name>
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        <![CDATA[<p>Os caminhos do coração humano são cheios de meandros, mas os caminhos que trazem um ser a um blog são mais. Taí o contador que não me deixa mentir.</p>

<p>Alguém chegou aqui dizendo que é magra demais. Mas que come igual a um bicho.</p>

<p>Fico pensando com meus botões: como assim, come igual a um bicho? </p>

<p>Que eu saiba, os bichos comem pra se alimentar. Não pra se empanturrar. A não ser aqueles que por força de hábitos e condições climáticas, façam uma reserva de comida e gordura, a maioria dos bichos como o que a fome manda comer. </p>

<p>Menos o ser humano. O ser humano come o que a gula manda comer. O que as mães mandam comer. O que os médicos mandam comer. O que a situação financeira deixa comer. O que o tempo permite comer. Enfim, o ser humano, no quesito comida, é muito diferente dos bichos.</p>

<p>O ser humano come o que não gosta. O ser humano come o que não é bom. O ser humano come sem fome. O ser humano come fora de hora. O ser humano come também o que gosta mas não devia. O que gosta mais do que devia. O que gosta nas horas em que não devia. </p>

<p>Então, vamos combinar: comer como os bichos seria muito bom. O suficiente. Mas a gente é bicho estranho. A gente brinca com a comida, a gente faz da comida consolo, a gente busca na comida apetites que devia buscar em outras coisas, tenta com a comida matar fomes outras. </p>

<p>Então, pra você que veio aqui me perguntando o que fazer, já  que é magra demais e come como um bicho, se for assim mesmo, se efetivamente você comer como um bicho, meus parabéns! Continue assim. Comendo de acordo com a fome aquilo que o corpo pede. </p>

<p>Quanto a ser magra...ora, deixa de fazer fita! Mais dia menos dia a idade pesa, a menopausa chega, você dá uma relaxadinha e isso passa. Garanto. </p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="comida.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/comida.jpg" width="336" height="280" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>
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    <title>papel papelada</title>
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    <published>2008-10-17T20:52:27Z</published>
    <updated>2008-10-17T20:57:57Z</updated>
    
    <summary>Sonho de valsa existe desde que eu me conheço. Faz um bom tempo, embora eu ainda ache que me conheça pouco. Mas o sonho não. Embrulhado naquele papel cor de rosa, fazia a maravilha dos meus olhos míopes! Colava numa...</summary>
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        <![CDATA[<p>Sonho de valsa existe desde que eu me conheço. Faz um bom tempo, embora eu ainda ache que me conheça pouco.  Mas o sonho não. Embrulhado naquele papel cor de rosa, fazia a maravilha dos meus olhos míopes! Colava numa cartolina e fazia de óculos. Uma forma de ver tudo cor-de-rosa, como não?! Mal sabia eu, naquela tenra idade, que pra ver as coisas cor de rosa só mesmo fazendo isso, em certos dias (ou meses, ou anos) ...</p>

<p>Papel alumínio das latas de leite em pó, de leite de litro de vidro, de Nescau, de ovomaltine (meu preferido), de qualquer coisa que tivesse entre a tampa e o conteúdo aquele papel alumínio durinho. Nossa, aquilo dava pra fazer medalhas e medalhões. Incentivava nossa mania de fazer concursos e dar prêmios. E colocar nos pescoços dos ganhadores as medalhas feitas de papel alumínio! Dava pra gravar coisas, escrevendo com caneta bem apertado de encontro ao papel. Pra fazer desenhos nas medalhas, personalizando. Um luxo!</p>

<p>Papel vegetal. Esse era caro. Permitia colar desenhos. Na realidade, outros papéis fininhos também. Eu só colava mesmo era desenho de flores. Desenho bem, mas flor não sai legal. Então o jeito era colar. E depois de colado, se fosse o caso de passar adiante a flor em algum álbum de amiga, usar papel carbono. A cola da cola da cola. </p>

