roda gigante
Quando a gente conhece alguém e se interessa por esse alguém, a gente - tá bom, vou falar só por mim – eu tento mostrar meus melhores ângulos. Não são muitos, mas existem.
Não foi diferente quando conheci meu marido. Demorou pra ele perceber que eu comia unhas, que eu boto a língua de fora cada vez que preciso de concentração, que eu não suporto mudança de planos e que eu odeio barulho de moto/carro aquecendo o motor. E mil otras cositas más que não vêm ao caso agora.
Começamos a namorar na praia. Havia um parque de diversões, desses cheio de brinquedos enferrujados (litoral sul, praia não badalada, parquinho pobre) e uma mulher-macaco. Chamava-se Monga, acho, um nome politicamente incorreto mas era isso. Ela até assustava. Pela pobreza do cenário, pela pobreza da interpretação. Provocava mais risadas do que medo.
Havia algodão doce cor de rosa. Uma delícia. Se há uma coisa que me fascina até hoje é aquele carrinho de fazer algodão-doce. Eu fico lá olhando e não há mágica melhor do que de repente, não mais que de repente, formarem-se aquelas teias que rapidamente engordam e viram o algodão. E depois meter a cara nele todo, pra comer. E ficar lambuzada até a sobrancelha. Ê coisa boa!
Havia um negócio cheio de xícaras voadoras que era mais pra criança, um carrossel de cavalinhos (nos quais ainda cheguei a levar meus filhos, uns dez anos depois) e a ...roda-gigante!!
Eu tinha 17 anos e nunca havia ido numa roda gigante. Pra falar a verdade, até onde me lembro, nunca havia ido em parquinho nenhum.
Namorado convidou, de lá de cima daria pra ver o mar, eu adoro altura, topei na hora.
E agora volto pro começo da história (pensavam que eu tinha esquecido e já estava totalmente perdida, né?). Começamos a girar. E girar. E girar.
Eu com a mão cheia de algodão doce. A mão, a cara e o estômago.
E a roda a girar, a girar, a girar.
Aí, apesar de todo meu empenho em só mostrar ao namorado meus melhores ângulos, não deu pra segurar.
Vomitei nuvens de algodão na roda gigante inteira. E otras cositas más que havia comido nos dois últimos dias. Sem nem mesmo me virar pra só mostrar meus melhores ângulos...
O namorado era muito compreensivo. E não se enoja por pouca coisa. Ou por muita coisa.
Casou comigo mesmo assim!
E eu nunca mais fui numa roda-gigante. Por precaução.

Comments
Sorte a dele ter conhecido você, certamente leva a vida entre emoções fortes e muito humor.
Posted by: Sonia | novembro 21, 2007 10:33 PM
De pequeña deseaba con locura estos algodones de azúcar,pero no había dinero para ello.De mayor,me los puedo comprar pero se me van directo a las caderas.
En la mudanza del blog perdí tu dirección,te he rastreado todos estos días y finalmente estoy aqui otra vez.Debo leer todo lo de este mes,pero a la noche,cuando regrese de trabajar lo haré con un gusto enorme.
Un beso
Posted by: Sole | novembro 22, 2007 11:18 AM
Sônia: o que é a internet! Sou a pessoa menos chegada a emoções fortes que vc poderá conhecer...quanto ao humor, eu tenho. Bastante. Tanto o bom como o mau. A gente acaba passando certas imagens que não têm muito a ver com a realidade. E os amigos virtuais são mais condencendentes ainda do que os reais, já percebi :)
Sole: você tem mesmo que vir ao Brasil! Aqui é o país da mulher cadeiruda! E os homens adoram!
Posted by: maray | novembro 23, 2007 10:42 AM
Me has hecho acordar de una persona muy especial para mí. Hace muchos años cuando estábamos en lo alto de la gran rueda comenzó a gritar cualquier cantidad de groserías (por el miedo sin duda). Es una persona muy educada y eso me sorprendió. No estamos juntos hoy pero no creo que fue por eso … salu2.
Posted by: Sandel | novembro 24, 2007 2:21 PM