vizinhos
Todo mundo tem uma certa birra com vizinhos.
Vou falar dos meus. Nem são tantos assim, pela vida afora, pois mudei de casa poucas vezes. Acho que cinco ou seis e olhe lá. Devo ficar por aí porque apesar de ter alguma vontade, não tenho mais pique pra mudanças.
E pensar que eu adorava mudanças! Depois de anos numa certa casa, por melhor que seja, gosto de mudar móveis de lugar. E passado um tempo acabam as mudanças. Não tem mais jeito. É matemático. Tem um certo número de combinações e chega.
Retomando, como dizia, quero é falar dos meus vizinhos:
O primeiro deles durou dos nada anos até os cinco. O vizinho não sei quanto durou. O que durou cinco anos foi a vizinhança com eles. Era uma família com uma garotinha da minha idade. Uma de nós duas devia ser um estrepe, porque lembro de ter dado à minha tartaruga – que eu odiava- o nome dela: Raquel. E de ter tentado matá-la com um canivetinho de cinco cm que meu irmão me dera. Não sei bem com qual intenção.
Depois desses primeiros cinco anos, mudamos e os vizinhos eram um casal de mineiros com dois filhos adultos. E cinco cachorros, minha paixão. Tinham também um monte de galinhas e uma incrível geladeira de madeira por fora, verde. Lembro que vinha um hominho com um bloco de gelo e a Dona Carolina – era esse o nome dela- punha o bloco na geladeira, contornado por muita serragem. Eu achava o máximo. Achava que devia ser muito mais moderna que a nossa – uma Philco – pois o gelo vinha pronto e não precisava botar água no congelador pra ele surgir...
Depois desses, casei e mudei de casa. Fui morar numa em que nunca soube nem o nome dos vizinhos. O muro que separava nossas casas era tão alto que eu nem lembro de tê-los visto. A verdade é que como eu fazia faculdade o dia inteiro e saíamos muito, talvez fôsse melhor dizer que eles é que nunca nos viram.
Tres anos depois mudamo-nos de novo. Aí lembro bem dos vizinhos. Um deles, o da direita, teve um casal de gêmeos, uma gracinha. O da esquerda tinha dois filhos, e o menor chorava sem parar. Uma desgracinha. Ah, e um maravilhoso pastor alemão.
Daí conseguimos finalmente comprar uma casa. Numa rua tão pequena que conheço todos dela. Não é vantagem nem gabolice. São só seis casas: tres de cada lado da rua.
Desses, só um não permanece pois a casa é alugada. Volta e meia muda o locador. Os outros são todos mais ou menos da mesma idade nossa, com filhos mais ou menos da mesma idade também.
É interessante isso. Ver os meus e os deles crescendo e tendo filhos. Os deles, que os meus são meio recalcitrantes com a idéia de botar mais gente neste mundo.
Tenho a impressão que esta será minha última casa. Como disse, falta-me paciência pra mudar de novo.
Mas isso não depende só de mim. De repente posso ganhar na loteria, herdar uma fortuna de um desconhecido ou achar uma mala de dinheiro...E aí, ah, aí eu mudo. Só pra contratar um monte de gente que obedeça minhas ordens de mudar os móveis daqui pra lá e de lá pra cá! E eu só ali, inspecionando...
Ê vidão!
Comments
Também acho que esta será a minha última habitação pois, só de pensar em nova mudança, sinto calafrios.
E os meu vizinhos actuais, não poderiam ser mais estranhos.
Passam quase todo o tempo de janelas e persianas fechadas. Quase não se ouvem.
As varandas enchem-se de sujidade, pois nunca lá vão.
Que se passará ali????
Posted by: peciscas | fevereiro 19, 2008 2:26 PM
Sou tão distraído que nem reparo nos vizinhos. A atual vizinha (de andar) é uma senhora simpática de 85 anos que me cumprimenta sempre sorrindo e me enche de caquís, quando é época. Quando avisamos que iríamos ao Brasil, ela perguntou se iríamos de carro ou de trem. Quando expliquei que seria complicado levar o carro para o Brasil, ela perguntou se não tínhamos medo. Respondi que viajamos muito de avião e ... Ela me cortou e esclareceu que não era do avião, mas se não tínhamos medo de ir para o Brasil.
Posted by: Allan | fevereiro 19, 2008 2:32 PM
Tua vizinha sabe do quie está falando! Acabo de voltar do gastrenterologista que olhou bem pros meus exames, e falou que pra sarar minha gastrite, não devo me preocupar.
Só se eu parar de ler jornal, de ver TV, de sair à rua. Todo dia eu tento me condicionar a viver o momento, sem medo de ser feliz...Aliás, nesse negócio de "sem medo de ser feliz", a úiltima vez que fui atrás, votei no Lula. Como não ter gastrite, como??
Posted by: Che Caribe
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fevereiro 19, 2008 7:01 PM
Peciscas: se você morasse por aqui eu diria que nessa casa pode estar havendo um sequestro. Mas isso são coisas de Brasil. Ou da minha mente catastrofista. Enfim, não liga não. Porque se ligar pode acabar como eu: de gastrite até as tampas!!
Posted by: Che Caribe
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fevereiro 19, 2008 7:07 PM
Semprei pensei que os melhores vizinhos sao aqueles que nao se têm. Mas eu sou um pouco misantropo.
Posted by: javi brasil | fevereiro 20, 2008 3:44 AM
Dizem que nas metrópoles vizinhos nem se falam. Pois meu prédio em Copacabana é como cidade do interior: pode me emprestar 3 ovos pra fazer um bolo? Meu ferro de passar queimou, me empresta o seu? Quando fiquei meses com dificuldade de andar, até para trazer alguma coisa do supermercado as vizinhas se ofereciam.
Posted by: Sonia | fevereiro 22, 2008 9:05 PM