<p>Cartolina. Pra fazer cartazes escolares. Um trabalhão, porque não se podia errar, já que apagar erro na cartolina acaba por fazer um verdadeiro rombo no trabalho. Bom, pelo menos EU apagando. Eu era daquelas que se não achava uma borracha por perto recorria desde miolo de pão (funciona!) até a sola de tênis. Apagar apagava, mas não ficava um trabalho muito limpo...</p>

<p>Papel de seda. Pra desenhar ou mesmo trabalhar com ele um problemão: muito mole. Mas pra dissolver e fingir de blush no rosto ou mesmo de baton na boca, quando se tem menos de 10 anos ( na minha época não havia cosméticos de brinquedo. E nem mães que permitissem filha criança usar cosméticos de verdade) era ótimo. </p>

<p>Os outros papéis só vim conhecer bem mais tarde. Daí geralmente desenhava neles. E sabia distinguir os melhores. </p>

<p>Hoje uso pouco papel. O computador acabou com isso. Se quero desenhar, uso o paint brush ou Corel draw. Sou um dinossauro em matéria de computador! Dificilmente uso papel. </p>

<p>Dobraduras não tenho paciência e papier machê menos ainda. Nem mesmo embrulho de presente. Peço pra alguém mais jeitoso fazer pra mim. </p>

<p>Então papel hoje só mesmo aquele, o indispensável, o que ainda não inventaram nada melhor.</p>

<p>Papel higiênico.</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="toiletpaper.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/toiletpaper.jpg" width="300" height="300" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>]]>
        
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    <title>crack da bolsa</title>
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    <published>2008-10-10T14:33:58Z</published>
    <updated>2008-10-10T14:37:57Z</updated>
    
    <summary>Latas de guardar mantimentos. Todo mundo usava. Pra guardar arroz, feijão, açúcar, farinha e...dinheiro! Não todo o dinheiro da casa, aquele pras despesas maiores. Esse ia pra gaveta das meias, embrulhado em um plástico. Vai que alguma traça... Mas o...</summary>
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        <name>Che Caribe</name>
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        <![CDATA[<p>Latas de guardar mantimentos.<br />
Todo mundo usava. Pra guardar arroz, feijão, açúcar, farinha e...dinheiro!</p>

<p>Não todo o dinheiro da casa, aquele pras despesas maiores. Esse ia pra gaveta das meias, embrulhado em um plástico. Vai que alguma traça...</p>

<p>Mas o dinheiro do pão e leite de cada dia, esse ia pra lata do feijão. Todo mundo em casa sabia e, na falta de algum pra inteirar a passagem de ônibus, ou pra dar pra alguém que pedisse na porta, era lá o banco doméstico. Depois tinha que agüentar a bronca da mãe que quando ia buscar o do pão não achava nada. </p>

<p>Eu mesma, ainda criança, ganhei um cofre! De aço, imitação daqueles grandes de banco. Tinha segredo e tudo! E tinha também, na lateral, um buraco por onde enfiar moedas. E outro, circular, por onde enfiar as notas de papel.  Era menor do que uma caixa de sapatos pequena, mas pra mim era igual ao do maior banco. Igual ao do cofre do tio Patinhas!</p>

<p>Claro que, após alguns dias, eu havia perdido o segredo da abertura e a chave extra, se eu perdesse o segredo da abertura...</p>

<p>Daí fui pondo, nas primeiras semanas, as moedas e as notas que a família me dava, de tanto eu encher o saco que queria estrear meu presente e “encher o cofrinho” ! </p>

<p>No primeiro saco de pipocas em que não tive dinheiro pra pagar, ou porque já havia gasto o da semana, ou porque o do cofre doméstico- a lata de feijão – estava falido, eu botei na porta do meu cofrinho uma chave de fenda, a guisa de pé de cabra e arrombei. E lá ficou ele, imprestável em sua função de guardar dinheiro, pra sempre escancarado.</p>

<p>Já minha avó, a rainha do crochê – tenho a quem puxar – punha seus trocados em uma caixa de catupiry,  aquelas de madeira, a mesma em que ela punha as linhas e agulhas do seu crochê. Mas como estava sempre ao lado dela, era imune a roubos. Ela cochilava no sofá da sala com a caixinha no colo. Acordava de vez em quando e voltava a crochetar do ponto em que parara. Metódica, minha avó.</p>

