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outubro 29, 2008

tipos de roupa pra usar num baile do caribe

Continuando a pesquisar meu contador, alguém mais veio com dúvidas fashionistas. Embora eu pouco ligue pra moda, ligo muito pra dançarinos e por uma questão de corporativismo puro, vou tentar responder.

Em primeiro lugar, temos que descobrir o que é um baile do caribe. Pode ser um baile bom pra caramba, “duca” ou do caribe, na gíria. Aí, minha filha (ou meu filho, o contador não especifica o sexo) qualquer roupa serve.

Eu costumo usar geralmente preto. Vestido preto, meias pretas, sapatos pretos. Eu e a torcida do River. Ou do meu coringão. Porque tanguero que é tanguero, usa preto. Seja homem, mulher ou qualquer outra opção. Nas vezes em que não está usando preto usa vermelho. E quando quer variar, mas variar mesmo, usa preto e vermelho. Como qualquer bom flamenguista ou filho de exu.

Isso porque pra mim baile “do caribe” é baile de tango. É milonga.

Agora se você está se referindo a bailes dos países banhados pelo mar do caribe, aí é melhor usar bastante cor. Pra dançar o son, a salsa, a rumba, o mambo, o reggae, o ska, e o que mais for. Porque se há uma região boa de música, é o caribe. O nordeste brasileiro também. E em ambas, o rebolado predomina. Por isso fica tão bonita uma saia curtinha e muita cor. Já pensou dançar uma salsa toda de preto, de saia com fenda e salto 10?

De qualquer forma, a roupa pra dançar é o que menos importa. Importa ter a cabeça leve e o corpo idem, os pés alegres como o coração, a cintura solta como o pensamento. A não ser que seja tango. Aí mantenha a postura tensa, mas não tanto a ponto de não seguir o parceiro como um vira-lata fiel. E não, não ofendo os tangueros nem os vira-latas. Amo os dois. E nada me diz tanto a respeito de fidelidade do que um bom vira lata.

Ou uma boa tanguera.

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outubro 22, 2008

sou muito magra, o que fazer, como que nem um bicho...

Os caminhos do coração humano são cheios de meandros, mas os caminhos que trazem um ser a um blog são mais. Taí o contador que não me deixa mentir.

Alguém chegou aqui dizendo que é magra demais. Mas que come igual a um bicho.

Fico pensando com meus botões: como assim, come igual a um bicho?

Que eu saiba, os bichos comem pra se alimentar. Não pra se empanturrar. A não ser aqueles que por força de hábitos e condições climáticas, façam uma reserva de comida e gordura, a maioria dos bichos como o que a fome manda comer.

Menos o ser humano. O ser humano come o que a gula manda comer. O que as mães mandam comer. O que os médicos mandam comer. O que a situação financeira deixa comer. O que o tempo permite comer. Enfim, o ser humano, no quesito comida, é muito diferente dos bichos.

O ser humano come o que não gosta. O ser humano come o que não é bom. O ser humano come sem fome. O ser humano come fora de hora. O ser humano come também o que gosta mas não devia. O que gosta mais do que devia. O que gosta nas horas em que não devia.

Então, vamos combinar: comer como os bichos seria muito bom. O suficiente. Mas a gente é bicho estranho. A gente brinca com a comida, a gente faz da comida consolo, a gente busca na comida apetites que devia buscar em outras coisas, tenta com a comida matar fomes outras.

Então, pra você que veio aqui me perguntando o que fazer, já que é magra demais e come como um bicho, se for assim mesmo, se efetivamente você comer como um bicho, meus parabéns! Continue assim. Comendo de acordo com a fome aquilo que o corpo pede.

Quanto a ser magra...ora, deixa de fazer fita! Mais dia menos dia a idade pesa, a menopausa chega, você dá uma relaxadinha e isso passa. Garanto.

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outubro 17, 2008

papel papelada

Sonho de valsa existe desde que eu me conheço. Faz um bom tempo, embora eu ainda ache que me conheça pouco. Mas o sonho não. Embrulhado naquele papel cor de rosa, fazia a maravilha dos meus olhos míopes! Colava numa cartolina e fazia de óculos. Uma forma de ver tudo cor-de-rosa, como não?! Mal sabia eu, naquela tenra idade, que pra ver as coisas cor de rosa só mesmo fazendo isso, em certos dias (ou meses, ou anos) ...

