tudo passa nessa vida, menos...
Em algum ponto do caminho eu errei.
Errei feio.
Já tentei dos mais baratos, avaliando que se quebrar, despedaçar, queimar, a perda será pequena. Como quando a gente tenta não se envolver com ninguém, mantendo nas relações só as mais hipócritas, as mais sociais, as mais levianas. Se perda houver, será de pouco montante.
Já tentei com os que escorregam, aqueles que dizem não grudar em nada, aqueles que a gente nem precisa pensar pra usar.
Exatinho como aqueles amigos- será mesmo?- que escorregam quando deles se precisa, embora argumentem que escorregam é pra não se meter, pra não serem enxeridos, que amigo que é amigo respeita a individualidade alheia.
Tampouco deu certo.
Duravam pouco.
Aquelas amizades também. Esvaiam-se na primeira necessidade real, na primeira busca por consolo.
Daí cansei.
Cansei e me dispus a gastar o máximo que pudesse. Obter o melhor. O top de linha. Cheguei num estágio da vida – pra não dizer, velha mesmo- em que disse a mim mesma que merecia o melhor. Muitos anos de janela, muito trabalho, muita milhagem, eu não aceitaria nada menos do que o melhor. The best.
E achei. E passei alguns meses usufruindo desse melhor.
Foram meses bons, confesso. De pura harmonia.
Como aqueles casamentos feitos por paixão, por tesão, por inadiável vontade de ambas as partes.
São ótimos enquanto duram.
Seriam melhor ainda se durassem.
Mas foram meses, somente.
Um dia, sem quê nem porquê, uma fagulha. Fumaça. Cheiro ruim. Curto-circuito.
Como aquelas relações apaixonadas à noite que amanhecem geladas. Puuumm!
E pronto!
Mais um ferro de passar roupa que não deu certo!

Estaria a solução numa volta às origens?
Comments
Esses da foto, ao menos, não dão curto-circuito. Ás vezes é precisso assoprar, para que o carvão não apague.
Tal qual esses tais amores "à moda antiga". Às vezes é mesmo preciso bufar um bocado, para que a chama volte à intensidade ideal...Mas duram muito mais (se não deixarmos enferrujar, claro!).
Posted by: peciscas | maio 19, 2008 3:37 PM
Sei que não serve como consolo, mas os ferros na Itália duram ainda menos por causa da água cheia de calcário. Existe a água desmineralizada própria para os ferros - que todo ferro por aqui é a vapor - mas tenho a impressão que eles colocam um pouco de calcário dentro, que é pro ferro não durar. Acabamos de trocar o nosso...
Posted by: Allan | maio 20, 2008 9:22 AM
Peciscas: nessa questão de ferro, eu sonho mesmo é com a roupa que o dispense. Já na questão das relações, não sei viver só. Sou uma roupa de linho, daquelas que precisa ser muito bem passada..:)
Allan: adorei o "acabamos" que você usou. O que mostra que você divide as tarefas domésticas de verdade! Ou foi só força de expressão??
Posted by: maray | maio 21, 2008 12:09 PM
Mais traidores que os falsos amigos e que os ferros de passar roupa são estas maquininhas do demo que usamos para nos comunicar. Acabo de trocar de máquina, que a anttiga já estava chegando à compulsória, e não é que a nova deu pau na primeira semana de uso? Claro, estava na garantia e foi tudo resolvido. Mas cá estou a tentar recuperar endereços, lista de favoritos, links para os dicionários online...
Posted by: Sonia | maio 22, 2008 10:56 AM
Eu sei, Sônia. Já me aconteceu. E a gente nunca lembra de "backapar", né? Mas sabe, sem querer dar uma de Pollyana mas já dando, aproveite essa oportunidade pra rever listagens. Eu, de cada vez que perco endereços, renovo minha caderneta e meus amigos. Repasso minha vida e vejo o que vale e o que não vale a pena. Chego até a agradecer certas perdas...:)
Posted by: Che Caribe
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maio 22, 2008 11:18 AM
Los amigos son como el xeito de planchar, a veces sale la ropa impecable y bonita y a veces se arruga, no se luce y hasta se quema.Mientras la ropa está nueva, queda bonita, pero ni bien envejece, no hay manera de ponerla bella. No cambies la plancha, cambia la ropa Luce blusa,vestido,pantalón nuevo y cuídalo como ropa de fiesta, pero que la ropa te abrigue, te mime la piel, te haga sentir bella...que para eso es.
Un beso
Posted by: Sole | maio 23, 2008 4:27 AM