<p>Hoje eu, bem menos metódica que a avó, ainda guardo – esqueço- moedas e notas pequenas por aí. Em bolsos, em bolsas, em nécessaires. São lavadas junto com as roupas também. Sou boa em lavagem de dinheiro...</p>

<p>E, é claro, tenho meu banco doméstico. </p>

<p>Mas não vou sair por aí contando, não! </p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="cofrevermelho.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/cofrevermelho.jpg" width="230" height="347" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>
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    <title>como uma onda no mar</title>
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    <published>2008-10-06T16:48:50Z</published>
    <updated>2008-10-06T17:01:08Z</updated>
    
    <summary>Sim, eu já tive um tamanco de sola de madeira! Também já tive uma alpercata de solado de corda . E já tive um sapato boneca de verniz. Depois de muitas décadas, voltei a ter os três, não simultaneamente. A...</summary>
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        <![CDATA[<p>Sim, eu já tive um tamanco de sola de madeira! Também já tive uma alpercata de solado de corda . E já tive um sapato boneca de verniz.</p>

<p>Depois de muitas décadas, voltei a ter os três, não simultaneamente. A moda é como onda do mar: vai e volta. Sempre trazendo algum lixo junto...</p>

<p>O que a moda não me trouxe de volta nunca foram as circunstâncias.<br />
Circunstâncias são tudo!! </p>

<p>Meu tamanquinho de português, como os chamávamos na época, era uma imitação para criança do tamancão que minha mãe usava pra lavar quintal. E todos os açougueiros e padeiros da época também usavam, porque eram de solado alto, permitindo andar sobre chão molhado sem molhar os pés.</p>

<p>Minha alpercata de solado de corda e lona também era uma espécie de imitação da do meu pai. Que a gente – sim, eu sempre fui com ele – usava pra pescar e não, eu sempre fui má pescadora, ao contrário dele.  Diziam que era boa pra subir em pedras molhadas, que não escorregava. Pode ser. Já eu gostava mesmo era de escorregar pelas pedras,  até cair de bunda na água. Mas eu tirava a alpercata antes.</p>

<p>E meus sapatos de boneca, de verniz preto, eram pra sair. Quando, por uma desgraça, eu sujava um pouco, era só botar um cuspezinho ou mesmo passar os pés por detrás das panturrilhas pra limpar. Brilhavam que era uma beleza! </p>

<p>Como disse, voltei, com o tempo, a ter todos eles: o tamanco, numa versão pseudo holandesa, de couro e sola de madeira, cor laranja. Acho que década de 70, pra ser usado com calça boca de sino.</p>

<p>A alpercata, mais ou menos igual, porém a parte de cima de veludo e não de lona. Também final da década de 60, começo de 70. Bons anos de bicho-grilagem!</p>

<p>Mas os sapatinhos boneca de tirinha e verniz eu tenho sempre! Aliás, vários agora! </p>

<p>Pra me acompanhar nos voleios do tango.  Eu me sentia uma espécie de princesa, de pequena, com vestido de organdi e sapatos de boneca.<br />
Me sinto uma rainha hoje, com os mesmos sapatos, embora de salto.</p>

<p>Obra do tango. Ou dos sapatos. </p>

<p>Ou do tempo, que de vez em quando, numa dessas ondas, traz alegria e paixão.</p>

<p>Além de alguma sujeira, mas onda é onda. Só leva e traz.</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="Picture1.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/Picture1.jpg" width="181" height="314" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>]]>
        
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    <title>pílulas</title>
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    <published>2008-10-01T19:24:45Z</published>
    <updated>2008-10-01T19:55:40Z</updated>
    
    <summary>Voltei de novo de uma andança. Estou sempre voltando. Bom sinal. Significa que estou sempre indo. Adoro mudar de casa. Faz 31 anos que não mudo. Começa a me dar faniquito. Eu levo um tempão até ter faniquito com mudança....</summary>
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        <name>Che Caribe</name>
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    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://www.gardenal.org/checaribe/">
        <![CDATA[<p>Voltei de novo de uma andança. Estou sempre voltando. <br />
Bom sinal. Significa que estou sempre indo.</p>

