zoando zôo
Eu achava que gostava de bicho.
Assim, de bicho em geral.
Aí fiquei pensando no assunto. Meio que falta do que fazer, porque não é um assunto instigante.
Mas comecei a pensar nos bichos da minha vida.
Um dos primeiros, umas lagartixas que habitavam o sobradinho no qual eu nasci. Sobradinho geminado, antigo, mais que isso, velho mesmo, lá na Lapa. De escada de madeira. De forro de madeira. De quintal de cimento no chão. Cheio de lagartixas. Um dia uma subiu na calça do meu pai, subindo a escada. O meu pai estava subindo a escada, a lagartixa não sei o que estaria fazendo.
Eu quase mijei nas calças de tanto rir.
Meu pai também, de medo.
Ele disse que era nojo, mas homem é tudo igual, tem mania de chamar medo de nojo.
Muitos anos mais tarde, um cachorro viralata da vizinhança que era meu amigo.
Era, porque um belo dia, correndo por entre minhas pernas, me fez cair e me deu uma marca no queixo que carrego até hoje. Fiquei brava com ele. Não por muito tempo.
Não consigo mesmo ficar brava muito tempo com bichos que eu gosto.
E gosto de cachorro.
Minha mãe não e só me permitiu ter uma tartaruga.
Já contei isso aqui. Odeio tartaruga.
Botei nela o nome de Raquel, uma inimiga mortal minha, aos cinco anos.
Teve também um cabrito que morreu e minha mãe assou.
Eu até gostava dele, mas comi.
Bom, eu como muita coisa que gosto.
E muito depois, já adulta, com filhos, um monte de cachorros.
O Peninha, a Lulu, a Carlota Joaquina, e hoje, ainda vivas, a Mancha Negra e a Peste Negra.
Minhas paixões.
Não me venham com peixes, aquelas coisas coloridas que nem te dão bola. Não me venham com pássaros, que me confrangem, porque gosto deles soltos e não em gaiolas. Não me venham com gatos, que arranham quando lhes dá na telha. Que , por sinal, adoram telhados mais do que meu colo.
Não me venham com cavalos, dos quais tenho medo.
Nem cobras, nem lagartos.
Tá bom, lagartixas ainda cultivo. Ou elas a mim, porque toda casa em que moro tem um monte delas. Mas nossa comunicação é precária.
Só cachorros.
E gente.
Nessa ordem.
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Comments
Adoro animais, pra ver na National Geographic, in natura. Tenho nojo e ódio de Zoologico e adoro peixe em aquário. A subserviência canina me lembra aquele namorado que vc nao quer mais e que nao se toca. Gato nao rola, gato nao gosta de gente. tenho até medo de dizer isso e apanhar, o povo que gosta de gato é tarado, né? rs
Posted by: andrea | maio 4, 2008 11:34 PM
Também já não tenho animais cá em casa.
E um dia destes publiquei a fato de uma lagartixa que me estava a espreitar, no muro da minha casa.
Mas gosto de gente.
Como tu, por exemplo.
Por isso mesmo tenho hoje publicado no peciscas o depoimento que me ofereceste para o meu debate sobre amizade.
Posted by: peciscas | maio 5, 2008 8:25 AM