vida de leitora
No começo da minha vida de leitora, meus critérios eram: capa bonita e figurinhas dentro. Onde por capa bonita entenda-se “cheia de cores e formas” e figurinhas dentro, fotografias e/ou desenhos. Eu fazia campeonato de capas, tirava todos da estante e punha de volta de acordo com as capas. Como em casa comprava-se (meu pai) muitos livros e lia-se pouco, acho que ninguém ligava muito pra essa minha “desarrumação” ou esse meu critério ultra-subjetivo e pouco literário.
Depois que aprendi finalmente a ler (nunca nada nesta vida me pareceu demorar tanto quanto aprender a ler!), aí meus critérios passaram a ser outros. Se nos livros havia muitos diálogos ou não. Livro sem diálogo eu não gostava de ler. Querem saber? Até hoje. A coisa que eu mais invejo em quem escreve é saber construir um bom diálogo, com a naturalidade com que se fala.
Voltando, não me importava muito o tamanho dos livros, nem o assunto, desde que houvesse diálogos.
E linguagem coloquial.
Eu execrava os livros de sociologia e psicologia que tive de ler na faculdade e na militância política. Os de psicologia ainda eram mais interessantes. Ambos falavam de gente. Mas os de sociologia e política, quase em sua maioria, falavam de uma maneira pernóstica, carregada de termos específicos, de frases em que a gente tinha que sair correndo pelas páginas atrás do sujeito e só ia encontrá-lo muito adiante. Aí tinha que voltar porque já não se lembrava do que se falava.
Isso também não é legal: frase comprida. Por isso de vez em quando faço isso ao contrário. Curtas demais.
Se o livro era grosso ou não, não me importava. Li Cem anos de solidão como se fosse recado pregado na geladeira: num piscar de olhos. Nem lhe senti o tamanho. Só a grandeza, no bom sentido.
Já o Ulisses não deu. Não dá ainda. Acho que nunca vou conseguir.
Pra falar a verdade, já parei de tentar faz tempo.
Outros existem em que o tamanho me incomoda. Os muito curtos. Os do Luiz Vilela, do Trevisan. Acabam logo. Fica um gosto de quem só fez a prova e o resto não vem. Um espécie de ejaculação precoce literária. Rápidos demais.
Ultimamente ando comprando livros de humor. Estou tentando fazer uma biblioteca pra ler quando for viajar de avião – nem quero lembrar- por 13 horas, em breve. Preciso de algo relaxante, divertido. Já comprei quase uma dezena e não consigo guardá-los pra viagem: já li todos. Talvez precise reformular esse critério. Quem sabe um livro bem chato, mas tão chato que eu prefira tudo, até avião balançando, a ler o diabo do livro.
Agora sim, talvez seja a hora de eu tentar de novo o Ulisses...
Comments
Hello! This blog that it was difficult as for the English for the Japanese who watched blog of English study in various ways now that it came from Japan was interesting
Posted by: suzuki | setembro 22, 2007 9:32 AM
Me encanta tu idea de que un buen libro es aquel que dialoga. Y como uno va madurando y cambiando, la manera de charlar va mudándose también.
Pero hay libros para todas las ocasiones, casi como la música.
Leer es delicioso y muy adictivo. Espero que cuando hayas empezado a leer los de humor nos hagas una lista de tus dos o tres favoritos... para comparlos. Gracias de antemano.
Posted by: Álvaro | setembro 22, 2007 10:10 AM
Maray, tenho dúvidas de que as viagens longas de 13 horas sejam a altura ideal para retomar o «Ulisses». Fiz duas recentemente e preferi adormecer a ver videos. Não conheço, aliás, nenhuma boa para retomar o «Ulisses». Desgraçadamente, só conheço as de parar. Algumas, até, de amaldiçoar o coitado. Tal como à mãe do Joyce...
Posted by: Marx | setembro 22, 2007 1:27 PM
Susuki: se você está tentando entender meu blog através da tradução do Babel que tem aqui ao lado, você vai ficar louco. Eu uso muitos termos "inusuais" na linguagem formal. Se é que é isso o que você quis dizer...abraços do lado de cá do oceano!
Alvaro: temos muitos e bons escritores de "humor" por aqui. Não sei se têm tradução. Um deles, o Luis Fernando Veríssimo, deve ter. O Mário Prata talvez. Já o Aldyr Blanc tenho dúvidas. Em todo caso, se achar por aí, estão recomendadíssimos! Um abração
Marx: eu não consigo "preferir adormecer". Tenho verdadeiro pânico em lugares fechados. Mas desta vez vou de literatura amena e remédio tarja preta. Algum deles vai ter que funcionar :)
Abração
Posted by: maray | setembro 22, 2007 2:57 PM
Os nossos gostos literários vão mudando ao longo da vida.
Vamos ver se hoje consigo que o comentário entre. Tem sido difícil...
Posted by: peciscas | setembro 22, 2007 4:01 PM
Peciscas: não sei o que acontece com a minha versão do movable. Todos os comentários entram. O que acontece é que às vezes aparece como se houvesse zero comentários no post e se você clicar ali, tem vários. Estou tentando driblar isso de outra forma e agora parece que vai dar certo. Não desista, sim??
Abração
Posted by: maray | setembro 22, 2007 4:33 PM
Com o tempo vamos ficando seletivos e aprendemos a não desperdiçar tempo com o que não gostamos. Experimente outros gêneros de livros para guardar para a viagem. Conhece o Andrea Camilleri? Acho que muito se perde na tradução, mas é um autor que me diverte.
Posted by: Allan | setembro 22, 2007 8:25 PM
Sou leitora voraz desde que aprendi a ler aos 5 anos. Livros finos, livros grossos, ilustrados ou não, com ou sem diálogos (como escritora sei como são difíceis de escrever). Mas apenas livros de que eu gosto, mesmo que sejam ultra louvados, se não gosto, Xô! Só lá pelos longínquos 20 anos, quando era importante exibir leitura, li alguns livros que não me interessavam. Quanto ao Ulisses, digam o que disserem, louvem o quanto quiserem, ainda não desce. E como á cheguei aos 70, duvido que ainda vá descer algum dia.
Posted by: Sonia | setembro 25, 2007 12:38 PM
Olá Maray, tudo bem?
Por falar em coisas que não desce, resolvi por fim em meu blog. Apaguei tudo.
Talvez volte novamente, e se acontecer, informarei.
Abraços.
Posted by: candido | setembro 25, 2007 1:09 PM
Puxa Candido!! Isso é que se chama tirar a escada e me deixar de broxa na mão....( ou será brocha? Enfim, melhor dizer que fiquei a ver navios) !!
Felicidades!
Posted by: Che Caribe
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setembro 25, 2007 7:33 PM
maray, sou como vc: ulisses, o livro que não terminei... bjs
Posted by: andrea | setembro 26, 2007 1:32 AM
Amiga,aqui tienes otra devota de los diálogos bien construidos!!!
Y una eterna coleccionista de libros de tapas bellas (es lo bueno de trabajar con niños)
Ahora bien,esas trece horas te traen de este lado del océano?
Posted by: Sole | setembro 27, 2007 4:53 AM
Ainda não, Sole. Desta vez me levarão a um outro oceano, o Pacífico, ao encontro do filhão. Se eu conseguir superar tantas horas de vôo, aí sim, meu próximo passo ( ou bater de asas) com certeza será Compostela!!
Posted by: Che Caribe
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setembro 27, 2007 12:31 PM