Papel alumínio das latas de leite em pó, de leite de litro de vidro, de Nescau, de ovomaltine (meu preferido), de qualquer coisa que tivesse entre a tampa e o conteúdo aquele papel alumínio durinho. Nossa, aquilo dava pra fazer medalhas e medalhões. Incentivava nossa mania de fazer concursos e dar prêmios. E colocar nos pescoços dos ganhadores as medalhas feitas de papel alumínio! Dava pra gravar coisas, escrevendo com caneta bem apertado de encontro ao papel. Pra fazer desenhos nas medalhas, personalizando. Um luxo!

Papel vegetal. Esse era caro. Permitia colar desenhos. Na realidade, outros papéis fininhos também. Eu só colava mesmo era desenho de flores. Desenho bem, mas flor não sai legal. Então o jeito era colar. E depois de colado, se fosse o caso de passar adiante a flor em algum álbum de amiga, usar papel carbono. A cola da cola da cola.

Cartolina. Pra fazer cartazes escolares. Um trabalhão, porque não se podia errar, já que apagar erro na cartolina acaba por fazer um verdadeiro rombo no trabalho. Bom, pelo menos EU apagando. Eu era daquelas que se não achava uma borracha por perto recorria desde miolo de pão (funciona!) até a sola de tênis. Apagar apagava, mas não ficava um trabalho muito limpo...

Papel de seda. Pra desenhar ou mesmo trabalhar com ele um problemão: muito mole. Mas pra dissolver e fingir de blush no rosto ou mesmo de baton na boca, quando se tem menos de 10 anos ( na minha época não havia cosméticos de brinquedo. E nem mães que permitissem filha criança usar cosméticos de verdade) era ótimo.

Os outros papéis só vim conhecer bem mais tarde. Daí geralmente desenhava neles. E sabia distinguir os melhores.

Hoje uso pouco papel. O computador acabou com isso. Se quero desenhar, uso o paint brush ou Corel draw. Sou um dinossauro em matéria de computador! Dificilmente uso papel.

Dobraduras não tenho paciência e papier machê menos ainda. Nem mesmo embrulho de presente. Peço pra alguém mais jeitoso fazer pra mim.

Então papel hoje só mesmo aquele, o indispensável, o que ainda não inventaram nada melhor.

Papel higiênico.

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outubro 10, 2008

crack da bolsa

Latas de guardar mantimentos.
Todo mundo usava. Pra guardar arroz, feijão, açúcar, farinha e...dinheiro!

Não todo o dinheiro da casa, aquele pras despesas maiores. Esse ia pra gaveta das meias, embrulhado em um plástico. Vai que alguma traça...

Mas o dinheiro do pão e leite de cada dia, esse ia pra lata do feijão. Todo mundo em casa sabia e, na falta de algum pra inteirar a passagem de ônibus, ou pra dar pra alguém que pedisse na porta, era lá o banco doméstico. Depois tinha que agüentar a bronca da mãe que quando ia buscar o do pão não achava nada.

Eu mesma, ainda criança, ganhei um cofre! De aço, imitação daqueles grandes de banco. Tinha segredo e tudo! E tinha também, na lateral, um buraco por onde enfiar moedas. E outro, circular, por onde enfiar as notas de papel. Era menor do que uma caixa de sapatos pequena, mas pra mim era igual ao do maior banco. Igual ao do cofre do tio Patinhas!

Claro que, após alguns dias, eu havia perdido o segredo da abertura e a chave extra, se eu perdesse o segredo da abertura...

Daí fui pondo, nas primeiras semanas, as moedas e as notas que a família me dava, de tanto eu encher o saco que queria estrear meu presente e “encher o cofrinho” !

No primeiro saco de pipocas em que não tive dinheiro pra pagar, ou porque já havia gasto o da semana, ou porque o do cofre doméstico- a lata de feijão – estava falido, eu botei na porta do meu cofrinho uma chave de fenda, a guisa de pé de cabra e arrombei. E lá ficou ele, imprestável em sua função de guardar dinheiro, pra sempre escancarado.

