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coisa mais louca

Eu não sei se de fato li em algum lugar, ou se é uma daquelas coisas das quais a gente tem uma falsa memória. Tipo se lembrar de um fato que a gente jura que aconteceu e quando relata pra alguém que também estava lá, vê que imaginou a coisa toda. Mas eu lembro – ou criei essa memória – de ter lido em algum lugar que enquanto a gente imagina que está louco, é porque não está. O louco mesmo tem certeza que está legal.

Isso foi de garota, acho eu. Depois disso acabei por estudar psicologia, me formei e embora nunca tenha exercido psicologia clínica, conheço um pouco de neuroses em geral, de esquisos, enfim, de gente doida. E continuo acreditando nisso.

Na realidade, o que eu morro de medo é das certezas. Gente que sabe das coisas, gente que tem certeza de tudo, gente que não duvida. Talvez por isso tenha tanta resistência a qualquer religião. E seita. E partido político.

Então fico pensando que se eu tiver medo, mas muito medo mesmo de alguma coisa, ela pode não acontecer. Porque das vezes em que coisas das quais costumo ter medo aconteceram, eu não estava pensando nelas. O que, pensando bem, é por si só uma coisa bastante autoritária e megalômana. Como se pela minha simples vontade eu fosse capaz de modificar os rumos do mundo.

Enfim! Tudo isso pra dizer que eu morro de medo de Alzheimer. Meu pai morreu com Alzheimer. Minha sogra também. E um monte de gente que eu conheço que não lembro agora. Tá vendo só? Eu não lembro agora...

O problema é esse: minha memória é uma droga.

O que me deixa, de uma certa forma, aliviada. Porque ela sempre foi. Uma droga. Então imagino que enquanto eu tiver esse medo, eu escapo.

Mas no fundo mesmo, sei que não posso comandar o mundo.
E bem que eu gostaria!

ditador.jpg

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Comments

3 posts que eu não havia lido! Adorei o do rato - bem ao estilo Maray. Meus neurônios envelhecidos já não estão dando conta do recado muito bem. E logo o quê eu estou começando a esquecer? Palavras! Justamente meu ganha-pão! Elas ficam ali, na pontinha da língua, mas teimam em não sair.

a gente não escolhe nem o dia que nasce, nem a hora que morre... controle zero! então, como diria aquele pagodão: "deixa acontecer naturalmente!"

"Então fico pensando que se eu tiver medo, mas muito medo mesmo de alguma coisa, ela pode não acontecer."
Curioso... Eu pensava que era só eu a pensar assim...

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