o vil metal
A velha polêmica se o dinheiro traz felicidade ou compra, volta à baila, vez por outra. Eu não consigo me definir, o que não tem a menor importância. Nem a minha definição nem o assunto esse.
Mas penso nisso, sim. Quando vou comprar vinho, por exemplo. Os caras que fazem o layout das gôndolas do supermercado são maldosos. Eu sei porque sempre acabo ficando com dor nas costas, de me abaixar pra olhar melhor aqueles de preço compatível com meu bolso. Estão sempre lá embaixo. Minha renda também. De vez em quando eu elevo os olhos para as alturas ( não tem nada de religioso aí) e fico namorando os que passam dos dois dígitos. Devem ser bons. E o dinheiro compraria muita felicidade engarrafada pra mim, sim.
Já tem coisa que o dinheiro compra e que não tem preço, apesar do preço que possamos pagar. Cachorro é uma delas. Não tem preço no mundo que pague a felicidade que um cachorro pode trazer. Mesmo assim acho um escândalo cobrarem mais de 500 reais por um São Bernardo e doarem de graça um “street dog” maravilhoso, como aquelas que eu tenho! Até pra cachorro rola preconceito, vejam só!
Meus trabalhos em artesanato, por exemplo. Fico até sem graça quando alguém me pede alguma coisa porque eu não consigo manter nem datas nem controle de qualidade. Às vezes passo horas e horas fazendo alguma blusa, alguma bolsa e não paro até acabar. E fica linda. Às vezes também passo horas e horas e fica uma droga. Infelizmente, no quesito artesanato sou imprevisível. E não posso botar preço. Porque me dá tanto trabalho que ninguém pagaria o que eu pediria. Tá bom, algum rico(a) talvez pagasse, mas daí dificilmente ia querer usar uma bolsa de crochê de barbante, minha especialidade...
Uma milonga com tango ao vivo! Tem preço? Tem. Normalmente barato. Dá um prazer enorme. Porque uma boa milonga com tango ao vivo é boa mesmo quando é ruim.
E o prazer que dá não tem preço.
Pois é isso. A felicidade às vezes tem preço, outras não. Mas dinheiro sempre é bom.
Isso eu sei.




