achados e perdidos
Quem acha, vive se perdendo...
Tem gente que acha. Meu pai, por exemplo. Achava fios elétricos, barbantes, parafusos, porcas, pregos. Madeirinhas e madeirões. Trazia tudo pra casa, naquela filosofia de “um dia será útil”. Se essa filosofia viesse acoplada àquela outra, a da “reciclemos pra alcançar o reino dos céus”, tudo bem. Mas ele era péssimo com trabalhos manuais. Sem ser manuais também. Então, ele só trazia as coisas, pra desespero da minha mãe. E ficavam lá, atulhando tudo.
Quando ele morreu, passamos mais de uma semana desencavando coisas estranhas que ele guardava pra jogar fora. Nada serviu, afinal. O que servia e muito era ele, mas ele se foi.
Eu, em compensação, não acho nada. E não é por falta de olhar pro chão, que eu adoro andar a pé, apesar das calçadas e ruas esburacadas.
Acho sujeira, pets em geral, papéis de salgadinho, de sorvete, de bala, o que me daria base pra todo um estudo a respeito dos péssimos hábitos alimentares do brasileiro em geral, paulista em particular, morador da zona sudoeste mais especificamente. Mas não tenho tesão nenhum por esse tipo de estudo.
E perco coisas.
Já perdi vários pacotes de presente num ônibus em véspera de natal. Foi trágico!
Perco guarda-chuvas e canetas. E jaquetas. E livros e revistas. E luvas.
Mas não perco a mania de olhar pro chão, na esperança de um dia achar algo que preste.
Um bilhete premiado, uma jóia, um livro do Reinaldo Moraes - estrangeiro em casa- que fala de uma viagem por São Paulo, de sul a norte e que eu não acho em lugar nenhum.
Poxa!!

Comments
finalmente achei um blog que presta.
enfim, aonde? apostila do cursinho (universitário).
muito bom os textos.
Posted by: Jéssica | setembro 11, 2007 4:12 PM
Achar é lucro! Pior os compradores compulsivos, que pagam para perderem-se nas suas novas bugigangas. Conheci gente viciada em "TeleShopping", tinha mais equipamento eletrônico dentro da cozinha do que o número de dias no ano que parava ali para cozinhar!
Posted by: Capedonte | setembro 13, 2007 6:16 AM