<p><br />
Adoro mudar de casa.<br />
Faz 31 anos que não mudo.<br />
Começa a me dar faniquito.<br />
Eu levo um tempão até ter faniquito com mudança.</p>

<p><br />
Numa cidadezinha de 5 mil habitantes, penso se conseguiria morar.<br />
Conseguiria. <br />
Mas e o tango? Será que se eu abrisse uma milonga a coisa pegaria?<br />
Será que em Crisólia alguém se interessa por tango?<br />
Nem Deus sabe.</p>

<p><br />
Depois de quase um ano, alguém comenta por aqui que eu não entendo nada de procissão.<br />
E acrescenta que Jesus me ama mesmo assim.<br />
Ah, bom!</p>

<p><br />
Outro quer comprar uma coruja.<br />
Quer saber quanto custa.<br />
Qual o preço da liberdade?<br />
A eterna vigilância?</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="prata-ouro.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/prata-ouro.jpg" width="240" height="180" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>

<p>Trecho Águas da Prata- Ouro Fino<br />
Quer ver mais?<br />
http://www.flickr.com/photos/checaribe</p>]]>
        
    </content>
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    <title>por onde andarão os vendedores de enciclopédia?</title>
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    <published>2008-09-24T16:02:10Z</published>
    <updated>2008-09-24T16:07:48Z</updated>
    
    <summary>Às vezes vinham em dupla. Era infalível. A gente sabia pelos ternos e pelas caras, mais as maletinhas de couro que eles vendiam a Britânica ou a Barsa. Homens, entre 25 e uns 40 anos, tipos medianos. Bem falantes. Eu...</summary>
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        <![CDATA[<p>Às vezes vinham em dupla. Era infalível. A gente sabia pelos ternos e pelas caras, mais as maletinhas de couro que eles vendiam a Britânica ou a Barsa. </p>

<p>Homens, entre 25 e uns 40 anos, tipos medianos. Bem falantes.</p>

<p>Eu ficava encarregada pela mãe e/ou pai de dizer-lhes não na porta. Com pena, mas é que tanto a Barsa como a Britânica eram caras pra gente.  Então a gente tinha na estante uns genéricos delas, mas nada que se lhes comparasse.</p>

<p>Nos trabalhos da escola eu invejava quem copiava da Barsa ou da Britânica. Quando dava, eu ia até a biblioteca municipal pra copiar, eu também. Minhas aulas de história da época só fizeram melhorar minha letra e, mais tarde, minha datilografia. </p>

<p>Por onde andarão os vendedores de enciclopédia?</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="barsa.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/barsa.jpg" width="250" height="250" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>
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    <title>reflexões fisiologico-filosóficas noturnas</title>
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    <published>2008-09-15T20:43:20Z</published>
    <updated>2008-09-15T20:49:01Z</updated>
    
    <summary>A bexiga pesa. Como sei que é a bexiga que pesa? Porque estou com vontade de fazer xixi. A gente fica com vontade de fazer xixi quando a bexiga está cheia. E se ela está cheia, deve pesar mais do...</summary>
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        <![CDATA[<p>A bexiga pesa. Como sei que é a bexiga que pesa? Porque estou com vontade de fazer xixi.</p>

<p>A gente fica com vontade de fazer xixi quando a bexiga está cheia. E se ela está cheia, deve pesar mais do que se estiver vazia. Então, se ela está pesando, deve ser porque estou com vontade de fazer xixi.</p>

<p>Mas tenho preguiça. Aqui está quentinho, abrigado, aconchegante, por que sair?</p>

<p>Porque a bexiga pesa. Eu sei. Já disse isso. Você também já sabe,  se não for surdo, quer dizer, analfabeto ou cego. Porque já leu isso.</p>

