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delicados de pés grandes

Tem muita gente que ao chegar a lugares desconhecidos percorre os museus da cidade. Eu não. Até seria legal, mas tendo pouco tempo e selecionando o que ver, museu fica em segundo plano.

Gosto do dia a dia, do que está por debaixo do tapete, do arroz feijão (deveria dizer hambúrguer e batatas fritas).

Tudo muito localizado por aqui, setorizado. Latinos? Mission. Hippies? Haight. Orientais? Chinatown. Homeless e drogados? Parques e ruas do centro, devidamente munidos dos seus cachorros e dos seus carrinhos de supermercado, onde botam sua vida sobre rodas. Aliás, nunca vi tanta gente fazendo uso de carrinho de rodas, bengalas, ortopedias em geral. Aqui eles saem às ruas. As ruas foram feitas pensando neles. Dá pra andar de muletas e de cadeira de rodas sem ter que pedir ajuda a ninguém.

Não consigo entender a lógica das roupas. Está frio pro meu gosto. Venta pra caramba e na sombra é de cortar a pele. O povo usa um monte de blusas sobrepostas e chinelo de dedo. Deve haver uma diferença de fundo entre pés brasileiros e pés americanos. Além do tamanho. Nunca me senti tão baixinha, de pé tão delicado como aqui.

São educadíssimos. Aquela imagem do americano truculento não se mantém em Frisco. Delicados mas distantes. Ninguém se agarra, se beija. Deve dar processo por assédio.

Tampouco jamais vi um transito tão organizado. Pela primeira vez na vida atravesso ruas sem medo de ser feliz. Boto o pezinho (aqui é pezinho..) e o povo pára. E fica me esperando sem xingar, sorrindo.

Por enquanto é isso. Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, mas já está me batendo uma saudadezinha. Nada como sair de férias!

Pra poder ter a sensação deliciosa de voltar!!

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Comments

Acho que estou aprendendo a não confiar em clichês sobre povos que ainda não conheço. Algumas vezes alguém dá azar em um país e sai achando que todo mundo se enquandra no padrão de simpatia e educação daquele taxista mal humorado, ou do guardinha que não ajudou com as informações. Mas os clichês, ainda assim ajudam, tantas vezes esperamos algo e acabamos nos surpreendendo de forma positiva. Isso é ótimo.

Isso de setorizar é muito americano mesmo. Era ainda mais rígido no tempo em que morei nos Esteites (faz um tampão). Gosto, como você, de andar pelas ruas vendo o povo viver. Mas não abro mão dos museus. O perigo do trânsito é a gente ficar mal acostumada - quando volta pro Brasil pode pensar que ainda está lá e atravessar a rua confiando em que o sinla está para pedestres e pimba! lá vem um apressadinho que acha besteira essse negócio de obedecer a sinal e atropela você.

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