telinha
Da primeira vez que vi uma televisão, estava na calçada, diante de uma casa da minha rua. Não, não estava passando ou brincando na calçada, não! Estávamos eu e mais a rua toda, postados na calçada diante da janela da sala, generosamente aberta pelos donos da invejada TV para que nós, pobres sem-TV fizéssemos isso mesmo: compartilhássemos um pouco daquela maravilha. Eu ainda morava na Lapa, de onde saí com seis anos, portanto devia ser das primeiras TVs de São Paulo. Não me peçam mais números que esses poucos já me confrangem. Quanto tempo! Como a TV está velha ...
Não muito tempo depois, tivemos a nossa: Stromberg-Carlson! Mais que uma marca de televisão, um palavrão impronunciável. Enorme, cheia de luzinhas atrás, onde havia o “tubo” e onde eu era terminantemente proibida até de chegar perto. O “tubo”, dizia meu pai e o técnico que vinha consertá-la de vez em quando, era a “alma” da TV.
Mais algum tempinho, uma garotinha da escola primária, disse-me que a dela era colorida. Hoje sei que isso era impossível naquela altura, mas na época a inveja- novamente esse sentimento corrosivo- me doeu, em pontadas. Perguntei como. A garota, de uma perversidade ou ingenuidade – nunca soube precisar- disse que era só apertar os olhos que as cores vinham, lindas!
Passei os próximos dias depois dessa revelação apertando meus já apertados olhos de míope na frente da tela. Depois de um certo tempo, de fato, vinham-me cores aos olhos. Vermelhas. De tanto apertá-los. Até que algum adulto da casa me acalmou as pontadas de inveja e disse que aquilo era impossível.
Mais alguns anos depois, vendiam-se na feira e nas lojas tipo americanas umas telas de acrílico colorido, pra botar na frente da TV e ter “ TV a cores”. Junto das capas de sofá, de capas de botijões de gás e de capas de máquina de lavar, a invenção mais brega do planeta. Tá bom, eu detesto capas, mas que aquilo era brega, era!
Nunca compramos, em casa. A gente era cult. Gostava de branco e preto.
E finalmente, colorida mesmo, só muitos anos atrás, numa copa do mundo qualquer, onde a gente não aguentava mais todo mundo reclamar da branco e preta.
A copa do mundo? Sei lá. Não gosto de futebol.
Comments
E na próxima Copa, vai mudar para uma tv de plasma 42 polegadas???
Posted by: Capedonte | outubro 11, 2007 12:31 PM
Capedonte: como disse, não curto futebol, apesar de corintiana roxa. Ou talvez por isso mesmo...
Posted by: Che Caribe
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outubro 11, 2007 2:47 PM
que futebol que nada, uma bela tv de plasma pra assistir um filme preto e branco, do Fred Astaire com Ginger Rogers.
Posted by: Anonymous | outubro 11, 2007 4:53 PM
Acho que a tv em branco e preto tinha mais qualidade (de conteúdo, é claro!).
Aliás, o já velho hábito dos comerciais aos berros me afasta ainda mais da tv.
Posted by: Allan | outubro 12, 2007 3:34 PM
En mi caso la primera TV en colores fue para poder ver un concurso de Miss Colombia …
Prepárate para la alta definición que vendrá en unos años … imagen perfecta? Quizás pero entre más calidad de imagen menos calidad en los contenidos.
Posted by: Sandel | outubro 13, 2007 7:55 PM
Me transportaste al pasado. Yo también ví la televisión desde la casa de enfrente. Varios meses, tal vez un año antes de que comprásemos.
Que saudade recordar aquellos programas...
Un abrazo
Posted by: Alvaro Ramirez | outubro 14, 2007 12:13 PM