a casa da frente está fechada
A casa da frente está fechada. Há meses. Não mora lá mais ninguém. No entanto, tanta vida continua por lá!
O inverno, que nem se podia chamar de inverno já foi e os abacates do abacateiro também. As crianças subiam no muro pra pegar os mais visíveis. Os outros as maritacas devem ter comido. Ou os sabiás. Ou os bem-te-vis. Ou os pintassilgos. Por aqui há toda uma passarada, de dia até de noite. De noitão, de forma meio lúgubre, tem uns que parecem gaivotas mas não devem ser. Até porque o mar mais próximo está a 100 km daqui.
As plantas do jardim, com a chegada da primavera, estão cada vez maiores e mais verdes. E as folhas secas que cairam pra dar lugar a outras novinhas e verdes, acumulam-se pelo chão de cimento, sujo das chuvas, da falta de limpeza, da falta de gente e bicho.
A casa fica lá, me olhando. Vazia.
Quem será que vai vir morar ali? Uma família? Bichos? Crianças?
Quantas eu já não conheci que moraram ali: única casa alugada de toda a rua. A cada dois ou tres anos alguém vai embora e alguém chega.
Quem virá desta vez?
Tudo, mas tudo mesmo, menos uma pizzaria!

Foto Ferruccio Ferroni
Comments
Maray, a antever pelo aspecto das janelas e do seu interior acolhedor, uma família portuguesa, concerteza...
Posted by: Marx | setembro 19, 2007 7:44 PM
Não quer ser nosso vizinho, Marx? Aluguel acessível, vizinhança boa, muito verde.É verdade que por aqui tem muito cachorro e pomba e depois de algum tempo, ninguém aguenta mais tanto latido e arrulho...Por outro lado você poderia incrementar a torcida da Portuguesa, que por aqui é bem minguada, ao contrário do vasco, no Rio :)
Posted by: Che Caribe
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setembro 21, 2007 1:23 PM
Maray, já me vou mudar, proximamente. Para fora de Portugal. Para um local onde, para além do verde, espero, não faltarão pombas e cachorros. Tudo a latir e a arrulhar como, certamente, a minha torcida, lamento, do Benfica.
Posted by: Marx | setembro 22, 2007 1:20 PM