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como uma onda no mar

Sim, eu já tive um tamanco de sola de madeira! Também já tive uma alpercata de solado de corda . E já tive um sapato boneca de verniz.

Depois de muitas décadas, voltei a ter os três, não simultaneamente. A moda é como onda do mar: vai e volta. Sempre trazendo algum lixo junto...

O que a moda não me trouxe de volta nunca foram as circunstâncias.
Circunstâncias são tudo!!

Meu tamanquinho de português, como os chamávamos na época, era uma imitação para criança do tamancão que minha mãe usava pra lavar quintal. E todos os açougueiros e padeiros da época também usavam, porque eram de solado alto, permitindo andar sobre chão molhado sem molhar os pés.

Minha alpercata de solado de corda e lona também era uma espécie de imitação da do meu pai. Que a gente – sim, eu sempre fui com ele – usava pra pescar e não, eu sempre fui má pescadora, ao contrário dele. Diziam que era boa pra subir em pedras molhadas, que não escorregava. Pode ser. Já eu gostava mesmo era de escorregar pelas pedras, até cair de bunda na água. Mas eu tirava a alpercata antes.

E meus sapatos de boneca, de verniz preto, eram pra sair. Quando, por uma desgraça, eu sujava um pouco, era só botar um cuspezinho ou mesmo passar os pés por detrás das panturrilhas pra limpar. Brilhavam que era uma beleza!

Como disse, voltei, com o tempo, a ter todos eles: o tamanco, numa versão pseudo holandesa, de couro e sola de madeira, cor laranja. Acho que década de 70, pra ser usado com calça boca de sino.

A alpercata, mais ou menos igual, porém a parte de cima de veludo e não de lona. Também final da década de 60, começo de 70. Bons anos de bicho-grilagem!

Mas os sapatinhos boneca de tirinha e verniz eu tenho sempre! Aliás, vários agora!

Pra me acompanhar nos voleios do tango. Eu me sentia uma espécie de princesa, de pequena, com vestido de organdi e sapatos de boneca.
Me sinto uma rainha hoje, com os mesmos sapatos, embora de salto.

Obra do tango. Ou dos sapatos.

Ou do tempo, que de vez em quando, numa dessas ondas, traz alegria e paixão.

Além de alguma sujeira, mas onda é onda. Só leva e traz.

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Comments

Aqui se usou também esses sapatos de solas altas. Eu não fugi à onda e como sou baixote juntava a moda à utilidade. Pior era quando eu proprio olhava para eles e parecia que andava montado numa grossa fatia de toucinho.

Também tive um tamanco pseudo holandês...
Quanto ao verso "a vida vem em ondas, como o mar", da música cujo título serve de título ao seu post, sempre execrei o Lulu Santos pelo plágio descarado de Vinicius, até ficar sabendo que o autor da letra era o Nelson Mota. Mas esse, esse sempre foi de pegar carona no sucesso dos outros.

A moda é uma variação em ré menor sobre o mesmo tema!
Ora uma colchei acima... ora uma colcheia abaixo!

Há pouco regressei dos States onde vi esses novos modelos de tamancos. Todas as cores e tamanhos. O povo de lá os usa com meias. Quer saber? Acho os velhos tamancos de madeira menos deselegantes, rs.

Mas se os seus pés voam no tango, isso é o que interessa, nem que seja descalça.

Beijos.

predatado: adorei a "grossa fatia de toucinho" ! Talvez porque eu me veja privada dela há anos :)

Santos Passos: achava a mesma coisa do Nelson Mota até ler um livro dele sobre bossa nova. Gostei da postura dele. Fez cair por terra tudo que eu achava. Experimenta!

mfc: nem sempre a música da moda soa harmoniosa. Embora gosto - e música- não se discutam, acho eu :)

Ordisi: ora, ora! Quem é vivo sempre aparece! O que vc cita são os krocs, uns tamancos de plástico. São incômodos. Embora de cores lindas. E tamanco com meia é coisa de velho...que nem eu :)

Na minha meninice, na aldeia onde nasci, os homens e as mulheres andavam de tamancos.
À saída da fábrica de enchimento das águas minerais, era um ruido cantarolante pela avenida acima:terroc, terroc, terroc,...
As alpergatas, conheci-as, mais na cidade, sobretudo na miudagem ou graudagem mais pobre.
Sapatos de verniz, mais para as festas (comunhão, casamento,...)
Mas as modas voltam ciclicamente e o que era vulgarucho e pobrete numa dada época passa s ser chic em outra.
Há três anos estive numa fábrica de tamancos na Holanda. Mas aquilo já é uma indústria, cheia de máquinas que produzem centenas de milhar de pares por ano. E não é para andar no campo...

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