Já minha avó, a rainha do crochê – tenho a quem puxar – punha seus trocados em uma caixa de catupiry, aquelas de madeira, a mesma em que ela punha as linhas e agulhas do seu crochê. Mas como estava sempre ao lado dela, era imune a roubos. Ela cochilava no sofá da sala com a caixinha no colo. Acordava de vez em quando e voltava a crochetar do ponto em que parara. Metódica, minha avó.

Hoje eu, bem menos metódica que a avó, ainda guardo – esqueço- moedas e notas pequenas por aí. Em bolsos, em bolsas, em nécessaires. São lavadas junto com as roupas também. Sou boa em lavagem de dinheiro...

E, é claro, tenho meu banco doméstico.

Mas não vou sair por aí contando, não!

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outubro 6, 2008

como uma onda no mar

Sim, eu já tive um tamanco de sola de madeira! Também já tive uma alpercata de solado de corda . E já tive um sapato boneca de verniz.

Depois de muitas décadas, voltei a ter os três, não simultaneamente. A moda é como onda do mar: vai e volta. Sempre trazendo algum lixo junto...

O que a moda não me trouxe de volta nunca foram as circunstâncias.
Circunstâncias são tudo!!

Meu tamanquinho de português, como os chamávamos na época, era uma imitação para criança do tamancão que minha mãe usava pra lavar quintal. E todos os açougueiros e padeiros da época também usavam, porque eram de solado alto, permitindo andar sobre chão molhado sem molhar os pés.

Minha alpercata de solado de corda e lona também era uma espécie de imitação da do meu pai. Que a gente – sim, eu sempre fui com ele – usava pra pescar e não, eu sempre fui má pescadora, ao contrário dele. Diziam que era boa pra subir em pedras molhadas, que não escorregava. Pode ser. Já eu gostava mesmo era de escorregar pelas pedras, até cair de bunda na água. Mas eu tirava a alpercata antes.

E meus sapatos de boneca, de verniz preto, eram pra sair. Quando, por uma desgraça, eu sujava um pouco, era só botar um cuspezinho ou mesmo passar os pés por detrás das panturrilhas pra limpar. Brilhavam que era uma beleza!

Como disse, voltei, com o tempo, a ter todos eles: o tamanco, numa versão pseudo holandesa, de couro e sola de madeira, cor laranja. Acho que década de 70, pra ser usado com calça boca de sino.

A alpercata, mais ou menos igual, porém a parte de cima de veludo e não de lona. Também final da década de 60, começo de 70. Bons anos de bicho-grilagem!

Mas os sapatinhos boneca de tirinha e verniz eu tenho sempre! Aliás, vários agora!

Pra me acompanhar nos voleios do tango. Eu me sentia uma espécie de princesa, de pequena, com vestido de organdi e sapatos de boneca.
Me sinto uma rainha hoje, com os mesmos sapatos, embora de salto.

Obra do tango. Ou dos sapatos.

Ou do tempo, que de vez em quando, numa dessas ondas, traz alegria e paixão.

Além de alguma sujeira, mas onda é onda. Só leva e traz.

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outubro 1, 2008

pílulas

Voltei de novo de uma andança. Estou sempre voltando.
Bom sinal. Significa que estou sempre indo.


Adoro mudar de casa.
Faz 31 anos que não mudo.
Começa a me dar faniquito.
Eu levo um tempão até ter faniquito com mudança.


Numa cidadezinha de 5 mil habitantes, penso se conseguiria morar.
Conseguiria.
Mas e o tango? Será que se eu abrisse uma milonga a coisa pegaria?
Será que em Crisólia alguém se interessa por tango?
Nem Deus sabe.


Depois de quase um ano, alguém comenta por aqui que eu não entendo nada de procissão.
E acrescenta que Jesus me ama mesmo assim.
Ah, bom!


Outro quer comprar uma coruja.
Quer saber quanto custa.
Qual o preço da liberdade?
A eterna vigilância?

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Trecho Águas da Prata- Ouro Fino
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