<p>E se eu não levantar? Qual a chance de fazer nas calças? </p>

<p>Depende. Depende dos critérios utilizados pra fazer essa conta.</p>

<p>Se for história de vida, as chances serão muitas. Por preguiça ou por bexiga cheia até o limite, fiz – de vez em quando, é bom que se diga, pra livrar parcialmente a minha cara – até mais ou menos uns 10 anos.  É triste, mas é verdade. Não há porque esconder mais esse segredo. Que, aliás, nunca foi segredo pra ninguém em casa. Embora todos disfarçassem pra não constranger a mijona, no caso, eu.</p>

<p>Se o critério for minha idade atual, então posso ficar mais um bom tempo no quentinho da cama. Já passei há um bocado dos dez anos, mas ainda não cheguei à idade em que não dá tempo de levantar. Ou em que você nem lembra por que cargas d’água teria que levantar.</p>

<p>Meia idade. Tá bom, já passou um pouco da metade. Só um pouco. </p>

<p>Mas a bexiga pesa. Minha consciência, por vezes, também. E nem por isso eu levanto pra fazer atos de contrição. Até porque consciência pesada não molha a cama nem incomoda quem estiver ao lado. A maioria nem percebe. Às vezes, nem eu mesma percebo.</p>

<p>Só quando a insônia bate. </p>

<p>Ou quando vem aquela vontade de fazer xixi e você fica fazendo hora pra ver se passa. E lembrando as coisas da vida. E aí quem pesa – só de vez em quando – é a consciência.</p>

<p>E afinal, uma vez que é muito mais fácil levantar e fazer xixi do que esvaziar consciência pesada, você acaba indo. </p>

<p>Fazer xixi.</p>

<p>Aí a bexiga volta a ficar vazia.<br />
Já a consciência...</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="picasso.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/picasso.jpg" width="276" height="356" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>
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    <title>medões e medinhos</title>
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    <published>2008-09-12T18:56:41Z</published>
    <updated>2008-09-12T19:00:40Z</updated>
    
    <summary>O primeiro medo a gente nunca esquece. Bobagem! Eu me lembro de quase todos. Porque medo é comigo mesma. Mas vá lá: o primeiro foi de colégio interno. Isso mesmo: minha mãe me ameaçava umas duas ou três vezes por...</summary>
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        <![CDATA[<p>O primeiro medo a gente nunca esquece. Bobagem! Eu me lembro de quase todos. Porque medo é comigo mesma. </p>

<p>Mas vá lá: o primeiro foi de colégio interno. Isso mesmo: minha mãe me ameaçava umas duas ou três vezes por dia de me “botar em colégio interno” se eu não me comportasse. Eu tremia nas bases.</p>

<p>Nunca tinha conhecido ninguém que tinha ido pra esses colégios- a maioria de padres ou freiras – nem ninguém que tinha voltado deles. Era pra mim uma espécie de buraco negro, engolidor de crianças mal-comportadas, obrigando-as a rezar terços e mais terços ajoelhadas no milho. Meda!</p>

<p>Depois vieram os medos de meu pai perder o emprego e a gente vir a passar fome. A situação já não era boa, nunca foi, mas se ele perdesse o emprego, pioraria muito mais. Eu era magra como um termômetro, mas comia pra caramba. A hipótese de não ter o que comer me enchia de terror.</p>

<p>Mais tarde, de moça, o medo de “ficar pra titia”. As titias eram ironizadas, hostilizadas, ridicularizadas. Pra combater esse medo eu dizia que iria “virar” uma intelectual. Dessas de ganhar prêmios. Essas não eram cobradas por casar ou não casar. Queria virar escritora, veja só! </p>

<p>Com a maturidade os medos foram deixando de ser aqueles que me botavam. A coisa ficou muito pior. <br />
Com a maturidade, eu mesma passei a me botar medos. E foram – e são – tantos!! </p>

<p>Medo do vestibular, medo das pessoas queridas terem problemas de saúde, medo de falhar como mãe, medo de não ser feliz, medo de dores em geral, medo de ter medo numa certa época. Pânico de ter medo.<br />
 <br />
Hoje a coisa amainou. Resta o medo de não ter tempo pra fazer coisas boas. Medo afinal de que o bicho papão ou o homem do saco venham me buscar antes que eu faça os milhares de coisas que quero fazer, agora que os outros medos foram embora. </p>

