Feria del libro
Começou em Buenos Aires a Feira Internacional do Livro. Irá até o dia 12 de maio.Tenho por lá uma amiga, editora da Corregidor, que vai estar lá. Eu também vou estar lá, conhecendo a Feira e visitando Paula. E tangueando, é claro!
E foi a pedido dela que escrevi esta croniqueta sobre Feira do Livro.
Eu sei que é bom. Mas remédio também é bom e nem por isso eu gosto.
Estou falando de feira de livros.
Adoro livros.
Tudo começou com a palavra falada e posteriormente escrita. Adoro falar. Lembro que na escola primária havia duas notas: de aprendizagem propriamente dita e de comportamento. Onde se incluía falar demais da conta. Eu sempre tirei notas vermelhas de comportamento. Não porque não fosse comportada, mas falava e falava e falava.
E quando aprendi, finalmente, a escrever: escrevia, escrevia e escrevia.
Assim, sou apaixonada por palavras. Existem umas que me provocam estremecimentos de prazer até hoje: cavilosa, aliás, absurdo... Assim como é muito difícil explicar amores, também não sei explicar estes, por estas palavras.
E adoro livros, por consequência.
Mas feira de livros me dá um não sei quê. Como se houvesse uma feira de filhos, de bichos, de amores. Parece que certas coisas não deviam ser vendidas, assim, numa feira. Como abacate, banana, melancia ou meias.
Livros são mundos. Livros são amigos. Livros são amantes. Livros são companhias quando o mundo desmorona, companhias quando a solidão espanta, companhia quando a imaginação escasseia.
Livros deviam ser manuseados com carinho, sem pressa, sem urgências comerciais. Cheirados, olhados, namorados, abertos e fechados, com a paciência do primeiro amor, da primeira transa, de como devia ser o primeiro amor e a primeira transa.
Assim numa correria, assim ao atacado, assim todos juntos, não sei, parece uma suruba literária sem muito critério.
E eu sou muito puritana em meus amores.
Um de cada vez.
Sem pressa.
Sem azáfama.
Devagarinho.
Mas já que feiras existem quer eu queira, quer não, já que parece ser uma forma razoável de estimular a compra e – espero – a leitura, voilá!
Viva a feira de livros!

Comments
Envidia!
Posted by: mauricio planel | abril 22, 2008 8:10 PM
Mais uma vez (já é sina) estou totalmente de acordo contigo.
Gosto muito de livros e até, na minha juventude, trabalhei e fui dirigente numa cooperativa livreira.
E, nessa altura, até achava oportunas e úteis as feiras do livro, pois, como vivíamos em ditadura, por vezes, nesses tais amontoados de livros de que falas, até apareciam obras que a gente queria ler e não estavam nas livrarias propriamente ditas. E, por outro lado, os preços eram mais favoráveis. Agora, nunca vou a feiras do livro. Perderam todo o encanto. E, comigo, está muito mais gente pois, ao que parece, ano a ano estes certames vão atraindo menos clientes. Pelo menos por cá...
Posted by: peciscas | abril 23, 2008 2:11 PM
Maurício: não inveje! Vamos pra Baires!!
Peciscas: Por aqui as feiras de livro juntam milhares e milhares de pessoas! Pelo menos as internacionais. O que não quer dizer nada, pois o Brasil é um país de poucos leitores e menos ainda livrarias. Sei porque fui dona de uma e foi-nos impossível continuar. O que eu diria é que por aqui, pelo menos em São Paulo, qualquer "lazer" junta milhares. Poderia ser até a Feira das carcaças de fuscas usados...
Posted by: maray | abril 24, 2008 12:53 PM
Olá, Maray. Embora adore livros e até tenha tido a ousadia de publicar alguns, também não me sinto à vontade nesses supermercados de livros que são as feiras. Sei que são importantes num país como o nosso, em que se lê tão pouco e a palavra "livro" provoque arrepios de horror em tanta gente. Elas vão lá para passear, lanchar, ver shows e ganhar brindes, e muitas acabam descobrindo que livros podem ser - e são - interessantes. E que surpresa, você nunca havia mencionado antes que já foi dona de livraria.
Posted by: Sonia | abril 25, 2008 12:07 AM
¡Maray en Buenos Aires! Espero poder verte y tanguear (prometo animarme esta vez, a pesar de la poca práctica). Besos.
Posted by: Vero | abril 27, 2008 10:28 PM
Não posso dizer outra coisa senão: "concordo plenamente com a suas impressões a respeito de feiras literárias". É fantástico perceber que ainda há pessoas que compartilham esse carinho com esse objeto de desejo chamado livro!
Um grande abraço!
Posted by: Garoto Pensante | abril 28, 2008 2:17 AM
entao, já é houra que eu comencei a praticar o mojito :)
Posted by: vadinho | abril 28, 2008 6:09 PM