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cavalo de aço

A gente não se interessa muito por cavalos, hoje em dia.

Tá certo, o povo que se esvai em adrenalina e grana no Jocquey, até que se interessa, sim. Mas estou falando da gente- eu e você- que só vemos cavalos no interior (poucos) e em filmes.

Eu via cavalos quando era pequena. Desde que cheguei aos meus incríveis 1,66cm, já não os vejo.

Aqueles que vinham na rua de casa, direto de chácaras a beira do rio Pinheiros, entregar verduras e/ou galinhas, esses não existem mais. Nem os cavalos, que afinal isso já faz tempo e eles devem ter morrido, nem a profissão de seus donos: verdureiros, carroceiros.

Porém, de uns tempos pra cá, meses, pra falar a verdade, ando vendo cavalos. Ou burros. Que eu sou tão inexperiente no quesito eqüino que nem sei direito a diferença. Acho que é uma questão de orelhas, mas não tenho certeza.

Ando vendo-os por aí. Sem seus donos. À toa, andando à noite pelas imediações do bairro. Como eu, que também prefiro caminhar à noite.

Porém a atividade deles é o que mais causa estranheza. Andam virando latas. Sacos de lixo, que aqui o lixeiro passa à noite.

Nunca tinha visto isso: cavalos e/ou burros vira-latas.

Fico pensando no que terá acontecido. Cavalos são vegetarianos. Não comem restos de sanduíches, nem de salgadinhos, nem lixo em geral.
Estes comem.

Pra que isso tenha acontecido, muita água deve ter rolado na história deles. Muita fome, muito abandono.

Lendo hoje que, tanto na capital como no interior, as motos substituem os cavalos com vantagens e custo menor, fico imaginando que estes tenham sido largados. Substituídos por um cavalo de aço.

Custo menor.
Ou coração menor.

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Comments

Eu cando era neno estaba nunha casa que habia cabalos.

Também me lembro quando era criança, em Marindia, perto de Salinas, vinha a charrete com o padeiro, eu e meus irmão iamos correndo escolher os pães doces da tarde. Sempre tinha um pouco de água pros cavalos.

Como tinha que ter água e grama para os camelos do dia 6 de janeiro.

O meu avô tinha uma mula, que é um bicho muito forte, muito bravo, talvez por ser estéril e vir do cruzamento de cavalo com burra.
Puxava uma carroça carregada até mais não e ajudou-o a singrar na vida.
Depois,na minha meninice, via muitos comerciantes passarem no meu bairro, também com uma carroça. A venderem leite,ou azeite, ou mesmo vinho.
Depois, desapareceram.
Agora, só há cavalos de luxo, para correrem nos hipódromos, ou saltarem nos concursos, ou, quando muito, para levarem os turistas a darem aquelas voltinhas sempre iguais, pelos locais do costume.

Nossa.

Sou eu que ando muito sensível (muito... muito!) ou isso é triste mesmo?

Porque aqui na cidade grande os cavalos continuam sendo usados pra trabalho pesado (como puxar carroças), mas láááá nas áreas menos urbanas. Em condições bem precárias.

Sabe, é claro que eu me sensibilizo com seres humanos - mas seres humanos sempre têm a opção de virar o jogo, de arrumar um trabalho qualquer que seja, de contar com a ajuda de outros seres humanos que montam ongs e tudo o mais. Um animal (não que a gente não seja, veja bem) não tem defesa (mesmo um leão não pode com um humano armado).

Pepe: eu nasci em cidade grande, mas também havia cavalos pelas ruas, de manhã, pra entregar o leite e o pão. Unha aperta!!

Maurício: em Montevidéo o dia de Reis é bastante comemorado. Aqui não. Então soa estranho isso de comida pros camelos!
beijos

Peciscas: sabe que nessa de turista, já vi até pintarem pôneis de cores inverossímeis, tipo rosa ou azul, só pra turista passear? Ô gente doida!
Beijos

Lia: eu me sensibilizo médio com seres humanos...Atualmente, tenho gostado cada vez mais dos nossos irmãos de 4 patas. Os políticos são a exceção da regra :)
beijos

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