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borba gato ou hoje estou a fim de reclamar

Todo dia passava adiante dos tapumes. Sabia que se tratava de uma escultura. Até conhecia o autor, pessoalmente! O Guerra, morador de Santo Amaro. Como ele havia feito outras esculturas na frente do Teatro Paulo Eiró e na frente do antigo mercado de Santo Amaro, com mosaicos, especialidade dele, a professora de história mandou-nos entrevistá-lo. Fomos recebidas com carinho, bolo e coca-cola.
Até o dia em que tiraram os tapumes e a gente viu o que havia lá.

E sou obrigada a ver até hoje.

Tá bom, o Guerra era muito simpático e a coisa não é pessoal. Mas poucas vezes vi coisa tão horrorosa como o Borba Gato.

Embora tenha seus méritos. O mérito de ser uma referência, como aqueles carecas na multidão de shows de rock. Ou aqueles gordões na academia. Uma referência.

Eu fui comemorar meu casamento num restaurante na frente do Borba Gato, que já não existe. O restaurante, que o Borba Gato parece imortal. Meu casamento também, salve, salve.

Marco encontro na região tomando como referência o monstrengo. É ali, antes ou depois do Borba Gato.

Tenho amigas que “moram ao lado do Borba Gato”.

E outras “do lado de cima” ou “do lado de baixo” do Borba Gato.

Uma referência em terceira dimensão. Porque já li em jornal que o “helicóptero caiu logo após sobrevoar o Borba Gato”.

Já vi esculturas feias, porém nenhuma tão grotesca como o Bandeirantão.

Mas se até aquela outra, também muito feia ( vou comprar briga, eu sei) do Cristo Redentor foi considerada uma “maravilha do mundo moderno” em concurso suspeitíssimo, não me surpreenderia o Borba Gato ganhar alguma homenagem do tipo.

Do tipo “ignóbil das artes plásticas”.
E o Guerra, tão bonzinho...

borbagato.jpg

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Comments

Morei na Américo Brasiliense, ali no Borba Gato, que nós chamávamos de "bonecão". Ao lado de casa havia uma igrejinha de madeira. Nunca mais estive lá, mas imagino que a igrejinha não tenha sobrevivido a esses 40 anos, ao contrário do bonecão, que é feio pra xuxu.

Pô. Não sei o que há com vocês. Ele sempre foi conhecido como Monstrumento.

Pô Maray!
Quer saber? Eu gosto do Borba Gato. Por que? Oras, num país com tão poucas obras de artes públicas nas praças, me impressiono até com obeliscos.
beijos
pat

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