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médica não!

Tem um monte de garotinho e garotinha por aí que sonha ser médico. Dos 2 aos 22 anos. Tem até gente que já conheci, de mais de 50, que também sonha. E que usa diploma pendurado na parede do consultório. Sonhos, quem não os tem?

Eu nunca quis. Desde a primeira vez em que cortei o dedo. E o sangue jorrou.

Posso ver sangue sem muito problema, não se trata disso. Mas não gosto. Nem do meu nem do de ninguém. Parece que é um desperdício de vida o sangue saindo assim, pela pele, pela boca, por todos os lados de pessoas feridas.

E gosto menos ainda de hospital. Se por um lado, todas as vezes em que lá estive – e foram poucas – eu saí melhor do que entrei, por outro lado me acomete uma angústia, uma claustrofobia, um não sei quê, que dói o corpo e a alma, que me faz querer pular pela janela, que nem sei. E olhe que adoro comida de hospital. É bem melhor do que a minha e por vezes chega a ser mais temperada. Adoro a paparicação das enfermeiras. Adoro assistir televisão na cama. Adoro fazer palavras cruzadas e ler revista de bobagem. Mas toda essa adoração só dura até os primeiros quinze minutos.

Lidar com a vida humana deve ser muito difícil. Eu que apesar de psicóloga, jamais consegui pensar em clinicar, tal o medo que sempre tive de lidar com os problemas humanos, imagino o que é lidar com a vida e a morte, com a dor e o sofrimento. Tem o aspecto de minorar a dor dos outros, isso é bom, mas e quando não é possível? Quando se “perde” o paciente?

Já me custa muito imaginar que a vida acaba, a minha e a de todo mundo, como imaginar que pode acabar por uma falha minha??

Ser médico nunca foi brincadeirinha nem anseio meu. Mesmo quando aqueles menininhos bonitinhos da esquina vinham com esse papo nos recreios da escola: “vamos brincar de médico”?

Tô fora.

anatomia.jpg

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Comments

Meu Deus,
Nâo sabe como concordo com tudo o que você tá contando...

Mas, um dia, chegou o engenheiro encantado - versão republicana do príncipe encantado - e, aí sim, você topou brincar de médico. Certo?

Sá: então tá combinado: quando eu for a Espanha ( e vou!) vc me avisa onde ficam os hospitais e eu passo bem longe :)

Santos Passos: errado! Eu curto mesmo é brincar de bombeiro. Alguém tem que apagar o fogo, né mesmo?? :)

Ser médico também nunca foi o meu sonho.
Até porque, em Portugal, era um curso caro.
Por outro lado, convivo mal com a doença.
Há pouco mais de três anos, tive a minha mãe internada num enorme e desumanizado hospital aqui no Porto, e aquilo deprime os mais fortes.
Ambiente cinzento, comida fraca, falta de pessoal. Os doentes são mal atendidos, não por desinteresse dos profissionais, mas pela escassez de meios e pelo gigantismo da instituição.
É, um hospital público.
Já mais recentemente, fui operado num hospital particular, e as diferenças são abissais. Desde o ambiente moderno, luminoso e limpo, à disponibilidade do pessoal.
Não deveria haver estas diferenças no tratamento, mas é esta a realidade.

As únicas lembranças positivas que tenho de médicos e hospitais são exatamente as meninas que topavam brincar.
:)

Médico de brinquedo, hospital de tênis, operador de máquina. Vale tudo. Só não vale onde houver sangue.

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