<p>Foram embora médio: o medo de filme de terror depois das seis da tarde ainda persiste. </p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="caixão.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/caix%E3o.jpg" width="250" height="250" class="mt-image-center" style="text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;"/></span>

<p><br />
</p>]]>
        
    </content>
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    <title>bichos do caminho</title>
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    <published>2008-09-08T16:35:44Z</published>
    <updated>2008-09-08T16:54:26Z</updated>
    
    <summary>Não gosto de todos os bichos. Tenho horror a aranhas e não vou com a cara (nem com todo o resto) de lesmas em geral. Não posso negar uma aversão aos muito pequenos (pulgas) ou aos muito grandes (baleias). Um...</summary>
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        <name>Che Caribe</name>
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        <![CDATA[<p>Não gosto de todos os bichos. Tenho horror a aranhas e não vou com a cara (nem com todo o resto) de lesmas em geral. </p>

<p>Não posso negar uma aversão aos muito pequenos (pulgas) ou aos muito grandes (baleias).</p>

<p>Um certo  medo aos muito cheio de pernas ( lacraia, centopéia) e aos falto delas (cobras).</p>

<p>Mas existem os que vejo por aí. No caminho da fé, por exemplo, do qual acabei de fazer mais um trecho. </p>

<p>Eu sou calma. O caminho é grande, quase quinhentos km, mas eu não tenho pressa. Vou de 100 em 100.<br />
E por lá a gente vê bichos. Pássaros em geral, tucanos, e corujas. Adoro corujas. Uma questão de corporativismo ou solidariedade, sei lá. Meu apelido de pequena era esse mesmo: coruja, por enxergar mal. Mas, tal como a coruja, (que, aliás, enxerga muito bem) eu prestava uma atenção danada...</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="corujando.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/corujando.jpg" width="290" height="218" class="mt-image-right" style="float: right; margin: 0 0 20px 20px;"/></span>

<p>Vi também um monte de vira-latas, minha paixão maior. Eles não me falham: é só dar um aceno, mandar um beijinho, que eles vêm rapidinho. E ficam se roçando, acarinhando, olhando olho no olho. Se os homens também fossem assim...</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="viralata.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/viralata.jpg" width="290" height="218" class="mt-image-right" style="float: right; margin: 0 0 20px 20px;"/></span>

<p>Porcos eu não gostava. Na realidade, não gosto da forma como muitos são criados. No meio daquela “porcaria” toda. Porco é bicho esperto. Limpo, como a maioria dos bichos. Não precisa chafurdar na lama nem comer só restos. E ainda por cima vir a ser hostilizado por isso. Vimos uns bem apanhadinhos. Pena que se destinem à mesa. Ou seja, à morte rápida e certa.</p>

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="cavaloarredio.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/cavaloarredio.jpg" width="290" height="218" class="mt-image-left" style="float: left; margin: 0 20px 20px 0;"/></span>

<p>E cavalos e vacas. Uns, os cavalos, arredios. Eu chegava perto e eles fugiam. Olhando de soslaio. Já as vacas, gordas e lustrosas, era só ouvirem os passos no caminho pra virem correndo (na medida do possível para uma vaca) perto da cerca. E ficarem nos acompanhando com o olhar, como a desejar boa viagem. Também destinadas à mesa. Em forma de carne ou de leite. </p>

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Até burro. Pequeno, branquinho. 

<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image"><img alt="burrinho.jpg" src="http://www.gardenal.org/checaribe/burrinho.jpg" width="290" height="218" class="mt-image-left" style="float: left; margin: 0 20px 20px 0;"/></span>

<p>O que eles devem achar da gente? Animais estranhos, sem pelo nem pena, mal apetrechados, tendo quatro pernas, só usando duas, falando cada um uma língua... Tão presos quanto os mais presos, matando à toa, morrendo à toa, vivendo à toa. </p>

<p>E destinados igualmente à mesa. Porque por aqui, comemo-nos uns aos outros, em todos os sentidos. </p>]]>
        
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