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supermercado

Pouca gente gosta, eu sei. Mas eu gosto.

Adoro fazer supermercado. Não o semanal, aquele que eu chamo de “fazer o japonês”, porque não é um supermercado mas uma quitanda misturada com mercearia que tem tudo de que eu preciso durante a semana, de uma família de japoneses.

Mas o do mês, aquele da compra maior, de coisas não perecíveis, pelo menos não rapidamente perecíveis. Ora, vocês sabem do que estou falando: coisas de limpeza, coisas básicas, mais vinhos também básicos.

Acho que é uma coisa que vem de família, assim meio genética. Passando pela minha mãe, filha de imigrantes italianos com mania de despensa cheia e apavorados com guerra e do meu pai, filho de família numerosa e pobre, onde a questão da sobrevivência era crucial. 18 filhos, sabe como é...

Então, desde que eu formei minha própria família, faço supermercado. No começo, carregava o maridão, fazendo elogios à tarefa. Que era divertido, que isso e aquilo. Não colou. Ele detesta. Passei a fazer sozinha, de vez em quando com a filha. Muito de vez em quando.

E adoro remexer tudo. Ler rótulos, sopesar com as mãos e os olhos coisas diferentes que eu sei que não vou comprar jamais. Namorar vinhos de mais de dois dígitos. Suspirar diante de chocolates proibidos. Alisar com vagar queijos igualmente proibidos.

Percorrer os corredores com dois carrinhos cheios, fazendo malabarismos e de vez em quando correndo neles como criança, levantando os pés do chão. Com aquela sensação que, venha a crise que vier, entre em queda livre a bolsa ou não, pelo menos este mês a despensa fica cheia. E nunca mais, como diria Scarlet, nunca mais passarei fome.

Tá bom, nunca passei, mas quando estou no supermercado enchendo carrinho, a sensação de bem-estar é grande. Quando olho pros armários cheios de comida também.

Meio como o homem das cavernas devia se sentir ao olhar seu mamute despedaçado, pronto pra sustentar a família inteira de cavernícolas por um tempinho. A bolsa pode cair, a política, o clima, o futebol e a cultura sempre podem piorar, mas aqui na minha toca tem comida. Por um tempinho.

Sei lá, é bobagem tudo isso, mas é assim que me sinto.

Adoro fazer supermercado.

carrinho-3.jpg

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Comments

Gosto de comprar aquelas pequenas coisas que fazem a diferença e que me vão fazendo crescer a água na boca, enquanto náo chego a casa para as cozinhar!

Quando eu vou ao supermercado com a minha mulher a gente faz assim: Eu pego um carrinho e a lista; ela pega outro carrinho e vai para a zona dos produtos domésticos de limpeza. Aí eu encho o carrinho, metade com as faltas que estavam na lista e a outra metade com a minha guloseima, os tais queijos, os vinhos, os enchidos, os mariscos (frutos do mar, aí) e tal...Depois que gasto o orçamento deste mês e o do mês seguinte também, regresso ao local onde deixei a esposa. Aí ela tem já um garrafão de lexívia no carrinho e um pack de duas garrafas de limpa vidros, uma com pulverizador e a outra como recarga que vinha em preço reduzido no pack. E com um ar muito concentrado, tem na mão uma embalagem de amaciador de lãs, a qual lê exausticvamente o rótulo, embora seja rigorosamente igual à que comprou na última vez. Vamos na caixa duas horas depois (onde ainda passaremos mais meia hora) e quando chegamos no nosso carro lembramos que faltava comprar os bifes pro jantar. Aí a gente não volta atrás. Passamos no talho (açougue).

mfc: eu também gosto de comprar coisas que fazem a diferença: lingerie, meias, vinho tinto, ricota defumada (a única que meu carrasco deixa comer), por aí...mas cozinhar em casa mesmo só soja e outros vegetais...bleargh...:(

predatado: o que é esta nossa língua! Enchidos chamamos de embutidos (estou proibida de comer há uns 10 anos por conta de colesterol), amaciador de lãs chamamos de amaciante e talho de açougue ou casa de carnes. Eu costumo me demorar horas na seção "tomate pelado". Nenhuma tara sexual por conta do pelado, mas sim por conta da quantidade de sódio que acrescentam nesses produtos. Fico um tempão nos vinhos, também. Pra saber das novidades e calcular o que cabe no meu orçamento. E sonhar acordada com aquela história de transformação da água em vinho. Um dia ainda descubro o pulo do gato!! :)

Eu sou mais pelo supermercado semanal. E, aqui, vamos sempre os dois.
Com divisão de tarefas. Por exemplo, eu escolho as carnes , ela os legumes.
Também vou vendo, apalpando, espreitando aquelas coisas que são só para ver (às vezes cai a tentação e lá vai pró carrinho).
E ela também se perde com a olhar coisas de que gosta. De tal forma que, por vezes, já não sabemos um do outro.
E se o supermercado é grande (nós temos a mania de ir a vários) só há uma solução : usar o telemóvel para descobrir onde está o outro...O que, diga-se de passagem, é um tanto ridículo...

Detesto tanto fazer supermercado que tenho uma lista pronta no pc. Imprimo e vou controlando o que precisa. Vou ao supermercado durante o horário de almoço porque é mais vazio. Entro, pego o que anotei e caio fora. Por essas bandas as pessoas preferem fazer a compra do dia. No máximo, a do dia mais a do dia seguinte. Assim tem sempre comida fresca. É muito normal a vizinha ir ao supermercado e pedir 50 gramas de presunto (mezz'etto) e voltar à tarde para comprar mais 50 gramas. Mas têm sempre um monte de farinha estocado.

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