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abismo abissal

Existia uma teoria de que a terra era uma espécie de pedaço de torta: alta, gorda, mas com inevitáveis fim e começo. No caso, abismos abissais ( sempre quis escrever isso).

Interessante do ponto de vista filosófico, principalmente praqueles que morassem perto da borda da torta, quero dizer, da terra. Um pé no nada. Uma vida recheada de adrenalina. Já pensou se aquele passinho sem jeito que você der, de repente ser o último pedaço de chão antes do abismo abissal ( acho que já disse que sempre quis escrever isso)? E, é claro, a idéia da torta alta vinha sempre acompanhada de uma terra reta, plana. Podia ter uns morrinhos aqui e ali, afinal não existe a torta perfeitamente reta, embora a de maracujá da minha filha seja uma pista de patinação de tão lisinha e reta, mas acho que desvio do assunto do abismo abissal ( é delicioso escrever isso).

Voltando: logo a coisa foi posta de lado.

Havia outra, muito mais simpática e ecológica: a de que quatro tartarugonas seguravam a terra nas costas. Aí surge um sério problema. Sim, porque se tartarugas são lerdas, não são estáticas. Elas andam. Pra onde e como andariam as quatro? Em formação de ordem unida? Em coreografias de ala de escola de samba? Todas juntas ou uma pra cada lado? Deixariam cair a terra no espaço, num movimento brusco? E os habitantes da terra? Perceberiam as manobras ou achariam que aquela última gota de garapa não desceu legal? Dúvidas abissais. ( sim senhores, não só os abismos são abissais)

Mas a que eu mais gosto mesmo é a de que a terra está sempre nas costas do Atlas, um gigantão.
Sei lá, uma espécie de identificação. Ter uma terra enorme ali nos ombros deve acabar com a coluna. Sei bem o que é isso. O mundo nas costas. Pelo menos no sentido figurado, é assim mesmo que eu me sinto, às vezes. E olhe que de Atlas não tenho nada.

E fico pensando com minhas vértebras: e se ele um dia se cansar? Se mandar tudo pro espaço, no sentido literal? Se resolver que carregar a terra nas costas não tá com nada e será melhor uma boa terapia e fim de papo?

Sei não. A gente fica aquecendo o mundo, desmatando, deixando coisas malcheirosas por aí, brigando interminavelmente, um dia o gigantão se enche e larga mão.

E aí, haja abismo abissal.
Pronto! Falei de novo!!

atlas.jpg

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Comments

Saudade de vir aqui!

Acho que você conseguiu bater um recorde. Ou melhor, criou um: ninguém nunca escreveu tanto abismo abissal em um único post. rsrs

Eu sempre ficava pensando nos japoneses. Eles andavam de cabeça pra baixo! E não caíam no meio do nada (universo)! Como???
rs

Hola maray!

Gustoume moito a historia das tartarugonas, poderíamos dicir entón que os chinos (os de China) serían como estas tartarugonas, xa que din que se saltan todos ó mesmo tempo, provocarían un terremoto... eu xa cajo do medo!! :-)

Graciñas pola visita, un saúdo dende Galicia!

A sorte que a gente tem tido é que o Atlas tem força pra caramba e ainda não se cansou nem teve de ir a ortopedista.
Mas, apesar de tudo acho mesmo é que o Mundo está a caminhar para o tal abismo abissal que, apesar de ser expressão que sabe bem pronunciar não será tão gostosa de viver.

Convido você e a comunidade blogueira a participar do debate sobre webjornalismo, trata-se de uma edição do projeto jornalismo em contexto do curso de jornalismo da Faculdade Sete de Setembro (FA7),ocorerrá quinta-feira 19 de junho às 19 horas, no teatro da FA7.

Mila: japonês não cai. Japonês se equilibra bem :)

Pablo: se já fica difícil combinar alguma coisa entre 5 ou 6 pessoas ( eu sei porque cada vez que tento combinar alguma coisa com amigos é um custo..) imagine combinarem um bilhão de chineses pularem ao mesmo tempo!!

Peciscas: não sei se o mundo caminha para um abismo ou se a gente já está nele...sabe como é, o fundo do poço também é reto :)

Natália: agradeço o gentil convite mas não poderia ir nem que quisesse: vc não disse onde fica essa faculdade, em que rua, em que bairro, em que estado... :(

Neste fim de semana estou a falar de ti lá no meu Peciscas.

Bem o nosso amigo António divulgou o seu blog num dos seus posts que colocou no peciscas e cá estou para uma visita e que dizer deste seu blog... mto belo, aqui dança-se, aqui diverte-se e está aqui um excelente blog diferente do que tenho visto e visitado, mas que apreciei mto.
Parabéns, está mto belo e com mto para ler e aprender.

Cumprimentos,
Nuno de Sousa

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