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ver por dentro

Quando meus filhos nasceram não havia ultrassom. Só fui saber quem eles eram quando eles botaram a cara no mundo. Foi legal. Um garoto. Dois anos depois uma menina.

Não creio que gostaria de ter sabido antes. Mas não tenho certeza.

Passamos meses escolhendo e brigando por nomes. Passei meses imaginando as carinhas, dependendo se fosse mulher ou homem. Também foi muito bom a menina ter puxado os olhos do pai e o garoto ter puxado minha cor. Acho que é o que a gente tem de melhor.

Mas estou falando disso porque me causa espanto o que de novo se inventa por aí pra “ver por dentro”.

Depois que passei dos 40 mais ou menos, os médicos vivem querendo me “ver por dentro”. É um tal de ultrassonografia vaginal, de densitometria óssea, de ver minha bexiga, meu coração, meus pulmões, meus tornozelos.

Quando vou ao médico, mal ele olha pra mim e já sai preenchendo um pedido de exame. Quer me ver por dentro. A parte de fora, essa ele nem liga.
Muito introspectivos, os médicos de hoje.

E eu mesma me espanto com este meu “lado B”, ou o lado de dentro.

Ultimamente descobriram umas manchinhas no meu estômago. O médico disse que tudo bem. Que todo mundo tem. Não sei se isso me consola. Todo mundo pode estar prestes a ter qualquer coisa. Não me agrada estar nessa leva.

Diz meu ortopedista que tenho tornozelos de jovem de 25 anos.
E daí? Meu espelho não cai nessa.

O gastroenterologista diz que 40 dias tomando umas pílulas de 150 reais meu estômago fica novo. É só eu diminuir a ansiedade e tentar relaxar. Com esses preços de remédio fica difícil.

No fim o que eu tenho mesmo saudade é do tempo em que os médicos, a força de atenção e anamneses bem feitas conseguiam virar a gente do avesso.

E aí então, ver por dentro.

medical_bag2.jpg.


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Comments

Por isso tudo, minha irmã mais velha pediu ao médico que a virasse do avesso. Se por dentro estava tudo tão bom!

O que se adoitamos dicir por aquí cando nos aburren os médicos coas súas conversiñas, é citar a un coñecido doutor, que afirmaba: “A saúde non é un concepto biolóxico, senón biográfico. Un ten que ter a saúde necesaria para desenvolver o seu proxecto de vida”. Agora, pola contra, os médicos serían quen de obrigar a enmagrecer a Chesterton, como se un escritor precisase ter a mesma saúde que fai falla para correr no Tour de France.

Saúdos, amiga Maray.

Eu vi as bolinhas do meu filhote ainda dentro da barriga da mãe e foi emocionante. Assim como foi, quando o ginecologista pôs um microfone encostado à dita barriga e ouvi o bater do coração do fedelho.Até gravei esse som("um coração que bate antes de nascer", disse eu, na altura).

Agora, de facto, os médicos passam a vida a invadir a nossa privacidade fisiológica. E descobrem cada coisa... No ano passado, descobriram que eu transportava uma pedra enorme e lá se foi a vesícula.
Mas em compensação, há mais de dois anos,mesmo após duas radiografias não descobriram uma série de pequenas fracturas que tinha na bacia, em resultado de uma queda de bicicleta... Só quando me meteram num daqueles cilindros que roncam por todos os lados e onde a gente parece que está a entrar numa sepultura é que a verdade veio ao de cima...

Mto bom o texto.
Essa nossa vida d tecnologia nos invade até na saúde.

Nos últimos 3 meses fiz 3 endoscopias - e tomei vários remédios de 150 reais... a úlcera foi embora junto com o $$$. Mas fico com a impressão d q daki a poko chega outra coisa q m mostre alguma coisa "podre" por dentro.

E é como dizem: No fundo, no fundo... somos tds iguais.

Mas o melhor d td msm é quando a gnt descobre q é bonito por dentro tb...
hehehe

SP: me fez lembrar que, nos tempos de escola primária e grana curtíssima, eu fazia dois anos com a saia de sarja do uniforme de um lado e os outros dois anos minha mãe virava a saia do avesso, do lado "menos desbotado". Seria bom se a gente pudesse fazer isso com nosso corpo, né? Tipo: depois dos 50 virar do avesso e começar do lado 'menos desbotado" :)

Larvós: gostei desse "saúde necessária pra desenvolver um projeto de vida" ! Meu projeto tem mais ou menos um século...

Peciscas: isso que você chama de "cilindro" eu só consegui entrar com anestesia...De caixão não quero nem o da morte. Prefiro cremação.
Guardou a pedra da vesícula? Dá uma linda jóia. Já vi. :)

Também tenho saudades do tempo em que os médicos conversavam com a gente. Destesto essas máquinas desconfortáveis e invasivas a que vivem nos submetendo. E eles (os médicos) sabiam no nome da gente, do nosso histórico. Hoje, com os planos de saúde, a gente muda de médico a toda hora - nem dá tempo de construir uma confiança.

Eu ficaria satisfeita se algum médico conseguisse descobrir porque meu olho continua piscando sozinho ha meses... nem que prá isso tivesse que girar a pálpebra como fazia um menino na minha sala de aula, prá assustar as meninas hehehehe de qualquer jeito, voltando ao papo do seu comentario, tenho que dizer que os sapatos são só uma ilusão passageira: daqui a pouco vou precisar de soluções.
beijos e boa semana!

Me reído mucho con tu lado B. Es mejor tomarselo asi, porque sino la ecuación de la vida no da resultados buenos.
Con respecto a la ecografía, si tuviera la posibilidad de tener un hijo ahora, creo que aunque me "vieran" por dentro preferiría no saber que sexo es. No se, me encantaría disfrutar de esos meses con el padre de soñar, de imaginar, sus ojitos, sus piecitos, sus risas.
Hay veces que en aras de la ciencia perdemos de disfrutar el gran misterio de la vida. Y lo mas gracioso es que cuando mas sabemos, menos nos entendemos. Paradojas.
Un beso amiga

Tenho um texto sobre um assunto pertinente. Não o mesmo assunto, mas tem a ver com a invasão que nos fazem esses profissionais. Vejam em www.fractalgetulius.blogger.com

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