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o limite do saber

Dizem que o saber não ocupa lugar. Bobagem. Ocupa, atravanca, polui.

Eu lembro de muita coisa da escola. Pra falar a verdade, do cursinho. Fórmulas de matemática, de física. Aquelas que vinham acopladas com algum versinho, com alguma gracinha exatamente pra não serem esquecidas. Por exemplo, eu sei muito bem que minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá, seno a, cosseno b, seno b, cosseno a . E daí? Não faço a menor idéia do que venha ser um seno, um cosseno, um log disto ou daquilo. Desde as priscas eras do cursinho, nunca mais – graças – tive que usar qualquer fórmula dessas.

Eu sei que E= mc2. Posso usar isso quando em dúvida sobre qual rumo tomar na vida? Sobre qual tempero usar na lasagna de beringela? Sobre qual direção tomar pra chegar em Santa Bárbara? Não posso. Então essa informação está lá, ocupando espaço de coisas mais úteis pra mim.

Eu sei que the pencil is on the table, e pouca coisa sei mais além dessa informação de crucial importância. Não sei pedir uma salada com educação, em terras do tio Sam. Pior ainda, bater um papo num nível intelectual pouca coisa melhor do que o Tarzan também das priscas eras. Lembram do you Jane, me Tarzan? Pois é. No entanto, foram anos de inglês no ginásio, no colégio, no cursinho.

Sei de cor montes de nomes de pessoas. Anos e anos trabalhando com malas diretas e pesquisas me fizeram ser ótima com nomes, sobrenomes, dados pessoais. Aí eu encontro alguém na rua que me abraça com efusão e não sei de quem se trata. Preciso perguntar constrangida...quem mesmo? Pra daí relacionar. É que eu sou péssima com caras. Daí sim, a pessoa me diz o nome e eu sou capaz de completar com o sobrenome, profissão, endereço, nome de pai e mãe, muitas vezes. E a pessoa fica lá, me olhando agora com cara de poucos amigos: como assim? Então fingiu que não me reconheceu, heim??

É por isso que eu disse: o saber ocupa lugar. Estou agora numa encruzilhada da vida: ou dou reset num monte de informações desnecessárias e corro o risco de ficar com espaço sobrando, uma vez que com a idade esqueço coisa pra caramba, ou deixo essas informações lá, atravancando.

Como minha filha que argumenta que não pode desocupar o guarda-roupa porque ficaria sem nada, mesmo que o guarda-roupa esteja cheio de coisas que não usa. E se não abre espaço, tampouco tem noção de que necessita coisas novas... Até que precise se arrumar pra sair. Daí é aquele grito: não tenho o que usar!

Estou da mesma forma. Limpo a cabeça e corro o risco ou deixo as bobagens lá e me sinto empanzinada de supérfluos.

Que fazer?

cabeçacheiaidéias.jpg

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Comments

Fiquei por um tempo tentando achar, nesse ninho de ratos chamado meu cérebro, uma resposta afirmativa para comentar aqui, bem... ele disse sim, estou encantada com seu blog[já havia entrado muda e saído calada]e com suas afirmações e com suas dúvidas e com suas observações, temos sim, que descartar o que não interessa, cabeça limpa oxigena melhor, rss
Parabéns por suas palavras.
lindo findi
beijos

Escrever, que tá bom demais.

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