imbroglio
Um avô italiano.
Um avô italiano que deixa mulher e filhos na Itália e vem, sozinho, ao novo mundo.
E vem ( ou vai) pra Argentina.
E lá fica por 10 longos anos.
Depois disso, volta à Itália.
E a vida continua. Filhos crescem e casam e têm, eles também outros filhos, que crescem e casam e.. a vida continua.
Um belo dia, uma xereta da família descobre que, lá na Argentina, há também outro xereta procurando parentes. Que tem o mesmo avô. Nascido na mesma micro aldeia italiana.
E pronto! Está feito o imbroglio. Ou o entrevero. A confusão é bilingue.
E as versões aparecem.
Que teria acontecido a este senhor que larga mulher e filhos pra tentar a vida noutro continente e desaparece por dez anos?
Teria ele dado notícias nesse tempo? Ou simplesmente “ido até ali comprar um cigarro e já volto”?
Teria ele constituído nova família na Argentina? E porque passados dez anos largaria essa nova família e voltaria pra antiga?
Remorsos? Comparações? Talvez quisesse propor uma aliança ítalo-porteña? Seria ele portador de crises decenais, como algumas economias?
Nunca saberemos, mas as versões correram soltas.
Até se descobrir que os avôs tinham o mesmo nome mas não a mesma idade. Um chegara à Argentina com 17 anos, outro com 30 e poucos. Um viera com os pais e morrera por lá mesmo, aos 38. O outro viera só e voltara à Itália, lá morrendo velhinho.
Apenas um caso de homônimos. Provavelmente parentes.
Pena! As versões eram muito mais interessantes.
E afinal, o que cazzo fez este avô na Argentina por dez anos?
Sei lá. Eu, de minha parte, vou dançar um tango argentino.
Não é o que recomenda o poeta?






